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Quanto Vale Um Saco de Pipocas?

Quanto Vale Um Saco de Pipocas?

Preparava latinhas de arroz-doce e saquinhos de pipocas, colocando os filhos
a vendê-las pelas ruas da cidade. Sendo, eu, o mais novo, demorei um pouco para
conquistar a “glória” de ser autorizado a sair, também, com os tabuleiros dos
comestíveis à venda. Quando isso aconteceu, senti-me muito motivado, como sendo
o sinal de “adulto”, pessoa responsável, que podia “fazer negócios” sozinho.
Algumas cenas nunca mais se apagaram da minha memória.

Já vai para mais de 40 anos que me revejo, na tela das esmaecidas lembranças,
à frente do único cinema da cidade, com a vasilha cheia de saquinhos de pipocas.
Cada um que vendia era uma emoção renovada. Quando alguém, uma mãe, por exemplo,
comprava vários de uma vez, para os filhos, minha alegria não tinha tamanho.
Geralmente, éramos mais de um e comentávamos, uns com os outros, o andamento do
trabalho. E, ao voltar para casa, com, pelo menos, mais da metade vendido,
vínhamos eufóricos e felizes.

Prestávamos conta à “empresária” mamãe dos resultados, com as contas feitas,
cuidadosamente. Só muito mais tarde pudemos entender que o seu “rigor” não se
centrava tanto no cuidado com a “mercadoria” e os mil-réis correspondentes,
senão, principalmente, no empenho em ensinar-nos o dever da responsabilidade.

Sempre que nos volta à lembrança esse tempo, ficamos a meditar quanta emoção
fora vivenciada e quanto é fácil fazer a alegria de uma criança, especialmente
quando um adulto, com certa habilidade, consegue transformar uma situação de
apreensão e dificuldade em estimulante atividade de desenvolvimento.

Acontece que (sem querer exaltar a querida genitora, há muito no mundo
espiritual), ela também conhecia, como ninguém, a importância da “vibração” das
coisas, e colocava muito empenho e, mesmo, amor em tudo quanto fazia, pela
satisfação de poder dizer (especialmente para si própria), que o produto saído
de suas mãos era de boa qualidade. E nisso, também, há uma grande lição porque,
aparentemente, quão pouca criatividade se pode imaginar num simples ato de
arrebentar pipocas… os saquinhos de papel eram costurados um a um, na velha e
imbatível “Singer”, de vez que, naquele tempo e naquelas bandas, não os havia,
prontos, para comprar. E o preparar de cada dia fazia a festa da garotada que
esperava impaciente, enquanto entoava a ladainha: “rebenta pipoca, Maria
Pororoca”…

Quantas vezes as maiores emoções e mais gratas lembranças, vêm, não dos
grandes acontecimentos, mas, de cenas e fases marcantes na simplicidade de uma
quadra da vida! Ah, querido leitor, se os trabalhos, lutas, desafios e problemas
da vida – tanto a nível individual quanto coletivo – fossem trabalhados com o
mesmo espírito com que o velho menino vendia suas pipocas, à porta do cinema,
nas “matinês” de domingo e nas primeiras sessões da noite, por certo, o mundo
seria bem melhor, bem mais ameno.

O que é que que vale mais: o resultado pecuniário ou a vibração do fazer, do
sentir-se capaz de dar conta? Atente para a expressão do título: não perguntamos
quanto custa um saquinho de pipocas, sim, quanto vale. Quanto vale a vibração, o
empenho, o ideal que você coloca naquilo que faz, quando, realmente, motivado?

Isso não é amor? E o amor não é a essência de tudo? Não nos dizem as
Escrituras que “Deus é amor”? Tudo o que fizermos com o amor tem o sabor da
perenidade.

O edifício que você constrói ou o botão que prega na peça de roupa – sua ou
de outrem – pode ter algo de grandioso em comum: a consciência do valor da coisa
e a retidão com que é produzida.

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