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Reciclagem Mediúnica

Reciclagem Mediúnica

1 – Como entender a expressão “desenvolver Mediunidade?

O termo “desenvolver” significa:

  • aumentar
  • ampliar
  • fazer progredir
  • crescer, sentido que no desempenho mediúnico referencia edificar,
    construir, usar, torna a Mediunidade digna, elevada constituindo-se em
    trabalho que necessita aliar-se ao estudo, ao conhecimento, à perseverança no
    espaço e no tempo a fim de que a faculdade se amplie em perfeita harmonia.

Desenvolvimento mediúnico na realidade é educação; educação mediúnica, onde o
médium aprende a controlar, selecionar, dirigir suas relações espirituais;
ampliar, dinamizar seu potencial transformando-se no bom médium, que não precisa
ser pessoa extraordinária mas apenas proceder na vida como o “homem de bem” para
“domar suas más inclinações”.

2 – Mediunidade depende da moral?

 

Não. Em si, como faculdade, mediunidade não depende do fator moral. Pessoas
dignas, indignas a possuem. É faculdade orgânica como por exemplo, a vista, a
eloqüência que a possuem malfeitores ou não, e que podem usá-las para o bem ou
mal. Sob o ponto de vista espiritual no sentido que até então temos
estudado, moral é indispensável uma vez que os campos mentais elevados
serão atraídos ou oferecer-se-á sintonia a mentes boas ou melhores através das
características do homem moralizado. Na busca dos fatores morais da abnegação,
desinteresse, humildade, seriedade, paciência, perseverança, bondade, estudo,
trabalho, etc., etc. estabelece-se essa ligação com esses Irmãos Maiores. Ainda,
o homem moralizado sutiliza, por essa busca constante, seu pensamento no melhor
e assim aguça as percepções mediúnicas, levando-o a maior demonstração de
serviço de acordo com suas disposições individuais.

3 – Como entender a expressão “bom médium”?

 

Bom médium é aquele que agrega em si características essenciais a se
refletirem sob várias formas. Assim: materiais – há que ser pessoa
estudiosa
– uma vez que o processo mediúnico acontece de pensamento a
pensamento, mente a mente; quanto mais aquisições mentais em termos de vida
atual (consciente) e passada (inconsciente) tiver, mais apto se coloca para
compreender a idéia do Espírito, que de preferência, desses médiuns se serve,
uma vez que a comunicação se torna mais fácil, do que através de um médium
preguiçoso, limitado e sem conhecimento. Há que ser sério não querendo
significar triste e sim o contrário de leviano. Servir-se-á da sua faculdade só
para fins verdadeiramente úteis. Jamais a utilizará para futilidades, satisfazer
curiosos, indiferentes ou provar o que quer que seja. Há que ser modesto,
isto é, não se atribuirá mérito pelas comunicações que receba ou efeitos que
cause. Não se julga a salva de mistificações e procura, pede, aceita avaliação
nesse sentido em relação ao seu trabalho. É devotado, perseverante,
sabe que tem um compromisso e assim prepara-se constantemente não falta ao
trabalho, é responsável. Abre mão com prazer, de alguns hábitos visando o bem do
outro. É seguro embora humilde, tem certeza da natureza dos Espíritos que
o assistem e assim entrega-se confiante ao trabalho. Sabe que o maior inimigo do
médium está nele mesmo, assim evita o personalismo, a ambição, a rebeldia pois
sabe que esses aspectos abrem ou levam a campos improdutivos. Ainda desfrutará
de condições físicas livres de enfermidades ou desequilíbrio orgânico. Além
desses cuidados pessoais, há que ter virtudes, isso é buscar a prática do bem,
uma vez que os bons Espíritos precisam desses pontos com os quais sintonizam com
o médium. Assim as qualidades propiciadoras desse campo atrativo seriam a
bondade, benevolência, simplicidade de coração, amor ao próximo, desprendimento
das causas materiais, etc., etc. Os defeitos que os afastariam, abrindo pelo
mesmo processo campo às entidades das sombras seriam: o orgulho, egoísmo,
inveja, ciúme, ódio, cupidez, sensualidade e demais sentimentos que escravizam o
homem à matéria.

4 – Por que a recomendação de que as sessões mediúnicas não podem ser de
portas abertas?

 

Seria lícito fazer funcionar um laboratório de Química diante de pessoas
irresponsáveis como desconhecedoras da reações das substâncias que estão nas
provetas e retortas? Seria lícito o atendimento de pessoas problematizadas
diante do olhar curioso da massa? Justificar-se-ia conduzir o leigo e
desinformado a uma tarefa de profundidade sem ministra-lhe o mínimo de
esclarecimento?

A sessão mediúnica é atividade de grande envergadura que exige de seus
membros recolhimento e concentração. Ter as portas abertas para o público em
geral, segundo os postulados kardecistas é agir com leviandade e desconsideração
pela qualidade do trabalho, transformando o cometimento de alta envergadura no
espetáculo curioso das pessoas frívolas, porque se há de compreender que aqueles
que vêm a uma sessão espírita pela primeira vez, ou sem o espírito do trabalho
em si, não o fazem com unção e respeito porque nem sabem do que se trata, buscam
antes o espetáculo, o miraculoso, o sobrenatural, o recado, o imediato.

Daí a necessidade do conhecer, do aprender, do entender o significado e a
magnitude da experiência que vão viver, para que saibam preparar-se e
conduzir-se durante seu desenvolvimento.

Antes da Codificação, quando as reuniões eram frívolas e as entidades vinham
para divertimento das reuniões que se faziam com caráter social, portas eram
abertas e todos participavam no ambiente de irresponsabilidade e frivolidade e
até diversão. Desde que a Doutrina foi apresentada e “O Livro dos Médiuns”
publicado, surgiram as técnicas e a ética de como lidar com o fenômeno. No
capítulo XXIII consta que “(…) um dos maiores escolhos à prática do
Espiritismo é a mediunidade por causa das obsessões”, chamando atenção para as
atividades com os desencarnados realizadas em ambientes frívolos com pessoas
irresponsáveis ou desconhecedoras e que caminham para conseqüências obsessivas
geradoras de dependências no desrespeito a essas mesmas entidades e atividades,
já que não se pode pedir a pessoas que desconhecem um comportamento compatível
com a grandeza da tarefa que se desenvolve.

5 – O que dizer do pensamento de alguns espíritas que acreditam que as
reuniões mediúnicas devem servir para atrair pessoas ao Espiritismo?

 

Voltamos ao engodo. Sessão mediúnica é uma terapêutica, sua finalidade é a
iluminação, não a satisfação da curiosidade ou divertimento, mesmo porque o
frívolo jamais será atraído pela seriedade do cometimento, exigindo sempre mais.

Pudesse a sessão mediúnica atrair pessoas ao Espiritismo, todos aqueles que
investigaram médiuns, ter-se-iam tornado espíritas, o que não se deu. Charles
Richet prêmio Nobel de Fisiologia, uma das notáveis culturas do século IXX,
estudou quarenta anos os médiuns e desencarnou sem acreditar na comunicação dos
Espíritos. Encontrou sempre mecanismos de evasão para justificar o fenômeno,
negando-o inclusive. Na sua grande obra “Metapsíquica humana”, em nenhuma vez
cita a palavra Espírito. Criou inclusive hipóteses absurdas como por exemplo em
que nos fenômenos da materialização, os médiuns ingeriam antes metros de tule e
depois por regurgitação eliminavam para fazer com que esses véus flutuassem no
ar. Um cientista do talhe de Richet – esquecido dos sucos gástricos e que se
esses tecidos viessem do estômago teriam que vir úmidos e com odores
característicos das substâncias encarregadas da digestão. Os médiuns eram
examinados em todos os seus orifícios naturais. Aplicavam-se-lhes purgativos e
vomitórios para provar que eles nada traziam no organismo e nem assim Richet se
tornou espírita. A sessão mediúnica não pode ser usada para atrair público.

É necessário critério nas realizações de natureza mediúnica para que não se
exponha a mediunidade como espetáculo. Preparemos as pessoas para que elas
possam fazer uma análise cultural, científica do fenômeno. Aquele que persegue o
fenômeno raramente se torna espírita – o fenômeno pelo fenômeno cada vez exige
mais – amanhã quer um acontecimento mais evidente, depois mais impactante e por
fim que o absurdo porque a novidade de hoje será a monotonia de amanhã e o fato
deslumbrante de agora o cansaço de mais tarde.

Lembrar ainda que a mediunidade não é objeto da Doutrina Espírita – a meta
desta é criar um nova mentalidade, promover o homem, torná-lo responsável,
cidadão nobre, justo, que luta contra suas imperfeições no sentido de
renovando-se, desenvolver seu potencial perfectível.

 

6 – Como entender os grupos mediúnicos que não analisam nem avaliam os
resultados dos seus trabalhos?

 

Que os trabalhos e os resultados estão sempre sob suspeição, porque se não
houver intercâmbio honesto entre os dirigentes e os médiuns, os doutrinadores e
os médiuns enfim, um diálogo franco, uma análise honesta das comunicações e da
atuação dos participantes, o trabalho perde sua estrutura comportamental, os
médiuns se envolvem em melindres, os doutrinadores em susceptibilidades não
aprendendo a trabalhar com lealdade e sobretudo com espírito de cooperação.

Todas as tarefas necessitam comentários, avaliação inclusive na área do
intercâmbio mediúnico onde o médium precisa ter a honestidade de em terminando o
trabalho, colocar: — Naquela comunicação o companheiro não percebeu bem a
necessidade do Espírito uma vez que ele queria dizer tal coisa e não aquilo que
você supôs. O doutrinador por sua vez, também precisa desse clima aberto para
dizer ao médium: — Naquela determinada comunicação houve desequilíbrio de sua
parte ou na forma de falar / ou nos gestos violentos / ou no barulho feito etc.,
etc. E em qualquer comentário feito não se ofender uma vez que todos procuram
melhor forma para trabalhar, servir de modo mais eficiente onde o amor encontre
campo livre e aberto para expandir-se levando esperanças, certeza,
possibilidade.

A realidade dosada com amor só pode ajudar. É necessário se faça avaliação
das atividades mediúnicas e que não fiquemos inimigos dos companheiros. Seja o
comentário procedente ou não, é pelo diálogo que se esclarecem as situações
ficando sempre a advertência à vigilância, para que não fiquemos vaidosos, nem
presunçosos, nem nos achemos donos da verdade.

Bibliografia consultada para a série:

  • Kardec, A. – O Livro dos Espíritos
  • O Livro dos Médiuns
  • A Gênese
  • Obras Póstumas
  • Franco, Divaldo P. – Coleção de fitas K7 – Entrevista – O Centro Espírita
  • Pires, J. Herculano – O Centro Espírita / Mediunidade
  • VERDADE E LUZ – Estudando Kardec – janeiro a agosto/1998 (bibliografia
    constante)
  • Emmanuel – Pensamento e Vida – 2 – 26
  • Pão Nosso – 44 – 110
  • Religião dos Espíritos – 59
  • Caminho, Verdade e Vida – 153
  • Consolador – 98 -99
  • Luiz, André – F. C. Xavier – Mecanismos da Mediunidade
  • Nos Domínios da Mediunidade
  • Miranda, H. C. – Diversidade dos Carismas – Vol. 1 e 2
  • Denis, Léon – No Invisível
  • Delanne, Gabriel – Fenômeno Espírita, O
  • Autores Diversos – Projeto Manoel Philomeno de Miranda – Vol. 1 – 2 e 3

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

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