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Reciclagem Mediúnica

Reciclagem Mediúnica

7 – Deve-se fazer estudo da mediunidade nas sessões mediúnicas?

 

A finalidade da sessão mediúnica é a prática da mediunidade no intercâmbio do
Amor com os companheiros desencarnados. As reuniões de estudo normais não só de
Mediunidade como de Doutrina de um modo geral teriam seu dia determinado. Como
antecipação da sessão mediúnica leituras evangélicas leves, que predisponham
aqueles que irão participar do trabalho mediúnico ao relax que atenua o cansaço
do dia e plasma na mente dos participantes e no ambiente de trabalho, as
vibrações, o perfume consolador do Evangelho de Jesus.

 

Essa seria uma situação ideal – um dia para estudar Mediunidade, outro
dia para o trabalho mediúnico. Pela impossibilidade porém, de reunir o grupo em
dois dias diferentes é preferível que antes da sessão em si, se reserve
um tempo para o estudo da mediunidade e após a leitura do texto evangélico, e o
doar-se no trabalho de amor aos companheiros ali trazidos. (vide estudo V)

8 – O que pensar dos médiuns que se repetem ao longo do tempo em suas
comunicações de natureza improdutiva? Como diferenciar o processo anímico do
mediúnico e qual a correlação entre os dois?

 

Os médiuns que se repetem ao longo do tempo em suas comunicações de natureza
improdutiva muitas vezes estão envolvidos com fenômenos animistas ou viciações
da própria Mediunidade. No exercício deste, aplicar todo o bom senso e cuidados
possíveis. Em “O Livro dos Médiuns” Allan Kardec esclarece que “(…) todos
somos Médiuns”, não querendo isto dizer que todos temos tarefas específicas
nesse campo. Na área da Mediunidade há as várias funções, desde as tarefas
específicas às auxiliares. Há aqueles em que a Mediunidade pode aflorar em
épocas mais avançadas, para, por assim dizer, completar suas aquisições de
conhecimento, aformosear sua vida espiritual, uma vez que a Mediunidade nos
faculta uma ponte com o mundo transcendente e chega num momento em que abre,
facilita espaço para o embelezamento dos nossos valores ético-espirituais
ensejando-nos uma visão mais dilatada da vida.

O médium que durante um período se observa e vê que não realiza maiores
progressos, as manifestações mais ou menos sempre as mesmas, controle essas
exteriorizações e passe a colaborar com a mediunidade da caridade, com a
mediunidade do socorro pela prece, com participação na área da ajuda dos que
estão exercendo a vivência do amor em outras áreas. A sessão propriamente dita é
resultado do grupo de indivíduos ativos e passivos. Manter-se constante atenção,
investigação, na vigilância que possibilita perceber se os sintomas estão se
exacerbando ou permanecem estáveis.

Há casos em que durante vinte anos o “médium” permanece sentado à mesa sem
nada receber ou só evidenciam suspiros, soluços, gemidos. Colocadas ali
afoitamente pelo dirigente da casa ou do trabalho, recusam-se a afastar-se,
colaborando de outros modos, impedindo-se de perceber, abrir-se para outros
ângulos de um mesmo trabalho.

Aqueles que se encontrem nessa característica, deixem a mesa e se coloquem a
serviço do conjunto. Que na análise honesta, se aprofundem, se esforcem para o
efeito mediúnico ou liberem-se dele.

Por outro lado, há na literatura espírita o caso de um médium polonês, que
aos setenta e oito anos, de repente, começou a exercer a mediunidade e até os
oitenta e dois anos escreveu trinta maravilhosos livros mediúnicos.

A Mediunidade tem dessas coisas, por isso é necessário bom senso. Atenção
sempre, cuidado para não entrar em faixas radicais, extremas, mas ligado,
analisar o que está se encandeando, acontecendo ou sucedendo.

Quanto ao Animismo, palavra criada pelo sábio russo Alexandre Aksakof, quer
ela significar: fenômenos que procedem do próprio indivíduo. Explica em seus
livros (Animismo e Espiritismo vol. 1 e 2) ser difícil estabelecer a fronteira
onde termina o animismo e começa o fenômeno mediúnico ou vice-versa. Entretanto
o médium, se estiver atento, interessado e vigilante, poderá ele próprio
aquilatar numa avaliação íntima o que passou de si, de seu mundo pessoal, de
seus dramas e aflições. Da mesma forma, o atendente, se também se mantiver
alerta, conhecer e conviver com o médium.

Lembrar que todos temos fixações, vícios de linguagem, exteriorizamos
características que nos identificam.

Quando no fenômeno mediúnico esses aspectos se fizerem ostensivos,
repetitivos, exaustivos, o fenômeno é mais anímico que mediúnico. Quando os
estertores, as pancadas, a forma barulhenta ou grosseira, se repetir em grande
proporção o fenômeno pode ser mais anímico que mediúnico, decorrente da falta de
conhecimento ou educação mediúnica do médium.

Quando no fenômeno ocorrerem idéias que não são comuns ao médium, encadeadas
sem a contribuição do raciocínio, chegando as idéias prontas é mediúnico, porque
não foi resultado de uma elucubração, de um trabalho da personalidade do
sensitivo.

Essa é a regra, a teoria onde só o equilíbrio de cada um, a convivência do
grupo ligado aos ideais maiores do servir com Jesus, o trabalho atento dos
doutrinadores, do coordenador do grupo, a honestidade reinante entre todos é que
irá, nas avaliações constantes que são feitas, dimensionar quando o fenômeno é
anímico, quando o fenômeno é mediúnico.

9 – Como entender e lidar com o animismo?

 

Animismo, já vimos que é o conjunto de fenômenos psíquicos produzidos com a
cooperação consciente ou inconsciente do médium em ação.

Podem ocorrer em relação aos efeitos físicos ou efeitos intelectuais onde a
própria Inteligência encarnada comanda manifestações ou delas participa, numa
demonstração de que o perispírito pode desdobrar-se e atuar com seus recursos e
implementos característicos, fora do corpo físico.

Seres em desenvolvimento para vida eterna, encarnados e desencarnados guardam
consigo, quer no plano físico ou extra-físico as faculdades adquiridas, tem
todos os meios de que já se muniu para continuar seu trabalho de
aperfeiçoamento. Recordado isso fica mais fácil entender que as criaturas na
Terra partilham, até certo ponto, dos sentidos que caracterizam, a criatura
desencarnada e consegue muitas vezes, desenfaixar-se do corpo denso e proceder
como a Inteligência desprendida do corpo físico ou ainda obedecer aos ditames
dos Espíritos desencarnados como agente mais ou menos fiel de seus desejos.

É possível portanto cair a mente nos estados anormais de sentido inferior
dominado por forças do passado que a imobilizam, temporariamente em atitudes
estranhas ou indesejáveis levando a certos tipos de recordação segundo os
compromissos cármicos a que se acham presas.

Freqüentemente companheiros nessa modalidade de provação regeneradora são
encontráveis nas sessões mediúnicas, mergulhados em complexos estados emotivos,
dando até impressão que personificam outras entidades, quando na realidade
exprimem a si mesmas
, a emergirem da subconsciência o campo mental em que
viveram noutras épocas, sob o fascínio dos desencarnados que as subjugam.

Nessas ocorrências não poderá faltar a paciência e o carinho. As vítimas
desse processo não podem ser rotuladas de mistificadores inconscientes, pois
representam de fato, agentes desencarnados a eles jungidos por teias fluídicas
de significativa expressão. São estes Espíritos encarnados sofredores ou
conturbados idênticos aos desencarnados que se manifestam a requerer
esclarecimento e socorro, amparo espontâneo e auxílio fraterno onde reajustarão
as ondas mentais, cuidados estes que se estenderão aos companheiros do pretérito
operando reconstituição de novos caminhos.

Nesse entendimento, nas reflexões, ponderações em torno da oportunidade de
tais situações, acolher os companheiros ainda hipnotizados por forças que, a
distância, ainda os comandam, como reflexos condicionados que, com a ajuda
devida abrem-se a total capacidade de superação.

A tarefa espírita, que para o encarnado como para o desencarnado é contribuir
para aperfeiçoamento e renovação dos impulsos mentais, onde através da
educação
e do amor aconteça o entendimento, o amparo, a superação,
recuperando-se o companheiro à atividade livre para a sementeira de luz.

Bibliografia constante no estudo VIII. Acresça-se:

  • Missionários da Luz – André Luiz, cap. II
  • Animismo e Espiritismo, vol. 1 e 2. A. Aksakof
  • Mecanismos da Mediunidade – André Luiz – XXIII

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

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