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Reciclagem Mediúnica

12 – É possível encontrar contradições entre os Espíritos?

 

Sim uma vez que eles não pensam da mesma forma. Cada um tem uma bagagem, está
num degrau evolutivo, de um modo que a apreciação sobre um mesmo ponto será
variável. Admitir todos pensando igual, seria imaginá-los em mesmo nível o que é
impossível, uma vez que os Espíritos nada mais são do que a Humanidade
desencarnada. As comunicações terão o cunho da ignorância ou saber que lhes seja
peculiar no momento; o da superioridade ou inferioridade moral que os
caracterize. Necessário conhecer, saber a “Escala Espírita”, uma vez que como os
homens há entre os Espíritos inteligências com todas as nuances e diferenças.
Cuidado portanto quando sem análise, cegamente seguimos o Espírito, simplesmente
porque ele falou, disse etc. (LM 229)

 

Para que serve então o ensino dos Espíritos se não oferecem eles mais certeza
que o ensino humano? (LM 300, 2.°)

Ao homem compete, como lembramos acima, analisar, distinguir. Assim como não
aceitamos com igual confiança o ensino de todos os homens, igualmente devemos
proceder com os Espíritos. Os superiores jamais se contradizem e a linguagem é
sempre a mesma – mudará a forma da expressão para adequá-la ao entendimento de
quem ouve mas a idéia fundamental é a mesma.

Em síntese, parte das contradições que se dizem encontrar nas comunicações
espíritas derivam de:

  • Ignorância de certos Espíritos.
  • Embuste dos Espíritos inferiores que por maldade ou malícia usam o nome de
    outro Espírito e dizem justamente o contrário do que ele havia dito em outro
    lugar ou outro dia.
  • Da vontade do próprio Espírito que fala segundo o tempo, o lugar e as
    pessoas e que pode julgar conveniente não dizer tudo a toda gente.
  • Insuficiência da linguagem humana para exprimir ou explicar as coisas do
    mundo espiritual.
  • Da deficiência ou insuficiência dos médiuns que nem sempre permitem ao
    Espírito expressar plenamente seu pensamento, enfim, que cada um interpreta o
    que ouve, lê ou o que o outro fala segundo suas idéias, preconceitos ou pontos
    de vista que tem sobre o assunto. Assim só o estudo, a observação
    a experiência e a isenção de todo o sentimento de amor
    próprio pode ensinar a distinguir esses diversos aspectos.

 

13 – Quem trabalha com Mediunidade, a que outra ocorrência precisa estar
atento?

 

É necessário estar atento com as mistificações, isto é, com enganos, ilusões,
burlas, abuso de credulidade proveniente de encarnados e desencarnados, que
requerem em qualquer dos casos cautela e firmeza para não se deixar iludir.

 

14 – Haveria um meio de nos preservarmos dela?

 

O médium ou aquele que estuda, certamente terá muito mais facilidade de
perceber engodos quando desperto para o fim essencial do Espiritismo, que é o
crescimento do homem no seus aspecto moral, espiritual e conseqüente
melhoramento da Humanidade, ouvir, analisar e perceber nas instruções dos
Espíritos conteúdos que envolvam estes aspectos. As mensagens dos Espíritos que
não enganam ou mistificam consiste em emitir raciocínios visando tudo quanto
possa ser útil ao Espírito imortal.

Quando porém, procurarmos os Espíritos ou nos Espíritos indicações para uso
pessoal, honras, riquezas, paixões ou quaisquer assuntos fúteis ou materiais,
sem dúvida, conviveremos com Espíritos enganadores. Quando vemos portanto os
Espíritos como substitutos dos adivinhos e feiticeiros – com segurança – seremos
enganados, uma vez que estaremos lidando com Espíritos tão materializados e
inferiores quanto nós mesmos, incapazes de perceberem o conjunto, detidos ainda
nas particularidades, nos detalhes, nos imediatismos. Conclui-se que só é
mistificado quem merece.

 

15 – Como explicar – há pessoas que nada perguntam e que são enganadas pelos
Espíritos que vêm espontaneamente sem serem chamados?

 

Realmente essas pessoas nada perguntam, entretanto se comprazem em ouvir, o
que dá na mesma. Se fossem vigilantes, se acolhessem com prudência, análise e
reserva tudo quanto se afasta do objetivo essencial do Espiritismo, esses
Espíritos levianos não as tomaria por joguete.

 

16 – Por que Deus permite que pessoas sinceras que aceitam o Espiritismo de
boa fé sejam mistificadas?

 

Precisamos recordar que os Espíritos mistificadores usam de astúcia para nós
difícil de imaginar. Dispõem, arquitetam, planejam com arte, combinam meios de
persuadir, que realmente podem resultar em problemas para os que não se achem em
guarda.

Ora pode ser o recado particular, com época determinada, indicações precisas,
detalhadas e relativas aos interesses materiais. Ora, testam através da cobiça
na revelação de tesouros ocultos, anúncios de heranças ou outras fontes de
riquezas. Outras vezes ainda com nomes importantes, teorias pessoais, sistemas
científicos ousados, enfim tudo quanto se afaste do objetivo moral das
comunicações.

 

Um encarnado experiente pode ser mistificado?

 

Colhemos na Revista Espírita Mensal – Informação n.° 68 – a seguinte
entrevista com Francisco Cândido Xavier, a qual transcrevemos:

 

1 – Foi você vítima de mistificação algumas vezes?

 

FCX – Muitas.

 

E até hoje isso acontece ou pode acontecer?

 

FCX – Sim.

 

2 – Por que sucede isso a você, que já psicografou tantos livros?

 

FCX – Decerto que o mundo espiritual permite que eu passe por essas
provações para mostrar-me que receber livros dos Instrutores Espirituais não me
cria privilégio algum, que estou apenas cumprindo um dever e que sou um médium
tão falível quanto qualquer outro, com necessidade constante de vigilância,
oração, trabalho e boa vontade
.

Outro exemplo, encontramos em Paulo quando da sua estada em Filipes. Havia
ali célebre pitonisa, cujas palavras eram interpretadas como oráculo infalível.
Na primeira pregação estava ela presente. Terminada a exposição do Apóstolo a
moça em altos brados se põe a exclamar:

— Recebei os enviados do Deus Altíssimo! (…) Eles anunciam a salvação! (…).

Paulo e Silas ficaram um tanto perplexos, mas nada disseram.

No dia seguinte, porém, repetiu-se o fato atirando-lhes a jovem elogios e
títulos pomposos.

Paulo atento espera e tão logo termina a pregação na praça, ao começar a moça
a gritar: “— Recebei os mensageiros da redenção! Não são homens, são anjos do
Altíssimo, o convertido de Damasco desceu da tribuna a passos firmes e,
aproximando-se da locutora dominada por estranha influência, intimou a entidade
manifestante em tom imperativo:

— Espírito perverso, não somos anjos, somos trabalhadores do Evangelho; em
nome de Jesus Cristo, ordeno-te que te retires para sempre! Proíbo-te em nome do
Senhor, estabeleceres confusão entre as criaturas, incentivando interesses
mesquinhos do mundo em detrimento dos sagrados interesses de Deus.

O fato provocou enorme admiração popular.

O próprio Silas, que de algum modo se comprazia ao ouvir os elogios da
pitonisa e os interpretava como conforto espiritual estava boquiaberto, e tão
logo se vê a sós com Paulo pergunta-lhe:

— Acaso não falava ela em nome de Deus? Sua propaganda não seria para nós
valioso auxílio?

Paulo sorriu e sentenciou:

— Porventura Silas, poder-se-á na Terra julgar qualquer trabalho antes de
concluído? Aquele Espírito poderia falar em Deus mas não vinha de Deus.
Que fizemos para receber elogios? Dia e noite, estamos lutando contra as
imperfeições de nossa alma. Jesus mandou que ensinássemos, a fim de aprendermos
duramente. Não ignoras como vivo em trabalho com o espírito dos desejos
inferiores. Então? Seria justo aceitarmos títulos imerecidos quando o Mestre
rejeitou o qualificativo de “bom”? Claro que se aquele Espírito viesse de Jesus,
outras seriam as suas palavras. Estimularia nosso esforço, compreendendo nossas
fraquezas”.

Essas duas passagens mostram ser comum a aproximação de entidades
mistificadoras porém isto de forma alguma quer dizer que o médium ou um grupo
está obsediado. Servirão sim, para o alerta de que tudo deve ser submetido ao
“crivo da razão”. Como lembra Erasto “(…) Melhor repelir dez verdades do que
admitir uma só falsidade. Caso seja a verdade, que neste momento estamos
recusando, justamente porque é a verdade dia mais ou dia menos ela se imporá”. É
melhor ser cuidadoso do que se comprometer.

Lembrar que o mistificador é um Espírito necessitado e que os Amigos
Espirituais permitem que venham a um grupo, para que recebam ajuda. Ele só se
imporá a este caso ache brechas que lhe propiciem a ação. Caso o médium e o
grupo esteja atento, recebê-lo, levá-lo a entender com firmeza mas educadamente
que não está enganando ninguém, mas sempre a si mesmo.

Na mistificação portanto há mentira, engodo, engano que os desencarnados
tentam passar para os encarnados. Não confundir com Animismo (já estudado
VERDADE E LUZ n.° 164) onde o desajuste psíquico do médium tenta passar
consciente ou inconscientemente seu mundo mental.

Acrescer na Bibliografia original:

  • Revista Espírita Informação n.° 68
  • Paulo e Estevão – Emmanuel, cap. VI

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

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