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Reciclagem Mediúnica

Necessidades do Espírito: Reciclagem Mediúnica

 

1 – Conversa com o desencarnado

 

Por caracterizar-se como ponto alto, razão de ser de cada sessão mediúnica, é
de importância recordar que os Amigos Espirituais, de inúmeras formas, tentaram
auxiliar, sem conseguir alterar o mundo mental, fazer-se visível ou ouvido, por
companheiros centrados, fechados na dor e no desespero. Será através do contacto
com fluidos materiais, próprios ao médium, que experimentarão sensações. Como se
tivessem novamente um corpo físico, “acordam”, oferecendo pelo choque, alguma
abertura que, por menor que seja, possibilitarão a que outras providências
prossigam, depois nos tratamentos que se fizerem necessários.

Assim os Espíritos trazidos chegam com dores, problemas dos mais variados:
fome, frio, ódios, doentes em fase terminal, nas situações de agonia;
desconhecem outros que desencarnaram, não encontram familiares ou sentem-se
abandonados por estes, suicidas, homicidas, enfim, todo um complexo de aflições,
onde simplesmente convidar a orar ou fazer pregação doutrinária, além de
ineficaz, distancia, revolta e afasta. Essa forma ainda resulta como improdutiva
e cansativa. Lida-se com individualidades onde as repercussões das dores são
específicas, personalizadas. de um modo geral o Espírito começa dominar a
organização somática e psíquica do médium entra o atendente: — Jesus seja
louvado! Venha na paz do Senhor, mas venha calmo, com disciplina! Você não
precisa tremer. Você não sente frio! Não sente fome… isto está na sua cabeça.
Seu corpo já morreu! Você é um Espírito! Concentre-se e mentalmente acompanhe
minha prece ao Senhor da Vida…
e vai por ai…

Esse modo de atender não corrige, não é fraterno, não conduz a paz,
tranqüilidade, segurança, reconforto, esperança, solidariedade, respeito,
compreensão, detalhes imprescindíveis em momentos tão difíceis.

Daí a necessidade de ouvir antes de começar a conversar. Ligar-se
atentamente ao que está sendo dito; procurar “ler” nos gestos, trejeitos,
tom de voz; unir-se aos amigos Espirituais com toda atenção centralizada para
sentir onde o Espírito está detido
, em que ponto e sob que dor parou. Quando
acontecer o momento propício, ir conversando em cima das colocações feitas
pelo Espírito
. Tratar essa realidade com afeto, bom ânimo, com respeito ao
seu livre-arbítrio. Sem esses cuidados básicos corre-se o risco de impor,
sugestionar, condicionando-o a aceitar cominhos indicados que aumentar-lhe-ão o
conflito, leva-lo-á a decepções maiores ou a enganar, dizendo-se bem, que
aceita, concorda, apenas para ver-se livre da avalanche verbal com que se vê
bombardeado.

Ao ouvir, ter presente alguns itens necessários e de direito à qualquer um:

  • respeito pelas idéias aventadas, não teimando, impondo, criticando,
    ameaçando ou insistindo para que largue tudo, abra mão do que pensa e mude
    como num passe de mágica.
  • atenção – aplicação cuidadosa da educação; delicadeza, cortesia, na
    firmeza serena de quem confia
    .
  • compreensão, entendimento, capacidade de perceber o conflito. Imaginar-se
    na situação do outro, entendendo sem críticas o porque daquelas atitudes.
  • afeição – sentir realmente amizade, desejo de ajudar, de que aquele
    Espírito sinta que não está sozinho, de que há possibilidade de mudar,
    entender, buscar soluções que esclareçam e apaziguem esse mundo íntimo em
    chamas.

O clima estabelecido abre espaço para o diálogo, mesmo em campos opostos do
pensar. O Espírito fala das suas decepções, desejos. Sai da retaguarda
ostensiva, prevenido porque sentiu que não vai ser julgado, preso ou forçado a
tomar atitudes, que no momento, não quer.

Para isso, não aconselhá-lo a agir desta ou daquela forma, mas
levá-lo
a pensar, por exemplo – dentro dessa situação vivida pelo senhor(a)
por que se decidiu por tal atitude? o que sentia no momento? o que lhe trouxe de
bom? e de ruim? será que o senhor(a) conhece todos os detalhes do fato
acontecido? etc., etc., etc. Podemos, nessa conversa amiga, inverter os papeis,
perguntando-lhe o que seria mais lógico em termos de providências, levá-lo a
achar respostas, a refletir sobre opções. Outras vezes, faz-se raciocínios
paralelos com desfecho melhor para todos, avaliando com ele as providências
tomadas, os resultados alcançados. Enfim, se tivermos nos preparado, ligados aos
dirigentes do trabalho, idéias surgirão, com tal riqueza e certeza, que mais
tarde nos surpreendemos na condução dada ao caso, justamente porque encadeou-se
na mente tal lógica, que sabemos, sozinhos, não teríamos condição para tal.

Não perder de vista que o diálogo estabelecido leva o ideal de despertar para
uma atitude, levando-o a formar sua própria opinião, decidir no caso de
sua vontade. Ainda, nada acontece de repente – ele precisa de tempo para
absorver, trabalhar todo um bloco de sentimento ou raciocínios, novos para ele.
Até que se decida, muitos altos e baixos acontecerão. Portanto, não ter pressa,
não exigir ou ficar aflito por resultados, pedir a palavra ao Espírito de que
fará isto ou aquilo, no compromisso de que dali para a frente estará totalmente
mudado, etc., etc.

Tal como o semeador da parábola de Jesus, a bênção do trabalho oferece ao
trabalhador oportunidade para que semeie a melhor semente, não dando porém,
direito à colheita, e, a ver ou exigir resultados. É um trabalho sobretudo, de
amor, de doação onde o importante é esse oferecimento do melhor. Em “Espiritismo
e Exercício Mediúnico”, o Espírito Marina Fidelis dita página altamente
oportuna. Diz ela: “O médium de um modo geral e o esclarecedor em especial devem
ter:

  • (…) consciência crítica da alta responsabilidade de orientar o próximo
    sem tirar-lhe a liberdade,
  • de educar sem constranger
  • de falar de amor exemplificando
  • de ajudar e agenciar a caridade sem humilhar
  • de ensinar com responsabilidade
  • de aconselhar sem anular o livre-arbítrio
  • de ser útil sem se sentir indispensável
  • de participar dos padrões materiais sem descurar dos princípios
    espirituais
  • de ser humilde sem servilismo
  • de acreditar sem imaginar que é dono da verdade
  • de crer em Deus, no Evangelho do Cristo e na Doutrina dos Espíritos sem
    perder o raciocínio crítico.”

 

2 – No trabalho mediúnico de socorro aos desencarnados: psicofonia ou
psicografia?

 

O objetivo destes trabalhos, quer seja de pronto-socorro ou
desobsessão, é o socorro, a ajuda que chegará através dos encaminhamentos ou
ponderações havidas das conclusões, pensamentos que suscitem no Espírito do
aceitar, desejar ou não mudanças, como direito que lhe cabe como entidade livre
e responsável.

Nestes casos, a mediunidade que melhor se presta a essas finalidades, é a
psicofonia. O diálogo estabelecido no clima e nas condições estudadas
constitui-se na essência da tarefa. Dificilmente essa palavra direta, viva,
envolvente, contagiante, pelo teor vibratório do qual está impregnada, poderá
ser substituída sem perda considerável para a eficácia do processo. Mesmo quando
são trazidos Espíritos que não conseguem se expressar (pelos motivos mais
variados) a palavra tranqüilizadora, o ambiente balsâmico acalma-o. Ele sente,
ouve o atendente tranqüilo falar da ajuda que já o envolve, do tratamento que
está sendo ministrado, da confiança que pode ter onde ninguém irá maltratá-lo,
que está entre pessoas que irão cuidar dele, etc., etc. Se em casos
extremíssimos se usasse a psicografia o atendente falaria e o Espírito
escreveria, responderia por escrito, experiência lenta, cansativa, fria,
reforçando que neste tipo de trabalho nada substitui a palavra falada. É através
dela sobremodo, que passamos e sentimos as reações que se processam onde o
manifestante deixa perceber sua personalidade, seus cacoetes, seu estado de
irritação ou serenidade, ironias, vacilações, sinceridade, emoções enfim.

 

3 – Relacionamento médium-doutrinador

 

Como vimos no estudo anterior os cuidados de inter-relacionamento do grupo na
harmonia do ideal comum de amar e servir, é requisito comum a todos os
componentes. O relacionamento entre médium e doutrinador não foge a isso. Pela
natureza íntima, pela proximidade de ambos num trabalho coloquial diríamos
assim, há que haver sintonia impecável, correta. Devem estimar-se, respeitar-se
sem servilismo, fanatismo ou preferências, sem temores, prevenções ou reservas
íntimas.

Faltando tal clima, o campo se instabiliza, provocando abalos, prevenções no
Espírito comunicante, que usará do instrumental psíquico com as reservas que
encontra no médium. Se as relações forem de restrição, desconfiança,
hostilidade, a tarefa será dificultada, com limitações para todos.

No caso contrário, em clima de afeto e respeito, o ímpeto às vezes violento
ou agressivo daquele que está sendo trazido, se atenua ou se vê contido pelo
campo próprio, fraterno que, pelo simples fato de existir, abre espaço que lhe
arrefece os impulsos.

Afora isso, o médium terá cuidado de falar em tom audível, não tão baixo que
force o atendente aproximar-se muito pela dificuldade em ouvir. Manter-se
distâncias convenientes indicadas pela boa educação.

Quanto ao doutrinador, caso o Espírito chegue violento, agressivo e o médium
se exceda na exteriorização, cabe-lhe, educada e firmemente convidá-lo a que
fale mais baixo, etc., etc., etc.

 

4 – Mal-estar antes do trabalho – é possível que tal se dê, que o médium
ou demais participantes se envolvam em sintomas que leva ao deixar de ir ao
trabalho. Atenção na análise dessas situações – quase sempre está havendo a
projeção das vibrações de Espíritos coléricos, angustiados que alcançam o médium
(às vezes invigilante) com suas vibrações depressivas. Outras vezes, a chegada
de um amigo, o choro de uma criança, a chuva, o frio, o carinho de alguém
provocando dó de sair, incidentes que visam afastar o trabalhador. Instantes
após o início do trabalho no Centro, tudo se asserena – o amigo rapidamente vai
embora, a criança se distrai, a chuva diminui porém, naquele dia/noite um
obreiro a menos nos aprendizados do amor.

 

5 – Quando o Espírito diz que fará isto ou aquilo em relação a
familiares, ao próprio médium – ou outras situações, não se envolver em temores
infundados. Sofremos apenas naquilo que faz parte das nossas necessidade
espirituais ou que provocamos e não em decorrência do trabalho de desobsessão.

A todos os trabalhadores lembrar que o trabalho se desdobra nos dois planos
da vida, vinte e quatro horas e não apenas naquela hora e meia. Desde a noite
anterior ao deitar, ligar-se mentalmente ao grupo, dispor-se a ser preparado
pelos Amigos Espirituais, estudar, aprender, conhecer os casos. Acordar bem,
trabalhar, fazer do dia com suas ocupações também um preparo, para oferecendo o
melhor de si, produzir mais, auxiliar, doar-se para que o outro fique melhor.

Livros consultados:

  • Miranda, H. Correa – Diálogo com as Sombras
  • Fideles, Maria – Esp. – SBEE – Espiritismo e Exercício Mediúnico – Cap. XI
    – 61

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

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