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Sobre a União da Alma ao Corpo

Em resposta à questão 344 de O Livro dos Espíritos, sobre o momento de união
da alma e do corpo, eles nos informam que “A união começa na concepção (grifo
nosso), mas não se completa senão no momento do nascimento. …”.

Em A Gênese, Capítulo XI, item 18, vamos encontrar “Quando o Espírito deve se
encarnar num corpo humano em via de formação, um laço fluídico, que não é senão
uma expansão do seu perispírito, o prende ao germe para o qual se sente atraído
por uma força irresistível desde o momento da concepção. (grifo nosso)

Concepção, segundo o Novo Dicionário Aurélio, do latim conceptione,
é “o ato ou efeito de conceber ou de gerar (no útero); geração. Diferente de
fecundação, que é o ato ou efeito de fecundar (tornar capaz de conceber ou
gerar: fecundar uma mulher. Essas definições do mestre Aurélio
nos indicam que fecundação é o momento de encontro do espermatozóide
com o óvulo (conforme enciclopédia Delta Larousse) e concepção é
o desenvolvimento do embrião a partir de sua nidação (alojamento do ovo ou
zigoto no útero – endométrio), o que acontece no 5º ou 6º dia após a fecundação.
Note-se que pode acontecer, inclusive, embora seja um caso raro, de haver concepção
sem que tivesse ocorrido a fecundação (partenogênese).

Estou levantando essa questão porque é comum, entre nós, os Espíritas, o entendimento
de que essa ligação se dá no momento da fecundação, que acabou sendo reforçado pela
narrativa de André Luiz da reencarnação do Espírito Segismundo, no capítulo 13 do
livro Missionários da Luz, pag 233 da 20ª edição da FEB.

Gostaria que os queridos amigos do GEAE examinassem comigo esse entendimento,
fundamental, assim penso, para equacionar os casos de congelamento de embriões e
de descarte natural deles pelo organismo materno, o que ocorre em 70% dos casos.
Fundamental, também, para rotular ou não de “abortivos” determinados métodos de
contracepção.

Um abraço fraterno a todos, do José Maria Souto Netto, de Marília-sp.


Ola José,

Interessante o fato de você chamar a atenção para essa distinção de significado
que acaba tendo conseqüências práticas para o entendimento de como se processa o
início da reencarnação. Não posso fornecer senão minha opinião pessoal, que é prejudicada
pelo fato de não ter o conhecimento técnico na matéria.

Imagino que num processo ordinário (e que vem a termo) de reencarnação, embora
a distinção entre fecundação e concepção, esses estágios se confundem ou se sucedem
em curto intervalo de tempo. Assim podemos interpretar as colocações de A Luiz dentro
de uma aproximação feita seja para simplificar a descrição do processo ou por descuido
mesmo com o uso dos termos. No caso do Espírito Segismundo ele foi fecundado e concebido
normalmente e, portanto, sua reencarnação pode muito aproximadamente ser descrita
como tendo iniciado na fecundação embora a diferença bem lembrada de termos feita
com o dicionário Aurélio (que não é fonte espírita).

Certamente a distinção que você coloca pode ser parte da causa de apenas 30%
dos ovos fecundados e congelados não serem descartados pelo organismo materno, mas
acho que devem haver outras razões físicas também que cabe à pesquisa descobrir.
A discussão é de fundamental importância no julgamento de métodos abortivos.

Vejo o problema da seguinte maneira: não é possível estabelecer uma linha demarcatória
seja por meio de um método, de uma simples lei ou procedimento que inequivocamente
levaria à classificação desse ou daquele método como “abortivo”. Da simples decisão
de um casal a não ter filho até a retirada forçado de um feto com 9 meses de gestação,
existe um escala contínua de estágios e um ponto intermediário onde a morte provocada
do feto é um aborto. Poderíamos talvez dizer “a partir de tal estágio de desenvolvimento
do embrião qualquer tentativa de subtrair-lhe a vida será considerado aborto.” Mas
quem haverá de estabelecer esse limite? É uma questão aberta que deve ser respondida
dado a gravidade do assunto. Tudo o que sabemos é que o aborto forçado (praticado
contra um feto com várias semanas) é uma atividade que gera profundas cicatrizes
na mente materna, cicatrizes que demoram a “fechar” do ponto de vista espiritual.

Muita paz,

Ademir – GEAE


Prezado Ademir,

Agradeço a presteza com que você apreciou a questão que encaminhei. Entretanto,
acho que não fui muito feliz na colocação do assunto, motivo pelo qual presto os
seguintes esclarecimentos adicionais:

a) a eliminação natural de embriões pelo organismo materno, da ordem de 70%,
não tem nada a ver com embriões congelados, são embriões gerados por processo natural
de fecundação;

b) a questão é o momento de ligação do espírito reencarnante ao corpo a ele destinado;

c) se a “força irresistível que atrai o espírito para o germe” (A Gênese) tem
como fato gerador o encontro do espermatozóide com o óvulo (fecundação), então muitos
espíritos estariam jungidos a embriões congelados em laboratórios, sabe-se lá por
quanto tempo, em casos de inseminação artificial, e muitos outros teriam que recomeçar
o processo em decorrência da eliminação natural do germe pelo organismo materno,
em casos de fecundação natural;

d) se a “força irresistível que atrai o espírito para o germe” tem como fato
gerador a nidação (acolhimento do germe pelo útero materno), então não há a hipótese
de espíritos ligados a embriões congelados e nem a de frustração devido ao processo
de expurgo natural pelo organismo materno;

e) esta última hipótese (letra d), se enquadra mais adequadamente ao termo “concepção”
utilizado pelos Espíritos em O Livro dos Espíritos e por Kardec em A Gênese;

f) esqueçamos, por enquanto, para não complicar, a questão do aborto.

Finalmente, gostaria que o assunto fosse publicado no Boletim, para que todos
os queridos amigos do GEAE tenham oportunidade de participar do exame dessa questão,
entre eles, quem sabe, pessoas que possam contribuir do ponto de vista técnico de
embriologia, que, tenho de reconhecer, foge ao meu domínio também!

Obrigado, grande abraço, muita Paz!

José Maria Souto Netto.

(Publicado no Boletim GEAE Número 472 de 16 de março de 2004)

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