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Valorização da Vida Humana 1 – Cultura da Vida

Valorização da Vida Humana 1 – Cultura da Vida

Falamos em elaborar todos juntos uma nova cultura da vida. Nova porque deverá ter condições de resolver e enfrentar os problemas incomuns de hoje acerca da vida do homem.

Nova porque com liberdade advogada com certeza mais firme e trabalhosa. Nova porque capaz de promover um sério e corajoso confronto cultural.

Falávamos da urgência da mobilização de todos. Esta urgência está intimamente ligada ao momento histórico que a humanidade atravessa, e enquadra-se, enraíza-se na missão do Espiritismo. Qual a sua missão?

Há dois pontos essenciais na Doutrina Espírita: a dos fatos materiais e a de suas conseqüências morais. A primeira é necessária como prova da existência dos Espíritos; a segunda, que dela decorre, é a única que pode levar à transformação da humanidade pelo melhoramento individual. Assim o melhoramento é, pois, o objetivo essencial do Espiritismo.

Sua máxima “Fora da caridade não há salvação“, brilha como o sol do futuro, pois a caridade preconizada não é a caridade fútil, fingida, mas sim a caridade derivada do Amor e da Solidariedade.

Tal máxima é uma garantia de segurança nas relações sociais, como a aurora de uma nova era, onde devem extinguir-se os ódios e as dissensões. O Espiritismo vem colaborar com o homem, valorizando-o, pois vem combater a incredulidade que é o elemento dissolvente da sociedade, substituindo a fé cega, que se extingue, pela fé raciocinada, que vivifica. Com o estudo e a prática da Doutrina, a “ausência” de Deus nos corações, raiz do materialismo existente, se transformará em Luz nos corações, pois que Deus ali habitará.

Para tanto tendo como Jesus por modelo e guia(1), tipo da perfeição moral que a humanidade pode aspirar, traz em si o elemento regenerador da humanidade e será a bússola das gerações futuras.

Para renovar a cultura da vida devemos inicia-la no recinto dos nossos corações, para dai partirmos juntos à comunidade. Não há como entender em nossos corações, em nossas consciências, que espiritas venham a cair em uma espécie de dissociação entre o conhecimento espírita e as suas exigências éticas a propósito da vida, culminando em subjetivismo moral e certos comportamentos inaceitáveis.

Conjuntamente, para a renovação da cultura da vida, deve-se promover diálogos, sérios e profundos com todos, sem exceção, espíritas ou não espíritas, sobre os problemas fundamentais da vida humana, tanto nas escolas, faculdades, etc., como nos diversos recintos profissionais, bem como, nas situações em que se desenrola diariamente a existência de cada um. Uma das finalidades, também, do Espiritismo, é fazer calar, marcar no fundo do coração, a demonstração viva e cabal da imortalidade do espírito. Demonstrando que o Espírito é imortal, deixa subjacente demonstrado o processo de humanização, como necessidade imposta ao Espírito, pelas leis naturais(2) – Do processo de humanização, surge a necessidade ao espírito de viver em sociedade, pois Deus fez o homem para tal vivência e convivência(3) – Assim do processo de humanização surge o direito de VIVER, o primeiro de todos os direitos naturais do homem(4).

Para que a cultura da vida seja renovada, para que uma série de problemas que afetam a criatura humana possam ser de alguma forma minorados e/ou reduzidos, com a finalidade do Espírito imortal aprofundar sua fé, (certeza, convicção), e sua tranqüilidade, buscando atingir e cumprir seu destino, impõe-se, necessita-se de uma política de produção econômica, da qual dependerá a saúde do corpo, e umaordem justa nas relações humanas.

A história da evolução da humanidade ensina-nos que o homem está também, sujeito ao império das leis de natureza econômica.

Assim a ética do amor (moral), da paz, da solidariedade entre os homens não deriva da vontade de quem quer que seja, mas de uma necessidade social porque, estando os homens privados do alimento, da saúde, do trabalho, da educação, que em suma representam o “pão nosso de cada dia“, se descontrolam, se degeneram, se violentam, e apelam para o próprio instinto de conservação, redundando para o egoísmo das lutas de concorrência que acabam se degenerando, finalmente, em conflitos, violências, guerras, trazendo consigo todas as mazelas e vícios que corrompem a moral do ser humano. A paz, a solidariedade, é imanente à natureza das leis de economia.

Para renovar a cultura da vida é necessário envidar esforços conjuntos, e levar às autoridades constituídas propostas sadias, sérias. Se as leis de Produção Social para acabar com a fome e com o desemprego, fossem honestas, sérias, justas, estariam dominadas pelo amor e seriam a chave para ajustar-se às aspirações de Jesus e da Doutrina dos Espíritos, pois que “numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo ninguém deve morrer de fome“(5). Kardec comentando a resposta dada pelo espírito, nos diz: “Com uma organização social criteriosa e previdente, ao homem só por culpa sua pode faltar o necessário. Porém, suas próprias faltas são frequentemente resultado do meio onde se acha colocado. Quando praticar a Lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e ele mesmo será melhor“.

Ampliando os conceitos de justiça social espírita podemos sentir e ver que o homem, nosso semelhante, nosso irmão, se degrada física e moralmente, embrutece-se, quando compelido a pedir esmolas. Uma sociedade que se alicerce nas leis de Deus e na Justiça, deve prover a vida do fraco sem que haja para ele humilhação. Deve assegurar a existência e sobrevivência dos que não podem trabalhar, sem lhes deixar a vida à mercê do acaso e da boa vontade de alguns(6).

Para renovar a cultura da vida necessário se faz permitir que Jesus adentre nossos corações; para que a sociedade possa ser considerada civilizada, de duas nações, “na legitima acepção do termo, é aquela: onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro; onde sem parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco encontra sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam respeitadas; onde exista o menor número de desgraçados; enfim, onde todo homem de boa vontade esteja certo de lhe não faltar o necessário“(7).

O homem como Espírito imortal, para atingir seu desiderato de progresso, necessita de lutar e contribuir para uma sociedade mais justa, mais solidária, tendo por missão, além de sua própria evolução, também a de trabalhar pelo melhoramento material do planeta, o qual, para nutrir uma população sempre crescente, é necessário aumentar a produção. Por isso as relações entre os povos se fazem necessário(8).

Para renovar a cultura da vida é imprescindível a conscientização das autoridades, dos que detém o poder econômico, de que enquanto persistir a fome no mundo, NÃO haverá fraternidade, nem liberdade, nem igualdade, nem moral cristã que possa impedir a violência, o crime, a miséria, os desregramentos físicos e morais, pois que são obras dos dominadores, dos exclusivistas, dos egoístas, dos corruptos e corruptores, os quais detém em suas escassas mãos o poder econômico, em grande parte fruto do trabalho produtivo de milhões de seres.

Josué de Castro, quando presidente da F.A.O., na reunião do Conselho Mundial da Paz, em Estocolmo, em 18 a 23 de Novembro de 1954, alertava o mundo, e, 44 anos após a advertência ainda é valida. Disse Josué de Castro: “É difícil obter a Paz Universal sem a unidade do mundo. Não se alcançará jamais uma paz estável num mundo dividido entre a abundância e a miséria, entre o luxo e a pobreza, entre o esbanjamento e a fome. É absolutamente necessário terminar com esta tremenda desigualdade social“.

Ao contemplarmos o mundo hoje, vemos que a situação ainda é a mesma. Urge uma renovação da cultura da vida.

Porque temer a superpopulação?

Bibliografia:

  • (1) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – perg. 625
  • (2) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – perg. 132 e 166
  • (3) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – perg. 766
  • (4) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – perg. 880
  • (5) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – perg. 930
  • (6) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – perg. 888
  • (7) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – comentário de Kardec à resp. da perg. 793
  • (8) O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Cap. XVI – item 7

Correspondência:

Rubens Policastro Meira

Rubensmeira@nutecnet.com.br

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