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Valorizemos o nosso dia

É excelente o livro denominado “Para uso diário”, ditado pelo Espírito Joanes
através do médium escrevente J. Raul Teixeira, publicado pela Editora Fráter –
Livros Espíritas.

Todos os seus trinta capítulos merecem ser lidos, estudados e refletidos,
frase por frase, palavra por palavra, uma vez que versam sobre importantes
questões de nosso dia-a-dia, em linguagem simples, acessível e direta, fazendo
jus ao título escolhido.

O capítulo dois da referida obra denomina-se “Valorize o seu dia”, e nele, em
seu primeiro parágrafo, está dito que: “Cada dia corresponde a uma nova
página escrita no livro da sua vida, onde você deverá escrever as melhores
memórias”

(encontrável na página 25 da primeira edição, 1999).

Com efeito, de fato, cada novo dia que se inicia é verdadeira página em
branco no livro de nossa vida, já que nela poderemos escrever ações positivas,
de variada ordem, de conformidade com a vontade, com a determinação e com a
disciplina que conseguirmos empreender.

As 24 horas de cada dia, segundo a contagem humana do tempo, são iguais para
todos; a diferença está no que cada um faça com elas. Se conseguirmos dedicar,
por exemplo, uma única hora por dia para leitura e estudo, o que é pouco quando
comparado com o tempo que usamos para assistir a telejornais ou a telenovelas,
estaremos dando um bom passo no caminho do progresso intelectual, que engendra o
progresso moral, com resultados altamente positivos ao cabo de pouco tempo. A
informação é importante, o conhecimento é cumulativo e o cérebro trabalha mais e
melhor quando municiado por novas idéias, novos argumentos, que decorrem
naturalmente de toda leitura edificante.

Claro é que, nessas mesmas 24 horas, poderemos praticar inúmeras outras ações
que as valorizarão sobremaneira, a começar pela mudança gradual de nossa
postura, tornando-nos pessoas mais simpáticas, mais sorridentes, mais
agradáveis, na medida em que sejamos mais tolerantes, mais pacientes, mais
compreensivos, mais otimistas, mais confiantes, mais alegres, trazendo enormes
benefícios a nós mesmos e também às pessoas que convivem conosco ou até mesmo
àquelas que apenas cruzam os nossos caminhos.

Tal mudança comportamental não será difícil se soubermos, com convicção, de
onde viemos, o que estamos fazendo aqui na Terra e para onde iremos, informações
que se podem aliar às lições evangélicas de que colhemos o que plantamos e que a
cada um será dado de conformidade com as suas obras, razão pela qual o Espírito
Joanes, pela psicografia de J. Raul Teixeira, enfatiza e esclarece que: “…
você não está senão no mundo que fez por merecer, com as situações que
caracterizam a sua quadra evolutiva e com as pessoas do seu mesmo patamar moral,
com ligeiras diferenças, facilmente observáveis”
(obra citada, página
25).

Um pouco mais adiante e ainda na mesma página, o Benfeitor Espiritual
recomenda:
“Busque fazer novos amigos, mantendo, com carinho, os velhos companheiros. A
amizade no mundo é como o beijo solar iluminando as flores, sem o qual elas
tendem a murchar e fenecer”.

Nada mais acertado. Até mesmo a sabedoria popular, que é fruto de longa
observação dos fatos, conclui que “quem encontrou um amigo, encontrou um
tesouro”.

Por isso, novas amizades devem ser buscadas, sem esquecimento dos velhos
companheiros, que devem ser mantidos, carinhosamente. Cremos firmemente que a
regra de ouro para fazer e manter amigos esteja baseada no respeito, respeito em
todos os sentidos, respeito sempre.

Por fim, nestas ligeiras considerações sobre o texto antes referido, cumpre
registrar o aconselhamento do autor espiritual: “E quando chegar ao fim o seu
dia, vivido com maior ou menor dificuldade, ponha-se em meditação. Verifique
onde é que você poderia ter sido melhor, em que itens deveria ter agido melhor,
e, sem remorsos perniciosos, faça projetos de renovação para o dia seguinte,
procurando levá-los seriamente”
(página 26).

Santo Agostinho agia assim. Todos os dias, sistematicamente, antes de dormir,
costumava fazer verdadeiro balanço de seu dia, com profunda reflexão, procurando
enxergar onde errou, onde poderia ter sido melhor, onde acertou, etc.

E, naturalmente, todos nós estamos em condições de realizar tal levantamento,
diariamente.

As dificuldades, as tribulações do dia-a-dia, são comuns a todos nós, que
vivemos na Terra, um planeta de categoria inferior no Universo, de provas e de
expiações, em que prevalecem o mal e a imperfeição, ainda.

Logo, a meditação é de fundamental importância para o nosso aperfeiçoamento,
que deve ser buscado permanentemente, ainda que a pouco e pouco, a fim de que
possamos crescer, intelectual e moralmente, renovando a nossa intimidade, para
melhor, tornando-nos pessoas de bem e, exatamente por isso, mais felizes, desde
agora.

(Jornal Mundo Espírita de Outubro de 2001)

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