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Visão Espírita do Idoso – IV

Visão Espírita do Idoso – IV

Dentro do nosso plano de estudo, surge na caminhada do Espírito, a
importância do núcleo familiar como fator preponderante. O ser humano em geral,
necessita, no seu processo de evolução, da família, do clã, dos indivíduos que
são conhecidos, nas raízes que caracterizam os valores que os tipificam.

É aí, que renascem, se reencontram, sentimentos de afinidades, hostilidades,
afeições, desamores a serem distendidos, ampliados, harmonizados, resolvidos.
Espíritos simpáticos ou antipáticos entre si unidos pela consangüinidade,
expressam-se de inúmeras formas, criando o clima próprio de cada núcleo e
voltam, necessitam buscar-se, conscientemente ou não como anseio inexplicável
para superação e crescimento, em elos que representam verdadeira e recíproca
nutrição.

Esse clima é tão envolvente, contagiante, que o Espírito embora recalcitre,
hostilize, maldiga, dali não se afasta totalmente. Mesmo fisicamente se
distanciando, conservará lembranças, impressões que não se apagam, a avivar-se
na identificação dos detalhes, expressões, cheiros, hábitos, comparações que
estabelece diante da realidade de agora. No campo mental mesmo sem o perceber,
usa como padrão avaliador do hoje, os valores primeiros adquiridos no convívio
com os pais, irmãos, com a família enfim. Transparece isso ainda, no exterior,
no modo de ser, que de alguma forma reflete conteúdos das situações auridas no
núcleo familiar. Um dia no tempo, quase sempre retorna, na busca de melhor
entender relacionamentos e porquês, uma vez que traz em si o instinto da própria
superação buscando harmonia.

Tudo isso, mesmo que se exteriorizem em relacionamento conflitados, embora
não percebamos, trabalham a afetividade em mecanismos de evolução. Esse clima é
importante ao idoso? Como se insere nele? Seria melhor ausentar-se de tais
conflitos? Nesse enfrentamento dos problemas, no atrito das emoções, é que se
treinam as valiosas expressões do Amor.

Recorde-se que a vida do espírito não se alicerça em fases como a vida
física. Temos que entendê-la no sentido de radiosa eternidade marchando para a
plenitude da grandeza espiritual, onde a experiência edifica a sabedoria e o
amor.

É comum, num agrupamento familiar sob o mesmo teto ou em relacionamento ativo
conviverem três ou quatro gerações.

De um modo geral, os indivíduos interagem de diferentes formas, em reações
que refletirão os componentes morais do grupo, na sua estrutura individual,
social e religiosa.

Os pais, que até certo tempo, constituíram-se como centro do grupo, vão (por
posições pessoais, fatores externos, acomodação, doenças, etc.) perdendo ou
deixando escapar essa posição.

Se a estrutura familiar é rígida, e se sobretudo aí também residem os avós,
podem surgir problemas graves, choques acentuados, atritos nos relacionamentos
onde se advoga a idéia de separar os “velhos”, inadequados agora ao ritmo
familiar.

Pela importância e função da família estudada acima, será que o melhor para
esse Espírito imortal é confiá-lo a estranhos, ao asilo alijando-o de tudo
quanto se lhe afigura como importante, como “seu”, como constituinte formador da
sua própria realidade?

Não será essa a visão da família flexível, onde pais, filhos e avós buscam
entrosar-se cada qual entendendo-se como elo de algo muito forte e que constitui
realmente a família?

Mesmo com essa visão e objetivo o processo será simples?

Não, pois haverá sempre fatos pessoais, emocionais, espirituais, afinidades
ou não, entendimento e preparo maior ou menor para esse chegar na idade, valor
que se dá ao tempo, à vida, noção íntima da responsabilidade, dever, amor que
influenciarão sobremaneira no contexto familiar, nas posições de cada um.

Se essa convivência, acontecer num núcleo, em que a formação de seus
componentes, além dessas premissas acima, basear-se em propostas transcendentes,
na Imortalidade que se prossegue, as diferenças serão menores, mais fáceis
trabalhadas, pois ter-se-á presente não o momento atual mas a busca do que é
melhor para o Espírito imortal.

Além disso, o que mais se poderia desejar?

Que o homem, em geral futuro idoso se entendesse nessa proposta ou
raciocínios que esta série desenvolve, onde o uso da vida no dia-a-dia pleno de
interesses gera um mundo de amanhãs, esperados, cheios de trabalhos e sonhos.
Compreensão das características normais de uma das etapas da vida mantendo-se no
papel sócio-familiar, reconhecendo e sendo reconhecido pelos demais membros da
família e da sociedade.

Aos membros da família, far-se-á necessário estar atento, sem tolher,
impedir, cercear, o exercício da liberdade, dos gostos, preferências, hábitos
que constituíram toda uma vida de interesses. Sem esses cuidados, sofrerá a
coerção impositiva e proibitiva dos mais novos, onde a troca de idéia, o
respeito das diferentes opiniões, os raciocínios carinhosos, o diálogo fraterno
inexistem na dureza das limitações e ordens. Atenção ainda a mudanças
significativas de ordem física, emocional, espiritual, onde o carinho deve se
fazer acompanhar do auxílio de profissionais especializados.

Nessa vivência dos zelos do Amor (poderíamos afirmar que até na falta dele) a
família será ainda e sempre, a melhor garantia do bem-estar material, físico,
espiritual de todos os seus constituintes.

Como agir diante àqueles que se exteriorizam insensíveis à tais cuidados?

Frente àqueles que se recusam mudar, perceber, ainda é possível desenvolver a
tolerância na compreensão das dificuldades, desculpando-o pelo estágio primário
em que ainda se detém. No exercício do Amor, é aí que se aprende que o mesmo não
pode ser imposto, porém não estacionará ante o obstáculo ou a recusa,
distendendo-o em auxílio calado, exteriorizado, nas diferentes formas da ternura
e da gentileza.

Mesmo que também se apresente o grupo familiar dispersivo, agressivo,
egoísta, insensível, cabe os pensamentos salutares, trabalho mental no Bem a
construir e fixar um campo moral fraterno, compreensivo, de doação ao interesse
comum, mediante ao qual, numa ação a se diluir no tempo, esses mesmos Espíritos,
um dia buscarão agasalhar-se, despertando para novas etapas de renovação
pessoal.

Em meio a tudo isso, o que mais teme o idoso?

Reflita-se que, além da falta de vínculo com trabalho, afastamento de amigos
e de colegas, baixa renda, dificuldade de locomoção, limitações no ir e vir,
problemas de saúde, fatores que levam a sentir-se inseguro e desprotegido, o
maior dos medos, é justamente, a possibilidade de ser rejeitado pela família.

Nas cidades menores, nas famílias fraternas, amigas ou mais simples
financeiramente falando, esse medo se ameniza, se dilui, é menor ou inexiste. A
situação muda, se agrava, quando esse idoso perde a saúde e necessita de
cuidados especiais. Ainda aí, o grupo se une, reveza-se, cuida e não abandona o
familiar.

Há que se envidar todas as providências necessárias para o bem-estar, ainda e
sempre no amor (zelo, respeito, carinho, atenção, paciência, ternura, afeto,
etc., etc.) para que o clima de tranqüilidade e paz seja vivido não só em
relação a ele, mas entre todos. Sobretudo é desse clima harmônico que se nutre o
Espírito, e este se ressente quando, apesar das atitudes externas, das formas
corretas, ele inexiste no fundo, na essência.

É o lar a escola viva da alma e o procedimento de cada um, nas atitudes que
exterioriza demonstra o estágio que, espiritualmente falando, cada um se situa.

Daí a importância dessas reflexões, do conhecimento da reencarnação nas bases
da família, com pleno exercício da lei do Amor, nos recessos do lar para que
realmente este abrigue mentes abertas a se fortalecerem reciprocamente no Bem,
nos ideais maiores da vida.

Nos grandes centros ou nas famílias mais complexas, em geral, a situação toma
outra característica. Isolamento, insegurança, sensação de fracasso, estorvo,
peso, muitas vezes se agiganta, sufocando envolvendo em amargura, desespero e
dor.

A falta de sensibilidade a essa realidade, pode refletir-se em atitudes
aparentemente normal no entra e sai dos membros da família que ocupados com
trabalho ou estudo, desatenciosos ignoram o idoso, até de uma simples conversa,
como se, não existindo, ainda incomoda nas perguntas ou interesses de quem se
sente vivo e interessado, querendo participar ou entender o ritmo em que se
processam agora os negócios, as metas, a realidade. Esse colocar de lado,
ostensivo ou não, esse tratar como coisa velha, o idoso que se sente com
disposição, com motivação para conversar, questionar, querer saber, se distrair,
recordar, sair, relega a desagradável solidão, amargurando as horas na acusação
velada, de que se ‘agüenta”, tolera-se aí um peso.

Não nos esqueçamos que é nesse grupo familiar que está se desenvolvendo, para
o Espírito imortal, a função educativa e regenerativa sempre aliada a outras
mentes de idêntico interesse afetivo. Desse modo, o auxílio, a ajuda, o
intercâmbio com as inteligências superiores que se consagram a resguardar,
inspirar e fortalecer no Bem para fins de progresso, burilamento, coragem e
incentivo, dependerão do clima espiritual, mental mantido, sustentado pelos
componentes desse grupo familiar.

Caminheiros de muitos caminhos das vidas passadas de todos aqueles que a
compõem a “(…) família terrestre é formada assim de agentes diversos porquanto
nela se encontram comumente afetos, desafetos, amigos, inimigos, para os ajustes
e reajustes indispensáveis ante a lei dos destinos (…) na vivência coletiva
visa ela (a família) o aperfeiçoamento das almas (…) visando o aperfeiçoamento
geral erigir-se-á sempre a família como educandário da alma (…) é nesse
instituto doméstico, nessa organização de origem divina que encontramos os
instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para edificação do mundo
maior (…)”.

Sob tão incisivas colocações de oportunidades e responsabilidades mútuas,
como alijar do lar o companheiro, pais, avós, familiares que, idosos hoje são
sentidos como inadequados aos meus planos pessoais?

Além destas reflexões, facilita entender que o idoso tem necessidades,
anseios, desejos como qualquer outro componente do clã, por isso, o respeito ao
direito/dever recíproco que se mantém na privacidade de todos em relação a
todos.

À medida que esses raciocínios passam a ser discutidos, aceitos e
vivenciados, os idosos passam a ser vistos sob nova ótica, apoiados nas suas
necessidades sem tolhimento da liberdade de expressão e ação.

Atitudes fraternas, construtivas, positivas, bondade, altruísmo, amor que
possibilite crescer através do desenvolvimento de atividades que por mais
humilde que possam parecer, ajudarão a que esse Espírito imortal se mantenha
tranqüilo, confiante, identificado ou percebendo a mensagem cristã à luz da
Doutrina Espírita.

Essa tomada de consciência na sensibilização da família frente aos ideais
transcendentes da Vida, se faz imprescindível, no sentido de atender aos idosos
melhorando-lhes as condições e qualidade de vida, não apenas no sentido
material, mas principalmente no espiritual. Frisa-se que mesmo esse idoso até dê
a impressão de nada perceber e até mesmo ser hostil – ainda assim – semear, agir
no Bem, oferecer-lhes sempre atenção, firmeza, apoio e até fraternidade através
dos sentimentos, pensamentos e possíveis ações.

Quem trabalha e vive com a visão de que somos Espíritos imortais “(…) ama
com amadurecimento, plenifica-se com a felicidade do ser amado e beneficia-se
pelo prazer de amar”.

Bibliografia:

  • O Despertar do Espírito – Joanna de Ângelis – Estudo 8
  • Boa Nova – Humberto de Campos – Estudo 9
  • Família e Espiritismo – Espíritos Diversos
  • Vida e Sexo – Emmanuel – Estudos 2 e 4
  • Momentos de Consciência – Joanna de Ângelis

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artigos desta série

(Jornal Verdade e Luz Nº 181 de Fevereiro de 2001)

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