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Antônio Gonçalves da Silva Batuíra

 

Antônio Gonçalves da Silva Batuíra

 

Completada a sua
instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando
no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850.

Seu nome de origem era Antônio Gonçalves da Silva, entretanto, devido a ser
um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara “o
batuíra”, o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo
rápido, que freqüentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro
II, em S. Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o
cognome “Batuíra” foi incorporado ao seu nome.

Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta
concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a
idéia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua
casa e conseguindo- lhes a carta de alforria, ou fundando um jornalzinho a fim
de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José
do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos
outros grandes paladinos das idéias liberais.

Homem de costumes simples, alimentando- se apenas de hortaliças, legumes e
frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o
seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do
Lavapés, em S. Paulo, edificando ali boa casa de residência e, ao lado dela, uma
rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo
contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis
recursos financeiros. A rua particular deveria ser mais tarde a Rua Espírita,
que ainda lá está.

Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo,
integrou- se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes
dos preceitos evangélicos. Identificou- se de tal maneira com os postulados
espíritas e evangélicos que, ao contrário do “moço rico” da narrativa
evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloqüente da sua comunhão
com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu- se de tudo quanto tinha e
pôs- se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar
de posse daquele outro tesouro do Céu.

Tornou- se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o “Grupo
Espírita Verdade e Luz”, onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme
assembléia, dava início a uma série de explanações sobre “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”.

Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época,
intitulada “Espiritualismo Experimental” redigida desde setembro de 1886, por
Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra
adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou “Tipografia Espírita”,
iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas
com o nome “Verdade e Luz”, posteriormente transformado em revista e do qual foi
o diretor- responsável até a data de sua desencarnação. A tiragem desse
periódico era das mais elevadas, pois de 2 ou 3 mil exemplares, conseguiu chegar
até 15 mil, quantidade fabulosa naquela época, quando nem os jornais diários
ultrapassavam a casa dos 3 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente
Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos,
debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos,
letras no fundo dos caixotins.

Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já
que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a
vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lavapés, a fim
de equilibrar suas finanças.

Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito
animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também
com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se
manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa
saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que
“um bando de aleijados vivia com ele”. Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um
cobertor.

Certa vez um desses homens que viviam sob o seu amparo, furtou- lhe um
relógio de ouro e corrente do mesmo metal. Houve uma denúncia e ameaças de
prisão. A esposa de Batuíra 1amentou- se, dizendo: “é o único objeto bom que lhe
resta”. Batuíra, porém, impediu que se tomasse qualquer medida, afirmando:
“Deixai- o, quem sabe precisa mais do que eu”.

Batuíra casou- se em primeiras núpcias com Da. Brandina Maria de Jesus, de
quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra, que veio a desencarnar depois de
homem feito e casado. Em segundas núpcias, casou- se com Da. Maria das Dores
Coutinho e Silva; desse casamento teve um filho, que desencarnou repentinamente
com doze anos de idade. Posteriormente adotou uma criança retardada mental e
paralítica, a qual conviveu em sua companhia desde 1888.

Figura bastante popular em S. Paulo, Batuíra tornou- se querido de todos,
tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e
apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores.

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