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Benedito Godoy Paiva

Benedito Godoy Paiva

Durante mais de vinte e cinco anos, um orador era invariavelmente requisitado
para a maior parte das festividades de cunho espírita realizadas em São Paulo.

Sua palavra tinha o mérito de atrair numerosa assistência, pois, além de
abalizado conferencista, possuía um estilo todo peculiar de proferir suas
locuções, iniciando- as com um conto, um apólogo ou uma anedota de cunho
singelo, que preparava os espíritos dos presentes, predispondo- os à assimilação
dos ensinamentos contidos no tema que iria ser abordado.

Por isso dizia ele: “Em nossa longa peregrinação pelas tribunas espíritas,
pelas estações de rádio e pela imprensa espírita, a falar sobre o Evangelho de
Jesus, sempre fizemos o possível para não enfastiar os ouvintes ou os leitores
com longas e pesadas dissertações sobre a Doutrina Espírita, achando preferível
prender- lhes a atenção por meio de outro processo, qual o de buscar na vida
prática fatos ou exemplos elucidativos dos temas abordados, ainda que por vezes
pecando contra a sisudez de alguns confrades pouco amantes de literatura desse
gênero. Para se trazer uma assistência atenta, nada melhor do que entremear a
palestra com a narração de fatos interessantes e por vezes cônscio da vida de
sociedade, elucidativos do tema a ser abordado.

Nenhum mal há nisso, para a propaganda e compreensão da Doutrina Espírita. O
espírita deve ser alegre e nunca um indivíduo avesso ao riso, às alegrias sãs,
aos divertimentos inofensivos, nunca devendo imitar aqueles frades da Ordem do
Silêncio que, proibidos de falar, só podiam dizer ao se encontrarem: “Irmão!
Lembra- te da morte!”

Esse emérito espírita chamava- se Benedito Godoy Paiva. Foi um homem de
ilibado caráter, franco e leal, dotado de invejável operosidade. Anteriormente
ao ano de 1941, pertenceu ao quadro diretivo da União Federativa Espírita
Paulista, ali desenvolvendo intenso trabalho de divulgação da Doutrina Espírita,
fazendo- o através da imprensa e do rádio.

Nesse mesmo ano passou a prestar serviços no corpo de colaboradores da
Federação Espírita do Estado de São Paulo, onde teve grande destaque e exerceu
numerosas atividades, pois, além de orador oficial, foi diretor do Departamento
Cultural e Social e membro do Conselho Deliberativo, ajudando Pedro de Camargo,
Vinícius, a instituir as Tertúlias Evangélicas substituindo- o em seus
impedimentos todos os domingos de manhã. Colaborou decididamente na fundação da
Escola de Aprendizes do Evangelho e de outros cursos ministrados por aquela
instituição, assessorando os trabalhos de preparação de apostilas e livros para
os aludidos cursos.

Em 1947 tomou parte saliente na fundação da União das Sociedades Espíritas do
Estado de S. Paulo, formando a Comissão da Redação Final das deliberações do I
Congresso Espírita do Estado de São Paulo e integrando o primeiro Conselho
Deliberativo daquela entidade.

Os dados biográficos que se seguem foram obtidos da Profa. Zilda de Paiva
Barbosa, uma das filhas daquele grande seareiro.

Benedito Godoy Paiva enviuvou duas vezes, deixando sete filhos, netos e
bisnetos. Aos 16 anos de idade, após ter feito o Curso Ginasial no Externato
Molina, estudou e completou os cursos de geometria, matemática e de língua
inglesa, ingressando então como funcionário da Estrada de Ferro Sorocabana, em
1901. Entretanto, fez ainda o curso de Contador na Academia de Comércio do
Brasil, a qual freqüentou à noite, passando depois a trabalhar em horas extras
como guarda- livros, a fim de equilibrar a economia do lar.

Aposentou- se após 46 anos de serviço naquela ferrovia, deixando uma grande
folha de inestimáveis serviços a ela prestados, com toda dedicação e eficiência.

Fez carreira brilhante de praticante a assessor administrativo, chegando a
Chefe do Escritório do Tráfego e Chefe Geral do Expediente do Departamento dos
Transportes, onde recebeu elogios em sua folha corrida.

Tomou parte em inquéritos administrativos e em outras comissões que lhe foram
confiadas, por conhecer profundamente todos os regulamentos e ordens expedidas
pelas administrações anteriores.

Foi jornalista, colaborando na imprensa religiosa e profana, sendo redator de
uma das colunas do “Diário de São Paulo”.

Como poeta e charadista colaborou em “Nossa Estrada”, revista cujo nome foi
sugerido por ele e aceito por votação por todo o pessoal da Sorocabana.

Era músico. Executava cerca de seis instrumentos, porém, a sua predileção era
pela flauta. Compôs diversas músicas e foi seresteiro. Fazia serenatas sob as
janelas, nos tempos da velha São Paulo.

Freqüentou a Igreja Evangélica, onde era organista e regente do coro.

Na ata de fundação da 3a. Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo o
seu nome consta, em primeiro lugar, como fundador.

Conhecia profundamente as Escrituras e dos Evangelhos tirou ensinamentos
sublimes que o nortearam em toda a sua vida, tão útil à família e à Humanidade.

Convertendo- se ao Espiritismo, tomou parte inicialmente na União Federativa
e posteriormente na Federação Espírita do Estado de São Paulo, deixando a Igreja
Presbiteriana de onde solicitou afastamento, escrevendo uma carta ao seu grande
amigo, Rev. Dr. Seth Ferraz, pastor da 3a. Igreja, expondo os motivos que o
levavam a se afastar do seio daquela comunidade, uma vez que os ensinamentos da
Igreja condenam o Espiritismo, doutrina baseada na reencarnação e na evolução
dos Espíritos.

Foi uma nova fase em sua vida. Dedicou- se inteiramente à Doutrina Espírita.

Fez inúmeras conferências, cujos auditórios eram repletos quando ele ocupava
a tribuna.

Baseado nessas conferências editou o livro “Quando o Evangelho diz Não!”

Publicou diversos folhetos, entre eles “Quais os que entrarão no céu” e “A
Verdade vos Libertará”.

Escreveu poesias diversas: “A Reencarnação”, “Saudades do Marido”, “As Três
Cruzes”, “A Mulher Pecadora”, “O Juízo Final”, “O Bom Samaritano”, “Salvação
pela Fé”, “O Sonho da Princesa” e, com Cid Franco, escreveu o poema “Avatar”.

Revisou “A Grande Síntese”, livro mediúnico de Pietro Ubaldi e, em parceria
com Emílio Manso Vieira, escreveu o “Manual do Dirigente de Sessões Espíritas”.

No dia de sua desencarnação, à sua cabeceira estiveram presentes três
representantes de correntes religiosas: um pastor evangélico, um bispo da Igreja
Católica Brasileira e um membro da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
Todos lhe tributaram adeus com o mesmo carinho.

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