Tamanho
do Texto

João Leão Pitta

João Leão Pitta

João Leão Pitta fez os seus primeiros estudos em sua terra natal, cursando um
colégio particular e alcançando um grau de instrução equivalente ao nosso curso
secundário. Terminados esses estudos deliberou ir para o continente a fim de se
aperfeiçoar e escolher uma carreira.

Nessa altura surgiu um imprevisto: seus pais alimentavam a idéia de fazer com
que ele seguisse a carreira eclesiástica e se ordenasse padre católico.
Entretanto, a sua propensão era norteada no sentido de ser admitido na marinha
portuguesa. Não conseguindo estudar o que aspirava, veio para o Brasil sem o
consentimento de seus pais, aportando no Rio de Janeiro com apenas 16 anos de
idade e com quatrocentos réis no bolso.

Não tendo conhecidos nem parentes, empregou- se numa padaria, onde, pelo
menos, tinha acomodação e alimentação. Não se sentindo bem na antiga Capital
Federal, deliberou transferir- se para a cidade de Piracicaba, no Estado de S.
Paulo, onde se casou com Da. Maria Joaquina dos Reis, de cujo consórcio teve 12
filhos. Posteriormente voltou para o Rio de Janeiro, onde se ocupou da profissão
de tecelão, chegando a ser contramestre da fábrica.

Um acontecimento, no entanto, mudou o rumo de sua vida. Uma de suas filhas
ficou bastante doente, e ele, sem recursos para sustentar sua numerosa prole e
atender à enfermidade da filha, resolveu procurar um Centro Espírita. Não estava
animado do propósito de haurir os benefícios doutrinários do Espiritismo, mas
sim, de obter a cura de sua filha. Foi ali que conheceu um médium receitista.

Pitta tinha o hábito de discutir. Porém, o médium não admitia discussões com
referência à Doutrina Espírita e deu- lhe alguns livros para que os lesse. Fez
as primeiras leituras com manifesta má vontade, mas, aos poucos, foi tomando
interesse e estudou as obras básicas da codificação kardequiana.

Com a desencarnação de três de suas filhas, vítimas de uma epidemia, sua
esposa, cumulada de profundos desgostos, fez com que a família voltasse de novo
para Piracicaba. Conhecedor do Espiritismo, não perdeu tempo e logo descobriu
que, na cidade, as reuniões espíritas eram realizadas mais por curiosidade de
que por apego aos estudos. Tomou então a deliberação de conclamar alguns amigos,
demonstrando- lhes a responsabilidade moral de cada um, após o que conseguiu, em
companhia de outros confrades, compenetrados do caráter sério e nobilitante da
Doutrina dos Espíritos, fundar, no ano de 1904, a “Igreja Espírita Fora da
Caridade não há Salvação”, a pioneira das instituições espíritas da cidade.

Logo após a fundação do Centro Espírita, o clero católico moveu- lhe acerba
campanha e, como decorrência não conseguiu emprego na cidade e ficou sem crédito
por mais de um ano. Todos lhe negavam serviço, apesar de ser homem honesto e
trabalhador. Nesse período crítico de sua vida, sua esposa costurava para ganhar
algum dinheiro, conseguindo assim amparar a família e superar a crise.

Logo após, conseguiu arranjar emprego numa loja de ferragens de propriedade
de Pedro de Camargo, que mais tarde se tornou o famoso Vinícius. Nessa firma
trabalhou durante 20 anos, chegando a ser sócio interessado, tal a sua
operosidade e honestidade à toda prova.

Nos idos de 1926-29, como pretendesse melhorar sua situação econômico-
financeira, a fim de propiciar melhor educação para seus filhos, instalou uma
fábrica de bebidas. Tudo ia bem. Porém, como estivesse sempre pronto a atender
aos amigos e aos necessitados, impulsionado pelo seu bom coração, acabou
perdendo tudo, mais de duzentos contos de réis, verdadeira fortuna naquele
tempo. Viu- se então face à dura contingência de hipotecar sua própria moradia,
perdendo- a por excesso de amor ao próximo.

Em 1930, resolveu trabalhar na divulgação do Espiritismo, fazendo propaganda
e angariando assinaturas para a “Revista Internacional de Espiritismo” e para o
jornal “O Clarim”. Deixou o convívio sossegado de seu lar, de seus filhos, para
viajar pelo Brasil, percorrendo centenas de cidades, pregando o Evangelho e
disseminando aquelas publicações e as obras espíritas do grande missionário que
foi Caírbar Schutel.

Em todas as cidades por onde passava, fazia suas pregações doutrinárias.
Profundo conhecedor dos textos evangélicos, esmiuçava- os com profundidade e com
bastante clareza, tornando- os inteligíveis para todos. Quando falava, suas
palavras eram cadenciadas e precisas.

Nessa obra missionária viveu 21 anos ininterruptos, percorrendo vários
Estados do Brasil, notadamente Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais,
Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os transportes por ele utilizados eram dos mais precários. Muitas vezes fazia
longas caminhadas a pé, a cavalo, de trem, de caminhão e de ônibus, alimentando-
se e dormindo mal. Tinha imenso prazer em atender aos convites que lhe eram
formulados e, sentindo- se sempre inspirado pelo Alto, levava o conhecimento de
“O Evangelho Segundo o Espiritismo” a milhares de pessoas e lares. Fez milhares
de conferências em Centros Espíritas, praças públicas e cinema.

Nessas extensas caminhadas, algumas de muitos quilômetros, auxiliava os mais
necessitados com os recursos que ia amealhando. Socorria muitas pessoas, sem
distinção de crença religiosa, dando- lhes dinheiro para consultar médicos,
comprar óculos, adquirir mantimentos e para outros fins.

Era modesto no trajar. Possuía longas barbas brancas e a criançada o chamava
de Papai Noel, pois também sabia brincar com as crianças e orientá-las. Sofria
sempre calado, sem lamúrias, cônscio de que os sofrimentos na Terra são oriundos
de transgressões cometidas em vidas anteriores.

Com a idade de 75 anos, foi acometido de pertinaz enfermidade e submetido a
delicada intervenção cirúrgica, vindo a desencarnar 6 anos mais tarde.

João Leão Pitta deixou várias monografias inéditas.

Você gostou deste conteúdo?

Todo o conteúdo produzido pela Fundação Espírita André Luiz é aberto e gratuito e, com a sua ajuda, sempre será.

Ao todo são transmitidas 180 horas mensais de programas ao vivo e 240 horas mensais de programas inéditos através de nossos canais de comunicação: Rádio Boa Nova, Tv Mundo Maior e Portal do Espírito. Nós acreditamos que o acesso aos ensinamentos da doutrina espírita muda o mundo, mas manter uma estrutura deste porte é muito caro, por isso a importância do apoio de nossos leitores.

Quando você apoia iniciativas como a nossa, você faz com que pessoas que não podem pagar pela informação continuem tendo acesso a ela.

Ajude o espiritismo a alcançar mais pessoas

Apoie essa causa <3
logo_feal radio boa nova logo_mundo_maior_editora tv logo_mundo_maior_filmes logo_amigos logo mundo maior logo Mercalivros logo_maior