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A Vingança

A Vingança

“O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo XII, item 9″

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositor: Pedro Vieira
Rio de Janeiro
01/01/2003

Dirigente do Estudo:

Jailton Pinheiro

Oração Inicial:

<Wania> Jesus amigo, Te agradecemos por mais esta oportunidade que nos é concedida. Que possamos vibrar pelo estudo desta noite, rogando ao Teu coração generoso que envolva a todos nós, em Paz e Harmonia. Abençoe o nosso amigo Pedro Vieira, inspirando-o e amparando-o. Que possamos sair mais enriquecidos e mais pacificados. Que seja em Teu nome, em nome da Espiritualidade amiga, que nos coordena, mas sobretudo em nome de Deus a realização de mais um momento de Estudo pelo canal #IRC-Espiritismo.

Que assim seja!

Mensagem Introdutória:

ANTE OFENSAS

Não dês guarida a ofensas, nem te faças igual ao ofensor.

Se alguém te perturba e revidas, és semelhante a ele.

Se te ferem e não revidas, estás melhor situado do que ele.

Se te ofendem e perdoas, esquecendo a ofensa, enquanto aquele cai, levantas-te e marchas, situando-te em clima de paz superior ao dele.

Se, todavia, após perdoares e esqueceres, resolveres ajudar o teu ofensor, terás logrado a plenitude do que almejas, desde que ele, embora sem o saber, é instrumento da vida para admoestar-te no instante necessário, acusando-te de erros cometidos, ou que poderias, ou poderás cometer, colocando-te em alerta, contra ti mesmo, em considerando que os adversários mais severos estão sempre no homem, em forma de inferioridade e paixões, e não fora dele como se supõe.

Ninguém mais atacado, desdenhado, ofendido, escarnecido do que Jesus… Entretanto, sem débito de qualquer natureza, permaneceu impertérrito ante os perseguidores gratuitos, testemunhando que os legítimos valores são as qualidades íntimas e que a realeza verdadeira é inerente àquele que superou óbices e problemas, planando em harmonia íntima, acima de quaisquer circunstâncias.

O diamante na lama não deixa de manter o valor que lhe é próprio. E a estrela que reflete no lodo mantém o mesmo brilho que possui, quando rutilando na placidez da água cristalina.

Não te agastes, portanto, com as ofensas que te cheguem.

Se permaneceres íntegro, não te atingirão, porquanto és o que vitalizes e não o resultado das impressões e agressões naturais do roteiro de sublimação.

Segue adiante, haja o que haja, considerado ou não, certo de que todo ofendido de hoje resgata as ofensas que ontem praticou.

Bem-aventurado, pois, quando ofendido e perseguido, porque o reino dos céus te alcançará em breve o espírito!

Joanna de Ângelis

Do Livro: Celeiro de Bênçãos
Psicografia: Divaldo Pereira Franco
Editora: LEAL

Exposição:

<Pedro_Vieira> Primeiramente uma boa noite a todos. Que o ano que se inicia traga a nós reflexões em torno de nós mesmos e da paz que criamos a nosso redor. E que Deus possa permanecer, na sua Escola que não conta anos, mas conquistas, nos amparando todas as vezes que nos dispomos a estudar Suas Leis.

Vou citar o Salmo 18, versículos 47 e 48: “(…) o Deus que me dá vingança, e sujeita os povos debaixo de mim, que me livra de meus inimigos; sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim; tu me livras do homem violento.”

Vamos analisar essa passagem como o ponto de fixação histórico a que queremos nos referir.

O homem, em seus primórdios, entendeu que deveria se proteger. Seu instinto de conservação aliou-se à razão e os mecanismos de defesa foram surgindo, até os dias de hoje.

Com o desenvolvimento da razão, entretanto, a primazia de um grupo sobre outro reclamava certa dose de liderança, baseada na força e na violência, compatíveis com a brutalidade daquela época.

Uma ação violenta deveria ser combatida com outra ação violenta no sentido de extinguir sua causa, levando à própria sobrevivência e de seu grupo, sua família.

Foi quando o homem foi expandindo a noção de grupo e entendeu que poderia se unir aos outros no sentido da fraternidade. Quando descobriu que os outros passavam por problemas semelhantes aos dele, e entendeu finalmente que não era pela violência pura e simples que se deveria lutar pela sobrevivência, mas pela união.

Estamos ainda falando da época animalizada do ser humano. Entretanto, ao longo dos tempos, a “contrapartida” tomou novo vulto quando a palavra “honra” começa a ser empenhada. O orgulho e o egoísmo levam o homem a forçar por todos os meios a própria primazia, combatendo não pela sobrevivência, mas pela “defesa da honra”, revestida sob as vestes do nacionalismo, da etnia, da supremacia social, etc.

O homem também desenvolve sua noção de Deus, que lhe dá nova perspectiva do mundo. O monoteísmo coloca o homem frente a frente com o convite de entender o porquê de sua vida, de sua existência, sendo o caminho natural o desagregar das posturas mais egoístas e orgulhosas.

Não foi isso, entretanto, que se viu. Deus começa a servir ao orgulho, ao invés de o orgulho se curvar a Deus, na pessoa do homem. Ainda refém de seus instintos e, agora, de suas paixões, o homem não consegue conceber Deus além de sua pequenez e, acreditando-se certo, chama de “violento” o que lhe ataca, como se o Criador precisasse de exércitos terrenos.

A vingança era pregada como a supremacia de Deus e a violência era de quem atacava, a vingança era estimulada agora travestida da própria crença no Criador.

Assim esperavam o Messias: o Grande Vingador das humilhações que o “povo escolhido de Deus” tinha sofrido, carregando consigo o maior dos exércitos e vingando-se para provar a superioridade de Deus.

Entretanto, na manjedoura nasce o pequeno menino frágil e pacífico, causando natural descontentamento em quem não conseguiu aprender, deixando que sua “honra” ficasse acima de sua razão e de seu coração.

E esse homem, como se não bastasse, prega o amor aos inimigos, não só combatendo pela pregação a vingança, como sendo o maior representante da paz.

Por que Jesus é chamado o Príncipe da Paz? Porque não só frustrou as expectativas bélicas do orgulho ferido, como ensinou o que fazer com essas expectativas, orientando-as para a compreensão e a união, mostrando que não é a vitória no campo material que torna o Espírito feliz , mas a vitória sobre si mesmo, no campo do entendimento e do amor. Nesse aspecto, as palavras do Cristo assumem mais amplo e novo significado.

Que significado seria esse para nós hoje?

Para o espírita a vingança não é mais somente um movimento exterior, é um movimento que nasce do Espírito e aí deve ser combatida para que não se torne erva daninha a corroê-lo, fazendo-o distoar dos objetivos educativos da vida.

No campo do Espírito a vingança nasce no sentimento de orgulho, ou “honra”, ferido. Esse sentimento deve ser atentamente observado para que não gere o sentimento de frustração, depressão e revolta desnecessárias.

Nesse tempo, o trabalho na caridade exerce influência decisiva. Quem trabalha tem campo aberto para transformar em semente diferente o galho podre de que foi alvo, fazendo sua parte na renovação do mundo.

Com a reencarnação, o Espiritismo mostra que a vingança não é somente mais um ato material, mas uma postura de estacionamento espiritual, em que duas entidades se cegam ao mundo para se dedicarem ao pior de si mesmas, em tramas que podem levar séculos afim.

Finalmente empenhando a palavra esclarecedora, demonstrando não só a covardia dos atos do ponto de vista material, passando pela falta de senso do ponto de vista da reencarnação, e culminando na bondade de Deus, que visa ensinar e não exterminar.

Com essa postura pedimos sempre a Deus que nossa “vingança” seja a capacidade renovada de retribuir todo mal com trabalho. E que essa nossa postura sirva de exemplo aos que nos cercam.

Sem pressa, com compreensão e com amor iremos caminhando ao entendimento das palavras do Príncipe da Paz, o maior Educador que a Terra já conheceu, quando disse: “Amai os vossos inimigos”.

Sejamos também nós os construtores da paz que vence a violência e do entendimento que vence o ódio no microcosmos que Deus nos legou à participação, começando do lar e se expandindo, à medida de nossa capacidade, a todos os corações.

Perguntas/Respostas:

[01]<Gladdy> Pedro_Vieira, a vingança pode ter sido camuflada naquela justiça de Talião?

<Pedro_Vieira> Gladdy: Certamente, um reflexo, como dissemos, do patamar de entendimento daquela época. Entretanto, vejamos que a aplicação da Justiça de Talião há 4 mil anos atrás tinha papel educativo, no sentido de coibir a violência bárbara, e era fundamentada numa ignorância que não existe mais hoje. Aplicar a Lei de Talião hoje seria muito mais do que ontem VINGANÇA no sentido real do termo, já que a compreensão da paz já é possível hoje, o que não era ontem.

[02] <iceFdp> Pedro_Vieira, o que fazer quando o sentimento de vingança parte de algum fato ocorrido durante a infância, período no qual não me sinto responsabilizado por meus atos?

<Pedro_Vieira> iceFdp: Assumir a responsabilidade, amigo, no sentido de colocar-se à disposição para saudar uma eventual dívida. Encare isso como um convite a que faça algo de bom por esse Espírito. Não importa se a dívida é de ontem, de 10 anos atrás, ou de 1000 anos atrás, se alguém tem algo de ruim contra você. IdeFdp, é um convite a que você tenha algo de bom por ele, mas sem cobranças pontuais. Não se fixe nisso. Aja o melhor que puder, independente do que lhe digam. Assim conseguirá combater o foco de todas as vinganças, dessa e de outras vidas.

Oração Final:

<Wania> Obrigada, Senhor pela noite! Que possamos sempre estar presente estudando e refletindo sobre Tuas mensagens. Abençoa o propósito de divulgar e de estudar a Doutrina Espírita. Seja o ano que hoje inicia, mensageiro da Paz e da Harmonia , que as nossas conquistas espirituais possam ser cada vez maiores, que saibamos continuar a lutar, a entender as nossas dificuldades e não permitir que a acomodação seja o guia da nossa jornada. Permaneça conosco, Senhor.

Que assim seja!

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