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A afabilidade e a doçura

A afabilidade e a doçura

“O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo IX, item 6”

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositora: Vera Oliveira
Rio de Janeiro
06/03/2002

Dirigente do Estudo:

Adriana Barreiros

Mensagem Introdutória:

AFABILIDADE E DOÇURA

No exercício da afabilidade e da doçura, que atrairá em teu favor as correntes da simpatia, compadece-te de todos e guarda, acima de tudo, a boa vontade e a sinceridade no coração.

Não será porque sorrias a todo instante que conseguirás o milagre da fraternidade. A incompreensão sorri no sarcasmo e a maldade sorri na vingança.

Não será porque espalhes teus ósculos com os outros que edificarás o teu santuário de carinho. Judas, enganado pelas próprias paixões, entregou o Mestre com um beijo.

Por outro lado, não é porque apregoas a verdade, com rigor, que te farás abençoado na vida; a irreflexão no serviço assistencial agrava as doenças e multiplica os desastres.

Com a franqueza agressiva, embora tocada de boas intenções, não serás portador do auxílio que desejas, conseguindo gerar tão somente o desespero e a indisciplina.

Não será com o elogio público ou com a acusação aberta que ajudarás ao companheiro; quase sempre, o louvor humano é uma pedra no caminho e a queixa, habitualmente, é uma crueldade.

Sorrisos e palavras podem estar simplesmente na máscara. Na alegria ou na dor, no verbo ou no silêncio, no estímulo ou no aviso, acende a luz do amor no coração e age com bondade.

Cultivemos a brandura sem afetação; e a sinceridade, sem espinhos. Somente o amor sabe ser doce e afável, para compreender e ajudar, usando situações e problemas, circunstâncias e experiências da vida, para elevar nosso espírito eterno ao templo da luz divina.

Emmanuel

Do Livro: Escrínio de Luz
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
Editora: O CLARIM

Oração Inicial:

<Wania>Boa noite, amigos! Que a Paz do Mestre Jesus possa nos envolver agora e sempre.

Jesus amigo, companheiro de todas as horas, rogamos ao Teu coração generoso que nos auxilie neste momento. Ampara-nos o propósito da divulgação do Teu Evangelho, dos Teus exemplos, do Teu amor. Que Teus mensageiros do bem, inspirem a companheira Vera, que conduzirá o estudo da noite. E de nossa parte, Senhor da Vida, possamos nós, vibrar pela paz, pelo bem, pela harmonia deste ambiente. Que a espiritualidade amiga nos ampare durante a tarefa da noite. Que assim seja!

Exposição:

<Vera Oliveira> Boa Noite a todos! Que Jesus abençoe os nossos corações, e que possamos, por alguns momentos, ser iluminados pelo Seu infinito amor.

A afabilidade e a doçura, que nos fala o Evangelho da noite de hoje e que faz parte do Capítulo: “Bem-aventurados os brandos e os pacíficos, porque herdarão a Terra”, nos convoca a uma grave reflexão. Reflexão esta no sentido de que, tendo neste capítulo, nos dado Jesus, uma metodologia de bem viver na Terra e nos mostrando o quanto podemos aliviar nossas dificuldades e necessidades, aprendendo com Ele a desenvolver em nossas almas esse conjunto de qualidades, que formam uma virtude, a virtude da mansuetude e de brandura.

Se, meus queridos companheiros, nos diz o Capítulo 17: “Sede Perfeitos”, no item que fala da virtude, nos esclarecendo que a virtude é um conjunto de qualidades, certamente, um ser afável e doce, muito conseguirá na conquista de bem conviver.

Todos nós gostamos de ser bem tratados. Todos nós gostamos de atenção, de carinho, de compreensão, de tolerância, enfim de todo um clima de amor e de fraternidade. No entanto, para que tenhamos tudo isso, necessário se faz que também nós estejamos dispostos a desenvolver esses sentimentos que queremos em relação a nós.

Mas vamos pensar um pouco. Por que será que desejamos tudo isso, e no entanto, se torna tão difícil para nós, mantermos estados de alma de tolerância, de ternura, de afabilidade e de doçura, resultando num clima de equilíbrio? E pensando em tudo isso, nós concluímos que não valorizamos esses aspectos. Eles ainda não fazem parte das nossas aspirações. Porque a partir do momento em que tivermos como objetivo o desenvolvimento de uma vida interna rica, certamente conseguiremos movimentar a nossa alma, as nossas emoções.

Nesse sentido, receberemos da espiritualidade amiga, que nos acompanha no nosso projeto reencarnatório, os recursos necessários para que possamos desenvolver esses sentimentos que fazem parte do nosso eu profundo, mas que estão soterrados pelos condicionamentos do mundo e por emoções do cotidiano.

Devemos cultivar esses sentimentos, para facilitar a nossa convivência, uns com os outros.

A página de hoje também nos faz refletir no quanto confundimos esses sentimentos, porque não necessariamente, para sermos afáveis, precisamos estar com um sorriso nos lábios.

Tudo isso de que nos fala Jesus, está no movimento da nossa alma, no dinamismo das nossas emoções. No livro “Mãos de Luz”, nos fala a autora que nosso campo emocional foi feito para ser ampliado, e quanto mais nós damos amor, quanto mais trabalhamos no bem, mais esse campo emocional se dilata. E, como resultado, nos sentimos plenos, porque está se processando o dinamismo das nossas emoções.

Se não agirmos assim, se ficarmos intolerantes, incompreensivos, impacientes, nosso campo emocional se atrofia, por ser contrário ao seu mecanismo natural, e será expressado na forma de carência. Eis a razão pela qual, muitas vezes nos sentimos carentes, o nosso campo emocional precisa ser dinamizado e não, abandonado por nós.

Nesse raciocínio, nesse esclarecimento, nós conseguimos entender a grande sabedoria de Jesus, quando fez da mansuetude, da pacificidade e da moderação uma lei, condenando assim toda a forma de violência.

Fomos criados para amar. Mas é interessante como nós nos sentimos envergonhados de amar.

Temos vergonha de ser educados, sentimos vergonha de ser corteses, achamos que vamos, por exemplo, na expressão vulgar, “pagar mico”, e com isso desprezamos as riquezas do nosso mundo interior e tirando de nós mesmos a alegria de ser feliz.

Não seria isso, meus queridos companheiros, a falta de auto-estima?

Lembramos ainda que pacificidade não é ser pacífico e nem ser omisso. Busquemos pesquisar o que quer dizer pacificidade, para não confundirmos, por exemplo, impulsividade e agitação, ou ainda ansiedade, com dinamismo.

Confundimos a sensibilidade com a suscetibilidade, confundimos a humildade com o servilismo.

Colocamos tudo isso para que possamos refletir que muitas vezes os conceitos divinos não coincidem com os conceitos humanos, e é preciso que tudo esteja muito claro em nossa mente para que possamos trabalhar esses conceitos e depois administrarmos com equilíbrio as nossas emoções, que mais tarde se tornarão sentimentos.

Temos aí meus queridos, o universo nos convidando a trabalhar. É o universo da nossa alma, sob a direção e os preceitos do Mestre das nossas vidas.

Tudo isso nos mostra, ainda, a grande necessidade do auto-conhecimento, porque não basta conhecermos esse código divino se não sabemos como dinamizá-lo em nós, no nosso dia a dia, na relação conosco e na relação com o outro.

Identificarmos quem somos, o que sentimos e o que pensamos é fundamental para que possamos processar em nós essa grande transformação que certamente se dará, cedo ou tarde, querendo ou não.

Que Deus possa nos ajudar sempre. Que Deus possa iluminar as nossas mentes, e que possamos buscar sempre, na oração, os recursos espirituais que vão dilatar a nossa mente, para que possamos apreender idéias e ideais transcendentais e pedirmos ajuda ao nosso guia espiritual, para que ele nos faça ver com coragem, sem culpa e sem medo, aquilo de que necessitamos ver para processarmos a tarefa de transformação.

Orar, refletir, meditar usando os recursos da determinação com o objetivo de alcançarmos esse grande empreendimento que trará para todos nós sucesso em outros empreendimentos, porque estaremos trabalhando a causa. E trabalhando a causa, os efeitos certamente serão benéficos.

Na questão do Livro dos Espíritos, 919 a), Santo Agostinho nos dá uma metodologia e os passos de como fazê-lo. Que possamos ir até a essa pergunta, lermos com atenção, e teremos tudo que precisamos para começar o trabalho de progresso e de renovação.

Que possamos ter forças para não sermos mal humorados, nem impacientes, porque tudo isso certamente se refletirá em doenças físicas que nos trarão mais sofrimentos.

Joanna de Ângelis nos diz que quando assim agimos estamos sofrendo o sofrimento do sofrimento.

No Capítulo 5 do ESE, nós vamos encontrar nas Causas atuais das aflições, quantas angústias nós criamos pela nossa forma de proceder, pela nossa imprudência e imprevidência.

Nas Causas anteriores das aflições, apenas quatro itens nos falam de provas e expiações. Isso mostra que a maioria dos nossos sofrimentos, foram criados por nós . Passamos muito tempo analisando o outro, exigindo do outro, impondo ao outro, e esquecemos de cultivar o nosso universo interior.

Paz, muita paz em nossos corações!

Oração Final:

<Adrianabcm> Jesus amado, nós Te agradecemos a oportunidade do estudo, as palavras de reflexão que vieram através da querida Vera, tudo de bom que recebemos neste momento abençoa-nos e guarde-nos em Tua paz! Olha por todos os que conosco dividem esta jornada terrena. Pai amado nós Te amamos! Permita que possamos sempre estar aqui para ouvir o evangelho que nos chegou por Jesus e foi elucidado por Kardec. Que possamos descansar em paz. Que assim seja !