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Como desenvolver as atividades de um centro espírita

Como desenvolver as atividades de um centro espírita

 

A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, tem como lema a liberdade de expressão.
Assim, não há um órgão centralizador, como ocorre, por exemplo, na Igreja
Católica. Há apenas os princípios básicos que sustentam a Doutrina, ou seja: a
existência de Deus, dos Espíritos, a possibilidade da comunicação com eles, a
existência do mundo espiritual, da Lei de causa e efeito e a reencarnação.
Diante disso, cada centro espírita tem a possibilidade de praticar as atividades
doutrinárias da maneira que achar melhor, sendo essencial o bom senso e a
seriedade na execução das mesmas.
Colocaremos abaixo, 11 das principais atividades que podem ser praticadas dentro
de um centro espírita.
Há que se levar em consideração o espaço físico e a quantidade de pessoas
preparadas em um centro espírita, para que todas as atividades possam ser
colocadas em prática. Pois caso o grupo espírita ainda não disponha de
trabalhadores suficientes ou preparados para os serviços citados, melhor optar
por praticar apenas os que tenham condições. Posteriormente, com uma organização
e planejamento, poderá ampliar as atividades para melhor atender ao público
freqüentador.
A prática correta ou não destas atividades vai variar de acordo com o
conhecimento do grupo que dirigir a casa. E a melhor maneira de sabermos se os
trabalhos estão sendo feitos dentro dos preceitos de
Allan Kardec
é analisarmos os resultados obtidos, tanto na orientação como
nos tratamentos dos problemas materiais e espirituais dos que buscam ajuda no
centro espírita.


1
Recepção:
aquele que chega pela primeira
vez no centro espírita geralmente tem uma série de dúvidas a respeito do
funcionamento da casa. Muitas vezes nem sabe o que irá encontrar ali, haja visto
a grande confusão que há na sociedade sobre o que é e o
que não é Espiritismo
. Havendo uma recepção, que pode ser uma simples mesa
ou uma sala, o indivíduo poderá para lá se dirigir e obter as informações sobre
horário de funcionamento da casa, trabalhos desenvolvidos etc.
É necessário que a pessoa responsável pela recepção tenha total conhecimento das
atividades da casa e que se mantenha simpática em todos os momentos. Precisamos
lembrar que a recepção é o primeiro contato do visitante com o centro espírita.
E quase sempre é a primeira impressão que cativará ou afastará o público do
grupo.
É necessário que também se evite lidar com dinheiro na recepção. Muitas vezes é
na própria recepção que trabalhadores e freqüentadores da casa fazem doações ou
pagamentos de alguma promoção beneficente promovida pelo grupo. Para as pessoas
que chegam pela primeira vez ao centro espírita, pode causar estranheza e
interpretações equivocadas sobre o motivo do dinheiro. Assim, é melhor que
qualquer movimentação de dinheiro só seja feita em envelopes ou após o final dos
trabalhos abertos ao público.


2
Palestras:
é o principal trabalho de
uma casa espírita (veja exemplos de palestras escritas).
O ser humano só consegue libertar-se de seus vícios morais ou materiais quando
se esclarece dos malefícios que os mesmos trazem para sua existência. É através
das palestras que os oradores conseguem levar o conhecimento espiritual
existente na Doutrina Espírita.
Porém, por ser uma atividade de maior seriedade, deve ser entregue a pessoas
preparadas doutrinariamente e experientes em relação à vida cotidiana. É
importante também que o palestrante busque aperfeiçoar-se em técnicas de
oratória, o que o ajudará na apresentação das idéias.
O assistente precisa sentir no palestrante o que a Doutrina chama de força
moral. Ou seja, que o expositor esteja falando de algo que conhece e pratica.

O tempo destinado à palestra também é importante. Muito curtas, são
superficiais; compridas, tornam-se exaustivas. O ideal são palestras que tenham
duração de no mínimo 30 minutos e no máximo 40 minutos.
Seu teor deve mesclar os postulados da Doutrina Espírita e o Evangelho de Jesus.
Sempre que possível, relacioná-los com o dia-a-dia da sociedade. Assim, o
ouvinte poderá fazer ligações do que está ouvindo com seus próprios problemas e
dúvidas.
Importante: no momento da
palestra, é aconselhável que as demais atividades da casa sejam interrompidas
para que todos os trabalhadores e público possam escutá-la. Lembremos que a
palestra será o agente modificador do necessitado e incentivador dos que prestam
assistência no núcleo.


3
Atendimento particular:
chamado em
alguns centros espíritas de consulta ou entrevista, este trabalho visa orientar
e ajudar espiritualmente pessoas detentoras de problemas mais graves, e quando
necessário, submetê-las a um tratamento espiritual.
Em uma sala reservada, um atendente e um auxiliar (trabalhadores experientes da
casa) receberão para uma conversa íntima indivíduos desajustados emocionalmente,
desesperados, com dificuldades familiares, amorosas, financeiras, desiludidos da
vida.
A recepcionista da casa se encarregará de preencher uma ficha com os dados
básicos do atendido (nome, idade, estado civil, endereço), encaminhando-a aos
atendentes. Estes, após conversarem com a pessoa, farão os demais apontamentos
que julgarem necessários para o acompanhamento do caso, como: estado emocional,
religião praticante, se é portador de algum desequilíbrio mental já
diagnosticado por médicos, se está sob efeito de remédios, e outras informações
que poderão ajudá-los em um possível tratamento espiritual.
Casas que já possuem médiuns devidamente preparados poderão detectar durante a
entrevista ou em uma reunião mediúnica se há ou não uma influência espiritual
atuando junto ao ser, orientando-o após isso sobre as atitudes a serem tomadas.
Caso contrário, o atendente terá seu trabalho limitado, mas poderá orientar o
indivíduo dentro de um posicionamento cristão, ajudando-o a corrigir seus
defeitos e encontrar a paz procurada.
Importante:
a) Todas as informações prestadas pelo entrevistado ao atendente serão altamente
sigilosas. As fichas que contêm anotações sobre a vida particular da pessoa
deverão ficar em um fichário sob a responsabilidade daqueles que participaram da
entrevista.
b) Caso haja a utilização de um médium verificando a atividade espiritual ao
lado do atendido, possíveis manifestações de Espíritos nunca devem ocorrer na
presença do necessitado, para evitar possíveis distúrbios psíquicos ou
impressões indesejadas.


4
Tratamento espiritual:
todo aquele em que foi diagnosticada
uma influência espiritual (obsessão) deverá passar por um tratamento espiritual.
Ele consiste na aplicação de passes semanais, a ingestão de água fluidificada e
o acompanhamento das palestras no centro espírita, buscando a análise constante
das imperfeições que possibilitaram à má influência instalar-se ao seu lado,
tentando melhorar-se moralmente a cada dia.
Este tratamento será complementado nas reuniões de desobsessão, onde os
responsáveis pela ajuda continuarão a evocar a entidade perturbadora no sentido
de orientá-la a seguir outro caminho.
Assim, atua-se nos dois campos que geram o problema obsessivo: o obsediado,
orientando-o moralmente e auxiliando-o fluidicamente; e o obsessor, alertando-o
de seu estado e encaminhando-o para um melhor estágio espiritual.


5
Reunião mediúnica e de desobsessão:

trata-se de reuniões íntimas onde apenas participam os médiuns (pessoas com
maior capacidade de sentir a influência dos Espíritos) da casa e alguns
trabalhadores auxiliares, pois ali muitas vezes serão tratados assuntos que
dizem respeito à vida particular de pessoas que buscaram auxílio no centro
espírita.
A reunião mediúnica serve para que os bons espíritos dêem orientações e para que
os sofredores manifestem-se, podendo ser ajudados através de orientações do
doutrinador presente. Nela, também é praticada a mediunidade de novatos e
médiuns experientes, aperfeiçoando a forma de intercâmbio com o mundo
espiritual.
Quanto à reunião de desobsessão, é aconselhável, porém não imprescindível, que
seja realizada em dia diferente da reunião mediúnica. Na desobsessão,
participariam como médiuns apenas os mais experientes, devido ao nível
vibratório das entidades comunicantes, que geralmente é mais baixo. Em centros
que utilizam o Atendimento Particular, depois de passarem pela sala de
atendimento, e verificadas possíveis influências espirituais (obsessão), os
casos serão levados às reuniões de desobsessão. Nestas reuniões, o dirigente da
sessão fará o que Allan Kardec denominou de evocação, ou seja: solicitará a
Jesus e aos Espíritos superiores que permitam a manifestação da entidade
espiritual que está acompanhando determinado ser. Ao se manifestar em um dos
médiuns presentes, este Espírito receberá o que o Espiritismo chama de
doutrinação, que nada mais é do que uma conversa franca e amigável com o
Espírito comunicante. O trabalhador responsável tentará obter do Espírito o que
ele deseja ao lado do necessitado e tentará convencê-lo a afastar sua
influência, com a ajuda dos Espíritos que dirigem a casa. Também poderão existir
manifestações espirituais espontâneas, de acordo com a necessidade prevista pela
equipe material e espiritual responsáveis pela reunião.
Importante: para
conseguirem-se bons resultados na doutrinação dos Espíritos é necessário que
médium e doutrinador tenham uma vida moral sadia. Vícios materiais, como o
cigarro, a bebida ou as drogas; e vícios morais, como o adultério, o orgulho, a
sensualidade exagerada e a mentira devem ser combatidos rapidamente por aqueles
que se dispõem a trabalhar em nome de Jesus em um centro espírita.
Assim como nas palestras, onde o exemplo moral do palestrante é que tocará o
indivíduo que o escuta, na mediunidade o Espírito só será convencido de que
precisa se modificar se sentir que quem o está orientando ou dando-lhe passagem
está esforçando-se também para isso. Caso contrário, a evocação dificilmente
trará benefícios ao sofredor.


6
Passes:
os passes são transmissões de fluidos de um ser para
outro. Os fluidos são energias que fazem parte da estrutura material e
espiritual dos seres. Nos centros espíritas é aconselhável que os médiuns
passistas tenham uma vida regrada, sem os vícios já citados no item “Reuniões
mediúnicas”. Afinal, se seus fluidos estiverem contaminados por maus pensamentos
ou atitudes indevidas poderão prejudicar ao invés de auxiliar quem os recebe.

O passe é aplicado apenas com a imposição das mãos do passista sobre a fronte do
indivíduo. Não é necessário tocá-lo.
No momento do passe, o passista busca sintonia com os Espíritos superiores,
geralmente através de uma prece feita de pensamento. Com isso, estes amigos
espirituais poderão ajuntar seus fluidos aos fluidos do médium, favorecendo
ainda mais quem está recebendo. A pessoa após o passe irá se sentir fortalecida
e mais disposta frente aos problemas por quais passa.
Importante: o passe é um
complemente espiritual, e não a solução. Para que o indivíduo possa melhorar é
necessário que busque constantemente a libertação de suas imperfeições. Aqueles
que buscam a casa espírita apenas para receber o passe devem ser orientados
sobre a necessidade do esclarecimento através das palestras e das boas leituras.


7
Livro de preces:
muitas pessoas que vêm ao centro têm
parentes e amigos que não podem acompanhá-los por variados motivos: doença,
viagem, trabalho ou mesmo ignorância sobre o que é a Doutrina Espírita. Outras
há que gostariam que seus entes desencarnados recebessem boas vibrações através
de orações feitas no núcleo. O livro de preces serve para isso. As pessoas
deixam lá os nomes, idade e endereço dos que elas gostariam que fossem
beneficiados pela prece. Um trabalhador da casa pode ficar responsável por
anotar os dados, que posteriormente serão levados para a reunião mediúnica.
Assim, em determinada parte do trabalho, será feita uma prece a Jesus e aos bons
Espíritos, pedindo que possam interceder junto àqueles que ali estão anotados.

É necessária a discrição do responsável pelo Livro, para não constranger ou
questionar demais aquele que lá coloca um nome.
Importante: sempre que
possível, orientar ao público que embora as preces à distância possam levar
ajuda, o ideal é a presença da pessoa na casa espírita, onde o amparo será mais
direto e os resultados melhores.


8
Estudo doutrinário:
é indispensável ao bom funcionamento do
centro espírita o estudo semanal da Obras Básicas da Doutrina Espírita. Para os
trabalhadores em geral, é aconselhável a leitura de “O Livro dos Espíritos” e de
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Quanto aos que trabalham na mediunidade, a
leitura de “O Livro dos Médiuns” torna-se obrigatória para o bom desenvolvimento
de suas faculdades.
Se a casa espírita fica sem estudo torna-se presa fácil de Espíritos atrasados
que vez por outra tentam atrapalhar o bom andamento dos trabalhos em nome de
Jesus. Conhecendo as Obras Básicas da Doutrina, as orientações de Kardec e os
conselhos dos Espíritos superiores os trabalhadores do centro estarão mais
atentos para saberem se estão ou não fazendo da casa um núcleo espírita sério.

As obras acessórias que existem no movimento espírita, psicografadas (escritas
através de médiuns influenciados por Espíritos) por Chico Xavier, Divaldo
Pereira Franco e tantos outros médiuns de renome também podem ser estudadas,
desde que não sejam o alvo principal dos estudos. O trabalhador precisa estudar
e revisar constantemente as obras de Kardec para poder separar o joio do trigo
existente nas obras acessórias.
Importante: Para os que
estão ingressando ou querendo ingressar nos trabalhos da casa, é importante que
o centro tenha um Curso para Iniciantes.
Há vários cursos deste tipo no movimento espírita, que trazem um resumo da
Doutrina e de sua história. É aconselhável que diferente dos trabalhadores, que
devem estudar sempre, os iniciantes tenham um curso de curta duração (no máximo
4 meses, com aulas semanais). Caso contrário, poderão desanimar antes de
conhecerem mais a fundo o Espiritismo.
Se o curso seguir estas dicas, com certeza será um grande auxiliar na captação
de novos trabalhadores para o centro.


9
Assistência social:
a caridade material/social deve fazer
parte de toda casa espírita. Se ficarmos apenas na teoria, sem colocar “a mão na
massa”, o centro corre o risco de tornar-se apenas um núcleo de muita conversa e
pouco serviço.
Para que uma atividade possa ser desenvolvida a contento, é necessário que haja
pessoas comprometidas com o serviço. Horários e dias para os trabalhos devem ser
definidos e não feitos aleatoriamente. As pessoas envolvidas devem ter
consciência da responsabilidade que assumiram, pois muitos carentes da ajuda
material e espiritual estarão aguardando o amparo anunciado. Por isso, só
deve-se abrir frentes que possam ser mantidas, e não apenas iniciadas sem um
planejamento prévio.
Recursos financeiros devem ser destinados para a assistência social. O grupo
espírita poderá desenvolver promoções beneficentes periódicas visando arrecadar
fundos, tanto para a manutenção da casa, como também para a abertura e ampliação
dos trabalhos caritativos.
É importante que toda a parte financeira utilizada tenha relatórios e balancetes
mensais de prestação de contas aos trabalhadores da casa, como também ao público
em geral, caso necessário. Isso evita possíveis dúvidas e aumenta a confiança
dos que se dispõem a ajudar financeiramente a casa.
Trabalhos assistenciais a serem desenvolvidos não faltam: visitas a enfermos em
hospitais, manicômios, orfanatos, asilos; distribuição de cestas de alimento, de
roupas, de comida; desenvolvimento de escolas profissionalizantes, cursos de
gestantes, e evangelização infantil em favelas; visitas a casas de pessoas
enfermas; campanha de arrecadação de alimentos em bairros e supermercados; e
muitas outras formas de auxílio aos carentes do pão material e da orientação
espiritual.
Todo trabalhador do centro espírita deve buscar ao menos um tipo de caridade
material por semana. Isso desenvolverá dentro dele o sentimento de compaixão ao
próximo, que lhe será muito útil em sua vida, dentro e fora da casa espírita.


10
Evangelização e Mocidade:
o centro espírita não tem como
função substituir os pais na educação religiosa de seus filhos. Porém, pode ser
um importante auxiliar neste sentido. Tanto a Evangelização infantil como o
trabalho das Mocidades visam integrar a criança e o jovem aos princípios da
moral cristã e dos conhecimentos da Doutrina Espírita.
A Evangelização deve ser coordenada por pessoas preparadas no contato com
crianças e conhecedoras dos princípios da Doutrina Espírita. Geralmente, as
idades admitidas neste setor vão de 04 a 13 anos, subdividindo-as em salas de
acordo com a idade, como por exemplo: 4 a 6 anos; 7 a 10 e 11 a 13 anos. É
evidente que há grupos que não detêm espaço suficiente para tais divisões, e
então irão se adaptar às condições físicas da casa.
O importante é que sejam desenvolvidos os aspectos morais cristãos, preconizados
pelo Espiritismo, incutindo nas crianças o desejo da ajuda mútua e do amor ao
próximo. Isso pode ser estimulado através de histórias e atividades que busquem
fazer as crianças perceberem o quanto é importante cooperar, ser útil e agir
pensando no próximo.
Geralmente, a Evangelização infantil ocorre no momento das Palestras Públicas,
pois enquanto os pais estão absorvendo os ensinos da Doutrina, seus filhos
estarão sendo evangelizados dentro dos preceitos de Jesus e do Espiritismo.
Já a Mocidade é direcionada geralmente a jovens com idade entre 14 e 18 anos. A
idade pode variar um pouco, para mais ou para menos. O importante é que não haja
grandes diferenças, pois diferentemente da Evangelização, na Mocidade há uma
propensão para diálogos e fóruns de discussão sobre temas polêmicos, à luz da
Doutrina Espírita. Assuntos como drogas, sexo, violência, próprios da vida que o
jovem irá enfrentar, devem ser discutidos e analisados, visando mostrar o que
Jesus e o Espiritismo podem ajudá-los em suas escolhas.
É necessário que os responsáveis tenham um conhecimento acima da média sobre a
Doutrina Espírita, pois o questionamento do jovem sempre busca uma resposta
coerente para suas dúvidas. Além disso, é aconselhável que sejam pessoas que não
tenham vícios como o cigarro e o álcool, pois servirão de exemplos aos jovens,
mostrando que não há a necessidade de fumar ou beber para sentirem-se felizes.

Enfim, a Mocidade serve principalmente para integrar o jovem no trabalho
voluntário, desenvolvendo no mesmo a vontade de ser útil. E fazendo com que ele
compreenda que a Doutrina Espírita não é uma religião coercitiva, proibindo tal
ou qual coisa. Mas sim, que o Espiritismo nos alerta para as conseqüências de
nossos atos.


11
Divulgação doutrinária:
a Doutrina Espírita precisa ser bem
divulgada para que diminuam as confusões existentes entre ela e cultos
espiritualistas ou afro-brasileiros. Ter uma biblioteca na casa é de extrema
importância. O centro poderá comprar ou receber em doações uma série de livros
doutrinários que possam esclarecer o leitor sobre as bases do Espiritismo e do
mundo espiritual. Estas obras devem ser emprestadas ao público que terá cerca de
vinte dias para ler e devolvê-la para a casa. Uma pessoa fica responsável pelo
empréstimo e anotação do nome, endereço e telefone do locatário. Com isso, se
caso houver uma demora na devolução, o bibliotecário poderá contatar o leitor e
lembrá-lo de devolver a obra para que outras pessoas possam usufruí-la também.

Outra forma importante de divulgação são os folhetos (veja
exemplo
) ou jornais doutrinários que podem ser confeccionados pelo grupo. O
teor das matérias deve ser o esclarecimento das práticas espíritas, a exposição
de temas evangélicos e o comentário de situações e fatos do cotidiano à luz da
Doutrina Espírita.
Estes veículos de divulgação podem ser entregues aos freqüentadores da casa,
como também distribuídos nas redondezas do centro espírita, de casa em casa,
servindo como propaganda para o núcleo espírita.
TV, internet e rádio também são ótimos veículos de divulgação doutrinária. O
grupo deve analisar qual dos meios é o mais apropriado, financeiramente e com
pessoas preparadas para desenvolvê-los, e então começar o trabalho.
Persistência e boa vontade são essenciais para que o objetivo de divulgação seja
alcançado.

Conclusão

Allan Kardec, na Revista Espírita do mês de junho do ano de 1865, afirma o
seguinte sobre a necessidade de trabalharmos com responsabilidade e seriedade em
um centro espírita:
“Notemos igualmente que é nos centros espíritas verdadeiramente sérios que se
fazem os mais sinceros adeptos, porque os assistentes são tocados pela boa
impressão que recebem. Ao passo que nos centros espíritas levianos e frívolos,
só se é atraído pela curiosidade, que nem sempre é satisfeita. Compreender o
verdadeiro objetivo da Doutrina Espírita, empregando-a para fazer o bem a
desencarnados e encarnados, é pouco recreativo para certas pessoas, temos que
convir. Mas é mais meritório para os que a isso se devotam”. Desenvolver as
atividades de um centro espírita com bom senso e perseverança fará com que o
espiritismo consiga atingir seus ideais, que são principalmente o esclarecimento
e consolação dos que o procuram.
Abaixo, reproduziremos comentários de Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”,
capítulo 29, a respeito da importância de haver organização nas Sociedades
Espíritas.
É um texto muito importante para a reflexão dos espíritas sérios, que visam a
prática coerente dos ensinos presentes na Codificação.

Das Sociedades propriamente ditas

334. Tudo o que dissemos das reuniões em geral se aplica
naturalmente às Sociedades regularmente constituídas, as quais, entretanto, têm
que lutar com algumas dificuldades especiais, oriundas dos próprios laços
existentes entre os seus membros.
Freqüentes sendo os pedidos, que se nos dirigem, de esclarecimentos sobre a
maneira de se formarem as Sociedades, resumi-los-emos aqui nalgumas palavras.

O Espiritismo, que apenas acaba de nascer, ainda é diversamente apreciado e
muito pouco compreendido em sua essência, por grande número de adeptos, de modo
a oferecer um laço forte que prenda entre si os membros do que se possa chamar
uma Associação, ou Sociedade. Impossível é que semelhante laço exista, a não ser
entre os que lhe percebem o objetivo moral, o compreendem e o aplicam a si
mesmos. Entre os que nele vêem fatos mais ou menos curiosos, nenhum laço sério
pode existir.
Colocando os fatos acima dos princípios, uma simples divergência, quanto à
maneira de os considerar, basta para dividi-los. O mesmo já não se dá com os
primeiros, porquanto, acerca da questão moral, não pode haver duas maneiras de
encará-la. Tanto assim que, onde quer que eles se encontrem, confiança mútua os
atrai uns para os outros e a recíproca benevolência, que entre todos reina,
exclui o constrangimento e o vexame que nascem da suscetibilidade, do orgulho
que se irrita à menor contradição, do egoísmo que tudo reclama para a pessoa em
quem domina.
Uma Sociedade, onde aqueles sentimentos se achassem partilhados por todos, onde
os seus componentes se reunissem com o propósito de se instruírem pelos ensinos
dos Espíritos e não na expectativa de presenciarem coisas mais ou menos
interessantes, ou para fazer cada um que a sua opinião prevaleça, seria não só
viável, mas também indissolúvel. A dificuldade, ainda grande, de reunir crescido
número de elementos homogêneos deste ponto de vista, nos leva a dizer que, no
interesse dos estudos e por bem da causa mesma, as reuniões espíritas devem
tender antes à multiplicação de pequenos grupos, do que à constituição de
grandes aglomerações. Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se,
permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família
espírita, que um dia consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um
único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã.

335. Já vimos de quanta importância é a uniformidade de
sentimentos, para a obtenção de bons resultados. Necessariamente, tanto mais
difícil é obter-se essa uniformidade, quanto maior for o número. Nos agregados
pouco numerosos, todos se conhecem melhor e há mais segurança quanto à eficácia
dos elementos que para eles entram. O silêncio e o recolhimento são mais fáceis
e tudo se passa como em família. As grandes assembléias excluem a intimidade,
pela variedade dos elementos de que se compõem; exigem sedes especiais, recursos
pecuniários e um aparelho administrativo desnecessário nos pequenos grupos. A
divergência dos caracteres, das idéias, das opiniões, aí se desenha melhor e
oferece aos Espíritos perturbadores mais facilidade para semearem a discórdia.
Quanto mais numerosa é a reunião, tanto mais difícil é conterem-se todos os
presentes. Cada um quererá que os trabalhos sejam dirigidos segundo o seu modo
de entender; que sejam tratados preferentemente os assuntos que mais lhe
interessam. Alguns julgam que o título de sócio lhes dá o direito de impor suas
maneiras de ver. Daí, opugnações, uma causa de mal-estar que acarreta, cedo ou
tarde, a desunião e, depois, a dissolução, sorte de todas as Sociedades,
quaisquer que sejam seus objetivos. Os grupos pequenos jamais se encontram
sujeitos às mesmas flutuações. A queda de uma grande Associação seria um
insucesso aparente para a causa do Espiritismo, do qual seus inimigos não
deixariam de prevalecer-se. A dissolução de um grupo pequeno passa despercebida
e, ao demais, se um se dispersa, vinte outros se formam ao lado. Ora, vinte
grupos, de quinze a vinte pessoas, obterão mais e muito mais farão pela
propaganda, do que uma assembléia de trezentos ou de quatrocentos indivíduos.

Dir-se-á, provavelmente, que os membros de uma Sociedade, que agissem da maneira
que vimos de esboçar, não seriam verdadeiros espíritas, pois que a caridade e a
tolerância são o dever primário que a Doutrina impõe a seus adeptos. É
perfeitamente exato e, por isso mesmo, os que procedam assim são espíritas mais
de nome que de fato. Certo não pertencem à terceira categoria. (Veja-se o n.
28.) Mas, quem diz que eles sequer mereçam o simples qualificativo de espíritas?
Uma consideração aqui se apresenta, não destituída de gravidade.

336. Não esqueçamos que o Espiritismo tem inimigos
interessados em obstar-lhe à marcha, aos quais seus triunfos causam despeito,
não sendo os mais perigosos os que o atacam abertamente, porém os que agem na
sombra, os que o acariciam com uma das mãos e o dilaceram com a outra. Esses
seres malfazejos se insinuam onde quer que contem poder fazer mal. Como sabem
que a união é uma força, tratam de a destruir, agitando brandões de discórdia.
Quem, desde então, pode afirmar que os que, nas reuniões, semeiam a perturbação
e a cizânia não sejam agentes provocadores, interessados na desordem? Sem dúvida
alguma, não são espíritas verdadeiros, nem bons; jamais farão o bem e podem
fazer muito mal. Ora, compreende-se que infinitamente mais facilidade encontram
eles de se insinuarem nas reuniões numerosas, do que nos núcleos pequenos, onde
todos se conhecem. Graças a surdos manejos, que passam despercebidos, espalham a
dúvida, a desconfiança e a desafeição; sob a aparência de interesse hipócrita
pela causa, tudo criticam, formam conciliábulos e corrilhos que presto rompem a
harmonia do conjunto; é o que querem. Em se tratando de gente dessa espécie,
apelar para os sentimentos de caridade e fraternidade é falar a surdos
voluntários, porquanto o objetivo de tais criaturas é precisamente aniquilar
esses sentimentos, que constituem os maiores obstáculos opostos a seus manejos.
Semelhante estado de coisas, desagradável em todas as Sociedades, ainda mais o é
nas associações espíritas, porque, se não ocasiona um rompimento gera uma
preocupação incompatível com o recolhimento e a atenção.

337. Se mau rumo a reunião tomar, dir-se-á, não terão as
pessoas sensatas e bem-intencionadas, a ela presentes, o direito de crítica;
deverão deixar que o mal passe, sem dizerem palavra, e aprovar tudo pelo
silêncio? Sem nenhuma dúvida, esse direito lhes assiste: é mesmo um dever que
lhes corre.
Mas, se boa intenção os anima, eles emitirão suas opiniões, guardando todas as
conveniências e com cordialidade, francamente e não com subterfúgios. Se ninguém
os acompanha, retiram-se, porquanto não se concebe que quem não esteja
procedendo com segundas intenções se obstine em permanecer numa sociedade onde
se façam coisas que considere inconvenientes.
Pode-se, pois, estatuir como princípio que todo aquele que numa reunião espírita
provoca desordem, ou desunião, ostensiva ou sub-repticiamente, por quaisquer
meios, é, ou um agente provocador, ou, pelo menos, um mau espírita, do qual
cumpre que os outros se livrem o mais depressa possível. Porém, a isso obstam
muitas vezes os próprios compromissos que ligam os componentes da reunião, razão
por que convém se evitem os compromissos indissolúveis. Os homens de bem sempre
se acham suficientemente comprometidos: os mal-intencionados sempre o estão
demais.

338. Além dos notoriamente malignos, que se insinuam nas
reuniões, há os que, pelo próprio caráter, levam consigo a perturbação a toda
parte aonde vão: nunca, portanto, será demasiada toda a circunspeção, na
admissão de elementos novos. Os mais prejudiciais, nesse caso, não são os
ignorantes da matéria, nem mesmo os que não crêem: a convicção só se adquire
pela experiência e pessoas há que desejam esclarecer-se de boa-fé. Aqueles,
sobretudo, contra os quais maiores precauções devem ser tomadas, são os de
sistemas preconcebidos, os incrédulos obstinados, que duvidam de tudo, até da
evidência; os orgulhosos que, pretendendo ter o privilégio da luz infusa,
procuram em toda parte impor suas opiniões e olham com desdém para os que não
pensam como eles. Não vos deixeis iludir pelo pretenso desejo que manifestam de
se instruírem. Mais de um encontrareis, que muito aborrecido ficará se for
constrangido a convir em que se enganou. Guardai-vos, principalmente, desses
peroradores insípidos, que querem sempre dizer a última palavra, e dos que só se
comprazem na contradição. Uns e outros fazem perder tempo, sem nenhum proveito,
nem mesmo para si próprios. Os Espíritos não gostam de palavras inúteis.

339. Visto ser necessário evitar toda causa de perturbação e
de distração, uma Sociedade espírita deve, ao organizar-se, dar toda a atenção
às medidas apropriadas a tirar aos promotores de desordem os meios de se
tornarem prejudiciais e a lhes facilitar por todos os modos o afastamento. As
pequenas reuniões apenas precisam de um regulamento disciplinar, muito simples,
para a boa ordem das sessões. As Sociedades regularmente constituídas exigem
organização mais completa. A melhor será a que tenha menos complicada a
entrosagem. Umas e outras poderão haurir o que lhes for aplicável, ou o que
julgarem útil, no regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que
adiante inserimos.

340. Contra um outro escolho têm que lutar as Sociedades,
pequenas ou grandes, e todas as reuniões, qualquer que seja a importância de que
se revistam. Os ocasionadores de perturbações não se encontram somente no meio
delas, mas também no mundo invisível. Assim como há Espíritos protetores das
associações, das cidades e dos povos, Espíritos malfeitores se ligam aos grupos,
do mesmo modo que aos indivíduos. Ligam-se, primeiramente, aos mais fracos, aos
mais acessíveis, procurando fazê-los seus instrumentos e gradativamente vão
envolvendo os conjuntos, por isso que tanto mais prazer maligno experimentam,
quanto maior é o número dos que lhes caem sob o jugo.
Todas as vezes, pois, que, num grupo, um dos seus componentes cai na armadilha,
cumpre se proclame que há no campo um inimigo, um lobo no redil, e que todos se
ponham em guarda, visto ser mais que provável a multiplicação de suas
tentativas. Se enérgica resistência o não levar ao desânimo, a obsessão se
tornará mal contagioso, que se manifestará nos médiuns, pela perturbação da
mediunidade, e nos outros pela hostilidade dos sentimentos, pela perversão do
senso moral e pela turbação da harmonia.
Como a caridade é o mais forte antídoto desse veneno, o sentimento da caridade é
o que eles mais procuram abafar. Não se deve, portanto, esperar que o mal se
haja tornado incurável, para remediá-lo; não se deve, sequer, esperar que os
primeiros sintomas se manifestem; o de que se deve cuidar, acima de tudo, é de
preveni-lo. Para isso, dois meios há eficazes, se forem bem aplicados: a prece
feita do coração e o estudo atento dos menores sinais que revelam a presença de
Espíritos mistificadores. O primeiro atrai os bons Espíritos, que só assistem
zelosamente os que os secundam, mediante a confiança em Deus; o outro prova aos
maus que estão lidando com pessoas bastante clarividentes e bastante sensatas,
para se não deixarem ludibriar.
Se um dos membros do grupo for presa da obsessão, todos os esforços devem
tender, desde os primeiros indícios, a lhe abrir os olhos, a fim de que o mal
não se agrave, de modo a lhe levar a convicção de que se enganou e de lhe
despertar o desejo de secundar os que procuram libertá-lo…”.

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