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Estado de natureza / Marcha do progresso

Estado de natureza / Marcha do progresso

“O Livro dos Espíritos” – Questões 776 a 785

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositor: Flavio Mendonça
Mei_PB
11/05/2002

Dirigente do Estudo da Noite:

Flavio Mendonça – Mei_PB

obs.: estudo realizado off line

Oração Inicial:

Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àqueles que passam pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus ! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai ! Dai ao culpado o arrependimento, ao Espírito a Verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor !

Que vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.

Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem.

Que a vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda parte a Paz, a Esperança e a Fé.

Deus !

Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

Um só coração, um só pensamento subirá até vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a vossa misericórdia.

Deus ! dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Imagem.

(Prece de Cáritas)

Mensagem Introdutória:

DIANTE DA PERFEIÇÃO

Sede perfeitos como Nosso Pai Celestial!”

Esta foi a advertência do Senhor ao nosso coração de aprendizes.

Todavia, à maneira do verme contemplando a estrela longínqua, sabemos quão imensa é a distância que nos separa da meta.

Impedimentos, compromissos e inibições fluem do nosso “ontem”, asfixiando-nos, a cada momento de hoje, o anseio de movimentação para a luz.

Entretanto, se ainda nos situamos tão longe do justo aprimoramento que nos integrará na magnificência divina, é imperioso começar a grande romagem, oferecendo ao avanço as melhores forças.

Ninguém exige sejas de imediato o paradigma do amor que o Mestre nos legou, mas podes ser, desde agora, o cultor da compreensão e da gentileza dentro da própria casa.

Ninguém te pede a renúncia integral aos bens que te enriquecem os dias terrestres, no entanto, podes doar, de improviso, a migalha do que te sobre ao conforto doméstico, em auxílio ao companheiro necessitado.

Ninguém espera desempenhes, ainda hoje, o papel de herói na praça pública, mas podes calar, sem detença, a palavra escura ou amargosa capaz de emergir de teu coração para os lábios.

Ninguém aguarda sejas o remédio para todas as doenças, entretanto, ainda hoje, podes ser a enfermagem diligente, balsamizando as úlceras dos enfermos relegados ao abandono.

Ninguém te solicita prodígios, em manifestações prematuras de fé, mas podes ser, sem delonga, o reconforto que ampare a quantos atravessam as sarças do caminho.

Lembra a semente que te regala o corpo e aprendamos a começar.

A planta que era ontem simples promessa, hoje é a garantia do pão que te supre a mesa.

As maiores e as mais famosas viagens iniciam-se de um passo.

Esforcemo-nos por fazer o melhor ao nosso alcance, desde agora, e a perfeição ser-nos-á, um dia, preciosa fonte de bênçãos, descortinando-nos luminoso porvir.

Emmanuel

Do Livro: Nascer e Renascer

Psicografia: Francisco Cândido Xavier

Editora: GEEM

Exposição:

Queridos amigos, estudantes da Doutrina renovadora, muita Paz ! É com imenso prazer que divido com vocês este momento bonito de aprendizado rumo ao progresso moral e intelectual. Iniciemos os estudos pelo CAPÍTULO VIII, parte 3º questões 776 a 785 do Livro dos Espíritos:

ESTADO DE NATUREZA

” Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará “.

Kardec, na elaboração da Codificação, indaga os benfeitores na questão 776:

Serão coisas idênticas o estado de natureza e a lei natural?

O que eles respondem: “Não, o estado de natureza é o estado primitivo. A civilização é incompatível com o estado de natureza, ao passo que a lei natural contribui para o progresso da Humanidade.”

O estado de natureza refere-se ao estado primitivo, onde originou-se a nossa caminhada existencial. Nos servimos, pois, da lei natural para progredir em consciência, e assim transcendermos a estados mais ditosos, mais felizes, o Reino dos céus anunciado pelo mestre Jesus !

Ora, então porque a civilização é incompatível com o estado de natureza ?

Por que este é o estado mais primitivo que a consciência estagiou, e sabemos que a civilizações vieram em estágios mais avançados. Portanto, a incompatibilidade está em não estagiarmos mais na condição primitiva.

Podemos assim entender que o homem evidencia uma transcendência de estágios ainda mais primários, dando-nos a percepção de que somos consciências a acumular recursos e subsídios, numa tarefa em que os condicionamentos se fizeram mister a marcha incondicional do progresso.

Não estava a consciência determinada a viver eternamente na infância. Muito menos a ficar estática em relação ao seu futuro. A transitoriedade da condição existencial nos é eminente dentro desta perspectiva, pois, observamos os avanços, os quais também nos falam os benfeitores, entrando em perfeita sintonia de compreensão dos seus postulados.

Na medida que a humanidade evidencia esta realidade maior, a qual lhe tira da obscuridade imposta pelo ego, pode suscitar maior largueza de sua existência eterna. E assim, lograr mais harmonia nas suas relações ainda tão infantis, fruto de todos os dissabores e patologias que experimenta.

No entanto, entendem alguns que era na fase primitiva que experimentávamos as maiores felicidades por não vivermos pelas tribulações de nossas mentes infantis. Ora, poderíamos então dizer-lhes: É o animal mais feliz que os sábios ? Certamente uma mente bruta pensaria que sim, pois, não vive a sabedoria, e sim, o estágio transitório onde suas perturbações se lhes impõem. Ignorando esta idéia, certamente estaria agindo com lógica. Mas seria sempre fruto da superficialidade analítica que o espírito pouco investigativo se submete.

Outros imaginam que pode a consciência voltar a estágios primitivos, a estados de natureza ou original !

Ora, outro absurdo, fruto da pouca observação ! Tendo a consciência atravessado toda a escalada, condicionando-se através da experiência vivida pelas impressões externas e pelas reflexões internas, jamais perderia ele esta bagagem, fruto de toda esta construção íntima.

Nos dizem os benfeitores que o instinto jamais se transvia. Podemos entender por esta assertiva que esta construção, a qual chamo de instinto, não retrograda, pois, não pode ser demolida. Ela formou-se ao longo das experiências que a consciência estagiou, moldando-se as condições experenciadas, e assim, pelos condicionamentos, se fez singular.

MARCHA DO PROGRESSO

Como se faz no homem, o progresso ?

Pela necessidade de progredir haure o homem força da Natureza transcendendo passo à passo.

O homem vive assim na busca de proteção, e nessa busca associa-se a outros com mesmo interesse, formando uma comunidade, um sociedade, enfim, uma civilização.

Como fruto desta busca, se fez presente as relações, e nelas pôde o homem aprender, dominando suas emoções e sentimentos, na tentativa de harmonizar-se e atingir seus objetivos. Porém, as necessidades são crescentes, e tem o homem a oportunidade de alargar suas relações, interagindo com outras comunidades além das fronteiras antes estabelecidas. No decorrer deste processo, há conflitos mútuos, pois a sua imaturidade no trato das relações os fazem muitas vezes inseguros delas.

Por este caminho aparentemente tortuoso, vai o homem progredindo rumo a estados mais felizes da existência. Cabe aos mais experientes auxiliar aos mais desesperados, fazendo o que Jesus nos ensinou quando falou de colarmos a luz em cima do alqueire.

Nesta etapa, pôde o homem desenvolver códigos éticos e morais, a fim de diminuir estes conflitos. Mas isso foi um processo simultâneo entre o desenvolvimento intelectual e moral, onde o segundo pode acompanhar, sem antes preceder-lhe.

É que no uso do atributo intelectual estabelece no homem a idéia de bem e de mal, e assim a moralidade toma forma, e posteriormente, efetiva-se.

Como vemos, os conflitos, as dores, os sofrimentos, enfim, a ausência de código moral precede sempre ao intelecto, e este muitas vezes se utiliza de tiranias para impor-se e se assegurar, porém, como é transitório, logo vem a necessidade de se criar novos códigos a fim de acabar aquela tirania.

Observemos que todos os grandes impérios e imperadores caíram. Eles cresceram e se tornaram tirânicos pelo intelecto, pois que se valiam dele para atender a objetivos egoístas, mas que a necessidade imperiosa da harmonia se impõe convidando o bom senso a tomar conta da nova ordem. Assim foi, assim esta sendo, e assim será sempre, pois na Natureza, a lei do progresso nos impõe tal condição.

Jesus, nosso irmão amado, fala-nos, numa de suas máximas: “Há de existir os escândalos, mas ai de quem escandalizar”.

Pois é exatamente disso que ele trata nesta máxima. Ele sabia perfeitamente que a marcha do progresso é imperiosa, e que a natureza ainda infantil do homem tentaria lhe impedir a vitória, mas que cairia por terra por ser maior a primeira.

Assim anunciou também “Os Finais dos Tempos”, onde haverá muitas dores e sofrimentos, mas quem mantiver a fé até o “fim” reinará na harmonia divina.

Esta previsão trata exatamente do final do paradigma materialista, ou seja, dos novos tempos de renovação pela ação fraterna. Onde os recursos do materialismo se esgotarão, dando passagem a regeneração tão esperada e trabalhada pela providência.

Todavia, existem homens de boa fé que tratam de obstar o progresso, iludidos pela ignorância da avaliação infantil. Porém, o progresso se lhes impõem, e cedo ou tarde, eles entenderão a necessidade de adaptar-se a ordem natural das coisas.

Podemos bem perceber o quanto o intelecto se desenvolveu, deixando para trás um rio encharcado de imoralidades, haja visto o progresso tecnológico em detrimento do moral. É que como disseram os Espíritos benfeitores, o intelecto desenvolve-se primeiro dando vazão a necessidade da busca da harmonia pela moralização do homem. Assim, através dos tempos, pelas experiências vividas nas inter-relações, pode o homem progredir ao infinito, atingindo o estágio mais sublime, onde deixará como meras recordações do aprendizado, o instinto primitivo, as emoções mais animalizadas, promovendo-as a sentimentos sublimes da existência, o Amor Supremo !!!

Queridos amigos, estudantes da Doutrina renovadora, muita Paz

Oração Final:

Senhor, ensina-nos:

a orar sem esquecer o trabalho;
a dar sem olhar a quem;
a servir sem perguntar até quando;
a sofrer sem magoar seja a quem for;
a progredir sem perder a simplicidade;
a semear o bem sem pensar nos resultados;
a desculpar sem condições;
a marchar para frente sem contar os obstáculos;
a ver sem malícia;
a escutar sem corromper os assuntos;
a falar sem ferir;
a compreender o próximo sem exigir entendimento;
a respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração;
a dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxa de reconhecimento.

Senhor, fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas dificuldades.

Ajuda-nos, sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será invariavelmente, aquela de cumprir-te os desígnios onde e como queiras, hoje agora e sempre.

Emmanuel

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