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Evangelização para Jovens Carentes (Uma Experiência Vivida na Favela da Rocinha)

Evangelização para Jovens Carentes (Uma Experiência Vivida na Favela da Rocinha)

2º Encontro de Evangelizadores

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
e pelo Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Palestrante: Lígia Simões
Rio de Janeiro
05/07/1998

Organizadores da palestra:

Moderador: “jaja” (nick: |Moderador|)

“Médium digitador”: “_Stone_” (nick: Ligia_Simoes)

Oração Inicial:

<||Moderador||> Mestre querido, pedimos ao Teu coração amigo que estejas conosco para que possamos trazer a todos os amigos presentes tudo aquilo que já está programado pela espiritualidade amiga. Fica conosco, Mestre querido, hoje e sempre. Que assim seja!

Considerações iniciais do palestrante:

<Ligia_Simoes> Nós nos sentimos muito felizes pela importância de se refletir sobre o trabalho da evangelização e o seu papel transformador.(t)

Perguntas/Respostas:

<||Moderador||> [1] <jaja> Qual a maior dificuldade enfrentada hoje em dia para levar conceitos morais para os jovens de uma comunidade carente?

<Ligia_Simoes> Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que esta dificuldade existe com relação aos jovens de uma maneira geral. Não sentimos diferença entre o jovem de classe média ou alta e o jovem da comunidade carente. Para nós, a indiferença ou resistência do jovem se deve muitas vezes a todo um período da infância desperdiçado pelos responsáveis no sentido de levar ao espírito da criança as primeiras noções da importância da espiritualidade.(t)

<||Moderador||> [2] <_Stone_> Qual a postura do evangelizador diante da aparente falta de perspectivas destas crianças? Como convencê-las da necessidade do desenvolvimento moral?

<Ligia_Simoes> Utilizamos em nosso trabalho a metodologia do “aprender fazendo”, que se adapta no trabalho da Evangelização ao “concluir refletindo”. Partimos sempre então, mesmo com as crianças menores, da observação de suas vivências, das situações de suas vidas prazerosas ou dolorosas para refletirmos, buscando a melhor conduta e os parâmetros norteadores do comportamento que lhes garantirá o bem estar íntimo, ou seja, a felicidade. (t)

<||Moderador||> [3] <Spiritus_de_Caritas> Como sabemos, a Evangelização sistematizada necessita de um grupo sintonizado com os trabalhos de uma casa espírita. Há alguma limitação quanto a faixa etária para o Evangelizador? Mesmo trabalhando em outros setores da Mocidade?

<Ligia_Simoes> De certo modo, sim. Diríamos que o evangelizador responsável pela condução do grupo precisará, além do conhecimento doutrinário, apresentar um certo grau de maturidade, de vivência enquanto experiência de vida, para que possa somar essa experiência ao conhecimento doutrinário, conduzindo-o em bases de realidade. Isso não impede que jovens participem do trabalho, apoiando o evangelizador responsável e preparando-se para a tarefa mais tarde. Hoje mesmo, temos aqui conosco, na condição de integrantes da equipe de evangelização do “Boa-Nova”, duas jovens de cerca de 15 anos.(t)

<||Moderador||> [4] <Fersa> Pergunto: há alguns Centros Espíritas que utilizam a comida etc. como uma forma de chamar as pessoas aos Centros Espíritas; ora, isso não é uma cópia do que fazem certas religiões?

<Ligia_Simoes> Podemos entender a sua pergunta de duas formas: A primeira: Você se refere a doação de alimentos para os carentes? Neste caso, entendemos esta doação como uma prática da caridade recomendada por todas as religiões, ou seja, um elemento comum a todas elas. A segunda: Você se refere a atividades de confraternização que se realizam a partir de almoços ou chás? Neste caso, observamos o alimento como um instrumento apenas de aproximação das pessoas, como fazemos mesmo em nossas casas quando conversamos com os familiares na hora das refeições. (t)

<||Moderador||> [5] <Spiritus_de_Caritas> É correta a divisão de duas turmas em dias diferentes para a Evangelização, separando-se a comunidade carente e a de “classe média”? Ou o melhor aproveitamento se dá pelas turmas mistas, onde se mede o conhecimento sobre a doutrina?

<Ligia_Simoes> Para nós não há necessidade nem vantagens nesta divisão. Precisamos aprender a considerar mais os valores eternos do espírito, dando menos importância à aparência ou a diferenças apenas circunstanciais. Muitas vezes, encontramos nas comunidades carentes os espíritos valorosos que lá estão exatamente por já haverem conquistado os recursos da fé e do fortalecimento espiritual que lhes permite enfrentar as adversidades da vida material que nós, médios, não apenas na classe social em que vivemos, estamos longe de conhecer. Neste sentido, a classe mista a que você se refere, proporcionará a troca de experiências enriquecedora para todos.(t)

<||Moderador||> [6] <_Stone_> Existe uma grande influência dos pais na conduta moral dos filhos, logicamente. Há a necessidade de um intercâmbio com os responsáveis?

<Ligia_Simoes> Sim. E as casas espíritas vêm desenvolvendo paralela à atividade da evangelização de crianças e jovens, outras atividades voltadas para os pais como o círculo dos pais espíritas. Em nossa casa, esta atividade acontece no mesmo horário da evangelização e nela são discutidos os mesmos temas do estudo feito com as crianças, de modo a que o grupo familiar possa ter a oportunidade de refletir sobre as questões propostas, revendo comportamentos e renovando posturas mentais menos boas.(t)

<||Moderador||> [7] <Fersa> O que acha de no próprio Centro Espírita haver uma evangelização muito profunda no sentido de que as pessoas que ali chegam, sejam quais forem, sejam atendidas com amor, como no tempo da Casa do Caminho?

<Ligia_Simoes> Me parece que é esta a finalidade do trabalho de evangelização realizado nas casas espíritas: A transformação das criaturas a partir dos parâmetros apontados pelo Evangelho. Uma definição feliz que ouvimos, certa vez, do Evangelho, foi a de que Ele é a narrativa de uma vida, a de Jesus, através de outras vidas. Assim, o indicador da nossa transformação moral será sempre o bem que possamos realizar em favor do nosso próximo. E, certamente, o modelo de fraternidade vivido na primeira casa cristã de assistência deve ser seguido por todos nós. (t)

<||Moderador||> [8] <jaja> Existe algum questionamento, por parte das crianças carentes da Rocinha, por exemplo, quanto à Justiça de Deus, fazendo alguma referência ao contexto social em que estão inseridas?

<Ligia_Simoes> Boa pergunta! Diríamos que, estranhamente para nós, não. Naturalmente encontramos também lá as almas revoltadas por sua condição. Mas percebemos que esta posição do espírito não se limita aos que carecem dos recursos materiais. Lá, pelo contrário, destacam-se exemplos de resignação diante das situações inevitáveis, assim como exemplos de fortaleza moral não só para suportá-las, mas, também, no esforço de superá-las.(t)

<||Moderador||> [9] <Spiritus_de_Caritas> Compreende-se que este trabalho realizado na Rocinha é um farol para muitas outras instituições. A experiência já foi demonstrada em livro ou mesmo tem um Web Site para ampliar a luz aos navegadores deste mar infinito de paz e consolo que é o trabalho de Evangelização? Bem sabemos que este mar todo também contém turbilhões que precisam de experiências como esta.

<Ligia_Simoes> É verdade. Mas, infelizmente, ainda não houve condição de serem feitas estas formas de divulgação. Mas temos podido trocar experiências com trabalhadores de outras casas, dividindo o que vimos aprendendo no trabalho realizado.(t)

<||Moderador||> [10] <Fersa> Apesar do trabalho na Rocinha ser de extrema importância, será que a comissão encarregada desse trabalho não poderá através de Federações espíritas fazê-lo chegar até outros pontos do país?

<Ligia_Simoes> Acreditamos que no momento certo desta divulgação se realizar, as possibilidades aparecerão para tal. O importante para nós é que não nos furtemos a esta troca de experiências que sempre favorece a nossa reflexão, permitindo-nos corrigir enganos e aprimorar o trabalho feito.(t)

<||Moderador||> [11] <Spiritus_de_Caritas> Folheando os Planos de Aulas da FEB, que orientam nossos trabalhos aqui no Lar Espírita Chico Xavier, observamos que os planos se prendem muito à parte religiosa da Doutrina. Uma psicopedagogia completa não poderia omitir a tríade doutrinária. A experiência na Rocinha aborda a parte científica e filosófica? E como se trabalha isto?

<Ligia_Simoes> Percebemos o cuidado da equipe da FEB no material citado em abordar a parte terceira de “O Livro dos Espíritos”, que trata das questões morais, tão importantes para a reforma íntima de nossos espíritos, não é? Isso, no entanto, não deve excluir a abordagem científica e filosófica na medida de nossa possibilidade e sempre adequada às novas descobertas e progressos da Ciência. (t)

<||Moderador||> [12] <jaja> O convívio de algumas das crianças, atendidas pela Evangelização, em maior parte do tempo com um ambiente de viciação e violência, não tenderia a anular todo o esforço empregado pelo evangelizador durante as aulas, de promover uma transformação a nível moral deste espírito?

<Ligia_Simoes> É um desafio esta convivência, até mesmo porque ela acontece em um tempo muito maior do que aquele que dedicamos às atividades da evangelização. Sentimos, no entanto, que o fator preponderante é a tendência do espírito, levando-o a buscar, mais perto ou mais longe, as atividades e gostos com que se sintoniza. É por isso que vemos muitos jovens subirem as favelas a procura da satisfação de seus gostos, enquanto outros que lá moram passam indiferentes aos apelos que lhes são feitos, embora a convivência.(t)

<||Moderador||> [13] <jaja> No caso da Rocinha, alguém da própria comunidade já se ofereceu para também trabalhar junto ao Centro Espírita na Evangelização dos membros de sua própria comunidade?

<Ligia_Simoes> Certamente. E essa integração é absolutamente necessária. Já vai longe o tempo em que tínhamos nos trabalhos realizados o “público assistido” que permanecia passivo ou apenas receptivo ao trabalho. Cada vez mais busca-se esta integração que espelha os resultados de promoção desejados e alcançados. Um aspecto importante que conseguimos desenvolver foi a formação de um grupo de médiuns para o trabalho da desobsessão, por exemplo, voltado ao atendimento das necessidades locais.(t)

<||Moderador||> [14] <jaja> Há algum auxílio, por parte do governo, nos trabalhos realizados junto à Evangelização da Rocinha ou algum convênio no campo da assistência médica, por exemplo?

<Ligia_Simoes> Na Rocinha, como um todo, existem inúmeras iniciativas de parceria entre as organizações governamentais e as entidades filantrópicas locais. O Estado vem desenvolvendo ações buscando o apoio da sociedade civil no desenvolvimento das políticas públicas. E assim, muitos trabalhos conjuntos vêm sendo feitos não apenas com as organizações religiosas, mas, também, com associações de moradores e organizações locais. (t)

<||Moderador||> [15] <Spiritus_de_Caritas> Lígia tem conhecimento sobre algum trabalho como este da Rocinha na Mangueira?

<Ligia_Simoes> Sim. E a Mangueira se destaca também por uma série de iniciativas importantes de promoção social dos seus membros. Vale lembrar a necessidade de não só transmitirmos em nosso trabalho os conhecimentos espirituais que tanto valorizamos como também de oferecermos na medida de nossa possibilidade os instrumentos que possibilitarão a estes companheiros a modificação das situações de carência material em que se encontram. No livro “Missionários da Luz”, de André Luiz, há uma frase muito importante do mentor Alexandre quando este fala da expectativa de transformação dos companheiros, dizendo mais ou menos assim: “Não desejamos vê-los eternamente necessitados, mas tê-los a nosso lado na condição de companheiros alegres, confiantes e felizes como nós.” (t)

Considerações finais do palestrante:

<Ligia_Simoes> Pensamos que o trabalho da evangelização, acima de tudo, nos oferece a possibilidade de refletirmos sobre nós mesmos, sobre a nossa transformação e sobre o nosso desejo de servirmos a Jesus através do nosso próximo. O grande desafio é percebermos a presença do Mestre em cada companheiro que de nós se aproxima, de modo a não excluirmos ninguém do nosso auxílio, sucumbindo ainda à força de nossos preconceitos e à ilusão da separatividade que alimentamos. Um abraço a todos e votos de muita paz! (t)

Oração Final:

<Wania> Senhor Jesus, agradecemos a Ti por mais esta oportunidade que nos possibilita o esclarecimento de que tanto necessitamos. Permanece junto a todos nós nos amparando e fortalecendo na execução das tarefas que abraçamos em Tua seara. Que seja em Teu nome, em nome dos espíritos amigos, mas, acima de tudo, em nome de Deus, que encerramos esta palestra. Que assim sej

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