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Existem muitas opções de estrutura?

Existem muitas opções de estrutura?

A estrutura linear é, sem dúvida, a mais utilizada por ser a mais ensinada nas escolas. Nela ficam bem caracterizadas as partes do ensaio, principalmente a conclusão. Mas não é o único tipo de estrutura que podemos usar. Em determinados casos, ela não é a mais adequada, podendo ser substituída por outras mais apropriadas ao desenvolvimento de um tema — como a estrutura cíclica ou a cíclico-linear. Além dessas estruturas básicas, existem outras, como a linear paralela, a jornalística e a de colagem, que podem ser usadas em algumas situações especiais. Essas são estruturas variantes das básicas e confirmam que o ensaio não é uma forma tão rígida como parece à primeira vista.

1. A estrutura linear
Caracteriza-se por definir uma seqüência de raciocínio. Nela, os argumentos vão progressivamente se somando em direção à conclusão.

Na estrutura linear as idéias têm peso e função bem diferenciados.
Cada idéia se relaciona com a anterior e também com a posterior.

As idéias, os dados, as informações ou as inferências conduzem o leitor para a questão principal, que está sempre na conclusão.

1a. O pensamento do leitor é direcionado
No ensaio linear, o autor do texto vai induzindo o leitor a determinadas conclusões. Por ter esse caráter indutivo, a estrutura linear é a mais utilizada em textos didáticos. Quando o redator do texto usa essa estrutura, ele espera que o leitor acompanhe seu raciocínio passo a passo, e só no final entenda todo o seu significado ou onde se quer chegar.

1b. Como identificar o texto linear
Nesse tipo de texto, as idéias são identificadas com clareza. Podem ser introdutórias, de desenvolvimento ou conclusivas. A conclusão é formada por uma ou mais idéias resultantes de uma argumentação que veio sendo construída desde a introdução.

O objetivo é que o interesse do leitor cresça a cada passo.
Por essa razão, o trabalho nunca será satisfatório se a sua
conclusão for redundante ou repetitiva.
No gráfico, a seqüência de idéias está colocada em uma linha reta. Daí o nome “linear”

Uma conclusão que repete idéias do desenvolvimento, por exemplo, desestimula o leitor e contraria o princípio da estrutura linear, pois não acrescenta nada de novo no final. Se imaginarmos a seqüência de idéias na estrutura linear e a colocarmos em um esquema, poderemos representá-la como no gráfico:

1c. Como um problema matemático
Podemos comparar o texto linear com um problema de Matemática. O enunciado do problema seria a introdução; as operações e os cálculos, o desenvolvimento; e a resposta ou o resultado, a conclusão.

Para lembrar:

Na resolução do texto, a idéia principal está sempre no final. Ao ler um texto linear, temos exatamente essa expectativa.

O leitor percebe que o principal está no final e vai lendo com um interesse crescente, ou, ao menos, lê as informações e as idéias novas que se sucedem até chegar ao ápice, que é a conclusão.

O desejo de acabar com a poluição esbarra em interesses muito poderosos, não só de quem a gera, como os de quem se utiliza direta ou indiretamente dela. Suponhamos que se decidisse acabar com a poluição causada pelos motores movidos a derivados do petróleo. Tal decisão implicaria o fechamento das indústrias automobilísticas, no fim da prospecção, extração, refino, distribuição e venda do petróleo — já que é impossível que esses motores não poluam —, sem contar o grande número de atividades ligadas a essas indústrias básicas; as indústrias de autopeças, por exemplo. Se pensamos nas outras aplicações de derivados de petróleo — lembremos o plástico — vemos que é praticamente impensável a decisão de inviabilizar seu uso, a não ser que pagássemos o preço de desestruturar as sociedades como as conhecemos, acabando com o lucro e também com os empregos que essas atividades geram. Procura-se produzir motores menos poluentes e de menor consumo, desestimula-se o uso do automóvel e de outros paliativos parecidos. O plástico, de difícil ou quase impossível reciclagem pela natureza, continua sendo produzido em larga escala e está presente em inumeráveis objetos de consumo. Nenhum governo vai cometer a loucura de proibir sua fabricação e seu consumo… Qual o lucro de se acabar com a poluição dos rios, por exemplo? Quem vai investir os bilhões necessários para limpar o rio? Os governos fazem o que podem, mas o cheiro nos mostra que podem pouco. É mais fácil acusar a população de jogar detritos no rio e tapar o nariz…

Por isso acabar com ela é tão difícil. Somente em casos de danos muito escandalosos, para o homem ou para a natureza, tomam-se providências. Uma política de fato eficiente para terminar com a poluição vai demorar, com certeza.
A redação de aluno acima desenvolve o tema “Ninguém gosta da poluição. Por que não se acaba com ela?” utilizando a estrutura linear

1d. A estrutura mais usada
A estrutura linear é a mais usada porque é a que reflete o próprio processo de acúmulo do conhecimento. Ou o modo como costumamos apreender as coisas.

Essa forma de raciocínio está muito presente em nossa cabeça, principalmente se freqüentamos a escola.

A maior parte das disciplinas escolares, sobretudo na área de Ciências, distribui os conteúdos linearmente a cada aula com o propósito de facilitar a aprendizagem. Nesse caso, também se pretende que o aluno tenha a sensação de começo, meio e fim.

2. Estrutura cíclica
O que caracteriza essa estrutura é a coincidência entre a introdução e a conclusão. O texto cíclico começa pela conclusão e as mesmas idéias são sintetizadas ao final. Embora seja menos comum, na prática podemos encontrar muitos textos que se organizam ciclicamente. Por isso, não deixe de utilizá-la quando achar que é a melhor opção para o seu texto.

Para lembrar:

É preciso saber com certeza quando é melhor utilizar a estrutura cíclica. Para isso, é bom ter muito claro desde o início da redação como deve ser a conclusão, ou qual a síntese que ela deve fazer. Com a conclusão definida, a questão passa a ser a de adequar a estrutura ao objetivo do texto e também ao leitor a que ele se destina.
A mesma redação de aluno (mostrada abaixo) é trabalhada na estrutura cíclica.
Abre com a síntese e termina repetindo idéias semelhantes no último parágrafo ou conclusão
Acabar com a poluição é difícil, pois existem muitos interesses em torno dessa questão. Somente em casos de danos muito escandalosos, para o homem ou para a natureza, tomam-se providências. Uma política de fato eficiente para terminar com a poluição vai demorar, com certeza.”
Suponhamos que se decidisse acabar com a poluição causada pelos motores movidos a derivados do petróleo. Implicaria o fechamento das indústrias automobilísticas, no fim da prospecção, extração, refino, distribuição e venda do petróleo — já que é impossível que esses motores não poluam —, sem contar o grande número de atividades ligadas a essas indústrias básicas. Se pensamos em outros derivados de petróleo — o plástico — vemos que é praticamente impensável inviabilizar o seu uso, a não ser que pagássemos o preço de desestruturar as sociedades como as conhecemos, acabando com o lucro e também com os empregos que essas atividades geram.Procura-se produzir motores menos poluentes e de menor consumo, desestimula-se o uso do automóvel e de outros paliativos parecidos.
O plástico, de difícil reciclagem pela natureza, continua sendo produzido em larga escala. Nenhum governo vai cometer a loucura de proibir sua fabricação e seu consumo…
Qual o lucro de se acabar com a poluição dos rios, por exemplo? Os governos fazem o que podem, mas o cheiro nos mostra que podem pouco. É mais fácil acusar a população de jogar detritos no rio e tapar o nariz…
Custa muito caro acabar com a poluição, o que que acaba limitando a ação governamental a situações emergenciais, quando os danos são realmente escandalosos.

2a. Um caminho que volta
Podemos decidir que, em determinados casos, a melhor maneira de fazer com que o leitor se interesse pelo texto seja apresentar, logo no início, a conclusão. É a forma de provocarmos curiosidade. É como se antes de resolvermos um problema matemático, apresentássemos o resultado final.

O texto cíclico começa pela conclusão. Essa é a característica básica dessa estrutura. Mas, para ser utilizada de forma satisfatória, é essencial que se tenha bom domínio do conteúdo e da estrutura de suas idéias. Só assim o redator poderá trabalhar livremente com seus argumentos.

2b. Pensamentos linear e cíclico
Redigir cíclica ou linearmente pode ser uma questão de simples aptidão pessoal. É como se houvesse “pessoas cíclicas” e “pessoas lineares”.

Isso significa que alguns privilegiam o raciocínio indutivo, outros preferem o raciocínio dedutivo, e outros ainda usam com desenvoltura os dois raciocínios.

As “pessoas cíclicas”, em geral, são mais intuitivas e conseguem antecipar com facilidade as conclusões. Mas essa é uma característica que depende de cada um. Há pessoas, por exemplo, que conseguem escrever tanto o texto indutivo quanto o dedutivo com a mesma facilidade.

Não há nada de errado em termos maior ou menor facilidade para uma determinada estrutura ou tipo de texto. Erro é considerar que nossa mente só pode funcionar de um único jeito. É possível que muita gente nunca tenha experimentado a estrutura cíclica simplesmente pelo fato de ela ser pouco conhecida e não ter sido ensinada na escola até agora. Mas, para desenvolver essa estrutura instigante, a única coisa de que precisamos é a prática.

2c. Resultado de impacto
Em geral, utilizamos a estrutura cíclica em textos polêmicos ou quando desejamos surpreender. O impacto acontece já no início do texto, ao serem dadas ao leitor as idéias mais importantes sobre o assunto discutido. Por essa razão, tal estrutura é muito usada em discursos políticos e nas falas dos advogados. Imagine, por exemplo, o impacto que um advogado causaria em uma sessão de júri caso chegasse para defender um acusado de assassinato e, em sua primeira intervenção, dissesse: “O réu é inocente!” Essa surpresa é o que se pretende com o uso da estrutura cíclica.

2d. Quando é melhor usar a estrutura cíclica

Na estrutura cíclica, a introdução e a conclusão coincidem

É bom usá-la se desejamos garantir o interesse do leitor desde o início do texto. É, em certa medida, o caso dos relatórios ou dos textos jornalísticos. Esse tipo de estrutura garante que a introdução seja uma entrada no assunto, sem rodeios. Para isso, não há maneira mais eficiente do que começar pela conclusão.
O gráfico ao lado ilustra a estrutura cíclica:

2e. Como um teorema
Podemos comparar a estrutura cíclica do texto com um teorema de Matemática, que tem estrutura igual. Nesse caso, a introdução equivale à hipótese e a conclusão equivale à tese. Já o desenvolvimento é a demonstração.

3. A estrutura cíclico-linear
As várias estruturas do texto resultam da busca pela objetividade e, ao mesmo tempo, do esforço para interessar o leitor. A estrutura cíclico-linear é um bom exemplo desse esforço. Ela também tem a preocupação de manter o leitor o tempo todo atento ao processo de raciocínio que o autor do texto desenvolve ao redigir.

3a. A idéia que se repete
A estrutura cíclico-linear usa o processo progressivo, ou indutivo, de argumentação da estrutura linear, e utiliza a estratégia de repetição, da estrutura cíclica. O leitor desse tipo de texto é levado a usar os dois processos de raciocínio — indutivo e dedutivo — ao mesmo tempo.

Para lembrar:

Na estrutura cíclico-linear, a repetição se dá não apenas no começo e no fim do ensaio, mas também durante o desenvolvimento, como se fosse um refrão. E o que se repete não é necessariamente uma idéia essencial para a argumentação.

Pelo contrário, normalmente esse refrão é uma idéia secundária, que às vezes é até dispensável. Essa idéia, geralmente sintetizada em uma frase, representa uma intervenção ritmada do autor no conteúdo do texto.

O desejo de acabar com a poluição esbarra em interesses muito poderosos, não só de quem a gera, como os de quem se utiliza direta ou indiretamente dela.

A poluição dá lucro? Suponhamos que se decidisse acabar com a poluição causada pelos motores movidos a derivados do petróleo. Tal decisão implicaria o fechamento das indústrias automobilísticas, no fim da prospecção, extração, refino, distribuição e venda do petróleo — já que é impossível que esses motores não poluam —, sem contar o grande número de atividades ligadas a essas indústrias básicas; as indústrias de autopeças, por exemplo.

A poluição dá lucro? Se pensamos nas outras aplicações de derivados de petróleo — lembremos o plástico — vemos que é praticamente impensável a decisão de inviabilizar seu uso, a não ser que pagássemos o preço de desestruturar as sociedades como as conhecemos, acabando com o lucro e também com os empregos que essas atividades geram. O que é possível ser feito até que se faz. Procura-se produzir motores menos poluentes e de menor consumo, desestimula-se o uso do automóvel e de outros paliativos parecidos.

A poluição dá lucro? O plástico, de difícil ou quase impossível reciclagem pela natureza, continua sendo produzido em larga escala e está presente em inumeráveis objetos de consumo. Nenhum governo vai cometer a loucura de proibir sua fabricação e seu consumo…
Do mesmo modo, com quase todas as formas de poluição, vamos encontrar razões muito poderosas que inviabilizam seu término a curto prazo.

A poluição dá lucro? Qual o lucro de se acabar com a poluição dos rios, por exemplo? Quem vai investir os bilhões necessários para limpar o rio? Os governos fazem o que podem, mas o cheiro nos mostra que podem pouco. É mais fácil acusar a população de jogar detritos no rio e tapar o nariz…

A poluição dá lucro? Sim. Por isso acabar com ela é tão difícil. Somente em casos de danos muito escandalosos, para o homem ou para a natureza, tomam-se providências. Uma política de fato eficiente para terminar com a poluição vai demorar, com certeza.

Nesse caso, a redação sobre poluição utiliza a
estrutura cíclico-linear, repetindo a intervalos um refrão ou uma idéia

3b. Como um refrão
O que caracteriza esse tipo de texto e o diferencia da redação linear é a reiteração de uma frase no seu decorrer. Essa frase é conotativa, porque vai se enriquecendo dos significados das idéias que a antecedem. Sua função é semelhante à do refrão. E seu efeito é retórico, mexendo com o emocional ou com a sensibilidade do leitor.

É comum observarmos essa estrutura em discursos de políticos, advogados e sindicalistas, que geralmente usam essa frase repetida com sentido irônico. A frase repetida serve também para marcar uma idéia, fazendo com que o leitor ou o ouvinte não a esqueçam mais.

A função do refrão no texto é a mesma do refrão de uma música. As pessoas nem sempre lembram da canção inteira, mas normalmente se recordam do refrão.

3c. Como posicionar a frase que se repete
É possível variar bastante a sua colocação no texto. Pode aparecer em parágrafos curtos posicionados entre parágrafos longos a intervalos regulares. Também pode ser uma frase que ocupa sempre o final dos parágrafos. Ou ainda aparecer indistintamente durante o texto. Qualquer que seja o modo, seu objetivo é o de funcionar como reforço da argumentação e ser, de fato, um refrão interessante.

Mais linear do que cíclica
Se retiramos essa frase repetida ou mudamos a sua redação, o texto volta a tornar-se simplesmente linear. Assim, comprova-se o seu efeito retórico, que é um recurso para reforçar idéias.

3d. O desenho da estrutura
A estrutura cíclico-linear também pode ser representada por um gráfico. Mas, para isso, é preciso prever o posicionamento da frase repetida. Imagine que o quadro seguinte representa um texto que tem a frase repetida em intervalos mais ou menos regulares:

A Criatividade das Estruturas
Estrutura Linear e Cíclica
São as estruturas básicas do texto e as mais utilizadas.
Têm servido durante séculos como base de todo tipo de texto conceitual, desde simples informes até complexos tratados.
Outros tipos de Estruturas
Linear paralela, jornalística, semicíclica, não-linear, falsa cíclica e de painel ou de colagem.
São estruturas variantes, que devem ser usadas em situações muito específicas.

4. A estrutura linear paralela
Caracteriza-se por desenvolver, paralelamente, duas ou mais linhas de raciocínio. É a estrutura ideal quando se quer confrontar idéias contraditórias ou desenvolver mais de um aspecto de um mesmo assunto.

É usada, por exemplo, quando um autor quer apresentar duas visões diferentes de um mesmo conteúdo e confrontá-las, para tirar suas conclusões sobre qual delas é a mais correta.

Se esse autor for colocando, alternadamente, idéias de uma e de outra visão até chegar à conclusão, temos uma estrutura linear simples. Mas se ele coloca as posições separadamente, temos a estrutura linear paralela.

Em princípio, o autor expõe e desenvolve uma primeira idéia ou conceito.
Em seguida, apresenta e desenvolve a segunda idéia ou conceito.
Por fim, chega à conclusão.

Nesse caso, a estrutura linear paralela apresenta duas introduções, dois desenvolvimentos e uma conclusão. Alguns textos estruturados dessa maneira podem explorar mais de duas linhas de raciocínio. Outros têm mais de uma conclusão. Existem outros ainda que deixam a conclusão para o leitor. Mas, em qualquer caso, são exemplos variantes da estrutura linear e podem ser reduzidos a estruturas lineares simples.

5. A estrutura jornalística
A estrutura jornalística é essencialmente diferente das demais. O texto típico de jornal não tem conclusão, é simplesmente informativo. Essa é uma forma de garantir a imparcialidade da notícia — embora isso seja quase impossível. Nesse texto, as conclusões sobre o fato relatado devem ficar a cargo do leitor. O que caracteriza o texto jornalístico informativo é o lead, que responde às seis perguntas básicas — o quê? quem? quando? onde? como? e por quê?

A Associação dos Pioneiros da Televisão prepara o lançamento de uma edição de luxo de dois CDs com 28 músicas que marcaram a programação da TV entre 1950 e 1965. O objetivo é resgatar parte da história musical do início da TV no Brasil e arrecadar fundos para a construção do primeiro museu da televisão brasileira.
Exemplo de texto noticioso direto, simples e objetivo, extraído do jornal O Estado de S.Paulo

Para lembrar:

Apesar de ter uma função adequada aos objetivos de jornais e revistas, essa estrutura também pode ser usada em relatórios ou em textos que não são propriamente opinativos. Isso porque é uma maneira eficaz de apresentar, logo de início, o essencial do conteúdo.

6. Semicíclica
Há ensaios que apresentam características das estruturas cíclica e linear, mas não são cíclico-lineares, com seu típico refrão. São em parte cíclicos e em parte lineares. Ou seja, têm uma estrutura semicíclica. Toda estrutura tem por função favorecer uma melhor exposição do conteúdo. No caso da semicíclica também é assim.

Essa estrutura é adequada para teses polêmicas ou para conteúdos que, por sua complexidade, necessitem de trechos explicativos.

Na estrutura semicíclica, o autor lança sua tese, discute e conclui ciclicamente. Mas essa tese é, na verdade, somente o ponto de partida para o que o autor realmente deseja, que é desenvolver a discussão. A introdução torna-se cíclica, mas na seqüência o texto passa a ser linear e segue assim até o final.

Para lembrar:

A estrutura semicíclica não é adequada para ensaios muito curtos.

7. A estrutura não-linear
A estrutura não-linear apresenta uma linha de raciocínio “quebrada”. O texto que a utiliza tem uma seqüência a princípio sem lógica. À primeira vista, parece que o autor salta de um trecho para outro, dando a impressão de falta de unidade. Mas isso só aparentemente. A unidade se dá em um plano mais profundo e exige uma participação ativa do leitor na recomposição da linha.

Essa estrutura revela uma postura crítica em relação à linearidade. O autor recusa-se a dar idéias “mastigadas” ao leitor, exigindo dele uma participação crítica.

Esse é um recurso tipicamente literário, característico de muitos romancistas modernos, especialmente dos latino-americanos, como Juan Rulfo, Julio Cortázar e Osman Lins. Alguns ensaístas empregaram esse recurso em seus textos, muitas vezes usando imagens conotativas, mas sem que o texto deixasse de ser primordialmente conceitual.

Como se o tempo tivesse retrocedido.
Tornei a ver a estrela unida à lua. As nuvens se desfazendo.
Os bandos de estorninhos. E em seguida a tarde ainda cheia de luz.
As paredes refletindo o sol da tarde. Meus passos ecoando nas pedras. O arrieiro que me dizia: ‘Procure a Dona Eduviges, se ainda estiver viva!’ Depois um quarto às escuras. Uma mulher roncando ao meu lado. Notei que a sua respiração era irregular, como se estivesse entre sonhos, até mesmo como se não dormisse e apenas imitasse os ruídos que o sono produz. A cama era de bambu, coberta de sacos que cheiravam a mijo, como se nunca tivessem sido arejados ao sol; e o travesseiro era uma xerga que envolvia paina ou uma lã tão dura ou tão suada que teria enrijecido como um lenho.

Juan Rulfo, Pedro Páramo — O Planalto em Chamas

A estrutura não-linear, como a do texto ao lado, exige atenção redobrada e uma participação crítica do leitor

8. A falsa cíclica
Caracteriza-se por ter uma introdução que, aparentemente, anuncia uma estrutura cíclica. Mas o texto é linear. A introdução é usada pelo autor para apresentar as idéias principais do texto em uma espécie de resumo.

Nessa estrutura, o autor esclarece de imediato as suas intenções com o texto, muitas vezes usando frases como “Minha intenção é (…)”; “Meus objetivos são (…)”; “Os propósitos deste texto são (…)” etc.

As idéias principais também podem ser mostradas de forma interrogativa, logo na abertura do texto. Outro recurso do autor é apresentar algumas respostas no final da introdução, que serão discutidas mais adiante.

A introdução da falsa cíclica
É uma espécie de prefácio que se agrega ao texto para indicar ao leitor os objetivos da discussão. O texto que vem após essa introdução tem características introdutórias lineares. Por isso, se excluirmos a introdução ou o prefácio da falsa cíclica, ela se transforma em uma estrutura linear, sem prejuízos fundamentais às idéias do autor.

9. Estrutura de painel ou de colagem
Sua característica é uma colagem de textos, sendo que cada um possui certa autonomia. Essa estrutura é parecida com a não-linear. A diferença é que, neste caso, a falta de unidade é muito evidente, sem “segundas intenções”.

O autor oferece diversos textos ao leitor, em uma seqüência aparentemente arbitrária, esperando que ele os relacione.

Às vezes, é uma montagem de trechos de textos de diversos autores, unidos por esse novo autor, que pretende provocar discussão sobre determinado conteúdo. É um recurso usado pelos professores para provocar discussões em grupo. Mesmo quando se caracteriza como um conjunto de textos alheios, há uma certa “autoria”, levando-se em conta a pesquisa, as escolhas e a montagem. O uso dessa estrutura só se justifica em situações muito especiais.

Para lembrar:

Há muitas estruturas de texto e as apresentadas aqui não esgotam todas as possibilidades. Ao escrever, fique à vontade para reconhecer as estruturas e batizá-las. Ou mesmo para criar seu texto dentro de uma estrutura nova. Só tenha cuidado para não forçar situações pretensamente criativas. Esse erro é fatal e o resultado pode cair no ridículo ou comprometer a eficiência do que se está escrevendo. Na dúvida, tenha sempre como parâmetro o bom senso e, acima de tudo, o seu leitor.
“Dois anos depois de instalada a ditadura Vargas começa a 2ª Guerra Mundial. Apesar das afinidades do Estado Novo com o fascismo, o Brasil se mantém neutro nos três primeiros anos da Guerra. Vargas aproveita-se das vantagens oferecidas pelas potências antagônicas e, sem romper relações diplomáticas com os países do Eixo — Alemanha, Itália e Japão —, consegue, por exemplo, que os Estados Unidos financiem a siderúrgica de Volta Redonda.”

Trecho extraído do item Política Externa no Estado Novo, in Almanaque Abril,Brasil/História da República

“A industrialização era a todo momento associada pelo Governo e grupos nacionalistas do Exército à Segurança Nacional e ao desenvolvimento nacionalista, o que era uma forma de unir ideologicamente diversas classes e camadas da sociedade brasileira (…).”

Trecho extraído de “O Estado Novo — A Ditadura de Vargas — 1937/1945”, in História da Sociedade Brasileira, de Francisco Alencar e outros

“A eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, acabou interferindo na política interna do país. Negociando o apoio brasileiro aos Aliados, o governo getulista conseguiu financiamento para a construção da siderúrgica de Volta Redonda, inaugurada em 1940.”

Trecho extraído de “Crise e Retorno de Vargas”, in História — Cotidiano e Mentalidades, de Ricardo Dreguer e Eliete Roledo

A partir de uma colagem de três diferentes extratos de textos de vários autores, o estudante (ou o novo autor) produz um quarto texto de estrutura linear, com o objetivo de provocar discussão sobre determinado conteúdo
A eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, acabou interferindo na política interna do país.
Apesar das afinidades do Estado Novo com o fascismo, o Brasil se mantém neutro nos três primeiros anos da Guerra. Vargas aproveita-se das vantagens oferecidas pelas potências antagônicas e, sem romper relações diplomáticas
com os países do Eixo — Alemanha, Itália e Japão — consegue, por exemplo, que os Estados Unidos financiem a siderúrgica de Volta Redonda,
inaugurada em 1940.
O que Vargas queria a qualquer preço era a industrialização,
a todo momento associada pelo Governo e grupos nacionalistas do Exército à Segurança Nacional e ao desenvolvimento nacionalista, o que era uma forma de unir ideologicamente diversas classes e camadas da sociedade brasileira (…).

Glossário

Conotativo: relativo a conotação; sentido que se acrescenta à acepção usual de uma palavra ou expressão.
Hipótese: teoria provável, mas não demonstrada; a proposição de um teorema.
Inferência: operação lógica pela qual se tira uma conclusão de uma ou várias proposições admitidas como verdadeiras.
Paralelo: semelhante, análogo, correlato.
Refrão: na música, frase melódica que se repete a intervalos regulares; na poesia, verso ou estrofe que se repete, normalmente, a intervalos regulares; estribilho.
Reiteração: repetição, insistência, renovação.
Retórico (relativo a retórica): arte de falar ou escrever bem, com o propósito de convencer, persuadir.
Teorema: proposição científica que pode ser demonstrada.
Tese: o primeiro momento do processo dialético. Proposição formulada para ser defendida.

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