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Expiação e Arrependimento

Expiação e Arrependimento

“O Livro dos Espíritos” – Questões 997 a 1002

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositor: Flávio Boleiz Jr.
São Paulo
22/01/2000

Dirigente do Estudo:

Mauro Bueno

Oração Inicial:

<@Naema> Querido Jesus, estamos novamente reunidos para aprender e compartilhar os ensinamentos da Doutrina Espírita. Que possamos, nesse momento, concentrar nossas mentes nesse aprendizado, que ele possa nos tocar profundamente para que possamos começar nossa reforma íntima e, assim, sermos um pouco melhores e plenos de amor. Assim Seja!

Exposição:

<Flavio_Boleiz_Jr> Jesus, nosso mestre da Galiléia, há cerca de 2.000 anos nos disse algo singular para sua época e muito pouco compreendido até nossos dias, que é a verdadeira chave da felicidade humanas: “Amar a Deus sobre todas as coisas – este é o principal mandamento. Mas há um segundo que é semelhante a este: Amar ao próximo como a ti mesmo. Aqui se resumem a lei e os Profetas!”

Diante de qualquer situação que se nos apresente durante nossa estadia no vaso carnal, o amor – que aliás é lei divina – sempre nos servirá de alavanca para nossa redenção e escada “rolante” para nosso aprimoramento, para nossa evolução pessoal!

Quando “O Livro dos Espíritos”, nas questões 997 à 1002, nos fala a respeito do arrependimento e da expiação de nossos erros deixa claro a necessidade de que nos modifiquemos intimamente para que consigamos, de melhor maneira, cumprir as “penas’ que nossa própria consciência nos impõe, diante das inúmeros erros que fomos cometendo neste nosso “Palco de Reencarnações”.

Diante das atitudes errôneas, das circunstâncias em que sucumbimos ao caminho largo, virando as costas ao caminho estreito que leva para cima, nossos amigos espirituais são muito claros: O arrependimento e reconhecimento de nossas culpas não bastam para absolver-nos. Entrementes, esse reconhecimento, por nossa parte, assegura uma estadia de expiação – seja no mundo espiritual ou material – muito mais tranqüila, serena. Devemos estar conscientes – espíritas que somos – desde já, das conseqüências de nossas atitudes impensadas nesta oportunidade reencarnatória que vivenciamos hoje. A responsabilidade é tanto maior quanto maior nossa consciência diante daquilo que é bom ou ruim, certo ou errado. Cada escolha que fizermos será sempre uma escolha nossa, e a ninguém mais cumprirá resgatar os erros que realizarmos que não nós mesmos!

Mas a esperança que devemos nutrir mora no amor incondicional que o nosso Criador nutre por nós, cada um de nós! Esperança de que nosso arrependimento possa pesar na balança de nossas atitudes, de forma que possamos – ao assumirmos nossos erros com responsabilidade – resgatar de forma menos dolorosa nossas más condutas do passado!

A prática desde já do Evangelho, resgata indubitavelmente parte de nossas dívidas, pois – como nos ensina “O Livro dos Espíritos” na questão 1000 – apenas o bem pode resgatar o mal! Então, meus amigos, coloquemos em nossas cabeças e nossos corações, de uma vez por todas: Fora da caridade não há salvação!

Estudar, aprofundar-se na Doutrina, tornar-se grande conhecedor do Espiritismo – tim-tim por tim-tim, não é condição para nosso crescimento, se não houver em nossas vidas a prática desses ensinamentos! Lembremo-nos que os Fariseus – aos tempos de Jesus – eram grandes conhecedores da Torá e das leis religiosas e filosóficas de sua cultura, mas foram chamados pelo Nazareno de “raça de víboras”! Não sejamos espelho dos fariseus nos dias de hoje! Estudemos, sim! Mas pratiquemos o bem e a caridade principalmente! (t)

Perguntas/Respostas:

[01] <Naema> O arrependimento, então, não basta? Teremos que resgatar nossos erros de alguma forma?

<Flavio_Boleiz_Jr> Sem dúvida nenhuma, o arrependimento é muitíssimo salutar para nosso espírito. A partir do arrependimento assumimos os erros que cometemos e passamos a enfrentar nosso resgate com maior resignação. Mas a Doutrina Espírita – doutrina da Fé Raciocinada – nos ensina a pararmos e encontrarmos a lógica nas coisas e atitudes de nossas vidas. Tudo o que fazemos é obra nossa. Tudo quanto fizermos de bom pesará em nosso favor e poderá minimizar necessárias expiações. Mas sem dúvida teremos que resgatar os erros que deixarmos para trás. é questão de justiça e responsabilidade. (t)

[02] <Ricardo_Fatima> O grande juiz de nossos erros somos nós mesmos, por isso relutamos por deixar nossas consciências acordarem. Dizemos: “continua dormindo, oh consciência, não quero me ver como sou, tenho medo, tenho preguiça, não quero renunciar às ilusões. Dorme, oh consciência! Deixa-me ser eternamente criança. Enquanto isso, o Espiritismo, Jesus e seus emissários afagam nossas cabeças, afagam nossos corações atormentado dizendo: “Filhinhos, não tenham medo de acordar, pois quando isso acontecer, vocês conhecerão a verdade e serão realmente felizes! Nós estamos aqui para vos ajudar”. Mas como demoramos para entender isso, presos às ilusões da matéria, não é mesmo?

<Flavio_Boleiz_Jr> De fato, nosso despertar é bastante demorado. Entrementes, esse despertar se dá à medida que vamos tomando consciência de quem somos, o que somos, de onde viemos e para onde vamos!

Em suas obras, o nosso irmão espiritual Luís Sérgio nos conta que no atual estágio de evolução em que nos encontramos, levamos 8, 10, 12 encarnações para adquirirmos definitivamente apenas uma nova virtude! O tempo é perene e infinito para nós! Não carece tenhamos pressa em nosso aprendizado! O mais importante é procurarmos não nos deixarmos estagnar! De resto, amanhã diremos assim: “Nossa, parece que foi ontem que estávamos ao computador, numa sala de estudos do IRC, falando sobre Espiritismo, e hoje já vemos toda a Terra compreendendo a doutrina dos espíritos! E faz apenas 5.000 anos isso! (t)

[03] <BANGU_RJ> Se só o corpo dorme, porque André Luís, em Nosso Lar dormiu? Ele desdobrou em espírito para ver a mãe? Como?

<Flavio_Boleiz_Jr> Essa pergunta não está relacionada ao tema da noite, mas apenas para não ficar sem resposta, digamos assim: Quanto mais ligado o espírito estiver à matéria, mais hábitos materiais ele manterá. Então, um espírito que esteja ainda muito materializado – ligado à matéria – sentirá necessidade de alimentar-se, de dormir, de barbear-se, etc. Quanto a desdobrar-se para ver a mãe, não foi isso que aconteceu. Se observar o “Nosso Lar” com atenção, verá que foi a mãe dele que veio visitá-lo. (t)

[04] <HunterOrion> Porque a cobrança dos outros em relação às nossas faltas não atrasa o arrependimento, visto que o amor próprio (vaidade) cria defesas?

<Flavio_Boleiz_Jr> A vaidade é uma das chagas que devemos extirpar de nossas existências. Impossível colocar a culpa em outrem por prática ou comportamento por nós assumido. Claro que um espírito mais fraco, deixar-se-á levar pela onda da vaidade e sucumbirá diante das cobranças, atrasando seu arrependimento. Mas a responsabilidade será sempre sua!

Vale lembrar que somos responsáveis por quaisquer atitudes que tomamos. Assim, se conhecemos alguém que se atrasaria em seu arrependimento devido às cobranças; devemos evitá-las. De outra forma, também nós teremos nosso quinhão de culpa nas atitudes que nós tivermos forjado ao próximo.

Libertemo-nos do orgulho e do egoísmo, e florescerá em nossos corações o amor e a luz! (t)

[05] <HunterOrion> Como reparar as faltas cometidas quando as vitimas são seres que não compreendem?

<Flavio_Boleiz_Jr> O amor, aliás, a prática da caridade – que é amor vivido – resgata qualquer falta. Imagine uma mulher que haja abortado inúmeras vezes; mas que a determinado ponto de sua vida, percebe os erros que cometeu. Se essa mulher de nosso exemplo, passar a praticar a caridade, se passar a fazer o bem incondicionalmente, resgatará a maioria de seus males, senão todos! Sobre esse assunto especificamente, gostaria de indicar uma literatura muito interessante de Djalma Argolo (Salvador – BA), “Encontros com Jesus”. (t)

[06] <HunterOrion> Complementando a pergunta inicial: Então a reparação não precisa ser direta à vitima?

<Flavio_Boleiz_Jr> Exato! Porém a reparação deve ser direta à vítima sempre que possível. Na impossibilidade da reparação direta, a caridade praticada a outrem se encarregará de nos aliviar o fardo das dívidas. (t)

[07] <Ricardo_Fatima> Necessário o reconhecimento das faltas, o arrependimento e também a reparação, não é verdade? A reparação é fator importante para eliminar a mácula que o erro deixou registrada em nossas consciências. Por isso trabalhar em prol da humanidade é importante. “O amor cobre a multidão de pecados”. Amando, realmente “zeramos” mais rápido nossos débitos perante a lei divina. Se o egoísta soubesse o quanto pode ganhar sendo fraterno, seria fraterno só por egoísmo(piadinha).

<Flavio_Boleiz_Jr> Meu irmão querido: Faço minhas as tuas palavras! (t)

[08] <Orpheo_Espa> É possível que alguma falta não precise de reparação direta, e seja “reparada” pelo reconhecimento, arrependimento e posterior aplicação do aprendizado, não cometendo a mesma falta em tempo futuro?

<Flavio_Boleiz_Jr> A “reparação direta”, ou seja, reparação diretamente à pessoa que houvermos prejudicado deverá sempre ser observada quando possível. Porém, a prática da caridade, do amor vivo – em caso de impossibilidade desse reparo – é necessário sempre. Claro que em alguns casos o resgate pode demorar até algumas reencarnações para se operar! Entretanto devemos observar que nada se perde de nossas atitudes!

Por menor que seja um ato bom que pratiquemos, se o fizermos desinteressadamente, ele pesará na balança de nossa consciência, que pesará as boas e más atitudes que tenhamos cometido! Assim, procurando praticar o bem sempre, estaremos – a cada bem praticado – reparando um erro proporcional cometido! (t)

Oração Final:

<Naema> Esta noite tão produtiva com a prece, amigos espirituais que nos acompanham, agradecemos pelos momentos que passamos, pela chance que temos de aprender nossa Doutrina. Que possamos aplicar a caridade e o perdão em nosso dia-a-dia para que nossos erros pretéritos e de hoje possam ser resgatados. Que aproveitemos todas as chances e possamos nos aproximar cada vez mais daquilo que nos propomos. Bons Espíritos, nos acompanhem, agora e sempre. Amém!

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