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Felicidade e Infelicidade Relativas

Felicidade e Infelicidade Relativas

“O Livro dos Espíritos” – Questões 920 a 925

Estudo Espírita
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositor: Mauro Bueno
Manaus
24/07/1999

Dirigente do Estudo:

Pedro Vieira (nick: Brab)

Oração Inicial:

<Jayme> Obrigado, Mestre Jesus, agradecemos por podermos estar aqui mais uma vez, participando dos estudos da tua mensagem, reforçada e esclarecida pelos Espíritos Superiores, através de Allan Kardec. Pedimos que sejamos todos envolvidos pelas tuas vibrações de amor e dos Espíritos responsáveis por esta tarefa, de forma a podermos aproveitar ao máximo as lições que nos serão trazidas pelo nosso companheiro. Que assim possa ser, graças a Deus. (t)

Exposição:

<MBueno_Estudos> Boa Noite a todos :c))Paz e muita Luz!!!

A questão 920 do Livro dos Espíritos nos diz que o homem não pode gozar de completa felicidade na Terra, pois nossa vida nos foi dada como mecanismo de expiação, em ressarcimento ao males cometidos, ou como mecanismo de provas, onde submetemo-nos com vistas a tornarem-nos espíritos melhores, mais próximos da felicidade alcançada pelos espíritos superiores. Ela também ressalta que É RESPONSABILIDADE DO PRÓPRIO ESPÍRITO minimizar seus males e ser tão feliz quanto possível na Terra.

Deve então o espírita procurar conforto e ascensão social através do trabalho íntegro e honesto, bem como através de aplicados estudos? A resposta é SIM! Deve! Mas sobretudo, sem perder de vista o uso que fará deste poder que amealha:

“…quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. (“O Livro dos Espíritos” – questão 816)

Não se pode esquecer que o trabalho íntegro e o estudo sistemático são auxiliares da LEI DO PROGRESSO, a qual estamos todos subordinados. Hoje estão cada vez mais difundidos os livros e os métodos de auto-ajuda. A maioria deles está baseado em PERCEPÇÃO, ou seja, a maneira pela qual entendemos algo. Como nos relacionamos com as pessoas, nossos amigos, nossos superiores e subordinados, nossos colegas, parentes, conhecidos? Bem, já está provado e muito bem provado que vemos o que queremos ver. Somos parciais em nossas percepções.

Duas pessoas olham um quadro, em momentos distintos, uma diz:

  • Que lindo quadro! Que cativante expressão nos olhares das pessoas aqui retratadas…

Algum tempo depois chega outra pessoa e diz:

  • A moldura não combina com a cor da parede! Que desastre! Que falta de bom gosto tem esta pessoa que pôs este quadro aqui…

Quem somos nós? Como olhamos para este quadro? O que dizemos quando vemos o quadro, retratando toda nossa existência, tudo o que existe ao nosso redor? Buscamos o que quis expressar o pintor? Ou maldizemos em lamúrias isto ou aquilo o tempo todo? Precisamos ser ricos e poderosos? Ou basta o necessário ao desenvolvimento de nossa missão na Terra? Os espíritos respondem:

“Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranqüila e a fé no futuro.” (“O Livro dos Espíritos” – questão 922)

“Como pode o homem conhecer o limite do necessário?” “Aquele que é ponderado o conhece por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa.” (“O Livro dos Espíritos” – questão 715)

É preciso buscar sempre o que há de positivo, qual é a lição, o que há de bom em cada momento. Absolutamente não existe mal sobre a Terra! Existe ignorância do bem, e sua ausência é que resulta nos escândalos que vemos por aí.

“Espíritas, amai-vos e instruí-vos.” (Kardec). Busquem, sim, o conforto, busquem sim maiores conhecimentos de tudo, não se abandonem a posição que os leve a miséria! Cresçam socialmente. Nunca façam da riqueza a missão de suas vidas, pois talvez, não estejam preparados para uma das MAIS TERRÍVEIS DE TODAS AS PROVAS: a riqueza!!! E não se abandonem à miséria…Vejamos o que nos diz “O Livro dos Espíritos” neste tocante:

815. “Qual das duas provas é mais terrível para o homem, a da desgraça ou a da riqueza?”

“São-no tanto uma quanto outra. A miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.”

925. “Por que favorece Deus, com os dons da riqueza, a certos homens que não parecem tê-las merecido?”

“Isso significa um favor aos olhos dos que apenas vêem o presente. Mas, ficai sabendo, a riqueza é, de ordinário, a prova mais perigosa do que a miséria.”

Mas, ainda nos afirma Kardec:

” … Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual…. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso” (Comentários de Kardec a “Fora da Caridade Não Há Salvação” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap.XV, item 3. O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábola do Bom Samaritano)

Desigualdade das riquezas:

8. A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens?

Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. E, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. (Comentários de Kardec a “Fora da Caridade Não Há Salvação” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap.XV, item 8)

A sabedoria é o EQUILÍBRIO!!!! A correta percepção da felicidade, dos reais valores do espírito nos poupa de diversos sofrimentos. Veja exemplos que estão na literatura: “Memórias de um Suicida”, pela médium Yvonne A. Pereira. Do próprio espírito que suicidou-se devido a falência material e por julgar-se incapaz de gerar o próprio sustento.

“Há Dois Mil Anos” e “50 Anos Depois”. Emmanuel, pelo médium Chico Xavier, de sua vida de patrício romano e legado na Judéia ao tempo do Cristo. Comentando sobre sua encarnação pregressa como Públio Lentulus Sura (bisavô de si mesmo), onde espoliava o Estado, gananciosamente e como Públio Lentulus auxiliando a combater justamente o que praticara. Depois como o bom e culto escravo Nestório, cristão.

“Nosso Lar”. André Luís, pelo médium Chico Xavier.

Que fechara as portas de seu lar e familiares a toda beneficência que poderia executar…

Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é. Esse é sempre rico, porquanto, se olha para baixo de si e não para, cima, vê sempre criaturas que têm menos do que ele. E calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas. E não será uma felicidade a calma, em meio das tempestades da vida? – Fénelon. (Lião, 1860.) – “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap.V, “Bem-Aventurados os Aflitos” – questão 23.

Sobre a riqueza, ainda nos fala Kardec:

Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez.

Assim, um que não a tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não a tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação. Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas?

E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra. Se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade. E ainda dizem sobre tais bens.

10. Os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente desses bens. Tanto eles não constituem propriedade individual do homem, que Deus freqüentemente anula todas as previsões e a riqueza foge àquele que se julga com os melhores títulos para possuí-la.

Sem muito esforço eu colaria aqui muitas e muitas páginas de exemplos. A literatura espírita nos traz a mancheias. (t)

Perguntas/Respostas:

[01] <Aprendiz-Fatima> Bem, realmente tudo é uma questão de ponto de vista, não é? Esta sociedade materialista, na qual tudo desejamos, faz com que invejemos o semelhante, não é? E com isso sempre queremos mais e mais. A verdadeira felicidade, como nos ensina Kardec e os espíritos superiores, está em não criar necessidades artificiais, pois em um mundo onde há tanta dor, tanta miséria, como não olhar para os que sofrem, e somente querer mais e mais? (t)

<MBueno_Estudos> Ressalto dois pontos em especial ao seu comentário:

O primeiro é sobre a inveja: lembre-se que todos, a seu turno, terão de enfrentar a prova da riqueza. Ela é considerada uma das mais terríveis, conforme ensinam os espíritos superiores.

Querê-la quando ainda não se está preparado é procurar mexer em vespeiro, sem adequado traje de proteção. Logo, a inveja aqui é uma arma apontada para si mesmo!

O segundo ponto é sobre a situação dos que são pobres, eles precisam desta prova para se melhorarem e nossa função, é auxiliar fornecendo condições propícias.

A Beneficência é um tipo de caridade de pouco alcance neste aspecto. Melhorar o profissional, gerar condições de estudo, enfim, tornar mais capaz o pobre é uma forma de caridade mais proveitosa para ambos, aquele que a pratica e aquele que a recebe. (t)

[02] <Dimmitri> Paz de consciência, fé no futuro e posse do necessário, sendo este último bastante complicado de entender, pois devemos ter bem fechada esta questão, que me confunde muito. O que é importante para mim, não é para os outros. Como ter parâmetros?

<MBueno_Estudos> Longe de querer fugir a resposta, lembro-lhe que trazemos impresso em nossas consciências a extensão da Lei que devemos seguir. Seremos cobrados exatamente ao nível de nossa compreensão de cada característica da Lei Moral Universal. A posse material deve servir a sua evolução, bem como a evolução dos que o cercam. Se os que o cercam devem experienciar a riqueza, não se deve furtar as responsabilidades que ela traz consigo. Vejamos exemplos de nosso dia-a-dia:

O que fez Ayrton Senna com o quinhão de fortuna que amealhou?

Criou uma sólida instituição que auxilia crianças, põe pessoas de volta ao mercado de trabalho, mantém creches para as crianças cujas mães trabalham, suportam assistência médica a muitos necessitados e assim por diante. Seu raciocínio claro quanto ao que possuir deve seguir esta lógica: Realmente necessito disto para minha evolução e para evolução dos que me cercam? Poderia algum outro fazer melhor uso deste recurso que eu? Como poderia eu empregar melhor do que estou fazendo até agora? (t)

[03] <Aprendiz-Fatima> Lembremos realmente o que vem a ser o verdadeiro homem de bem: “Ele sempre se pergunta: Será que com os talentos que o Pai me concedeu, utilizei-os em benefício do meu semelhante?”

<MBueno_Estudos> A parábola dos talentos é, sim, um grande norteador sobre o que fazer com o poder e a riqueza que nos foi conferida. O Mestre, em seus sábios ensinamentos, demonstra os diversos usos que comumente se faz das provisões destinadas aos homens. E ensina sim, a melhor maneira de administrá-los. (t)

[04] <Aprendiz-Fatima> Vocês crêem que, se realmente soubéssemos administrar os bens que existem no planeta, concedidos pelo Pai a todos nós, se não existisse egoísmo, viveríamos em fartura?

<MBueno_Estudos> Não neste momento do planeta, Aprendiz! Veja, a matemática nos demonstra, através da economia, que a divisão pura e simples dos recursos existentes resultaria em fração insuficiente a todos, bem como paralisaria o desenvolvimento de grandes feitos que dependam de capital intensivo. Por exemplo: a pesquisa da cura da Aids, do câncer, de sistemas melhores para produção de alimentos, em resumo, dos necessários avanços, quer científicos, quer tecnológicos, quer intelectuais no planeta. Logo também aquele que sabiamente investe, poupa e é gerador de riqueza, novamente estaria rico e a divisão estaria em pouco tempo anulada por si só! É um ponto inútil de se debater enquanto o planeta for de expiação e provas. (t)

Oração Final:

<Dimmitri> Amigo Jesus, encerrando mais uma etapa onde, através de um bate-papo fraterno, estamos aprendendo o que já nos deixaste há tanto tempo, mas que só agora está entrando em nossos corações. Obrigado meigo amigo, por estes amigos do canal que se esforçam em manter vivas as nossas esperanças. Muito obrigado. Assim seja. (t)

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