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Formação dos Mundos e dos Seres Vivos

Formação dos Mundos e dos Seres Vivos

“O Livro dos Espíritos” – Questões 37 a 58

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositora: Rosângela Pertile
Rio de Janeiro
25/03/2000

Dirigente do Estudo:

Mauro Bueno

Oração Inicial:

<Naema> Queridos amigos, é muito bom estarmos novamente juntos, todos procurando aumentar seus conhecimentos e dar mais um passo em busca de nossa evolução. Agradecemos aos queridos espíritos que nos acompanham e vamos procurar nesse momento nos harmonizarmos e estar abertos as palavras que iremos receber que nossa amiga palestrante seja muito feliz nesta noite, que possamos terminar o estudo um pouco mais conscientes e preparados para nossa vida. Assim seja! (t)

Exposição:

<@Mbueno> Boa noite a todos. Que as nossas primeiras palavras sejam de um profundo agradecimento a Deus, nosso Pai de amor de bondade, e ao querido Mestre Jesus pela oportunidade do trabalho de divulgação de nossa tão amada Doutrina Espírita.

Certa feita, em um mosteiro, o mestre e seu discípulo conversavam sobre coisas muito importantes. Em certo momento, o discípulo respeitosamente pergunta:

– Mestre, uma coisa eu ainda não compreendo… – O Mestre olhou ternamente para o jovem discípulo e perguntou:

– Diga, meu confuso e curioso discípulo, o que te intriga tanto assim?

O discípulo ergueu as sobrancelhas e disse:

– Mestre, afinal, quem sou eu?

O Mestre deu uma gostosa gargalhada e olhou o discípulo bem nos olhos dizendo:

– Como você é um discípulo muito aplicado acho que está na hora de você descobrir esta resposta. Por favor, apanhe uma cebola e uma faca.”

O discípulo rapidamente trouxe a cebola e a faca. O Mestre pega a cebola e a faca e começa a descascar a cebola dizendo:

– Meu jovem, você é como esta cebola. Veja só. Se tirarmos uma camada, o que resta?

– Ora Mestre, resta outra camada de cebola! Eu continuo não entendendo.

– Acalme-se e preste atenção. As coisas nem sempre são o que parecem ser. Se eu retiro esta outra camada da cebola, o que resta?”

– Outra camada mais interna, meu Mestre.

E o Mestre foi assim, camada a camada, descascando a cebola até que finalmente chegou à última camada interna.

– Retirando esta última camada, o que resta meu jovem

O discípulo que estava mais confuso, queria saber quem ele era afinal, e o velho Mestre ficava descascando uma cebola até não ter mais nada em suas mãos. “Como isso poderia explicar algo tão importante como quem sou eu?”, pensava o discípulo.

– Ora Mestre, tirando a última camada, não resta mais nada!!!

– Nada?

O velho deu uma longa respirada, olhou bem na sua mão vazia e depois deu uma ampla olhada em tudo ao redor e perguntou:

– Não restou nada mesmo, meu jovem? Preste atenção e me diga, o que restou?

– O Universo Mestre! Restou o Universo…

Nossa jornada hoje começa exatamente em um momento anterior ao início de nossa criação, quando “descascamos” nossa existência e nos deparamos com o Universo e sua criação, “lá fora”, na imensidão da “Casa do Pai”.

Há dois princípios constitutivos do Universo, criado por Deus – princípio inteligente e princípio material.

A criação de ambos os princípios se perde na noite dos tempos. Como foi criado o Universo? Com que propósito? Como ocorre as transformação da matéria no Cosmos? Isto são perguntas que nós ainda não conseguimos responder. Há modelos teóricos, desenvolvidos pelos homens de gênio de nosso orbe, mas que por enquanto não passam de modelos incompletos, e logo, não podemos asseguram 100% de sua verdade, visto que diariamente novos passos são dados em direção à fonte, ao início, nos mostrando que o modelo científico, por mais perfeito que seja no momento, sempre estará sendo modificado por novas descobertas. Definições, conceitos, são diariamente modificados, os cientistas se dividem em várias correntes de pensamento, mas todos estamos marchando para a evolução, para a descoberta deste Universo maravilhoso, criado pelo Verbo Divino.

Segundo alguns cientistas, nosso planeta teve seu surgimento por volta de 4,6 bilhões de anos atrás. Uma bola de fogo gravitando em torno de uma estrela. Esta bola se resfriando, com sua atmosfera sendo ocupada basicamente por amônia , metano e outros gases. Após a solidificação da crosta, quando da formação dos mares, muito tempo se passou até que pudesse existir condições próprias para a eclosão das formas primevas de vida, imersa nos quentes mares. A doutrina espírita nos diz que neste momento 0 (zero) da criação da vida na terra, o princípio inteligente se encontrava em estado latente em nosso orbe, e que antes, quando não existia condição de seu desenvolvimento aqui, este princípio se encontrava no espaço.

A Ciência teoriza que a mais de quatro milhões de anos atrás, no início da formação dos compostos que iriam dar origem aos organismos, havia uma “sopa orgânica” formada de alguns grupos específicos de substâncias, que se acumularam, se agregaram e concentraram para formar a “proto-célula”, que são protótipos de ácidos nucléicos envoltos por uma membrana primitiva. Na marca de quatro milhões de anos, há o surgimento das primeiras formas de células vivas, constituindo um marco da passagem da evolução química para a evolução biológica. Depois de um milhão de anos, há aproximadamente 3 milhões de anos atrás, surgir a primeira evidência de vida.

Os cientistas postulam que este salto da evolução química para a evolução biológica ocorreu devido a descargas de raios UV, descargas elétricas e altas temperaturas, mas nós somamos um fator a mais nesta “sopa primordial”: o princípio inteligente.

Após este “salto”, os milênios foram se passando, os organismos foram evoluindo dentro dos reinos – moneras, protistas, fungi, plantae e animalia (utilizando como base os reinos definidos pela ciência), até chegar ao Homem, o “top de linha” da evolução.

Os primeiros homens, primitivos, tinham a aparência simiesca, pois que a natureza não dá saltos, embora nestes corpos animalizados já existisse o Espírito imortal em suas primeiras manifestações. Evoluímos, formamos sociedades, crescemos intelectualmente e moralmente. Nosso corpo físico foi evoluindo, se tornando menos animalizado, a espécie humana passa a utilizar mais o intelecto em detrimento da força física. Entre os espíritas, não há lugar para dogmas, para um Deus que criou um casa de seres inteligentes, que não previssem trabalhar até que fosse desrespeitada uma ordem – a ingestão de uma única fruta. E que, por este desrespeito, perderam o direito ao paraíso, tiveram que trabalhar, se esforçar pela própria evolução. Como este dogma não condiz com os atributos de Deus, para a Doutrina Espírita, a mosaica foi descartada.

Sabemos que Adão não foi um único indivíduo, mas uma população que deixou suas histórias ao longo dos séculos, até o dia de hoje. Não há como se pensar em primeiro homem e primeira mulher, senão como seu filho Abel, que matou seu irmão Caim e foi expulso, voltou para casa casado?

Segundo a Ciência, nossa raça humana foi originária da África, cujas tribos foram emigrando para outras partes do orbe. A diferença racial que temos hoje, é o efeito dos diversos ambientes que o indivíduo se vê inserido. Os milênios foram passando, a raça humana evoluindo, os avanços tecnológicos foram surgindo e hoje já podemos ir à lua, vislumbrar o Universo através de telescópios de longo alcance como o Hubble, fotografar uma galáxia distante, um berçário de estrelas, o “fim do mundo”. Mas sempre haverá mais… O Universo é infinito, e quanto mais avançada a ciência mais coisas no espaço iremos descobrir.

Mas será que é só isso? Estaremos fadados a nos debruçar na “janela do Universo”, e como uma virgem apaixonada nunca teremos a certeza que há algo, alguém além de nossa casa? Será que estamos sozinhos?

Já passeamos pela nossa evolução, será que vamos parar aqui? Será que nossa destinação é a solidão do Cosmos? Porque o Universo seria infinito se só houvesse o nosso planeta habitado? Então porque Deus não criou só o nosso sistema solar? Aprendemos na Doutrina Espírita que todo o Universo é povoado por espíritos imortais como nós, cujo envoltório físico só é diferenciado pela matéria (qualitativamente) que o constitui, ou seja, os diversos espíritos habitam corpos que são compatíveis com sua evolução moral e a evolução física (da matéria primitiva transformada) de seu planeta.

Há mundos mais ditosos, mas também há mundos mais primitivos. Como sabemos, a criação do pai é incessante: “Meu Pai trabalha até hoje, e eu também” já dizia nosso Mestre Jesus. Se olhamos as estrelas, se queremos chegar lá, não devemos somente evoluir intelectualmente, mas também moralmente, para sermos mais do que um espírito da terra andando em uma nave. Para sermos espíritos livres, cidadãos do Universo, prontos para trabalhar na co-criação maior, para sermos ministros de Deus!

E este nosso caminho, e nossa destinação, nosso querido mestre de Lion, Léon Denis, nos fala de uma forma cativantemente poética:

“O Universo é um poema sublime do qual começamos a soletrar o primeiro canto. Apenas discernimos algumas notas, alguns murmúrios longínquos e enfraquecidos! Já essas primeiras letras do maravilhoso alfabeto musical nos enchem de entusiasmo. Que será quando, tornados mais dignos de interpretar a divina linguagem, percebermos, compreendermos as grandes harmonias do Espaço, o acorde infinito na variedade infinita, o canto modulado por esses milhões de astros que, na diversidade prodigiosa de seus volumes e de seus movimentos, afinam suas simpatias por uma simpatia eterna? Perguntar-se-á, porém: que diz, essa música celeste, essa voz dos céus profundos.”

Essa linguagem ritmada é o Verbo por excelência, aquele pelo qual todos os mundos e todos os seres superiores se comunicam entre si, chamam-se através das distâncias; pelo qual nos comunicaremos um dia com as outras famílias humanas que povoam o Espaço estrelado…. É ainda um hino que os mundos cantam a Deus, ora cântico de alegria, de adoração, ora de lamentações e de prece; é a grande voz das coisas, o grito de amor que sobe eternamente para a inteligência ordenadora dos Universos.” (O Grande Enigma) Que a doce e serena paz do Mestre Jesus nos ampare, agora e sempre (t)

Perguntas/Respostas:

[01] <Dourado-sp> Que Deus criou? O Princípio Inteligente? O Principio Material? Se este se desenvolveram, até chegar ao espirito individualizado. Logo, por analogia ,Deus não criou o espírito e sim o elemento material e o elemento espiritual dotado de inteligência pura. Como entendes?

<Rosangela_Pertile> A Criação ocorreu dos dois princípios constritivos do Universo. Esta resposta dada pelos espíritos está bem detalhada na questão nº 79 de O Livro dos Espíritos, quando ele diz que os espíritos são a individualização do principio inteligente, ou seja, há a necessidade de este principio inteligente evoluir, e assim como o principio inteligente, o fluido cósmico universal, com suas matizes e variâncias, desde a criação do Pai. (t)

[02] <xs> Sendo o Universo (criação de Deus), apenas um, na qual tudo está nele contido e conforme há leis que o regem incondicionalmente, seria possível o homem voltar ao passado ou ir para o futuro podendo se conhecer um pouco mais ou inclusive mudar a historia, tendo em vista que na teoria isso é praticável?

<Rosangela_Pertile> As leis que regem o Universo, ou melhor, que regem toda a criação, são com certeza imutáveis. A lei divina ou natural, conforme nos dizem os espíritos nas questões 614 em diante, é imutável, como o próprio Pai.

A “máquina do tempo” que você falou agora (se me permite falar neste termo) neste momento evolutivo é impraticável, não tenho como lhe assegurar que este paradigma seja mantido para sempre. Do ponto de vista espiritual, entretanto, podemos dizer, baseados em livros espíritas, de médiuns sérios, que a volta ao passado, como se fosse um cinema, nos é possível, inclusive com as sensações do pretérito.

Dizemos isso baseado na parte primeira de “Memórias de um Suicida”, quando nosso querido espirito Camilo, nos narra que, após sua desdita, ele vivência repetidamente o momento do seu suicídio, inclusive com a sensação do sangue jorrando em sua fronte. (t)

[03] <mobsued> Quando fala-se em princípio espiritual, livre arbítrio, eu acho que não recebemos isso de uma hora para outra, não?

<Rosangela_Pertile> Bom, a princípio esclarecemos que o livre-arbítrio é condição inerente do Espírito, e não do principio inteligente em sua jornada entre os reinos inferiores da evolução neste planeta. Se sua pergunta não for neste sentido, peço que a refaça, pois não devo tê-la entendido direito. (t)

[04]<ffragoso> A respeito do livre arbítrio, amiga Rosângela, ele é uma conquista do espirito não é mesmo?

<Rosangela_Pertile> Sim, se formos à questão 843 de “O Livro dos Espíritos”, sobre livre arbítrio, vemos que os Espíritos relacionam o livre arbítrio com a liberdade de pensar e agir. Pois bem, o selvagem, que não tem o discernimento do bem do mal, ate discernimento ele adquire com as variadas reencarnações e, consequentemente, ele vai tomando consciência da parte que lhe cabe na obra do Pai. Portanto, podemos dizer que o livre arbítrio é uma conquista do espirito. (t)

[05] <Dourado-sp> Se somos imortais, logo, por princípio analógico, somos infinitos, logo, somos deuses, não tivemos princípio e nem fim. A origem dos elementos provém do caos, o caos é a origem de tudo, trabalha por vibração, logo é som, o universo é regido pelo som. Antes disso, nada se sabe. Se admitíssemos que tivemos um princípio, forçosamente seríamos finito, logo não poderíamos ser imortais. Como explica a doutrina espírita?

<Rosangela_Pertile> Bom, a primeira coisa a raciocinar é o seguinte: a imortalidade é um atributo do Espírito, a finitude é da matéria. São dois conceitos diferentes que temos que ter bem claros em nossa mente.

Os dois princípios não são incriados (que não teve inicio) e sim infinitos (que não tem fim) ou imortais (espíritos). O caos não poderia criar a perfeição, e este é um axioma no qual nós, espíritas, baseamos nosso conhecimento – na existência de Deus com todos seus atributos (ver Introdução de “O Livro dos Espíritos” e “A Gênese”, capitulo II). Se o caos criasse tudo isto que vemos e sabemos, ele jamais poderia ser chamado de caos. Algo inteligente teria organizado as moléculas, os átomos, as configurações espaciais do diferentes compostos. A biologia nos mostra um encadeamento lógico a partir da evolução biológica, mas o salto entre a evolução biológica e a química, é desconhecido. Em laboratório nós sintetizamos material químico com características biológicas, mas elas não “vingam”. Então o que falta? (t)

[06] <Cap_i_Potas> Os homens de hoje, do ponto de vista biológico, são evolução de primatas do passado. Poder-se-ia afirmar sem risco de erro que os homens de hoje, do ponto de vista espiritual, já foram animais irracionais?

<Rosangela_Pertile> Nesta sua pergunta, nós temos a inter-relação dos dois princípios: o principio material – corpo físico e perispírito é a evolução natural do corpo de um primata, pois que a natureza não dá saltos, e como o próprio “O Livro dos Espíritos” no diz, tudo em a natureza é transição (589). Do ponto de vista espiritual, por revelação, os espíritos nos dizem que, como principio inteligente, passamos por todas as experiências dos diversos reinos acumulando sensações, instintos, etc. Mas a passagem do reino animal para o reino hominal, só o Plano espiritual superior tem conhecimento. Um dia, com certeza saberemos, mas por enquanto, nos resta a revelação de que esta passagem é feita no espaço, e não no orbe terrestre. (t)

[07] <ffragoso> Os animais, que pelo que nos transmitem os espíritos, fazem parte de um ‘espirito coletivo’ vão ser humanos, Rosângela?

<Rosangela_Pertile> Não sabemos quando começa o processo de individualização do principio inteligente, em que reino ou em que classe. Falar que este processo ocorre nos animais, não é consistente, pois que de reino animal entendemos deste os mais primitivos, como por exemplo, as esponjas, os zooplanctons, os celenterados, como temos os cavalos, os animais domésticos de grande porte, o cachorro, esta rota evolutiva ainda é uma incógnita, mas pretendo saber a resposta em breve.

A destinação de um principio inteligente é a sua passagem para o reino hominal, pois que de outra forma, cairíamos de novo na falhas dos atributos de Deus, pois que Deus seria injusto com sua criação, detendo a marcha evolutiva de alguns em reinos inferiores. (t)

Oração Final:

<claralice> Boa noite a todos e que a paz de Jesus nos envolva a todos. Neste instante, buscamos concluir as atividades da noite envolvendo-nos em pensamentos de amor, buscando sintonizar com os queridos amigos do Mundo Maior que sempre colaboram e que estiveram presentes assistindo-nos nos estudos e nas reflexões. Que possamos agradecê-los, bem como aos nossos irmãos queridos que assistem e orientam a todas as atividades do IRC-Espiritismo.

Agradecemos ao nosso querido Cairbar Schutel, agradecemos também aos amigos que inspiram nossos companheiros que aqui desenvolvem os estudos e que estes momentos imprescindíveis ao nosso crescimento espiritual, possam estender-se por todos os dias de nossa semana e que esta paz que agora sentimos possamos partilhá-la com nossos familiares, amigos e companheiros, e que Jesus nesta hora possa abençoar a todos que aqui estivemos a todos que neste instante buscam consolação, paz e amor. Que assim seja!

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