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Justiça e Direitos Naturais

Justiça e Direitos Naturais

Deise Bianchini

Oração Inicial:

<Ioio> Vamos elevar nossos pensamentos ao Senhor
Jesus e assim dizer: Senhor Jesus, bom e amado Mestre aqui estamos Senhor, mas uma
noite para podermos estudar um pouco mais sobre sua Boa Nova auxilia-nos Senhor
a abrir nossos corações e mentes para que possamos assimilar o máximo possível a
exposição de nossa querida Deise Bianchini auxilia nossa amiga na condução de nossos
pensamentos e assim Senhor, certos de Sua presença em todos os momentos de nossa
vida certos da presença amiga de Gabriel Dellane, Cairbar Schutel nossos amigos
espirituais, mas sobretudo certos da presença de Deus, nosso Pai de infinita bondade
que possamos dar por iniciado nosso estudo da noite de hoje fica conosco Mestre,
pois que de ti muito precisamos (t)

Mensagem Introdutória:

JUSTIÇA E AMOR

Sempre que te reportes à justiça, repara que Deus a fez assistida pelo amor,
a fim de que os caídos não sejam aniquilados. Terás contigo a lógica indicando-te
os males e o entendimento inspirando-te o necessário socorro aos que lhes sofrem
o assédio. Onde passes, compadece-te dos vencidos que contemples à margem… Muitos
pranteiam as ilusões que lhes trouxeram arrependimento e remorso e muitos se levantam
ainda sobre os próprios enganos, à maneira de trapezistas inconscientes, ensaiando
o último salto ao precipício da morte. Dir-te-ão alguns não precisarem de teu consolo,
fugindo-te à presença, com receio da verdade que te brilha na boca, e outros, que
desceram do poder renovador do trabalho, preferem rolar no vício, descendo, mais
cedo, os degraus do sepulcro. Além deles, porém, surgem outros… Os que desanimaram
em plena luta, recolhendo-se ao frio da retaguarda, os que enlouqueceram de sofrimento,
os que perderam a fé por falta de vigilância, os que se transviaram à mingua de
reconforto e os que se abeiraram do suicídio, tomados pelo superlativo do desespero…
Ao pé dos maiores celerados da Terra, Deus colocou mães que amam, embora esses filhos
desditosos de suas bênçãos lhes transformem a vida em fonte de lágrimas. Diante,
pois, dos vencidos de todas as condições e de todas as procedências, não mostres
desprezo, nem grites anátema. Não lhes conheces a história desde o princípio e não
percebes, agora, a causa invisível da dor que os degrada. Ora e auxilia em silêncio,
porque não sabes se amanhã raiará teu instante de abatimento e de angústia, e manda
a regra divina façamos aos outros aquilo que desejamos nos seja feito. Justiça sem
amor é como terra sem água. Recorda que o próprio Cristo, reconhecendo que os vencedores
do mundo habitualmente se inclinam à vaidade – perigosa armadilha para quedas maiores
-, preferiu nascer na palha dos que vagueiam sem rumo, viver na dificuldade dos
menos felizes e morrer na cruz reservada às vítimas do crime e aos filhos da escravidão.

Emmanuel

Do Livro: Religião dos Espíritos
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
Editora: FEB

Exposição:

Boa noite a todos os amigos, é um grande prazer estar estudando com vocês mais
essa noite.

Kardec no capítulo XI do Livro dos Espíritos, questão 875, perguntou aos espíritos
como se pode definir a justiça, e obteve como resposta que:

“A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais.”

Sendo determinante desse direito:

“Duas coisas: a lei humana e a lei natural. Tendo os homens formulado leis apropriadas
a seus costumes e caracteres, elas estabeleceram direitos mutáveis com o progresso
das luzes. Vede se hoje as vossas leis, aliás imperfeitas, consagram os mesmos direitos
que as da idade Média. Entretanto, esses direitos antiquados, que agora se vos afiguram
monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. Nem sempre, pois, é acorde
com a justiça o direito que os homens prescrevem. Demais, este direito regula apenas
algumas relações sociais, quando é certo que, na vida particular, há uma imensidade
de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.”

Kardec, através do ensinamento dos espíritos, também nos diz que o sentimento
de justiça está de tal modo claro na natureza que, para prová-lo, basta que nos
lembremos de que nos revoltamos à simples idéia de uma injustiça;

O progresso moral desenvolve o sentimento de justiça, mas não o dá, pois é Deus
quem o põe no coração do homem. É importante lembrarmos que o sentimento de justiça
é natural e está no coração do homem, pois este revolta-se ao pensamento de uma
injustiça.

Em homens simples, com pouco conhecimento acadêmico, por vezes vemos noções mais
exatas da justiça do que em alguns que possuem grande conhecimento formal.

Os homens, pelas sua próprias limitações evolutivas, entendem a justiça de maneiras
tão diferentes que o julgamento de justiça de um parecerá injusto ao outro; pois
“aí se misturam paixões que alteram esse sentimento, como a maioria dos outros sentimentos
naturais, fazendo que os homens vejam as coisas sob um falso ponto de vista.” (
Livro dos Espíritos, Q. 874)

Cristo foi bem claro ao nos colocar a base da justiça fundada sobre a lei natural:
“Queira cada um para os outros o que quereria para si mesmo. No coração do homem
imprimiu Deus a regra da verdadeira justiça, fazendo que cada um deseje ver respeitados
os seus direitos. Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante, em dada
circunstância, trate o homem de saber como quereria que com ele procedessem, em
circunstância idêntica. Guia mais seguro do que a própria consciência não lhe podia
Deus haver dado.” (Livro dos Espíritos, Q. 876)

Kardec, na observação da questão 876 do Livro dos Espíritos, nos esclarece: “O
critério da verdadeira justiça está em querer cada um para os outros o que para
si mesmo quereria e não em querer para si o que quereria para os outros, o que absolutamente
não é a mesma coisa. Não sendo natural que haja quem deseje o mal para si, desde
que cada um tome por modelo o seu desejo pessoal, é evidente que nunca ninguém desejará
para o seu semelhante senão o bem. Em todos os tempos e sob o império de todas as
crenças, sempre o homem se esforçou para que prevalecesse o seu direito pessoal.
A sublimidade da religião cristã está em que ela tomou o direito pessoal por base
do direito do próximo.”

Tendo o homem a necessidade de viver em sociedade tem obrigações particulares,
sendo a primeira de todas a de respeitar o direito de seus semelhantes. Ao nos conferir
direitos, a vida social nos impõe deveres recíprocos.

Para termos o direito de sermos respeitados, temos o dever de respeitar. Cada
direito prevê a contrapartida de um dever.

O homem ao não praticar a lei de justiça, utilizando-se de represálias, perturba
e causa confusão na sociedade, vejamos a questão 878 (Livro dos Espíritos):

878. Podendo o homem enganar-se quanto à extensão do seu direito, que é o que
lhe fará conhecer o limite desse direito? “O limite do direito que, com relação
a si mesmo, reconhecer ao seu semelhante, em idênticas circunstâncias e reciprocamente.”

Kardec encerra o tópico em estudo perguntando aos espíritos qual seria o caráter
do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza e obtém a seguinte resposta
para nossa reflexão:

“O do verdadeiro justo, a exemplo de Jesus, porquanto praticaria também o amor
do próximo e a caridade, sem os quais não há verdadeira justiça.”(Livro dos Espíritos,
Q. 879)

Para ilustrar nosso estudo da noite vou repassar a vocês o conto: A Escolha do
Cacique, de Wilson Frungilo Júnior, no livro “A Casa das Chaves”, IDE, 1ª edição,
1997

A ESCOLHA DO CACIQUE

– Você tem razão, lnhaua. Já estou bastante velho e quase já não enxergo mais.
Está na hora de ser escolhido um novo chefe para a nossa tribo.

– Perdoe-me dar-lhe esse conselho, Cacique Auapa, mas não queremos que cerre
os olhos para sempre sem que tenha sido escolhido o seu sucessor. Os homens da tribo
fazem questão que o Cacique faça a escolha. Todos confiam na sua sabedoria.

– Pois diga a eles que farei a escolha no amanhecer da próxima lua.

– Seremos eternamente gratos e juramos obedecer as ordens do escolhido.

Cacique Auapa sempre fora um amado e respeitado chefe daquela tribo de índios
que nele depositava toda a confiança por causa de sua grande sabedoria. Aqueles
índios acostumaram-se a não tomar nenhuma decisão sem consultá-lo e queriam que
ele fizesse a escolha de seu sucessor pois percebiam que, muito em breve, talvez,
o grande sono o transportaria para a terra dos bravos e justos guerreiros.

Naquela mesma noite e num profundo silêncio, toda a tribo reuniu-se defronte
da oca do venerado chefe, ao redor de uma grande fogueira, aguardando ansiosamente
suas palavras.

– Meu povo, – iniciou Auapa, com a voz muita baixa, devido à sua avançada idade
– como já mandei anunciar a todos, farei a escolha de meu sucessor no amanhecer
da próxima lua, através de uma competição, seguindo, como sempre, a tradição de
nossos antepassados. Tenho plena certeza de que os Espíritos nos auxiliarão e que
o melhor será o vencedor.

Não era bem essa a maneira que os índios gostariam que fosse a escolha, porque
queriam que Auapa determinasse quem seria o novo cacique sem que fosse preciso colocar
em prova a força e a resistência de cada um dos homens. Aquela tribo, localizada
bem distante da civilização, era adepta da paz e somente havia entrado em luta corporal
com outras tribos quando essa atitude fora inevitável. Primavam muito pela vida
humana, procurando sempre evitar a guerra chegando mesmo a mudar, por várias vezes,
a localização de sua aldeia, quando o perigo de um confronto se aproximava. Eram
exímios caçadores e seus guerreiros treinavam combater mais como um respeito a tradição
do que como uma forma de treinamento para a luta. Como religião, faziam culto aos
Espíritos de seus antepassados e com eles conversavam, através da mediunidade de
alguns de seus membros e, principalmente, através de Auapa, o Cacique, que possuía
o dom da vidência. Em noites predeterminadas, geralmente por dias contados a partir
de algumas fases da lua, reuniam-se no centro da taba e ficavam em silêncio, ouvindo
conselhos dos Espíritos, com Auapa descrevendo e nomeando os visitantes do Espaço,
bem como os lugares de onde vinham e a Grande Cena que eles plasmavam naquele local.
E, naquela noite, todos concordaram com a sua decisão, tendo em vista, não somente
a grande confiança e fé que depositavam nele, como também, na que depositavam nos
Espíritos dos Guerreiros de Luz, que era como Auapa os denominava e que, certamente,
o ajudariam na escolha do novo Chefe.

Finalmente, chega o grande dia. Ainda é madrugada escura, mas todos já estão
em pé, aguardando a chegada de Auapa e quando o Sol finalmente derrama sobre a aldeia
seus primeiros raios de luz, este sai de sua oca acenando um cumprimento a todos.
As mulheres e as crianças acomodam-se a uma respeitável distância e somente os homens
ali se aglomeram, desde os mais jovens, já em idade de competir, até os mais idosos
e doentes porque esse era um acontecimento tão elevado que seria uma desonra enorme
se algum deles não participasse.

– Meus bravos guerreiros. A competição será realizada naquela elevação que o
Sol ilumina – inicia Auapa, apontando para uma colina bastante íngreme e acidentada,
repleta de arbustos, árvores de todas as espécies e muitos espinhais e continua
– Eu, juntamente com lnhaua, nosso curandeiro, e mais três conselheiros, subiremos
até ela por meio de sua trilha lateral. Tão logo lá cheguemos, darei um sinal com
as mãos e todos iniciarão a subida por este lado. Todos sabemos das dificuldades
que terão que vencer nessa empreitada e, por isso, estaremos lá aguardando-os e
entoando cantos de coragem. E quando a Árvore de lnhaua fizer sombra sobre a sua
oca, estará terminada a competição e, então, será escolhido aquele que me substituirá.

Dizendo isso, Auapa, acompanhado de lnhaua e dos conselheiros, iniciam a fácil
subida pela trilha limpa e menos íngreme e, em menos de uma hora, aparecem no topo
da colina. Auapa, então, ergue os dois braços, sendo ovacionado pelos índios. E,
aguardando alguns segundos com os braços levantados, abaixa-os repentinamente, dando
início à disputa. Sentam-se os cinco homens um pouco afastados da encosta da colina
e começam a entoar canções de encorajamento, porém, o coração de Auapa encontra-se
oprimido. Gostaria de nomear Taimã como seu sucessor e só não o fez porque ouviu
o Espírito de seu pai que o aconselhara a realizar esse tipo de disputa. Considerava
Taimã como o filho que não pudera ter e via nele inumeráveis virtudes e pensamentos
idênticos aos seus.

Passam-se algumas horas e os primeiros guerreiros começam a chegar ao topo da
colina, portando, a maioria, inúmeros ferimentos e escoriações por todo o corpo.
– E Taimã? Por que não chega? – O coração do velho Cacique começa a apertar-se de
preocupação. O tempo vai passando e outros vão chegando e colocando-se num espaço
determinado, atrás de Auapa. Ninguém fala, pois o silêncio faz parte daquele antigo
ritual. Jovens já ali estão, seguidos de velhos e um bom número de doentes. Nessa
altura, os raios do Sol já estão se aproximando da Árvore de lnhaua e logo projetará
sua sombra por sobre a sua oca, quando, então, a disputa estará terminada. – E Taimã?
– O tempo continua passando e, de repente, surge o mais velho e o penúltimo dos
homens, agarrando-se numa moita e conseguindo alcançar o topo com muito esforço,
parecendo que algo incomum o impele para cima, – E Taimã? – O semblante de todos
os guerreiros apresenta já grande tristeza, com essa pergunta a lhe martelar os
pensamentos. E, então, que Auapa não consegue conter-se e rompe o silêncio com forte
grito:

– Taimã!!!

O brado do velho Cacique ecoa por toda a floresta, parecendo transportar para
aquele local todas as forças do Universo porque, nesse preciso momento, a mão de
Taimã aparece por sobre o horizonte da colina e sua voz cansada e rouca responde,
pedindo:

– Ajudem-me!

Auapa dá um sinal e dois fortes guerreiros correm até lá, trazendo Taimã, bastante
ferido e extremamente extenuado, sendo preciso ampará-lo para que fique em pé, diante
do Cacique. Este, então, compreende prontamente o que acontecera e, volvendo o olhar
para todos os outros índios, faz o sinal para que estes possam romper o silêncio.
E é em uníssono que todos gritam o nome daquele que gostariam que fosse o sucessor
de Auapa:

-Taimá!.. Taimã!.. Taimã!!. Taimã!!!

– Por que estão gritando o nome de Taimã, mamãe? – pergunta um pequeno índio
à sua mãe, após assistirem a tudo lá da aldeia.

– Taimã será o nosso próximo Cacique, meu filho.

– Por que, mamãe?

– Por causa de seu grande coração. Ao invés de tentar ser o primeiro a alcançar
o topo da colina, preocupou-se com os velhos e os doentes, não deixando que eles
se sentissem desonrados em não conseguir, pelo menos, subir até lá. E com sua grande
força levou-os todos até o cume, um a um, até lá chegar tão extenuado e sem forças
que precisou rogar auxílio.

– Então ele não conseguiu chegar lá com suas próprias forças?

– Chegou, sim, meu filho. Chegou com a força da caridade ao amparar todos os
seus irmãos e com a força da humildade em rogar ajuda e auxílio no momento mais
difícil. Taimã será um grande Cacique.

Perguntas/Respostas:

01. <Ioio> Como podemos discernir quando nossos problemas são a justiça divina
agindo ou se são conseqüência de nossos erros atuais?

<Naema> De qualquer forma será a justiça Divina agindo, seja um erro atual ou
de outras eras. Nossa preocupação maior deve ser em aproveitarmos todas as chances
que nos são apresentadas, se nossa consciência não ficar tranqüila, é porque, lá
no fundo, não estamos sendo justos. Quando reclamamos de alguém, que esperávamos
tivesse uma atitude determinada, e não teve, ficamos remoendo isso em nosso íntimo,
ou por vezes somos até desagradáveis. Mas nossa consciência não nos dá paz.
A melhor coisa a fazer é refletir e se possível reverter os nossos atos. Nossas
imperfeições são, com certeza, resquícios daquilo que temos a corrigir. Vamos fazê-lo,
porque queremos ir em frente

Oração Final:

<mobsued> Pensemos em Jesus e seus auxiliares..
Nos enviam forças restauradoras..
Conselhos nestes momentos..
Difíceis da humanidade..
Momentos difíceis nossos..
Vamos abrir nossos corações..
Para a realidade bela que é a vida..
Possamos compreender as tarefas diárias.. Pedir forças para ajudar sendo ajudado..
Que estes trabalho que realizamos aqui.. Rendam mais frutos sempre..
Que as luzes do bem se espalhem..
Por todas pessoas..
As luzes do conhecimento..
Ajudem a consolar a todos..
Entremos em boa sintonia..
Assim contribuímos ..
Para ser exemplo a quem nos cerca..
Para o equilíbrio energético do planeta.. Para a nossa percepção de Deus..
E sejamos felizes.
Assim seja!

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