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Letargia, Catalepsia, Morte Aparente

Letargia, Catalepsia, Morte Aparente

Oração Inicial:

<Safiri> Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e
Bondade, dai a força àqueles que passam pela provação, dai a luz àquele que
procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade. Deus !
Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. Pai !
Dai ao culpado o arrependimento, ao Espírito a Verdade, à criança o guia, ao
órfão o pai. Senhor ! Que vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.
Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que
sofrem. Que a vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por
toda parte a Paz, a Esperança e a Fé. Deus ! Um raio, uma faísca do vosso amor
pode abrasar a terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e
infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. Um só
coração, um só pensamento subirá até vós, como um grito de reconhecimento e de
amor. Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh!
Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a vossa
misericórdia. Deus ! dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até
vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que
fará das nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Imagem. Que assim seja
!

Exposição:

<Safiri> Resumo teórico do sonambulismo, do êxtase e da dupla vista Os
fenômenos do sonambulismo natural se produzem espontaneamente e independem de
qualquer causa exterior conhecida. Mas, em certas pessoas dotadas de especial
organização, podem ser provocados artificialmente, pela ação do agente
magnético. O estado que se designa pelo nome de sonambulismo magnético apenas
difere do sonambulismo natural em que um é provocado, enquanto o outro é
espontâneo. O sonambulismo natural constitui fato notório, que ninguém mais se
lembra de por em dúvida, não obstante o aspecto maravilhoso dos fenômenos a que
dá lugar. Por que seria então mais extraordinário ou irracional o sonambulismo
magnético? Apenas por produzir-se artificialmente, como tantas outras coisas? Os
charlatães o exploram, dizem. Razão de mais para que não lhes seja deixado nas
mãos. Quando a Ciência se houver apropriado dele, muito menos crédito terão os
charlatães junto às massas populares. Enquanto isso não se verifica, como o
sonambulismo natural ou artificial é um fato, e como contra fatos não há
raciocínio possível, vai ele ganhando terreno, apesar da má vontade de alguns,
no seio da própria Ciência, onde penetra por uma imensidade de portinhas, em vez
de entrar pela porta larga. Quando lá estiver totalmente, terão que lhe conceder
direito de cidade. Para o Espiritismo, o sonambulismo é mais do que um fenômeno
psicológico, é uma luz projetada sobre a psicologia. É aí que se pode estudar a
alma, porque é onde esta se mostra a descoberto. Ora, um dos fenômenos que a
caracterizam é o da clarividência independente dos órgãos ordinários da vista.
Fundam-se os que contestam este fato em que o sonâmbulo nem sempre vê, e à
vontade do experimentador, como com os olhos. Será de admirar que difiram os
efeitos, quando diferentes são os meios? Será racional que se pretenda obter os
mesmos efeitos, quando há e quando não há o instrumento? A alma tem suas
propriedades, como os olhos têm as suas. Cumpre julgá-las em si mesmas e não por
analogia. De uma causa única se originam a clarividência do sonâmbulo magnético
e a do sonâmbulo natural. É um atributo da alma, uma faculdade inerente a todas
as partes do ser incorpóreo que existe em nós e cujos limites não são outros
senão os assinados à própria alma. O sonâmbulo vê em todos os lugares aonde sua
alma possa transportar-se, qualquer que seja a longitude. No caso de visão a
distância, o sonâmbulo não vê as coisas de onde está o seu corpo, como por meio
de um telescópio. Vê-as presentes, como se achasse no lugar onde elas existem,
porque sua alma, em realidade, lá está. Por isso é que seu corpo fica como que
aniquilado e privado de sensação, até que a alma volte a habitá-lo novamente.
Essa separação parcial da alma e do corpo constitui um estado anormal,
suscetível de duração mais ou menos longa, porém não indefinida. Daí a fadiga
que o corpo experimenta após certo tempo, mormente quando aquela se entrega a um
trabalho ativo. A vista da alma ou do Espírito não é circunscrita e não tem sede
determinada. Eis por que os sonâmbulos não lhe podem marcar órgão especial. Vêem
porque vêem, sem saberem o motivo nem o modo, uma vez que, para eles, na
condição de Espíritos, a vista carece de foco próprio. Se se reportam ao corpo,
esse foco lhes parece estar nos centros onde maior é a atividade vital,
principalmente no cérebro, na região do epigastro, ou no órgão que considerem o
ponto de ligação mais forte entre o Espírito e o corpo. O poder da lucidez
sonambúlica não é ilimitado. O Espírito, mesmo quando completamente livre, tem
restringidos seus conhecimentos e faculdades conforme ao grau de perfeição que
haja alcançado. Ainda mais restringidos os tem quando ligado à matéria, a cuja
influência está sujeito. É o que motiva não ser universal, nem infalível, a
clarividência sonambúlica. E tanto menos se pode contar com a sua
infalibilidade, quanto mais desviada seja do fim visado pela Natureza e
transformada em objeto de curiosidade e de experimentação. No estado de
desprendimento em que fica colocado, o Espírito do sonâmbulo entra em
comunicação mais fácil com os outros Espíritos encarnados, ou não encarnados,
comunicação que se estabelece pelo contacto dos fluidos, que compõem os
perispíritos e servem de transmissão ao pensamento, como o fio elétrico. O
sonâmbulo não precisa, portanto, que se lhe exprimam os pensamentos por meio da
palavra articulada. Ele os sente e adivinha. É o que o torna eminentemente
impressionável e sujeito às influências da atmosfera moral que o envolva. Essa
também a razão por que uma assistência muito numerosa e a presença de curiosos
mais ou menos malevolentes lhe prejudicam de modo essencial o desenvolvimento
das faculdades que, por assim dizer, se contraem, só se desdobrando com toda a
liberdade num meio íntimo ou simpático. A presença de pessoas mal-intencionadas
ou antipáticas lhe produz efeito idêntico ao do contacto da mão na sensitiva. O
sonâmbulo vê ao mesmo tempo o seu próprio Espírito e o seu corpo, os quais
constituem, por assim dizer, dois seres que lhe representam a dupla existência
corpórea e espiritual, existências que, entretanto, se confundem, mediante os
laços que as unem. Nem sempre o sonâmbulo se apercebe de tal situação e essa
dualidade faz que muitas vezes fale de si, como se falasse de outra pessoa. É
que ora é o ser corpóreo que fala ao ser espiritual, ora é este que fala àquele.
Em cada uma de suas existências corporais, o Espírito adquire um acréscimo de
conhecimentos e de experiência. Esquece-os parcialmente, quando encarnado em
matéria por demais grosseira, porém deles se recorda como Espírito. Assim é que
certos sonâmbulos revelam conhecimentos acima do grau da instrução que possuem e
mesmo superiores às suas aparentes capacidades intelectuais. Portanto, da
inferioridade intelectual e científica do sonâmbulo, quando desperto, nada se
pode inferir com relação aos conhecimentos que porventura revele no estado
Conforme as circunstâncias e o fim que se tenha em vista, ele os pode haurir da
sua própria experiência, da sua clarividência relativa às coisas presentes, ou
dos conselhos que receba de outros Espíritos. Mas, podendo o seu próprio
Espírito ser mais ou menos adiantado, possível lhe é dizer coisas mais ou menos
certas. Pelos fenômenos do sonambulismo, quer natural, quer magnético, a
Providência nos dá a prova irrecusável da existência e da independência da alma
e nos faz assistir ao sublime espetáculo da sua emancipação. Abre-nos dessa
maneira, o livro do nosso destino. Quando o sonâmbulo descreve o que se passa a
distância, é evidente que vê, mas não com os olhos do corpo. Vê-se a si mesmo e
se sente transportado ao lugar onde vê o que descrê Lá se acha, pois, alguma
coisa dele e, não podendo essa alguma coisa ser o seu corpo, necessariamente é
sua alma, ou Espírito. Enquanto o homem se perde nas sutilezas de uma metafísica
abstrata e ininteligível, em busca das causas da nossa existência moral, Deus
cotidianamente nos põe sob os olhos e ao alcance da mão os mais simples e
patentes meios de estudarmos a psicologia experimental. O êxtase é o estado em
que a independência da alma, com relação ao corpo, se manifesta de modo mais
sensível e se torna, de certa forma, palpável. No sonho e no sonambulismo, o
Espírito anda em giro pelos mundos terrestres. No êxtase, penetra em um mundo
desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem
que, todavia, lhe seja lícito ultrapassar certos limites, porque, se os
transpusesse, totalmente se partiriam os laços que o prendem ao corpo. Cerca-o
então resplendente e desusado fulgor, inebriam-no harmonias que na Terra se
desconhecem, indefinível bem-estar o invade: goza antecipadamente da beatitude
celeste e bem se pode dizer que pousa um pé no limiar da eternidade. No estado
de êxtase, o aniquilamento do corpo é quase completo. Fica-lhe somente, pode-se
dizer, a vida orgânica. Sente-se que a alma se lhe acha presa unicamente por um
fio, que mais um pequenino esforço quebraria sem remissão. Nesse estado,
desaparecem todos os pensamentos terrestres, cedendo lugar ao sentimento
apurado, que constitui a essência mesma do nosso ser imaterial. Inteiramente
entregue a tão sublime contemplação, o extático encara a vida apenas como
paragem momentânea. Considera os bens e os males, as alegrias grosseiras e as
misérias deste mundo quais incidentes fúteis de uma viagem, cujo termo tem a
dita de avistar. Dá-se com os extáticos o que se dá com os sonâmbulos: mais ou
menos perfeita podem ter a lucidez e o Espírito mais ou menos apto a conhecer e
compreender as coisas, conforme seja mais ou menos elevado. Muitas vezes, porém,
há neles mais excitação do que verdadeira lucidez, ou, melhor, muitas vezes a
exaltação lhes prejudica a lucidez. Daí o serem, freqüentemente, suas revelações
um misto de verdades e erros, de coisas grandiosas e coisas absurdas, até
ridículas. Dessa exaltação, que é sempre uma causa de fraqueza, quando o
indivíduo não sabe reprimi-la, Espíritos inferiores costumam aproveitar-se para
dominar o extático, tomando Há nisso um escolho, mas nem todos são assim.
Cabe-nos tudo julgar friamente e pesar-lhes as revelações na balança da razão. A
emancipação da alma se verifica às vezes no estado de vigília e produz o
fenômeno conhecido pelo nome de segunda vista ou dupla vista, que é a faculdade
graças à qual quem a possui vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos
humanos. Percebe o que exista até onde estende a alma a sua ação. Vê, por assim
dizer, através da vista ordinária, e como por uma espécie de miragem. No momento
em que o fenômeno da segunda vista se produz, o estado físico do indivíduo se
acha sensivelmente modificado. O olhar apresenta alguma coisa de vago. Ele olha
sem ver. Toda a sua fisionomia reflete uma como exaltação. Nota-se que os órgãos
visuais se conservam alheios ao fenômeno, pelo fato de a visão persistir, mau
grado à oclusão dos olhos. Aos dotados desta faculdade ela se afigura tão
natural, como a que todos temos Consideram-na um atributo de seus próprios
seres, que em nada lhes parecem excepcionais. De ordinário, o esquecimento se
segue a essa lucidez passageira, cuja lembrança, tornando-se cada vez mais vaga,
acaba por desaparecer, como a de um sonho. O poder da vista dupla varia, indo
desde a sensação confusa até a percepção clara e nítida das coisas presentes ou
ausentes. Quando rudimentar, confere a certas pessoas o tato, a perspicácia, uma
certa segurança nos atos, a que se pode dar o qualificativo de precisão de golpe
de vista moral. Um pouco desenvolvida, desperta os pressentimentos. Mais
desenvolvida mostra os acontecimentos que deram ou estão para dar-se. O
sonambulismo natural e artificial, o êxtase e a dupla vista são efeitos vários,
ou de modalidades diversas, de uma mesma causa. Esses fenômenos, como os sonhos,
estão na ordem da Natureza. Tal a razão por que hão existido em todos os tempos.
A História mostra que foram sempre conhecidos e até explorados desde a mais
remota antigüidade e neles se nos depara a explicação de uma imensidade de fatos
que os preconceitos fizeram fossem tidos por sobrenaturais. Catalepsia hoje é
estudada pela ciência, que a classifica como um estado alterado de consciência,
um transe hipnótico. Sabe-se que o cérebro humano mantém-se funcionando com uma
quantidade ínfima de energia, cerca de 45 milésimos de Watts. Apenas a título de
comparação, a energia em uma lâmpada elétrica de 60 W seria suficiente para
manter vivos cerca de 1300 cérebros. Vegetativamente vivos! Temos no cataplético
um estado muito especial de morte aparente. O coração não bate, não respira, não
se move, há rigidez muscular, o rigor-mortis nos termos de legista, há
insensibilidade a dor. Em resumo, apenas um eletroencefalograma é capaz de
detectar vida neste corpo que aparente jaz, aguardando epitáfio que o honre em
sepulcro convencional. Existem muitos catapléticos que trouxeram grandes
contribuições a humanidade, aliada a faculdade de sonambulismo, quando da
emancipação da alma, uma das mediunidades constantes do Livro dos Médiuns. Tal
desprendimento pode chegar a ponto do espírito poder ser evocado, ou ainda,
comunicar-se através de médiuns, qual fora um desencarnado, dependendo
naturalmente de seu nível de desprendimento da matéria. Existem muitos
catapléticos que tiveram suas faculdades aplicadas em grande sofrimento, uma
tortura terrível: a de ser enterrado ainda com vida e acordar em um caixão,
preso, para só então morrer de asfixia lenta e dolorosa. Muitos são os casos de
corpos exumados onde nota-se as tampas de seus caixões arranhadas, corpos
virados, entre outros sinais de que ainda havia vida naquele corpo que fora
sepultado. Uma faculdade tão espetacular tem seus riscos. Este medo de ser
enterrado vivo acomete muitos encarnados hoje. Existem estruturas especiais
justamente para permitir que o pseudo-morto se comunique, caso acorde no
sepultamento. Mas, de fato, como informei antes, nos dias de hoje só se
considera desencarnado aquele que apresenta morte cerebral, ou seja, o EEG não
apresenta sinais de atividade, não existem sinais elétricos. Em muitos casos o
espírito não se encontra tão desprendido da matéria e o cataléptico tem a
impressão que vê e ouve através de seu corpo físico, mas isto se dá por que o
cérebro mantém latente atividade, bem como latente atividade há nos órgãos
vitais, que não se degeneram tão rapidamente quanto fariam em estado de morte
real. É catalepsia que acometia Lázaro, uma das mais impressionantes mostras do
poder de Jesus na época, pois julgavam que ele o havia trazido de volta a vida.
Mataram-no logo a seguir, desta vez ele desencarnou mesmo, pois o fato dele
estar vivo era a maior prova da superioridade de Jesus.

Oração Final:

<Safiri> Senhor dos Céus e da Terra!

Abençoai nosso ideal, aqui e além, dai-nos o poder de
entender a Vossa bondade, para que seja cumprido a lei. Dispensai o nosso ódio,
para que haja alegria. Dispensai o medo, para que surja a coragem. Dispensai a
inércia, para que nasça o trabalho. Consenti, Senhor, Que o Vosso nome não fique
em vão nos nossos caminhos, Mas nossas atitudes e no nosso amor para Convosco,
para com o próximo. Ajudai-nos a aumentar a nossa fé, para que possamos doar
esperanças. Fazei-nos que nossa caridade de avolume, para que possamos doar paz.
Ajudai-nos a multiplicar a nossa fraternidade. Para que possamos doar amor. E
que, ao sairmos daqui, Sejamos interligados pela luz onde brilham as estrelas,
ainda que distantes umas das outras. Que se faça a Vossa vontade e não a nossa!
Francisco de Assis

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