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O Nada. Vida Futura. Intuição das Penas e Gozos Futuros

O Nada. Vida Futura. Intuição das Penas e Gozos Futuros

“O Livro dos Espíritos” – questões 958 a 962

Estudos Espíritas
Promovidos pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositora: Rosângela Pertile
Rio de Janeiro
16/10/1999

Dirigente do Estudo:

Mauro Bueno

Oração Inicial:

<_Mara_Estudos_> Amigos, vamos então nos preparando para esse momento tão especial, de estudo e reflexão, sob a ótica espírita, consoladora visão, que amplia nossos horizontes em todos os sentidos. Vamos aserenando nossos corações e nos sintonizando com a energia amorosa de Jesus, o amigo de todas as horas, e vamos, com muita naturalidade, conversar com ele:

Jesus Amigo, Mestre amado, aqui estamos, Senhor, nesse espaço tão inusitado quanto belo, que é o espaço virtual, onde as barreiras da distância não existem, podendo unirmo-nos em mente e coração para aprofundar os teus ensinamentos. Que as tuas energias de paz, harmonia e tranqüilidade sejam derramadas profundamente sobre nós, que possamos estar com as mentes e corações abertos aos ensinamentos da noite, que a nossa querida irmã seja inspirada pela Equipe Espiritual que dirige estes trabalhos. Que possamos enfim, aprender para crescer. Que o teu Amor e a tua Sabedoria sejam conosco, agora e sempre. Graças a Deus!

Exposição:

<Rosangela_Pertile> Que nossas primeiras palavras possam ser de um profundo agradecimento ao Pai Maior pela oportunidade aqui oferecida.

Certa feita, uma alma caridosa voltou à Pátria Espiritual, e lá, ao bater na porta do Céu, escutou uma voz de um anjo, que assim falou:

– Quem és tu?

– Eu sou Fulana.

– Não perguntei seu nome, redargüiu o anjo, perguntei quem és tu?

– Eu? Eu sou mulher.

– Não perguntei seu sexo. Perguntei quem és tu?

– Eu? Eu sou cristã.

– Não perguntei sua profissão religiosa. Perguntei quem és tu?

E como se o diálogo perdurasse por todo o dia e toda a noite, o anjo assim falou:

  • Vá filha, retorne ao corpo de carne e descubra “Quem és tu.”

Nossa palestra hoje tem seu começo nos primórdios da Humanidade neste planeta para tentarmos descobrir porque a idéia do nada após a morte nos parece tão angustiante, aflitiva, inverossímil.

Dois pesquisadores do Reino Unido, antropólogos, Sir Edward Burnett Tylor e Sir James George Frazer, foram grandes estudiosos de religiões primitivas, de sociedades que tiveram seu começo ainda na Idade da Pedra. Estes pesquisadores chegaram a um denominador comum a partir dos achados arqueológicos, cujo postulado era que os povos primitivos acreditavam em uma “força vital”, presente nos seres vivos, detectável e capaz de existir além de sua própria morte.

Vejam que interessante: estes povos primitivos ainda não sabiam plantar, mas já acreditavam em “algo” que transcendia à morte física.

Nestas sociedades primitivas, era comum a existência de rituais para assegurar o favor de uma “entidade” boa ou repelir uma “entidade” má. Nas pinturas rupestres (15.000 a 9.000 a.C.) uma das primeiras formas de arte de nossa Humanidade, há várias representações de cunho religioso.

Saindo das sociedades primitivas e caminhando para as Civilizações Antigas, notamos que elas apresentam, em sua religiosidade, a existência de algo que transcende a morte do corpo.

Entre os antigos egípcios, havia o chamado “Livro da Morte”, com fórmulas mágicas, hinos e preces cujo objetivo era guiar e proteger a alma na sua jornada na “região da morte”.

Então, após esta viagem histórica, um questionamento se apresenta em nossa mente: Porque o homem, desde as épocas mais primitivas da humanidade na terra, carrega consigo a idéia de que existe algo em nós que sobrevive após a morte?

A primeira parte de nossa resposta está na questão n.º 621 de “O Livro dos Espíritos”, onde Kardec faz a seguinte pergunta aos Espíritos:

– Pergunta: Onde está escrita a lei de Deus?

  • Res. Na consciência.

Agora sabemos que a lei divina está escrita em nossa consciência, e que nós somos imortais, e que de posse deste conhecimento, o Espírito guarda a intuição desta lei quando encarnado. Mas então, se este conhecimento está impresso em nossa consciência, porque será que há homens que repudiam esta idéia, lançando-se no niilismo, ou seja, na filosofia do nada?

Entre as várias razões que levam à esta filosofia, existe uma razão histórica. Durante muitos séculos, a Humanidade viveu sob o jugo da Inquisição, ocorrida na Idade Média, onde todos aqueles que tivessem idéias contrárias às pregadas pelos Espíritos encarnados que governavam a Igreja Católica, poderia pagar com a vida.

Os chamados “Auto da Fé” eram realizados em praça pública, condenando à morte na fogueira todos aqueles que fossem contrários aos desígnios dos chefes religiosos. As Ciências foram “abafadas”, os pensadores e sábios foram perseguidos e mortos, como Giordano Bruno, astrônomo, filósofo, que foi queimado pela Inquisição.

Como ninguém detém a marcha do progresso, esse veio, trazendo livres-pensadores contrários aos dogmas da Igreja, cuja Ciência era a chave de tudo. Nascia assim as filosofias materialista e positivista, com grandes avanços em todos os campos da Ciência.

A estes pensamentos, foram aliadas as chagas morais, o orgulho, a vaidade, o egoísmo, até que se chega à conclusão que somos frutos do acaso, e depois da morte, o que há é o nada. Pensamento este que perdura até hoje entre nossa civilização, e que pode levar a conseqüências funestas, como o suicídio.

No livro “Memórias de Um Suicida”, escrito pela médium Yvonne do Amaral Pereira, temos uma passagem muito interessante da narrativa de um materialista suicida, Belarmino de Queiroz, que assim nos fala:

“Eu julgava, sinceramente, que o túmulo absorveria minha personalidade, transmudando-a na essência que se perderá nos abismos da Natureza: – seria o Nada!

Discípulo de Augusto Comte, a filosofia levou-me ao Materialismo, ao mecanismo acidental das coisas – única explicação satisfatória que ao raciocínio pude oferecer diante das anomalias com que deparava a cada passo pela vida em fora, para me alarmar o coração e decepcionar a mente….

Para que amar, constituir família, contribuindo para alcançar à vida outros desgraçados a mais, se a Filosofia convencera-me, além do mais, de que o Amor era apenas uma secreção do cérebro?”

E não que o materialista seja “má pessoa”, mas a sua visão cartesiana de que tudo é palpável, é equivocada. O Belarmino, não era mau, inclusive o principal motivo dele suicidar-se era a tuberculose, pois ele não queria propagar a doença entre as pessoas, um motivo bom para um ato extremo de alguém que não conhece as leis divinas.

E eis que ele tira a vida, mas continua com sofrimentos maiores do que aqueles que quis se privar em vida. E porque será que é tão difícil para alguns a aceitação da continuação da vida após a morte do corpo físico?

O Livro “O Céu e o Inferno” nos trás uma diálogo muito interessante entre o evocador e o Espírito comunicante, (Um Ateu):

– (Evocador) Tende calma, que nós pediremos a Deus por vós.

– (Comunicante) Sou FORÇADO a crer nesse Deus.

– (Evocador) Tende a bondade de nos descrever do melhor modo possível a vossa atual situação.

– (Comunicante) Sofro pelo constrangimento em estou em crer em tudo quanto negava.

Como vemos, aí tem algo muito significativo para podermos refletir; o orgulho; orgulho em não aceitar nada que seja melhor do que nós, de alguém que saiba mais do que nós. Os Espíritos nos falam claramente isto na questão 147 de “O Livro dos Espíritos”:

 

  • Pergunta: Porque os anatomistas, os fisiologistas e, em geral os que aprofundam a Ciência da Natureza são, com tanta freqüência, levados ao materialismo?

 

  • Res. O fisiologista refere tudo ao que vê. Orgulho dos homens, que julgam saber tudo e não admitem haja coisa alguma que lhes esteja acima do entendimento. A própria ciência que cultivam os enche de presunção. Pensam que a Natureza nada lhes pode considerar oculto.

E para aqueles que acham que a vida acaba pela morte, a saída do suicídio se torna a mais fácil quando se deparam com seus testemunhos. Mas nós, espíritas, que temos a certeza da imortalidade da alma, e da justiça divina, temos que fazer nosso papel junto a estes espíritos sofredores.

E como podemos fazer isso? Como podemos auxiliar um companheiro desencarnado pelas mãos do suicídio, e que passa por tantos sofrimentos do outro lado?

Através da PRECE. A prece feita de coração para estes companheiros lhe cai como um bálsamo restaurador, e talvez, por muito tempo, seja o único refrigério aos seus espíritos atormentados.

O médium Divaldo Pereira Franco nos conta este fato, descrito no livro “O Semeador de Estrelas”, de Suely Caldas Schubert, quando ele nos diz sobre o hábito de escrever em um caderninho o nome de suicidas para rezar por eles. Certa feita, ele (Divaldo), muito amargurado, muito triste por um problema grave, começou a chorar e eis que um espírito lhe aparece consolando-o, e se apresentou como o suicida do trem, que ele (Divaldo), orava pedindo intercessão. E o espírito assim falou:

“Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir sensação eterna da tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente. Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou.

Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para agüentar aquele morrer que nunca morria e eu não sei lhe dizer o tempo que passou. Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: “Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se”. Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.”

Então, amigos, como podemos ver, temos um instrumento poderoso de auxílio ao próximo, que muito pouco utilizamos é a PRECE. Sendo assim, vamos utilizá-la com nossos companheiros de estrada, estes que por um motivo ou outro, acreditam no fim de tudo com a morte, e que tem como ato extremo o aniquilamento do maior presente que Deus nos deu: nosso corpo físico, instrumento pessoal e intransferível de elevação e progresso.

E eis que a bondosa Alma (do início da história) desencarna e volta a bater na porta do Céu, e escuta a mesma pergunta que lhe foi feita antes de sua última romagem terrestre:

  • Quem és tu?

E com o coração em júbilo, de inexplicável comunhão com o Cosmo, ela assim responde ao Anjo Bom:

– Eu? Eu sou Espírito imortal! Eu sou um ato de amor divino! Fui criada simples e ignorante, mas tenho como destinação o apostolado de Deus. Tenho muito a caminhar, é certo, irei e voltarei da roupagem terrena muitas e muitas vezes. Mas não estou sozinha, tenho a todos vocês, pois todos nós fazemos parte da mesma humanidade, e somos ligados uns aos outros pela mais sublime Lei, A LEI DO AMOR!

E que Jesus, nosso Mestre Maior, possa abençoar , nos amparar no entendimento dos estudos da noite de hoje.

Perguntas/Respostas:

[01] <Mahatma_Gandhi> Mesmo os suicídios motivados, como esse do tuberculoso, são “punidos”? Mesmo os suicídios motivados, como esse do tuberculoso, são condenáveis?

<Rosangela_Pertile> Sim, o suicídio é uma transgressão da Lei de Deus. Ninguém tem o direito de dispor de algo que lhe foi dado por empréstimo, para aperfeiçoamento. No caso de Belarmino, é uma prova que ele tinha que passar, e como nos dizem os espíritos na pergunta 946 “não tem coragem de suportar as misérias da existência.” (t)

[02] <aquario> E no caso do suicídio inconsciente?

<Rosangela_Pertile> o suicídio é sempre uma falta contra a Lei de Deus. O que pode haver são atenuantes dependendo da situação (t)

[03] <Saf_estudando> Porque nos momentos de tristezas, ficamos vulneráveis e em casos extremos, com idéias do suicídio? O que nos falta para entendermos o que somos, conforme quis o Anjo que a mulher soubesse?

<Rosangela_Pertile> Os Espíritos respondem que as causas do desgosto da vida são ociosidade, falta de fé e da saciedade. Muitas vezes nossa tristeza é baseada na falta de fé na Lei de Causa e Efeito. Temos que lembrar também que somos “vigiados” por olhos invisíveis, que estão esperando uma brecha para poderem minar nossas forças. O que falta para entendermos o que somos é auto-descobrimento. O estudo sério, sistemático de nós mesmos, para descobrirmos nossas paixões, nossos vícios, que nos cegam e não permitem que tenhamos consciência de nossa condição de espíritos imortais(t).

[04] <Stern__> Como fazer para ajudar a família de uma suicida? Eles não crêem em nada do que cremos e se atormentam pela tristeza e pela saudade. Como fazê-los entender que a estão prejudicando?

<Rosangela_Pertile> Nós podemos levar o nome dos companheiros para a irradiação e prece, para que os espíritos amigos possam auxiliá-los. Não podemos forçar as pessoas a entenderem a questão do suicídio como nós. Esclareça-os sobre a imortalidade da alma e da misericórdia de Deus. Nunca podemos esquecer da misericórdia de Deus (t)

[05] <The_Mollusca> Aqui em Fortaleza, poucos meses atrás, uma menina que estudava medicina na Universidade Federal do Ceará, sofrendo de grave depressão e em tratamento psiquiátrico, injetou cloreto de potássio na veia. Ela desencarnou pouco tempo depois e tinha uma irmã gêmea. Eu não a conhecia nem pessoalmente, nem sei o nome dela, só ouvi falar muito dessa menina por pessoas que a conheciam diretamente. Fiquei muito sensível ao caso. Por mais de uma vez eu orei com muito amor e consideração por ela. Você quer dizer que mesmo sem saber o nome dela ou quem ela era direito, ela pode ter me ouvido?(t)

<Rosangela_Pertile> Nós não sabemos a condição da companheirinha desencarnada. Mas, teoricamente, a prece feita com sinceridade de sentimento, pode alcançar o Plano Espiritual e até mesmo à ela. A questão da depressão é muito grave, amigos. Uma estatística do associação americana de medicina diz que é a terceira causa-mortis entre jovens de 18 a 23 anos. Nós, como espíritas, temos que semear o Evangelho, e tentar auxiliar aos companheiros desorientados para que esta triste estatística, que ocorre também no país, diminua. Em 20 anos, a taxa de suicídio aumentou 33%. (t)

[06] <aquario> E como ficam os espíritos que, às vezes, provocam ou antecipam a morte para beneficiar outrem ? (t)

<Rosangela_Pertile> Segundo a questão 951 de “O Livro dos Espíritos”, dependendo da intenção, não é suicídio. Temos que ver lá no fundo do coração a verdadeira intenção do suicídio. O ditado popular diz: “Coração dos outros é terra que ninguém pisa.” (t).

Oração Final:

<claralice> Agora, voltando nossos pensamentos ao nosso Mestre Jesus, vamos neste momento agradecer a Ele e a Deus, nosso Pai, por esta oportunidade que temos de aqui nos reunirmos com o firme propósito de nos colocarmos em disponibilidade para o aprendizado da Doutrina Espírita. Neste momento em que a humanidade consagra seus ídolos materialistas através do prazer desmedido do consumo irresponsável, do culto ao niilismo e ao relativismo disseminado em nossa humanidade por pensadores pós-modernos, vemos nossa humanidade confusa, aturdida, desesperançada e sedenta de consolo e paz.

Que os propósitos que aqui nos unem possam dilatar-se para outros núcleos e que possamos assim irradiar nossas vibrações de amor e paz na direção daqueles cujos corações desejam conhecer a Jesus.

Dá-nos, Mestre, olhos para o discernimento, ouvidos para os apelos e as boas mensagens, sentimentos para com as dores alheias e para as boas causas e que possamos nos disponibilizarmos para o trabalho de amar e servir.

Agradecemos, agora, a todos os espíritos superiores que trabalham juntamente com esta equipe de encarnados, neste canal e nos demais que também realizam a tarefa da divulgação da Doutrina Espírita.

Agradecemos ao querido e mui amado amigo espiritual Cairbar Schutel por nos sustentar nas diretrizes do canal Abençoa, senhor, nossos companheiros encarnados que coordenam este trabalho de estudos, e nos possibilite distribuirmos com nossos familiares e semelhantes a Paz que sentimos neste momento. Que assim seja!

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