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Novas revelações sobre a idade de Cristo

Novas revelações sobre a idade de Cristo

Ivan René Franzolim

Em que ano estamos? Se você pensou em 2003, se enganou!?

Já estamos no 2.007.

Aprendemos tradicionalmente que Cristo nasceu no dia 25 de dezembro do ano denominado 1, que viveu trinta e três anos, que seu ministério durou três anos e que morreu aos 33 anos de idade. O estudo e as pesquisas históricas porém, revelam um pouco mais sobre a idade de Jesus.

Como começou a ser calculada a era cristã

Até quinhentos anos após a morte de Cristo, a contagem dos anos era feita a partir do ano da fundação de Roma. Atribuí-se ao Monge Dionísio – o Pequeno, a contagem atual dos anos, partindo-se da suposta data do nascimento de Jesus.

Monge Dionísio viveu em Roma entre os anos 500 e 545, traduzindo do grego para o latim diversas obras eclesiásticas. Ao elaborar uma tabela com a data da Páscoa numa série de anos, ele usou pela primeira vez a expressão “era cristã”, designando os anos subseqüentes ao ano de 753 da fundação de Roma.

Atualmente, é consenso geral que ele errou. Tanto ao esquecer de colocar o ano zero intermediando os dois períodos, como ao fixar o nascimento de Jesus no ano 753, pois os pesquisadores estabelecem um período de até seis anos antes para o nascimento de Cristo. Conseqüentemente, está errado contar como ano 1 do período cristão, o ano de 754.

ACDC
ANOS DA FUNDAÇÃO DE ROMA748749750751752753754755756757758
ANOS DA ERA CRISTÃ-9-5-4-3-2-112345

O ano em que nasceu Jesus

Ao se estudar os evangelhos, fica patente que os evangelistas não tiveram qualquer preocupação de elaborar um documento de registro histórico e geográfico. A finalidade única era de exaltação e apresentação da mensagem (Boa Nova) para transformação de toda a humanidade. Por isso, há diferença nas referências como os dados históricos do Evangelho segundo Mateus e do Evangelho segundo Lucas. Os outros Evangelhos não se referem ao nascimento de Jesus.

Mateus 2:1

Tendo nascido Jesus em Belém da Judéia nos dias do Rei Herodes. Lucas 2:1 Naqueles dias saíu um decreto de César Augusto ordenando um recenseamento de toda a terra. Este foi o primeiro recenseamento no governo de Quirino na Síria.

Herodes, denominado o Grande e ainda como Rei dos Judeus, nasceu em 73 a.C. e morreu em 4 a.C. (ano 750 da fundação de Roma).

Públio Sulpício Quirino foi governador da Síria entre os anos 6 e 12 d.C. Esse fato dificulta a conciliação dos dados históricos. Alguns historiadores acreditam que Quirino pudesse ter sido governador da Síria de 11 a 9 a.C., ou que tivesse um cargo de autoridade semelhante nesse período, quando teria iniciado o recenseamento, finalizado pelo governador Gaio Sêncio Saturnino, que governou a Síria entre 9 a 6 a.C.

Para se conciliar as datas, tería-se que estabelecer o ano 6 a.C. ou anos próximos (747, 748 ou 749), o qual Herodes reinava e Saturnino finalizava o recenseamento e o último ano de seu governo. Ocorre, entretanto, que não há registro histórico de um recenseamento nesta época, embora fosse um evento importante, que não deixaria de ser citado em algumas das fontes históricas.

A morte de Jesus –

o que registram os Evangelhos

Lucas 3:1-2

(sobre o início das atividades proféticas e dos batismos de João Batista)

No décimo quinto ano do império de Tibério César, sendo governador da Judéia Pôncio Pilatos, tetrarca da Galiléia Herodes e Felipe, seu irmão, tetrarca da Ituréia e da Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, sob o pontificado de Anás e Caifás…

Lucas 3:23 (sobre o início da vida pública de Jesus)

Ao iniciar o ministério Jesus tinha cerca de trinta anos.

Marcos 23:54 (sobre o dia da morte de Jesus)

Era o dia da Preparação (para a Páscoa) e estava para começar o sábado. João 2:20 (sobre o início da vida pública de Jesus) Replicaram os judeus: quarenta e seis anos levou a construção deste templo e tu vais levantá-lo em três dias?

– o que registra a história

Tibério César governou de 13 a 37 d.C.; Pôncio Pilatos de 26 a 36 d.C.; Herodes (Antipas) de 2 a.C. a 39 d.C.; Felipe de 4 a.C. a 34 d.C.; Lisânias (data incerta); Caifás foi sacerdote entre 19 e 36 d.C.

Pouco tempo depois de João Batista ter iniciado sua missão de anunciar a vinda do Messias, Jesus teria sido batizado e dado início ao seu ministério. Pelo cálculo romano o décimo quinto ano de Tibério foi de 19 de agosto do ano 28, até 19 de agosto do ano 29 d.C. O cálculo sírio coloca entre setembro/outubro de 27 a setembro/outubro do ano 28. Assim, parece correto fixar o ano 28 ou 29, como o ano em que Jesus começou sua vida pública. Segundo Flávio Josefo em Antiguidade Judaica, volume XV (11:2), o início da reconstrução do templo de Jerusalém foi no ano de 19 a.C. Calculando quarenta e seis anos, chega-se a Páscoa do ano 28 d.C.

A festa da Páscoa caía no 15º dia do sétimo mês do calendário israelita (março, abril). Apenas nos anos 28 e 33 a Páscoa coincidiu com o sábado.

– o que registram as obras espíritas

O Capítulo III do livro Paulo e Estevão, escrito pelo médium Francisco Cândido Xavier, apresenta Emmanuel (autor espiritual) assinalando o seguinte diálogo entre Simão Pedro e Jeziel no final do ano 34:

– E o Messias? Onde está o Messias?

– Há mais de um ano – exclamou o Apóstolo apagando a vivacidade com a lembrança triste – foi crucificado aqui mesmo em Jerusalém, entre os ladrões.

O livro Há dois mil anos, faz também a mesma referência.

Conclusões

Há muitos indícios que Cristo deve ter nascido no ano de 749 da fundação de Roma, quatro anos portanto, antes da data tradicional atribuída pelo Monge Dionísio. O dia e o mês são ainda desconhecidos. A data de 25 de dezembro foi escolhida na época de Constantino, aproveitando-se a comemoração do solstício de inverno no oriente e o “renascimento do sol” no mediterrâneo. Aliando as informações de Emmanuel à história, concluímos que Jesus morreu na tarde do dia três de abril, sexta feira, do ano 33, com trinta e seis ou trinta e sete anos. O seu ministério durou do ano 28 a 33.

Bibliografia histórica

História do Cristianismo. Jesus Donini, Ambrogio.Volume I Edições 70 (Pág. 286) Editora Jornal do Brasil (pág. 148)

História de Roma. Giordani, Mário C. Vozes, 9ª edição (pág. 312)