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Obsessões e Possessões

Obsessões e Possessões

Palestra Virtual
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Palestrante: Joaquim Couto
Rio de Janeiro/RJ
07/04/2000

Organizadores da palestra:

Moderador: “Luno” (nick: [Moderador])
“Médium digitador”: André Alcântara (nick: Joaquim_Couto)

Oração Inicial:

<jaja> Senhor Jesus, aqui estamos nós, reunidos mais uma vez, procurando buscar um melhor entendimento para as questões que envolvem os espíritos e suas relações com o mundo material. Ajuda-nos neste esclarecimento, ajudando-nos a ter a atenção focada no estudo em curso, fazendo com que sejam inspiradas perguntas que facilitem o esclarecimento que se torne necessário.

Abençoe e proteja nosso companheiro Joaquim. Que os amigos da espiritualidade possam inspirá-lo nesta noite, para que tudo saia conforme o programado pelo Alto. Abençoe a todos os companheiros aqui presentes e que possamos todos ter uma noite de aproveitamento para nossas almas. Que a tua paz esteja entre nós. Que em teu nome, em nome de Deus e da espiritualidade amiga que dirige este nosso trabalho, possamos considerá-lo iniciado. Que assim seja!

Considerações Iniciais do Palestrante:

<Joaquim_Couto> Boa noite a todos!

Da Obsessão e da Possessão:

“O Livro dos Espíritos”, perg. 459: “Influem os espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?”

Respondem os espíritos: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

Em “O Livro dos Médiuns”, no Capítulo “Da Obsessão”, vemos a definição: “É o domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Só é praticada por espíritos inferiores.”

Variedades da obsessão: obsessão simples, fascinação e subjugação.

Ela pode ocorrer da seguinte forma: desencarnado sobre encarnado, desencarnado sobre desencarnado, encarnado sobre desencarnado, encarnado sobre desencarnado e auto-obsessão (formas pensamentos, idéias fixas).

A Possessão é a subjugação no seu mais alto grau.

Estamos abertos para perguntas. (t)

Perguntas/Respostas:

<[Moderador]> [01] <CarlosImbassahy> Considerando que, muito antes de Kardec escrever “O Livro dos Médiuns” e de abordar a obsessão mediúnica, já a psicologia clássica estudava os diversos processos obsessivos causados por agentes materiais, por que os espíritas que abordam o tema relativo à desobsessão teimam em ignorar esse importante estudo e só admitir as obsessões mediúnicas? Falta de conhecimento? Fanatismo? Ou algum outro motivo?

<Joaquim_Couto> A falta de um estudo mais aprofundado dos processos obsessivos pode nos levar a ver a manifestação da obsessão apenas em seu aspecto espiritual. Sofremos influenciação do meio em que vivemos, das pessoas, dos espíritos, de nós mesmos (idéias fixas, paixões, etc.) que criam situações de sofrimento ou alegria, de paz ou tormento em nossa vida. Nem sempre existe junto de nós espíritos nos assediando. Muitas vezes imputamos a eles a culpa de nossos desequilíbrios, quando a causa deles se encontra no nosso proceder dentro da vida. (t)

<[Moderador]> [02] <CarlosImbassahy> As obsessões correlatas com idéias de perseguição são obrigatoriamente espirituais? Não existem os processos clássicos obsessivos?

<Joaquim_Couto> O processo obsessivo nem sempre tem conotação com atuação de espíritos desencarnados sobre nós. Sofremos assédios dos pensamentos que os outros encarnados projetam de si, da mesma forma como influenciamos os outros com os nossos pensamentos e atitudes. Mas, se por trás dessas manifestações, podemos encontrar mentes encarnadas e desencarnadas influenciando-se mutuamente, também somos influenciados pelas vibrações que emanam dos seres menos evoluídos e da própria matéria que nos envolve, quer estejamos encarnados ou desencarnados. (t)

<[Moderador]> [03] <CarlosImbassahy> Como encarar o caso de pessoas que se perturbam pelo simples fato de ouvirem determinados ruídos? Não seria a própria reação psíquica deles? Por que ter que achar que tudo não passa de ação de desencarnados?

<Joaquim_Couto> Consideramos que tais pessoas sejam muito impressionáveis ou crédulas demais. Precisamos separar o que seja fenômeno puramente material (ruídos) dos fenômenos espirituais. Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, nos recomenda usar de BOM SENSO ao nos depararmos com os fenômenos e só dar crédito a eles após um exame criterioso dos mesmos. (t)

<[Moderador]> [04] <Cristina> A presença e trabalho espiritual de espíritos de falanges de “pretos velhos e caboclos” dentro de uma reunião de desobsessão com disciplina e orientação espirita (esses trabalhos a que me refiro não tem nenhum tipo de ritual, uso de coisas materiais, etc.), pode descaracterizar o trabalho?

<Joaquim_Couto> Não descaracteriza o trabalho na Casa Espírita, já que esses espíritos estarão seguindo a orientação dos Mentores dirigentes da Casa ou do trabalho que esteja sendo realizado.

Na Umbanda eles se manifestam segundo os rituais e práticas comuns nessa seara. Mas junto ao Espiritismo, temos observado nos trabalhos mediúnicos um comportamento bem diferenciado dessas entidades. Exercem eles um papel bem interessante nos trabalhos de desobsessão e de cura, já que muitos deles guardam conhecimentos das plantas com propriedades curativas onde podemos citar o exemplo de André Luiz e Narcisa no Livro “Nosso Lar”, buscando recursos fluídicos junto as mangueiras e eucaliptos para atender a um enfermo encarnado, seguindo a orientação de entidades espirituais ligadas à natureza. (t)

<[Moderador]> [05] <lflavio> Como reconhecer o processo de subjugação já instalado?

<Joaquim_Couto> Quando observamos o obsidiado sem forças físicas e morais para resistir ao assédio do obsessor, deixando-se levar por sua influenciação agindo de acordo com a vontade dele. (t)

<[Moderador]> [06] <tito-sp> Até que ponto pode chegar uma obsessão (conseqüências)?

<Joaquim_Couto> Ao tipo de subjugação mais grave que é a possessão considerada de difícil tratamento para o subjugado, levando o obsidiado a comportamentos estranhos e, muitas vezes, vexatórios para ele. (t)

<[Moderador]> [07] <lflavio> Qual a melhor forma de conduzir o tratamento da subjugação?

<Joaquim_Couto> Tratar o subjugado com passes e lições moralizadoras. Recorrer aos passes magnéticos para fortalecimento físico do encarnado. Através da evocação, colocar o espírito obsessor junto ao médium de incorporação para que o mesmo possa, através da conversação, ser esclarecido, orientado para o bem. (t)

<[Moderador]> [08] <_Clarice_> O que é conhecido na psiquiatria como síndrome do pânico pode ser uma forma de obsessão?

<Joaquim_Couto> Pode ser um processo de enfermidade do espírito encarnado, como também uma atuação de espírito desencarnado sobre o encarnado, alimentando na mente dele essa sensação de pânico que pode ter sido detonada através de alguma ação sofrida pelo encarnado em sua existência atual ou pretérita. (t)

<[Moderador]> [09] <lflavio> Pode a subjugação ser praticada também de encarnado para encarnado?

<Joaquim_Couto> Qual a diferença entre nós, encarnados, e os desencarnados? Somos todos espíritos imortais, atuando constantemente com os nossos pensamentos e sentimentos uns juntos dos outros. Logo, se pode ocorrer esse processo de um desencarnado sobre o encarnado, o mesmo poderá acontecer entre dois espíritos encarnados e que um, pela força de seu pensamento e de seu magnetismo, poderá dominar o outro. (t)

<[Moderador]> [10] <lflavio> Um tratamento desobsessivo de casos de subjugação tem um prazo para ser concluído? Como agir quando o espirito obsessor encontra-se totalmente refratário?

<Joaquim_Couto> A cura dos nossos males temos dentro de nós, que se chama vontade. O prazo para alcançarmos essa cura estará na medida da vontade que alimentará a perseverança para alcançá-la. A nossa vontade, somada ao apoio espiritual/magnético dos benfeitores e amigos, muito nos ajudarão a alcançar esse objetivo.

Com relação ao espírito ser refratário totalmente à palavra do bem, não aceitando as ponderações em torno da necessidade do perdão e do esquecimento da falta, o mesmo de outros objetivos menos dignos, nos leva a refletir da necessidade de doarmos a esse companheiro, acima das nossas palavras, traduzindo cultura e conhecimento, a força do amor que sabe compreender tal comportamento e, mesmo assim, não deixa de ser doado em benefício do espírito ainda temporariamente endurecido no mal. (t)

<[Moderador]> [11] <_Clarice_> O tratamento na casa espírita, paralelo ao da medicina, poderia então ajudar ao portador da síndrome do pânico?

<Joaquim_Couto> Sim. Temos observado muitos companheiros obterem melhoras aliando o tratamento médico ao tratamento espiritual, mas ressaltamos da necessidade de esclarecer ao companheiro que “milagres” não existem e a cura total será alcançada através da vontade e perseverança na transformação dos pensamentos e sentimentos que alimentam essa síndrome. (t)

<[Moderador]> [12] <Luno> Visto que para tudo há uma explicação, qual seria o porquê de uma obsessão? O que leva um espírito a obsidiar alguém, e onde esta a necessidade de uma pessoa passar por um processo de obsessão?

<Joaquim_Couto> Grande parte dos processos obsessivos residem nos problemas morais que, através dos tempos, temos somado ao nosso patrimônio espiritual. As causas variam de acordo com as faltas cometidas. Muitos espíritos aproximam-se dos encarnados por inveja do bem que já fazem, procurando atrapalhar, de alguma forma, o caminho desses companheiros. Outros espíritos buscam, através da obsessão, vingar-se das faltas cometidas pelo obsidiado nesta ou noutra existência e alguns outros espíritos, por completa ignorância do bem e da sua situação no plano espiritual, após a morte do corpo físico, podem se aproximar de encarnados aparentemente com o propósito da obsessão, quando, em realidade, em seus corações não existe tal objetivo.

Encontramos também espíritos que, sem nenhuma ligação pessoal, aproximam-se do encarnado pelo simples prazer de lhes causar algum tipo de perturbação ou sofrimento. Segundo as causas apresentadas para a atuação dos espíritos inferiores junto ao encarnado no processo de obsessão, observamos, então, que, nós, encarnados, passamos por esse processo porque estamos encarnados no mundo de provas e expiações, aonde o mal predomina. A medida que nos tornamos espíritos mais moralizados e plenamente identificados com a mensagem do Cristo, a obsessão deixará de existir em nosso mundo. Por que todos nós, encarnados e desencarnados, teremos uma visão diferenciada da vida. (t)

<[Moderador]> [13] <lflavio> Pode haver uma subjugação no grupo de desobsessão, de forma que um espirito tome conta da reunião?

<Joaquim_Couto> Estamos cercados por espíritos que desejam comunicar-se com os homens. Tal coisa poderá acontecer num grupo aonde não se observe os quesitos necessários para um trabalho mediúnico com responsabilidade e vigilância, aliada à oração e ao estudo permanente das obras da Doutrina Espírita. Alimentando em nossos corações a humildade, buscando sempre reconhecer, através dos sinais que os espíritos inferiores deixam passar, a presença deles dentro do grupo e rogar a Deus a proteção necessária dos bons espíritos para que estejamos a salvo dessas interferências.

Os bons espíritos estão sempre a postos no trabalho do bem, esperando de nossa parte, a cooperação através do silêncio, da prece, da concentração e do sentimento de caridade em nossos corações. (t)

<[Moderador]> [14] <Luno> Seria possível diferenciar com precisão o processo de obsessão de um processo biológico de loucura? Em outras palavras, como saber se alguém sofre de esquizofrenia, por exemplo, ou se está passando por um processo de obsessão?

<Joaquim_Couto> Se não temos no quadro genético da criatura o gérmen da loucura, se não observamos junto aos familiares esses mesmos sintomas e se o companheiro, até então, apresentava um comportamento equilibrado, poderemos, não dispensando o atendimento médico, buscar através de um médium experimentado e seguro, a orientação de um espírito com real capacidade para nos orientar no melhor tratamento a ser dispensado nesse caso. (t)

<[Moderador]> Duas perguntas relacionadas: [15] <_Clarice_> É possível tomarmos por obsessão uma cobrança da nossa própria consciência culpada? [16] <Luno> Seria este um processo que poderia ser chamado de auto-obsessão?

<Joaquim_Couto> Muitas obsessões começam por esse problema chamado consciência culpada. Começamos a plasmar em torno do campo fluídico que nos envolve as imagens de situações ou atos, muitas vezes indefinidos, na atual experiência reencarnatória, mas que nos assaltam, originando desconforto psíquico que acaba por atingir o nosso corpo físico, gerando determinadas enfermidades.

Nesse momento, a par de contarmos com a assistência de amigos espirituais, poderá ocorrer a aproximação de um espírito inferior, atraído por essas imagens projetadas e ele, utilizando seus recursos magnéticos, ampliar em nós esse sentimento de culpa sobrecarregando-nos o psiquismo. (t)

<[Moderador]> [17] <Roni_RJ> Pode um espírito encarnado que mantém laços muito fortes com um outro encarnado ao desencarnar manter uma espécie de obsessão involuntária? Íncubos e súcobos?

<Joaquim_Couto> Sim. Isso pode ocorrer, principalmente quando a pessoa não tenha aprendido a amar sem apego ou sentimento de posse. Observamos que tal comportamento não se deve as causas clássicas da obsessão, mas sim, fruto da ignorância em que muitos ainda estão mergulhados acerca das verdades espirituais. (t)

<[Moderador]> [18] <Luno> Um médium ostensivo estaria mais sujeito aos efeitos de uma obsessão que alguém não portador desta faculdade?

<Joaquim_Couto> Todos estamos sujeitos a sofrer processo obsessivo, sejamos médiuns ostensivos ou não. O problema reside em nosso atraso não intelectual, mas sim, moral, que permite que ainda em nosso mundo ocorram tantos processos obsessivos. A mediunidade nos revelou a existência dos espíritos e a sua ação sobre a humanidade encarnada. (t)

<[Moderador]> [19] <lflavio> De um processo de obsessão simples pode-se chegar à subjugação?

<Joaquim_Couto> Sim. E temos isso bem explicado em “O Livro dos Médiuns”. Na obsessão simples o encarnado tem plena consciência da atuação ou interferência do espírito inferior sobre si. Se ele se deixar envolver ou dar crédito a esse espírito, poderá passar dessa variedade de obsessão para a fascinação ou subjugação. Lembramos que todos nós temos o livre-arbítrio ou direito de escolha e podemos optar pelas companhias espirituais com as quais nos identificamos. (t)

Considerações Finais do Palestrante:

<Joaquim_Couto> Diante dos processos obsessivos, devemos sempre nos lembrar do exemplo de Jesus Cristo diante dos quadros obsessivos que constantemente surgiam em seu caminho. A palavra de libertação, o apoio magnético e a vibração de seu imenso amor por todos nós. (t)

Oração Final:

<claralice> Boa noite amigos! Neste momento nos preparamos mental e espiritualmente para agradecermos ao amigo que aqui esteve realizando este trabalho e também ao Mundo Espiritual Superior, que nos favoreceu com o auxílio espiritual para que nossa capacidade de compreensão e discernimento fosse ampliada. Dirijamo-nos em pensamentos de paz, fraternidade e amor aos amigos do Mundo Maior e também a Deus, nosso Pai Criador e a Jesus, nosso Amigo de todas as horas, agradecendo-lhes os ensinos desta noite e também a presença generosa dos benfeitores espirituais junto de nosso irmão palestrante e de todos que aqui estiveram. Que estes momentos de luz para nós, espíritos em processo de evolução, possam merecer-nos consideração, reflexão e exercício em nossas atividades diárias.

Rogamos a Deus que muitos outros momentos como este possam ser oportunizados a todos quanto necessitam de esclarecimento, aprendizado e luz. Que possamos agora nos despedir sob essa proteção amorosa e que possamos partilhar a Paz de Jesus com todos nossos semelhantes, hoje e sempre. Assim seja!

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