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Os sãos não precisam de médico

a

Os sãos não precisam de médico

 

Sofrimento (provas e
expiações)
b) Sentimento (desejo do espiritual)
“Jesus
dirigia-se, sobretudo, aos pobres e deserdados, pois eles são os que
mais necessitam de consolação; e aos cegos e humildes e de boa fé,
porque eles pedem que lhes abram os olhos. Não aos orgulhosos, que
crêem possuir toda a luz e não precisar de nada”(Allan Kardec, em “O
Evangelho Seg. Esp., XXIV; 11 e 12).

“Se alguém quiser me seguir,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois o que quiser
salvar a sua vida, perdê-la-á ; mas o que perder sua vida por amor
de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois de que aproveitará ao homem
ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma” (Mateus, XVI; 24 a 26)

Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma
lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.

Os sãos não precisam de médico

O objetivo desta palestra é mostrar ao público a importância dos ensinos de
Jesus e da Doutrina na vida daqueles que praticam o erro. Embora todos nós
sejamos imperfeitos, há pessoas que acreditam serem auto-suficientes, que não
erram jamais. Fale ao público que esse pensamento distorcido é próprio do
orgulho que temos em nosso espírito. Com isso, lembre que o grande mal que
assola a humanidade não é a falta de dinheiro e sim a ignorância em relação às
coisas de Deus. O homem passa a viver como se já não precisasse de mais nada,
além do comer, beber, fazer sexo, divertir-se. Para estes, lembra Jesus, não é
chegada a hora do ensinamento de Deus. Mas sim, para aqueles que já se
conscientizaram da condição de imperfeitos e que buscam a verdade espiritual.
Após esta introdução, passe para a passagem da vida de Jesus abaixo.

“E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem,
chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.
E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos
e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos.
E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso
Mestre com os publicanos e pecadores?
Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os
doentes.
Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício.
Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.”
Evangelho de Mateus, IX; 9 a 13

Se possível, memorize a passagem e conte-na aos ouvintes. Se não conseguir,
leia-a, com calma e boa dicção. Depois, mostre ao público o sentido do ocorrido.
Primeiro, a modéstia e humildade de Jesus. Ele, o espírito mais superior que já
esteve entre nós, fazia questão de sentar-se junto a homens considerados
pecadores (explique quem eram os publicanos, profissão de Mateus; homens
incumbidos de colher os impostos do povo judeu para entregar aos romanos.
Geralmente, eram pessoas judias, como o próprio Mateus. Por este motivo, eram
consideradas impuras pelos judeus e malditas). Por isso, lembre ao público a
importância de nos comportarmos como Jesus, não desprezando os que nos são
inferiores moral, intelectual ou financeiramente.
Depois, a perspicácia de Jesus, que percebeu o tom de voz irônico dos fariseus
(explique quem eram os fariseus; classe religiosa dominante na época, inimiga de
Jesus, pois o Mestre acusava-os, pelo menos a maioria deles, de falarem em Deus
mas não seguirem seus ensinamentos). Jesus, então, mostrou que veio ao mundo
para atender aos enfermos. Não apenas aos enfermos do corpo, mas principalmente
aos enfermos do espírito. Ou seja, todo aquele que erra, que se conscientizou de
seu erro, e que busca o arrependimento, com humildade.
Aos sãos, que na verdade pensam que o são, pois todos temos nossas doenças da
alma (imperfeições); estes, Jesus afirma que não veio para eles, pois ainda não
é chegado o seu tempo. Mostre ao ouvinte que a pessoa para entender os ensinos
do Cristo, da Doutrina Espírita, precisa estar primeiramente com vontade de
aprendê-los. Senão, de nada adiantará, pois o espírito precisa estar amadurecido
para tal.
Então, explique as formas pelas quais o espírito amadurece e fica apto a
conhecer a verdade espiritual. Divida a explicação como se segue abaixo:

a) Sofrimento (provas e expiações)
b) Sentimento (desejo do espiritual)

  1. Através dos sofrimentos o ser passa a encarar a vida de forma diferente.
    Com a dor, percebemos que não estamos na vida para brincar, mas para
    progredir. Ao agirmos contra a lei de Deus, estamos sujeitos a sofrermos em
    nós mesmos nossos atos errados. São as expiações, a colheita da plantação que
    fizemos.
    Além disso, temos em nossa vida as provas, situações que nos são colocadas
    para aprendermos a ter paciência, resignação, força de vontade. E muitas vezes
    estas provas são difíceis de passarmos.
    Com as provas e expiações passamos a valorizar a vida. E como elas são
    produtos de nossas necessidades, evoluímos através delas, tendo a condição de
    ouvirmos algo novo, além do matéria. É a hora de conhecermos Jesus e a
    Doutrina Espírita. É a dor criando algo de bom: o arrependimento e a busca
    pela melhoria.
  2. Mas há pessoas que conseguem buscar o amadurecimento espiritual sem o
    sofrimento. São pessoas que apenas a matéria não mais satisfaz. Sentem a falta
    de algo mais, um conhecimento além. Este sentimento leva-as ao desejo do
    espiritual, ou seja, aprender o que há além da parte material. Nestes, também
    é chegada a hora de conhecer sobre a Doutrina Espírita e Jesus.

Para completar estes raciocínios, leve o público a ler a passagem abaixo,
mostrando que os pensamentos de Jesus e Kardec andam de mãos dadas:

“Jesus dirigia-se, sobretudo, aos pobres e deserdados, pois eles são os
que mais necessitam de consolação; e aos cegos e humildes e de boa fé, porque
eles pedem que lhes abram os olhos. Não aos orgulhosos, que crêem possuir toda a
luz e não precisar de nada”(Allan Kardec, em O Evangelho Seg. Esp., XXIV; 11 e
12).

Sim, Jesus, como na passagem inicial, só pode ensinar quem quer aprender.
Quem tiver a coragem de querer que seus olhos sejam abertos, ou seja: deixar o
orgulho de lado, entender-se como cego espiritual (que não conhece a verdade) e
colocar-se humildemente em posição de aprendizado.
Se o homem tiver o orgulho junto a si, como compreenderá as coisas de Deus?
Fale, com ênfase, que é a nossa hora de buscarmos o conhecimento. Que a fé em
Deus deve fazer com que estejamos prontos em corrigir os próprios defeitos e
buscar a compreensão. Deixar nossos interesses materiais um pouco de lado e
dedicarmo-nos em benefício do próximo e de nosso auto-conhecimento.
Leia, então, para finalizar, a passagem abaixo:

“Se alguém quiser me seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e
siga-me. Pois o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á ; mas o que perder sua
vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois de que aproveitará ao
homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma” (Mateus, XVI; 24 a 26)

Em tom calmo e sereno, fixe o olhar no público, e diga que está em nossas
mãos o caminho que queremos seguir. Negar-se a si mesmo é entender que não somos
o centro do universo. Que devemos buscar nossa melhoria material, nosso
conforto, mas este não deve ser o principal objetivo da vida. Caso contrário,
nossa existência será totalmente voltada à matéria, e mesmo que ganhemos muito
com isso financeiramente, estaremos arriscados a perder o que de mais valioso
viemos buscar nesta encarnação: o conhecimento espiritual e a prática do bem ao
próximo. Diz Jesus que devemos “perder” a nossa vida. Não que devemos nos
transformar em alienados, que rezam o dia todo. Devemos viver no mundo e cumprir
nossas obrigações sociais e profissionais da melhor maneira possível. Mas
devemos ter tempo suficiente para buscar nosso aprendizado espiritual.
Assim, estaremos alimentando nossa alma com o que realmente a satisfaz: o
progresso moral e intelectual, objetivo principal de nossa existência terrena.

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