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Pena de Morte

Pena de Morte

“O Livro dos Espíritos” – Questões 760 a 765

Estudo Espírita
Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Expositor: Aparecida Cruz
Rio Janeiro – RJ
20/04/2002

Dirigente do Estudo da Noite:

Flavio Mendonça – MeiPB

Oração Inicial:

<Dourado-sp> Pai de amor e infinita bondade e misericórdia!!! Te pedimos a Tua proteção espiritual nestes momentos de oração Rogamos a presença dos espíritos elevados interessados na elevação espiritual dos encarnados e desencarnados aqui presentes Pai!
Dai-nos a tua compreensão no tema de hoje Dai-nos o esclarecimento para que possamos abrir nossos horizontes espirituais. Que os fluidos de amor e de paz possam encher os nossos corações, nossos lares e ambientes de trabalho. Que possamos ter uma noite cheia de Tua Glória Que possamos ser inspirados e que a reunião transcorra na paz e no amor Obrigado Pai !!!

Mensagem Introdutória:

PENA DE MORTE

Todos os fundadores das grandes instituições religiosas, que ainda hoje influenciam ativamente a comunidade humana, partiram da Terra com a segurança do trabalhador ao fim do dia. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração. Moisés, ancião, expira na eminência do Nebo, contemplando a Canaã prometida. Sidarta, o iluminado construtor do Budismo, depois de abençoada peregrinação entre os homens, abandona o corpo físico, num horto florido de Kuçinagara. Confúcio, o sábio que plasmou todo um sistema de princípios morais para a vida chinesa, encontra a morte num leito pacífico, sob a vigilância de um neto afetuoso.

E, mais tarde, Maomé, o criador do Islamismo, que consentiu em ser adorado pelos discípulos, na categoria de imortal, sucumbe em Medina, dentro de sólida madureza, atacado pela febre maligna. Com Jesus, entretanto, a despedida é diferente. O divino fundador do Cristianismo, que define a Religião Universal do Amor e da Sabedoria, em plena vitalidade juvenil, é detido pela perseguição gratuita e trancafiado no cárcere. Ninguém lhe examina os antecedentes, nem lhe promove recursos à defensiva. Negado pelos melhores amigos, encontra-se sozinho, entre juízes astuciosos, qual ovelha esquecida em meio de chacais. Aliam-se o egoísmo e a crueldade para sentenciá-lo ao sacrifício supremo. Herodes, patrono da ordem pública, chamado a pronunciar-se em seu caso, determina se lhe dê o tratamento cabível aos histriões.

Pilatos responsável pela justiça, abstém-se de conferir-lhe o direito natural. E, entregue à multidão amotinada na cegueira de espírito, é preferido a Barrabás, o malfeitor, para sofrer a condenação insólita… Cristãos de todas as interpretações do Evangelho e de todos os quadrantes do mundo, atentos à exemplificação do eterno benfeitor, apartai o criminoso do crime, como aprendestes a separar o enfermo da enfermidade!

Educai o irmão transviado, quanto curais o companheiro doente! Desterrai, em definitivo, a espada e o cutelo, o garrote e a forca, a guilhotina e o fuzil, a cadeira elétrica e a câmara de gás dos quadros de vossa penologia, e oremos, todos juntos, suplicando a Deus nos inspire paciência e misericórdia, uns para com os outros, porque, ainda hoje, em todos os nossos julgamentos, será possível ouvir, no ádito da consciência, o aviso celestial do nosso Divino Mestre, condenado à morte sem culpa: – “Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra!”

Emmanuel
Do Livro: Religião dos Espíritos
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
Editora: FEB

Exposição:

<Aparecida_Cruz> O tema de hoje além de ser bastante atual, com certeza tem deixado cada um de nós com sentimentos de dúvida sobre que opinião dar quando somos convocados a falar sobre o destino que deverá ser dado aos assassinos. Se para a sociedade como um todo existe a idéia amplamente divulgada de que “Bandido bom é bandido morto”, nós, os espíritas, que conhecemos, através da literatura espírita os diversos depoimentos de espíritos que se encontraram após a sua morte através da pena de morte em estado de extrema revolta, quando outros conseguem, com algum custo, após este sofrimento, recuperarem-se mentalmente reconhecendo o grande erro que cometeram.

Recomendamos a leitura do Livro “O Céu e o Inferno”, no capítulo que trata Dos Criminosos Arrependidos, que são depoimentos desses mesmos espíritos. Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, trás as perguntas que todos nós faríamos à espiritualidade superior sobre esse tema que tanto nos atinge. Na questão 760, ele pergunta se um dia desaparecerá da legislação humana a Pena de Morte, e os espíritos respondem que: “Incontestavelmente ela desaparecerá, e isso assinalará o progresso da humanidade, e isso se dará numa época ainda muito distante de nós, quando os homens não precisarem mais serem julgados pelos próprios homens”. Na questão 761, ele pergunta se a Lei de Conservação, dando ao homem o direito de preservar a própria vida, “também não dá ao homem o direito de eliminar um elemento perigoso da sociedade?”

E os espíritos respondem: Que há outros meios de ele se preservar do perigo, que não matando e que é preciso abrir, e não fechar ao criminoso, a porta ao arrependimento. Na questão 764, Kardec usa as palavras de Jesus: “Quem matou com a espada, pela espada perecerá” e pergunta: “Se essa afirmativa do Cristo não consagra a pena de Talião, e assim a morte do assassino não constituir uma aplicação dessa pena?” E os espíritos nos recomendam: “Cuidado”, afirmando que: “A pena de Talião é a Justiça de Deus. É Deus quem a aplica”.

E os espíritos terminam dizendo: “Jesus também não nos disse: ‘Perdoai os vossos inimigos’ e não nos ensinou a pedir perdão a Deus por nossas ofensas como houvermos perdoado a do nosso próximo?” O item termina com a pergunta sobre a pena de morte imposta em nome de Deus, e os espíritos nos respondem que: “É tomar o homem o lugar de Deus na distribuição da justiça”, e finaliza dizendo: “A pena de morte é um crime quando aplicada em nome de Deus, e os que a impõem, se sobrecarregam de outros tantos assassínios. Vamos então concluindo que em nenhum momento na Lei de Deus encontramos a idéia de que alguém reencarne para retirar a vida de outra.

Ainda que seja um juiz.
Que nós, os espíritas, imbuídos desses ensinamentos, possamos ter a coragem de defender a idéia espírita quando solicitados a falar sobre este assunto e, conforme as estatísticas feitas nos países onde esta lei é aplicada os crimes não diminuíram. Com relação a isso, fica claro para todos nós a ineficácia da mesma, ainda que, conforme seus defensores, venha ela servir para atemorizar os que pensam em cometer algum crime. Que todos nós, conforme a palavra do espírito Dr Herrmann, dada hoje em nossa reunião pública, aqui no CELD, possamos falar sempre do amor à vida, aonde estivermos e que nas instituições educacionais este tema venha a ser desenvolvido amplamente. (t)

Perguntas/Respostas:

01 <DaNieLL> Obrigado, gostaria de pedir a expositora que explane um pouco quanto a aplicação da pena de talião quando os espíritos dizem que é a justiça de Deus. Como pode se aplicar à pena de morte?

<Aparecida_Cruz> A pena de Talião foi usada na Antigüidade, onde o homem era punido exatamente conforme o crime que cometera. Quando os espíritos dizem a Kardec que: “A Pena de Talião é a Justiça de Deus. É Deus que aplica”, é que nossos atos ficam registrados em nossa própria consciência… Conforme amadurecemos espiritualmente, chega um momento em que arrependidos solicitamos que venhamos a passar pela mesma dor, para assim nos sentirmos quites com a Lei de Deus.

É claro, que na aplicação da Lei de Deus, há atenuantes e agravantes, ou seja, conforme o espírito tenha atingido um certo grau de progresso, a aplicação desta pena será atenuada ou resgatada de uma forma mais feliz realizando ele, em uma encarnação planejada para isso um bem a uma pessoa, individualmente, ou a uma coletividade. Por exemplo: Alguém que tenha aplicado seus conhecimentos para tirar a vida de outrem se arrepender sinceramente e tiver méritos para isso, poderá reencarnar com um médico para salvar vidas. (t)

02 <Maethorin> Hoje em dia, aquele que executa uma ordem de matar, tem mais facilidade para entender que tirou uma vida humana.. Mas como fica a situação, no Plano Espiritual, de um carrasco, na Idade Média, que desencarna com várias mortes em sua conta, mas sem o conhecimento de que errara, pois estava cumprindo uma Lei?

<Aparecida_Cruz> Quando um homem é constrangido pela força a tirar a vida de outrem, dizem os espíritos na questão 749, que: “Ele não leva essa culpa, mas que responde pela crueldade que cometa, sendo-lhe, também, levado em conta, o sentimento de humanidade com que proceda. (t)

03 <luzes> O sentimento de “bandido bom é bandido morto” não teria sua razão no instinto de preservação nosso, da nossa segurança, então como um policial deve fazer na sua prática, deveria usar armas para paralisar apenas, ou algo diferente do que é usado? (t)

<Aparecida_Cruz> O policial que seja um homem de bem vai sempre ver no bandido alguém que poderia ser seu próprio filho. É bem verdade que isso está um pouco distante da nossa realidade. Ainda sim, podemos lembrar depoimentos de policiais, feitos na mídia, que tentam de alguma forma preservar a vida e também alguns países onde os policiais são especialmente treinados para preservar, de todo modo, a vida do infrator. Enquanto não existirem “armas para paralisar apenas”, poderíamos dizer com Emmanuel: “Aquele que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”.

Recomendamos também a leitura da questão 748, de O Livro dos Espíritos, onde Kadec pergunta aos espíritos, se “Em casos de legítima defesa, escusa Deus o assassínio?” Resposta: “Só a necessidade o pode escusar. Mas, desde que o agredido possa preservar sua vida, sem atentar contra a de seu agressor, deve fazê-lo”. Fica claro para nós que é uma questão de consciência íntima. (t)

04. <Mei_PB> Aparecida_Cruz quais as conseqüências para o assassino, no caso o estado, e para o réu ?

<Aparecida_Cruz> A qual estado você se refere… Ao Estado, governo??? <Mei_PB> Isso
<Aparecida_Cruz> Segundo a Doutrina Espírita aquele que dá a ordem para a pena de morte cometeu um crime. É claro que, também aí, haverá atenuantes e agravantes e isso, em cima do raciocínio seguinte: com que sentimento foi dado esse veredicto. Com indiferença?
Com sentimento de vingança?
Ou com piedade?

Ainda que haja piedade, o responsável responderá perante Deus pela vida do réu. Já que a legislação atual sempre dá ao juiz a última palavra, no mundo espiritual, esses espíritos, conforme já colocamos inicialmente, estarão de acordo com seu grau evolutivo. O réu, se se revoltar, poderá levar muito tempo junto a espíritos sofredores e revoltados. Dependendo de sua vontade sair desta situação. Se se arrepende e reconhece seu erro, será socorrido espiritualmente, tendo a oportunidade de refazer seu caminho espiritual.

O espírito que deu o veredicto por sua vez estará num estado espiritual conforme os sentimento que o tenho levado a tomar esta decisão. Se foi indiferença, responderá pelo desrespeito à lei e ao próximo. Se por vingança, maior será seu sofrimento. Se houver piedade, estando implícito nesse sentimento de piedade algum respeito pelo próximo, estará em situação mais atenuada. Mas, ainda sim, deverá responder por ter lesado uma vida. (t)

<Mei_PB> Bem amigos, agradecemos a amiga Aparecida por ter se disponibilizado a vir expor para nós, mais uma noite de estudos doutrinários.

Oração Final:

<ane-> Senhor Deus
Pai de infinito amor, bondade e misericórdia Dai-nos a cada dia a serenidade e o equilíbrio para continuarmos nossa jornada com nossos melhores propósitos
Dai-nos pureza de sentimentos e estimula-nos a vontade de mudarmos o que ainda necessita de mudança Agradecemos pela grandiosa oportunidade de termos nos encontrado hoje para estudarmos e compreendermos as tuas leis de amor. Que a tua luz se faça em cada um dos corações que ainda não te conhece. Obrigada pela oportunidade que nos dá. Obrigada,Senhor
Assim seja