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Pena de Morte

Pena de Morte

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
e pelo Grupo Rita de Cássia de Estudos Espíritas

Palestrante: Márlio Lamha
Rio de Janeiro
16/10/1998

Organizadores da palestra:

Moderador: “Caminheiro” (nick: Moderador__) “Médium digitador”: “pip” (nick: Marlio_Lamha)

Oração Inicial:

<Faith> Mestre, amado Jesus, amigo de todos as horas, espíritos amigos que nos acompanham e instruem. Agradecemos por mais esta bendita oportunidade de aprendizado e renovação. Que os ensinos da noite não fiquem apenas nas palavras mas penetrem em nossas mentes e nossos corações, proporcionando assim a nossa reforma íntima. Fiquem conosco, hoje e sempre. Graças a Deus!

Apresentação do palestrante:

<Marlio_Lamha> Boa noite, meu nome é Márlio Lamha, milito na doutrina espírita desde 1987 e minha casa base é a Escola Espírita Cristã Maria de Nazaré, com sede no bairro do Leblon, na cidade do Rio de Janeiro.

Considerações iniciais do palestrante:

<Marlio_Lamha> O tema de hoje que a gente se propõe a refletir em conjunto é a pena de morte. É, com certeza, um tema polêmico em que a maioria das pessoas tem uma opinião bastante mutável em relação ao mesmo, dependendo da distância que se encontram mais ou menos envolvidas emocionalmente. Desde os primórdios do homem na Terra, quando as primeiras sociedades quando o homem percebeu que somente unido as seus semelhantes ele encontraria as condições ideais para sua sobrevivência e conseqüentemente sua evolução quando ele precisou dividir seu espaço com outros foi então necessário que se instituíssem regras mínimas de convívio social. A segurança de todo o grupo dependia do cumprimento dessas regras para aqueles membros do grupo que as transgredissem foi então necessário que se criassem punições. A pena de morte é então uma dessas punições no sentido de afastar do grupo os membros que contrariassem seus interesses. Como nós espíritas sabemos que não somos um corpo animado e sim um espírito imortal que habita temporariamente um corpo, a pena de morte, no sentido de afastar do grupo o membro transgressor das regras perde então o seu sentido. Coloco-me agora a disposição dos irmãos participantes dessa reflexão para as perguntas cabíveis dentro do tema.(t)

Perguntas/Respostas:

<Moderador__> [1] <Peterone> O aborto, também, é uma pena de morte, correto?

<Marlio_Lamha> O aborto na realidade é um assassinato de um ser que ainda nem teve tempo de entrar no convívio social, quanto mais de transgredir suas regras, que é punido apenas por querer viver. (t)

<Moderador__> {2] <Faith> Sr. Márlio, observando-se a pena de morte através da ótica da imortalidade da alma, não poderia ser ela uma forma de “liberação” do espírito “criminoso” e permissão para que ele se aliasse a falanges do outro lado e continuasse a cometer crimes, até mesmo piores do que os aqui cometidos?

<Marlio_Lamha> Com certeza. Se a intenção da punição do criminoso é o afastamento do mesmo do convívio social, com a pena de morte só o estaríamos tornando invisível e talvez com uma amplitude de ação muito maior do que tinha quando encarnado.(t)

<Moderador__> [3] <Peterone> Me consta que o Espiritismo é contra a pena de morte. Estou certo?

<Marlio_Lamha> Sim. (t)

<Moderador__> [4] <mada> Fale para nós como fica o espírito dos que sofrem a pena de morte!

<Marlio_Lamha> Depende muito do seu estado evolutivo. Não nos esqueçamos que o senhor Jesus foi condenado também a pena de morte de forma injusta e a mais brutal possível e, nem por isso, deixou de continuar com sua presença amorosa entre nós. Portanto, o estado do espírito na erraticidade será proporcional a seu nível evolutivo o que não livra de responsabilidade os agentes causadores do seu desencarne.(t)

<Moderador__> [5] <LiZziA> como fica aquele que é o instrumento para morte do outro?

<Marlio_Lamha> Ainda que peterone já tenha adiantado parte da resposta, todo ser humano é dotado de livre arbítrio e tem na sociedade amplas possibilidades de escolha dos caminhos. Se toma a direção de um é ele o responsável pelas consequências que possam advir de sua escolha.(t)

<Moderador__> [6] <Faith> A atual crise do sistema carcerário e o alto custo de manutenção de um preso não justificariam a aplicação da pena de morte, visto que as condições em nosso país estão extremamente distantes do que se consideraria justo ou ideal?

<Marlio_lamha> Que a sociedade possa então abrir uma ampla discussão sobre a reforma do sistema carcerário e os meios possíveis de diminuírem os custos do mesmo e não combater um erro com outro erro. Não se limpa uma casa jogando o lixo debaixo do tapete.(t)

<Moderador__> [7] <Flávio> Diante da campanha que se está fazendo atualmente em favor da pena de morte, qual deve ser a postura do Espírita? O que devemos oferecer como contraposição a essa pena?

<Marlio_Lamha> A doutrina espírita nos ensina que o irmão transgressor das regras de convívio social que apela para a violência e se volta contra a sociedade nada mais é do que um companheiro de jornada ainda deixando a desejar na sua evolução moral. Ele está encarnado numa oportunidade concedida pela Divina Providência para sua evolução, compreendendo a sociedade que este companheiro de jornada é um espírito imortal necessitado de ajuda para se enquadrar. Deve a mesma achar em si própria os recursos necessários para reeducá-lo, o que não impede que a sociedade o afaste do seu meio e que possua regras severas para esta reeducação, como nos dizem os espíritos na resposta de “O Livro dos Espíritos” na questão 796.(t)

<Moderador__> [8] <Flávio> A Anistia Internacional tem publicado matérias solicitando que as pessoas escrevam para os governos de países onde há a pena de morte; pedindo seu fim. Não seria o caso de nós Espíritas aderirmos a esse movimento? Nada estaria na hora de assumirmos um compromisso com a vida?

<Marlio_Lamha> Sim.(t)

<Moderador__> [9] <ALuMaSi> Sendo eu médico e médium, gostaria que o palestrante falasse qual será o destino dessas almas que porventura são tiradas dessa forma brutal que é a pena de morte!

<Marlio_Lamha> Creio que já respondi anteriormente que depende do nível evolutivo do espírito e citei o exemplo do senhor Jesus.(t)

<Moderador__> [10] <ALuMaSi> Qual nosso papel como médiuns nessa ajuda que, porventura possamos dar a um desencarnado por pena de morte?

<Marlio_Lamha> Podemos ter e temos um papel muito importante no sentido de ajudar a esses irmãos a se reintegrarem na erraticidade, entendendo que foram vítimas de suas possíveis próprias imperfeições quando encarnados e das imperfeições ainda das leis humanas. Já que o seu processo de educação não foi assumido pela sociedade terrena creio que é nosso papel como médiuns espíritas assumirmos a tarefa de ajudá-lo a se rearmozinar e se pacificar mostrando-lhe novos caminhos e novas oportunidades em sua jornada rumo a felicidade para a qual, como criatura de Deus foi criado. As leis de Deus são de amor e de misericórdia proporcionando a cada uma de suas criaturas os recursos e as oportunidades necessárias para a felicidade que é o nosso objetivo final. Cabe a nós, médiuns, ajudar aos irmãos ainda nos desvios desta lei a compreenderem a finalidade da sua criação.(t)

<Moderador__> [11] <Flávio> O que o senhor pensa de penas alternativas para crimes “leves” como vêm sendo aplicadas em alguns estados de nosso País?

<Marlio_Lamha> Como membro da sociedade acredito que todas as tentativas de reeducação e reintegração dos transgressores das leis de convívio social são válidas, se visem exatamente esta reeducação e reintegração.(t)

<Moderador__> [12] <Flávio> Que relação pode haver entre pena de morte e obsessão?

<Marlio_Lamha> A doutrina espírita nos ensina que somos acompanhados por uma “nuvem” que nos envolve sintonizados com os nossos pensamentos e sentimentos. Nem todo o condenado a pena de morte é transgressor da lei. Muitas vezes o condenado é alguém que vai de encontro aos interesses dos poderes dominantes. Os exemplos de Jesus, Sócrates, Joana D’arc e tantos outros condenados sem culpa demonstram a veracidade desta afirmativa. Com certeza, os apenados e os seus acusadores são espíritos que pensam e que portanto emitem vibrações com sintonias características da qualidade dos seus pensamentos e, com isso, determinam o seu próprio acompanhamento espiritual, que muitas vezes potencializa esse pensamento emitido transformando-o em ações. Maus pensamentos, má sintonia determinam companhias espirituais de baixo teor vibratório, o que pode desencadear um processo obsessivo.(t)

<Moderador__> [13] <Flávio> Pode a pena de morte ser um Karma para um Espírito? Se sim, terá sido Deus a resolver por isso? Se não, terá acontecido por acaso?

<Marlio_Lamha> Quando um espírito se prepara para encarnar sabe o gênero de prova a que se submeterá, porém não sabe se será vitorioso na mesma. Muitas vezes estará por força de suas tendências e imperfeições sujeito a quedas. A doutrina espírita nos ensina também que nunca há fatalismo nos atos da vida moral. O espírito encarnado possui livre arbítrio para escolher os seus caminhos no que diz respeito aos atos da vida moral. Se sucumbe é por que lhe faltou vontade para resistir às suas próprias imperfeições, se sujeitando, portanto, às conseqüências que poderão lhe advir de sua escolha equivocada. O acaso não existe, tudo decorre de uma lei maior conhecida como lei de ação e reação ou de causa e efeito.(t)

<Moderador__> [14] <neeg1> Qual a visão de crime de morte praticado em legítima defesa, dentro da Doutrina Espírita?

<Marlio_Lamha> Tudo depende da intenção. Tirar a vida de alguém é tirar a oportunidade que esse espírito tem de evoluir. Acredito que a lei de conservação nos dá a necessidade de nos mantermos vivos e com saúde para cumprirmos o plano evolutivo que nós mesmos traçamos para nós. E se nos dá esse direito, o dá também a todos os outros seres encarnados. Jesus, modelo pelo qual os homens podem se guiar, conforme resposta dos espíritos na questão 625 de “O Livro dos Espíritos”, ao se ver confrontado pelo poder dominante de sua época e tendo em si como espírito mais evoluído que já encarnou neste planeta as possibilidades de se confrontar com este poder optou por não fazê-lo. Seu exemplo continua a valer até hoje.(t)

<Moderador__> [15] <neeg1> Em alguma, remotíssima hipótese, pode-se justificar a pena de morte?

<Marlio_Lamha> Não. (t)

<Moderador__> [16] <neeg1> Casos há, que criminosos condenados a morte, pedem sua própria execução, alegando que C A S O se veja livre, cometeria novos crimes, pode ser considerado como atenuante para justificar a pena de morte imposta a tal criminoso ?

<Marlio_Lamha> Pode se perceber que este companheiro de jornada não está conseguindo fazer as suas escolhas de forma mais adequada para a sua evolução. Não estamos apregoando a sua liberdade, porém seria muito mais útil a sociedade buscar reeducá-lo vivo do que matá-lo e deixá-lo livre na erraticidade para cometer os mesmos novos crimes que cometeria se encarnado ainda com a agravante de torná-lo invisível e talvez mais forte.(t)

<Moderador__> [17] <neeg1> Podemos equiparar o crime praticado em legítima defesa com o aborto realizado com o objetivo de salvar a mãe (hipótese aventada em “O Livro dos Espíritos”)?

<Marlio_Lamha> A Doutrina Espírita nos ensina que, no caso da mãe correr risco de vida é preferível optar por uma vida que já existe do que por outra que ainda virá a existir. Quanto ao crime praticado por legítima defesa creio já ter respondido anteriormente.(t)

<Moderador__> [18] <neeg1> A pena de morte, imposta a um criminoso (logicamente seria a colheita do plantio anterior), a supressão desta pena, não estaria interferindo em auto-programação feita na espiritualidade, com objetivo de evolução?

<Marlio_Lamha> Ninguém se programa para ser criminoso. Nas programações, o espírito sabe que poderá se confrontar com situações que o levem a considerar a hipótese de cometer um crime (aí esta a colheita), porém é possuidor de livre arbítrio (aí esta sua oportunidade de evoluir) para ceder ou não aos seus impulsos criminosos. Não há fatalidade nos atos da vida moral, por que se houvessem o espírito não seria responsável pelos seus atos.(t)

<Moderador__> [19] <Flávio> O que podemos inferir a partir da filosofia Espírita a respeito da pena de “prisão perpétua”?

<Marlio_Lamha> Alguns pensadores espíritas ligados a área do direito penal têm proposto a pena com duração indeterminada, dependendo a mesma dos sinais de recuperação que o apenado possa dar, ou não. Parece mais consoante com a lei divina que dá ao transgressor a oportunidade do arrependimento e da reparação de suas faltas, dependendo o seu sofrimento do momento em que o mesmo se decida a esta reparação. Parece muito mais justo do que “tabelar” os crimes em durações pré determinadas conforme a legislação atual.(t)

<Moderador__> [20] <neeg1> Márlio, a negação da pena de morte, defendida pela Doutrina Espírita, se justifica exatamente pelo fato de seus adeptos crerem na reencarnação, ou outros argumentos reforçam tal questionamento?

<Marlio_Lamha> Se baseia no espírito imortal criado por Deus para ser feliz e que depende das suas encarnações para chegar a esta felicidade. Interromper este processo sem tentar ajudá-lo é interferir nesta oportunidade que o espírito tem.(t)

<Moderador__> [21] <neeg1> Márlio, a pena de morte era tema defendido na época da primeira revelação. Jesus veio mudar tal conceituação baseado na lei do perdão. Que diferenças caracterizam o pensamento existente na primeira (Moisés) e na segunda revelação (Jesus)?

<Marlio_Lamha> A primeira revelação, ou seja, os dez mandamentos que Moisés recebeu por via mediúnica da espiritualidade superior no seu quinto mandamento diz claramente: Não matarás. E o diz de forma impositiva e sem condicionantes. É preciso separar na legislação mosaica o que é de inspiração da espiritualidade superior do que é legislação humana. Jesus afirmou taxativamente que não veio destruir a lei, porém a lei que ele se referia era a lei de Deus e não a dos homens, como tantas vezes ele a modificou.(t)

Considerações finais do palestrante:

<Marlio_Lamha> Como consideração final é preciso que nós, como membros de uma sociedade, entendamos que o nosso processo evolutivo se faz através do outro. Eu só evoluo por que o outro existe, as encarnações são exatamente os mecanismos da Lei para que esta evolução se efetue. É através dos desafios e dos obstáculos que o homem é arrancado de sua inércia intelectual e moral para os caminhos do crescimento interior, visando a sua felicidade. De todos os tempos têm encarnado em nossa sociedade espíritos elevados que nos servem de mestres na descoberta desse caminho da felicidade. Se espíritos superiores que já habitam em mundos de muita maior elevação do que o nosso de lá vêem para sofrer com alegria as vicissitudes da vida terrena para nos ajudar não teríamos nós obrigações com nossos irmãos ainda nos caminhos dos desvios da Lei? Não seria tarefa nossa como indivíduos e como sociedade ajudar a esses irmãos a se adaptarem ao invés de expulsá-los de nosso convívio? Ainda que mal comparando, já estamos todos despertos para a necessidade de reciclagem do lixo orgânico que produzimos, buscando transformá-lo em matérias-primas recicladas e úteis a sociedade. Não teríamos também que ter a mesma ótica com relação ao nosso lixo moral? Que Jesus abençoe hoje e sempre os nossos esforços de transformação que certamente são sinceros. Paz a todos e com humildade peço desculpas se porventura não atingi as expectativas dos irmãos que me questionaram. (t)

Oração Final:

<CY-FELIZ> Amado Mestre, agradecemos essa linda noite de aprendizado que nos foi dada para nossa caminhada evolutiva aprendendo com nosso irmão que aqui veio ter conosco horas de ensino, amor, de troca de energias. Que o nosso Pai abençoe a todos. Querido irmão: Deus te ilumine! Agradecemos o teu carinho. Paz e muita luz a todos!! Assim Seja!

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