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O porquê da Dor

O porquê da Dor

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante: Carlos Alberto da Silva
Rio de Janeiro
16/01/1998

Organizadores da Palestra:

Moderador: “Dejavu” (nick: |Moderador|) “Médium digitador”: “jaja” (nick: Carlos_Alberto)

Oração Inicial:

<Alves> Senhor. Estamos aqui reunidos, Amado Pai, em nome de Vosso Filho Bem Amado, Nosso Mestre Jesus, para aprendermos um pouco mais das Tuas Leis Divinas. Pedimos a Ti, Pai de Amor, nos ampare e nos proteja. Permita, Senhor, que os Bons Espíritos de nós se aproximem, facilitando o nosso entende-mento. Afasta, Pai, os maus espíritos que poderiam nos induzir ao erro, e, sobretudo, Amado Pai, ilumina o nosso palestrante para que ele seja um instrumento Teu. Sê conosco, Senhor. Assim Seja!

Considerações Iniciais do Palestrante:

<Carlos_Alberto> Nosso boa noite a todos os companheiros de jornada. Que Jesus abençoe a todos nós e que a nossa troca de idéias seja produtiva para ambos os planos, principalmente sobre um tema que aflige a quase totalidade da humanidade.

Perguntas/Respostas:

<|Moderador|> [1] <flavyo> Paulo diz: “Jesus tomou sobre si toda enfermidade, todas as dores”. Então, porque o ser humano encarnado em nosso planeta ainda sofre tanto? Será que não compreendeu a abrangência das atitudes de Jesus? Ou será que falta fé, falta acreditar que podemos não sofrer mais?

<Carlos_Alberto> Lembremos, em “O Livro dos Espíritos” que a nossa evolução atual é de espíritos imperfeitos Sendo assim, tanto a compreensão das leis divinas, como os nossos atos, são imperfeitos. Conseqüentemente, estamos sujeitos às dores que nos afligem. Neste quadro, também podemos considerar que é grande a nossa falta de fé. O próprio Mestre já nos advertia que a nossa fé é menor que um grão de mostarda. Vemos então, a quantidade de ingredientes que temos para os sofrimentos. (t)

<|Moderador|> [2] <franz> Qual é a diferença entre o martírio ou autoflagelo e o sofrimento natural, por exemplo, uma doen-ça perante Deus? São sofrimentos distintos ou são iguais?

<Carlos_Alberto> São sofrimentos distintos. Normalmente, o martírio e auto-flagelo tem a sua cura em uma mudança de postura. A doença física, embora também dependa de uma mudança de postura, pode se alongar além dessa mudança. Vamos exemplificar: O auto-flagelo é uma postura íntima, uma escolha, que pode ser modificada pela ação da vontade. Um câncer, que seria um exemplo de doença física, não dependeria somente da vontade. Quando falamos vontade, estamos falando daquela vontade que costumamos manifestar no nosso dia-a-dia, pois, ainda lembrando o Mestre, de que milagres não seríamos capazes se tivéssemos um pouco mais de fé! (t)

<|Moderador|> [3] <indddia> Por que tanta depressão nos mo-mentos atuais? Por que a humanidade sofre tanto? Falta de fé? Por que tantos jovens se envolvendo com drogas e tentando o suicídio ?

<Carlos_Alberto> Vivemos momentos de grandes conturbações, onde mais do que nunca se faz necessário o “Orai e Vigiai”. Em “Trilhas da Libertação”, de Divaldo Pereira Franco, somos alertados que, a partir da década de 60, espíritos profunda-mente ignorantes se reuniram no mundo espiritual traçando uma rota para aquilo que eles entendiam como um plano para dominar a humanidade baseado no poder, sexo, vaidade. É exatamente quando observamos a eclosão das drogas, dos movimentos musicais desvirtuados, enfim, uma rota perigosa que a maioria de nós, ingenuamente, vamos trilhando. Portanto, mais do que nunca, precisamos da vontade firme e segura para seguirmos a única rota que nos leva a um porto seguro: os ensinamentos deixados pelo Cristo. Observamos, com tristeza, que a juventude não vem sendo preparada adequadamente, principalmente no que se refere à evangelização. Daí, os sofrimentos aludidos pela amiga inddia. (t)

<|Moderador|> [4] <Allan> Como podemos evoluir através do sofrimento? Isso é possível ?

<Carlos_Alberto> Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no Cap. V – Bem-aventurados os aflitos – a primeira orientação dos espíritos se refere ao bem e mal sofrer, ou seja, com certeza evoluiremos através do sofrimento desde que saibamos sofrer, que é sofrer resignadamente o que não é sinônimo de sofrer passivamente. A abençoada Doutrina Espírita nos conduz da melhor forma possível, pois nos ensina a fé raciocinada, elemento fundamental para sabermos o bem sofrer. (t)

<|Moderador|> [5] <SantosBA> Existem pessoas que sofrem de alguma maneira, ou enfrentam problemas nem tão grandes. Entretanto, lamentam-se demais, revoltam-se contra Deus e contra todos, alardeando que sofrem mais do parece. Por que isso?

<Carlos_Alberto> Está de acordo com a sua evolução espiritual. Lembramos que a evolução se divide em evolução moral e intelectual. As duas normalmente não caminham juntas de forma que o pouco entendimento das leis divinas fazem com que valorizemos mais as coisas da Terra do que as do Céu, o que pode causar esse alarde da sua própria dor, aparentemente não in-tensa. Embora devamos considerar que somente quem sente a dor sabe da sua extensão. (t)

<|Moderador|> [6] <Teseus> No nosso mundo a dor não fere somente os culpados, o homem mau sofre tanto quanto o bom, como se explica?

<Carlos_Alberto> Ainda temos uma visão bastante estreita sobre a justiça divina. Conseqüentemente, é difícil analisar integralmente a idéia de um homem bom e um homem mau. Não podemos esquecer que o homem bom de hoje, normalmente, é fruto de um homem que cometeu muitos erros no passado, onde colhe hoje a conseqüência desses erros. Ou seja, o que pode parecer um absurdo dentro das nossas análises é a confirmação da justiça de Deus que abrange a vida do espírito imortal. (t)

<|Moderador|> [7] Três perguntas correlatas: <Cibeli> Há uma dor para o espírito e outra para o corpo? <franz> Existe dor na alma? Quando fala-se de dor na consciência, seria o caso de tal dor (na consciência)? <flavyo> Como o Espírito desencarnado “sente” as dores – visto que já não possui mais o corpo físico que o ‘lugar’ onde a dor existe de fato?

<Carlos_Alberto> Na pergunta 255 de “O Livro dos Espíritos”, questiona Kardec: “Quando um Espírito diz que sofre, de que natureza é o seu sofrimento?”. Respondem os Espíritos: “Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do que todos os sofrimentos físicos.”. Ainda no “Ensaio teórico da sensação nos Espíritos”, questão 257 de “O Livro dos Espíritos” comenta Kardec: “A alma tem a percepção da dor: essa percepção é o efeito. A lembrança que da dor a alma conserva pode ser muito penosa, mas não pode ter ação física. De fato, nem o frio nem o calor são capazes de desorganizar os tecidos da alma que não é suscetível de congelar-se nem de queimar-se.”. O nosso entendimento é de que nos encontramos num estado evolutivo muito próximo da matéria onde as reminiscências desta, para o espírito que desencarna, se confundem com a dor física. Dizemos isto, porque numa sessão de desobsessão, quando o espírito diz “que dói aqui ou ali”, não adianta filosofar dizendo que a alma não sente dor, já que para ele é como se fosse uma dor no próprio corpo que ele já não mais possui. Ainda temos muito a aprender com relação ao nosso pensamento. (t)

<|Moderador|> [8] <Reveuse> A dor é necessária para o crescimento? Se o é, aqueles que buscam a dor com a intenção de fazer o bem são louváveis ou vão de encontro ao sentimento de auto preservação?

<Carlos_Alberto> É oportuno lembrar que Deus sempre nos oferece, em primeiro plano, o amor como meio de crescimento. A dor se torna necessária sempre que negamos este amor, nos desviando das leis que na verdade estão na nossa consciência. Com relação aos que buscam a dor para fazer o bem encontramos referência a esta questão no Cap. V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” no item 31: “Podem esses sofrimentos ser de proveito para outrem, material e moralmente: materialmente se pelo trabalho, pelas privações e pelos sacrifícios que tais criaturas se impõem, contribuem para o bem estar material de seus semelhantes; moralmente, pelo exemplo que elas oferecem de sua submissão à vontade de Deus. Entendemos que, assim, a questão fica bem esclarecida. (t)

<|Moderador|> [9] <Allan> Sabemos que a dor, com resignação, é uma forma de evolução! Somos movidos pela razão e inteligência, mas POR QUE um animal, cachorro por exemplo, sofre a dor? Os animais evoluem com a dor, se são basicamente instinto?

<Carlos_Alberto> Devemos lembrar que na questão 540 de “O Livro dos Espíritos” temos o seguinte comentário: “… É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na natureza desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto.”. A dor para os animais também faz parte de seu processo evolutivo. Buscaremos maiores esclarecimentos para um melhor entendimento desta questão, estudando mais a Doutrina Espírita. (t)

<|Moderador|> [10] <Kadija> Me assusta um pouco como o Espiritismo se baseia na dor para aprender mais, e nas obras como maneira de, às vezes, suprir carências muito mais físicas que espirituais. Conheço gente que faz mal “indiretamente”, e que se presta como voluntário em obras assistenciais. Por que?

<Carlos_Alberto> O Espiritismo não se baseia na dor para aprender mais, apenas demonstra que esta é uma consequência natural, quando nos desviamos das leis divinas. A prática do bem não exige diploma de perfeição. Como falamos no começo, é o estágio de espíritos imperfeitos em que estamos que faz com que flutuemos entre momentos de ação no bem e ação no mal. A tendência natural é que cheguemos ao estágio do Cristo, que pratica e exemplifica somente o bem. (t)

<|Moderador|> <Allan> Desculpe Moderador …. última pergunta [9] insatisfatória. Nova Pergunta: Se a dor é cármica, como pode um ser movido basicamente pelo instinto colher os frutos de erros passados, transformados em dores atuais, se não tem consciência de seus erros ?

<Carlos_Alberto> Vamos à pergunta 393 de “O Livro dos Espíritos”: “Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas de que não se lembra?”. Reposta dos espíritos: “Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal. Onde o seu mérito, se se lembrasse de todo o passado? (…) o Espírito tem a intuição de suas faltas passadas no pensamento, no desejo criminoso que freqüentemente os assalta e a que instintivamente resistis, atribuindo as mais das vezes essa resistência aos princípios que recebestes de vossos pais, quando é a voz da consciência que vos fala. Em a nova existência se sofre com coragem aquelas provas e resiste, o espírito se eleva e ascende na hierarquia dos espíritos, ao voltar para o meio deles.” Entendemos assim, que está de acordo com o bem e o mal sofrer comentados anteriormente. (t)

<|Moderador|> [11] <flavyo> Porque Jesus também enfrentou o sofrimento, se é um espírito extremamente evoluído?

<Carlos_Alberto> Pelo seu imenso amor, que nutre por TODA A HUMANIDADE, incondicionalmente mostrando e exemplificando a todos nós que é possível responder com o amor, diante das adversidades do mundo, que lhe trouxeram tanto sofrimento e continuam nos trazendo. (t)

Considerações finais do Palestrante:

<Carlos_Alberto> Sabemos das nossas grandes dificuldades e improvisações para enfrentar um trabalho como este mas contamos com o calor humano que nos chegou através do interesse de todos. Agradecemos a Jesus podermos ter estado aqui e rogamos ao Mestre querido possamos avançar com firmeza, vontade, determinação e fé para que possamos evitar as dores, mas principalmente, as dores que causamos ao próximo. Jaja lembra oportunamente a singular passagem do Mestre querido: “Vá e não peques mais para que não te suceda algo pior.” (t)

Oração Final:

<flavyo> Querido mestre Jesus, que bom podermos participar de palestras e debates como este evento tão profícuo e bendito! Permita, Jesus, que sejamos capazes de melhor sofrer nossas dores a partir de hoje! Que saibamos também, Senhor, levar consolo àqueles que sofrem. Que nossa mediunidade possa ser iluminada pelos bons Espíritos sempre para que esteja sempre a serviço do bem e do amor! E que as bênçãos do Mais Alto possam encontrar-nos sempre preparados para o trabalho, como encontrou, nos ensinamentos de Jesus, os trabalhadores da última hora! Abençoa, senhor, a todos nós, às nossas famílias, mas abençoa, principalmente, todo irmão que sofre neste momento. Que nossa vibração possa servir de bálsamo a cada sofredor, material ou espiritual e que a sua Divina luz brilhe para cada um de nós hoje e sempre. Que assim seja!

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