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Problemas Familiares

Problemas Familiares

Palestra Virtual
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Palestrante: Bianca Cirilo
Rio de Janeiro/RJ
22/09/2000

Organizadores da palestra:

Moderador: “Brab” (nick: [[Moderador]]) “Médium digitador”: “jaja” (nick: Bianca_Cirilo)

Oração Inicial:

<[[Moderador]]> Senhor Deus, nosso Pai, que, com paciência que desconhecemos, acompanha os passos que damos, dando-nos a eterna possibilidade de termos esperança e de buscarmos paz junto aos Espíritos que nos estão ao caminho, que nos lega a condição de construirmos juntos, utilizando nossas mãos imperfeitas, a casa de nossa própria edificação espiritual, santificando nossa volta, ampliando nossos passos. Pedimos, Senhor, que esteja conosco – conosco juntos, como uma grande família que somos – nos momentos de dificuldades naturais que nos acompanham, nos choques dos nossos orgulhos ainda mesquinhos.

Que teu amor, Senhor, prevaleça em nossos objetivos, fazendo da construção humana uma morada verdadeira do teu amor, em forma de harmonia e progresso. Que assim seja!

Apresentação do Palestrante:

<Bianca_Cirilo> Boa noite! Faço parte do Centro Espírita Léon Denis – Rio de Janeiro, que é uma casa que muito amo e é sempre com grande prazer que nós nos colocamos à disposição da divulgação da obra do Cristo, através do Espiritismo. (t)

Considerações Iniciais do Palestrante:

<Bianca_Cirilo> Para compreendermos as dificuldades ocorridas na família é preciso ampliarmos a visão de família e raciocinarmos acerca da natureza do espírito, bem como da lógica e do propósito da reencarnação. Antes de qualquer coisa, é necessário nos situarmos em que tipo de planeta estamos. Como nos diz Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, não é possível, no estado de imperfeição em que nos encontramos, gozar de uma vida isenta de amarguras. Além disso, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, entendemos a qualidade deste planeta que nos concede a possibilidade de crescer.

Dito isso, o que é fundamental diz respeito à maneira como encaramos as dificuldades. Se as classificamos como castigos, como meras contrariedades, perderemos a finalidade da nossa estadia aqui na Terra e, certamente, não conseguiremos entender os conflitos familiares. A família não é o resultado de uma mera reunião fortuita, onde os Espíritos se agrupam aleatoriamente. Antes de nascermos, escolhemos nossas provas de acordo com as nossas faltas, segundo “O Livro dos Espíritos”.

Sendo assim, podemos nos reunir num grupo familiar por simpatia ou por comprometimentos anteriores que o nosso livre-arbítrio contraiu.

Neste contexto, a família atende a uma finalidade clara que é conceder a um grupo de espíritos a oportunidade de ajustamento recíproco, lembrando que a reconciliação, o encontro entre Espíritos que se prejudicaram, outrora, não representa apenas um sinal de evolução individual, mas, ao se ajustarem, dois seres ou mais concorrem para o crescimento e o equilíbrio do próprio planeta. As dificuldades em família representam a oportunidade de combatermos, gradativamente, o egoísmo, mas para isso é preciso enxergar o grupo familiar na acepção espírita do termo.

O Espiritismo traz à tona a lógica reencarnatória como único recurso possível de transformarmos o que era nocivo em algo saudável. Como amar um ser a quem votamos antipatia e desprezo, por exemplo, num intervalo curto de tempo, como se fosse um processo mágico? Energeticamente, os fluidos que emitimos na direção daqueles que não simpatizamos são muito densos e, para serem transformados, há necessidade de que a sabedoria das leis divinas, através do tempo, atue.

No fundo, problemas são o resultado da significação particular que damos aos acontecimentos da vida.

Kardec, após a pergunta 852 de “O Livro dos Espíritos”, coloca: “As idéias exatas ou falsas que fazemos das coisas nos levam a ser bem ou mal sucedidos, de acordo com o nosso caráter e a nossa posição social. Achamos mais simples e menos humilhante para o nosso amor-próprio atribuir antes à sorte ou ao destino os insucessos que experimentamos, do que a nossa própria falta.” (t)

Perguntas/Respostas:

<[[Moderador]]> [01] <Marcos_Cunha> Qual a origem dos problemas familiares, que praticamente todo lar enfrenta?

<Bianca_Cirilo> A origem dos problemas reside no grau evolutivo de cada espírito. A família concentra espíritos em reajuste, que trazem desafetos e, por sermos todos ainda imperfeitos, nossa relação familiar nem sempre é favorável.

O objetivo da família é, justamente, promover a superação desses conflitos. (t)

<[[Moderador]]> [02] <Marcos_Cunha> O fato de sabermos ser o lar um lugar onde espíritos se reencontram para resolver suas diferenças e continuarem seu processo evolutivo, já constitui-se um passo para a resolução dos problemas familiares?

<Bianca_Cirilo> Sim, mas não basta. Torna-se necessário vivenciar as relações familiares como uma ponte que nos convida à transformação espiritual. De que forma? Mudando atitudes, renovando sentimentos negativos, nos conscientizando do valor e da finalidade da experiência doméstica. (t)

<[[Moderador]]> [03] <Marcos_Cunha> Quando um espírito avesso aos outros da família cria problemas, acabando por desestruturar todo o ambiente familiar, estaria este espírito atrasando o processo evolutivo seu e dos outros deste lar? Qual seria aí a importância da reencarnação deste espírito nesta família?

<Bianca_Cirilo> Não necessariamente. Um espírito não desestrutura sozinho uma família. Quando há desafetos, todo grupo familiar contribui indireta ou diretamente para o desencontro. Geralmente, elegemos um como bode expiatório, mas, se aprofundarmos o olhar, há toda uma trajetória espiritual entre os membros de uma família que está em jogo.

Porém, se esse espírito persiste na atitude equivocada, todo o grupo familiar deve aproveitar a oportunidade de desenvolver a tolerância e a indulgência. (t)

<[[Moderador]]> [04] <Brab> A instituição “família” é humana, transitória ou é um conceito que também é compartilhado por Espíritos Puros? Em outras palavras, quando chegarmos à perfeição ainda teremos a distinção de “famílias”?

<Bianca_Cirilo> A maneira como entendemos família, na nossa condição, é muito diferente do conceito de família espiritual que “O Evangelho Segundo o Espiritismo” nos traz.

Ainda vivenciamos uma experiência familiar egoísta. Ao chegarmos à perfeição, estaremos em condição de experimentar plenamente a proposta de família espiritual que Jesus nos ensinou. (t)

<[[Moderador]]> [05] <^Nanato^> Poderia falar-nos sobre o labor familiar à luz do Evangelho?

<Bianca_Cirilo> É preciso compreendermos que o lar é um laboratório de vivências que servem de ferramenta primordial à nossa evolução, considerando o nosso estágio de espíritos ainda imperfeitos. É preciso nos enxergarmos como espíritos e, certamente, aprender a olhar os filhos como espíritos.

O que ameniza discrepâncias, segundo os ensinamentos cristãos, diz respeito à não exigirmos que o outro se comporte da forma como nós gostaríamos, nem tão-pouco exigir que ele tenha atitudes que ainda não é capaz. Dito de outra maneira, trata-se de respeitarmos a condição evolutiva de cada um e, conseqüentemente, respeitarmos a sua individualidade espiritual.

Se aprendermos a ensinar pelo exemplo, pelo diálogo, envolvendo os filhos com a compreensão e deixando claro os prejuízos que as atitudes negativas causam a todos, seguramente ganharemos mais força para vencer as dificuldades. (t)

<[[Moderador]]> [06] <^Nanato^> Qual seria a melhor maneira de abordarmos o assunto da importância da família – e da pouca importância que o mundo a lega nos tempos atuais – com os nossos filhos, baseados no Evangelho?

<Bianca_Cirilo> É importante escolhermos um parâmetro de valores seguros, independente dos valores que normalmente o mundo nos oferece. Jesus Cristo já nos convidou a fazermos uma escolha entre Deus e Mamom. Sendo assim, na atualidade, precisamos colocar em prática os ensinamentos exemplificados pelo Mestre.

O valor da família está exatamente na possibilidade de desenvolvermos o sentido de família espiritual que, um dia, deveremos vivenciar. Se o mundo atual condena a família, é porque ele não se baseia na concepção real de família ensinada pelo Cristo. Cabe a nós, portanto, decidir quais são os valores que mais nos felicitam e mais nos atendem à razão e ao sentimento. (t)

<[[Moderador]]> [07] <^Nanato^> Amiga Bianca, com base no Evangelho, você poderia explicar os inimigos e amigos – fale de cada um separadamente, por favor – que acordam nesta vida com a vestimenta de parentes nossos?

<Bianca_Cirilo> Os amigos num grupo familiar revelam a simpatia existente entre os espíritos, de acordo com a analogia de pendores, segundo Kardec. Da mesma forma, espíritos inimigos se agrupam para o devido reajuste. Entretanto, no caso de espíritos inimigos, há uma repulsa natural dada a incompatibilidade fluídica que existe entre eles.

Considerando que na nossa condição planetária ainda temos mazelas espirituais que trazemos de experiências menos felizes, naturalmente o grupo familiar tenderá a trazer em seu seio mais desafetos para que possamos dar exemplos com relação à prática do amor. (t)

<[[Moderador]]> [08] <Brab> Qual deve ser a postura da família cristã perante as invasões que nos proporciona os meios de comunicação (a TV principalmente) – particularmente na infância de nossos filhos? Como impedir que valores errados causem confusões no Espírito ainda reencarnante?

<Bianca_Cirilo> A base moral sólida de uma família está na capacidade que ela desenvolve de fazer valer os ensinamentos cristãos. Se estamos seguros dos valores que abraçamos, é preciso nos utilizarmos desses valores para fazer uma análise crítica daquilo que estamos recebendo pelos meios de comunicação.

O problema está em aceitarmos com muita facilidade as informações oriundas da mídia que funcionam num sentido de formar opiniões genéricas e, muitas das vezes, nós simplesmente aceitamos sem raciocinarmos acerca da lógica da idéia que está sendo passada.

É importante questionarmos que tipo de valores a televisão está querendo nos impor e até que ponto esses valores resolvem as nossas dificuldades ou, ao contrário, contribuem para aumentá-las. O parâmetro do espírita sempre deve ser o Cristo. (t)

<[[Moderador]]> [09] <^Nanato^> Poderia a amiga nos falar sobre filhos adotivos? Que papel desempenhariam na família?

<Bianca_Cirilo> Considerando que a base da família deve ser a lógica da família espiritual, filhos adotivos não são menos importantes que filhos consangüíneos. O papel que eles desempenham na família é o mesmo que qualquer outro espírito desempenha, ou seja, o compromisso de desenvolver a colaboração recíproca, o entendimento, o encontro e as virtudes ensinadas pelo nosso Mestre. (t)

<[[Moderador]]> [10] <Noprobs> Como ocorre este “encantamento” que nos leva a casar com uma pessoa – eventualmente díspare espiritualmente – a fim de um resgate?

<Bianca_Cirilo> Os espíritos nos colocam que as uniões verdadeiras nada tem a ver com a matéria. Muitas vezes, somos levados a nos relacionar com alguém baseados na força da impressão que a matéria nos causa.

Além disso, é importante lembrar que o casamento geralmente é o resultado de uma escolha programada na espiritualidade. Porém, conforme o nosso imediatismo, muitas das vezes nos precipitamos, casando com alguém que nada tem a ver com o nosso planejamento. (t)

<[[Moderador]]> [11] Duas perguntas correlatas: <Kirk> Um casal tem o direito de escolher a quantidade de filhos que quer ter? O Espiritismo aceita algum método anticoncepcional? // <^Nanato^> O que a amiga Bianca nos tem a dizer sobre o planejamento familiar?

<Bianca_Cirilo> Todas as perguntas formuladas tem como pano de fundo a questão do livre-arbítrio.

Quanto a primeira, poderíamos dizer o seguinte: se Deus nos deu a inteligência para escolhermos, que problema teria escolhermos a quantidade de filhos?

Quanto a segunda, diríamos que o Espiritismo não traça proibições, ele elucida a importância de desenvolvermos o bom senso. Não vemos nenhuma dificuldade contra os métodos contraceptivos. Eles só seriam inadequados se se dirigissem a uma intenção de aborto.

Mais uma vezes temos que nos utilizar do bom senso e do livre-arbítrio. O planejamento familiar deve obedecer a importância de desenvolvermos a responsabilidade, ponderando nossas condições de sustento de uma criança. Ele sempre será válido se atender ao que foi dito anteriormente. (t)

<[[Moderador]]> [12] <amoranna> Como agir com adolescentes? É necessário estabelecer limites? Precisamos orientar e exigir que os compromissos sejam respeitados?

<Bianca_Cirilo> Como agimos com qualquer espírito. Primeiro, é importante refletirmos sobre a idéia que geralmente fazemos do adolescente: costumamos classificá-lo como “aborrecente”, como se nós não fôssemos. O adolescente está num momento espiritual, segundo os espíritos, que é decisivo para sua trajetória.

Em que sentido? Em “O Livro dos Espíritos”, obtemos a informação que na adolescência o espírito se mostra tal qual era na existência anterior.

Se aprendermos a ser humildes no sentido de não querer passar para o jovem uma idéia de que somos superiores ou melhores do que ele, certamente será mais fácil orientá-lo e aprender junto com ele. (t)

<[[Moderador]]> [13] <Brab> O que nos disse Jesus em (Lc, 12:51) não está em desacordo com a paz familiar? “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão; Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.” (…) O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.”

<Bianca_Cirilo> Não. É importante compreendermos que a letra mata e o espírito vivifica. O que significa isso?

Quando Jesus coloca que não veio trazer a paz, mas sim a divisão, Ele estava se referindo à diversidade de crenças que surgiria a partir de sua vinda. Na verdade, Jesus já possuía a visão futura das conseqüências que os seus ensinamentos traria. Além disso, devemos estar atento à utilização do sentido metafórico das palavras do Mestre. (t)

<[[Moderador]]> [14] <^Nanato^> Quanto a sexualidade individual e as tendências amorosas que vemos no nosso dia-a-dia, por que existem casos de verdadeiras paixões entre familiares diretos e outros verdadeiros inimigos?

<Bianca_Cirilo> Se você se refere ao incesto, poderíamos dizer que ele confirma exatamente o tipo de relação anterior que existiu entre os espíritos.

Sabemos, com o Espiritismo, que pais e filhos podem ter sido amantes no passado. Entretanto, não superaram essa experiência e, sendo assim, não conseguem ainda modificar a posição emocional que ocupam na atual existência. O incesto representa um estacionamento do espírito com relação ao progresso.

Recorremos mais uma vez a Kardec que nos esclarece à predominância da matéria sobre o espírito: “Há espíritos que ainda não conseguiram superar as viciações do sentido que entorpecem a consciência.” (t)

<[[Moderador]]> [15] <Kirk> Qual a opinião da Doutrina Espírita sobre os métodos de reprodução assistida como “bebê de proveta ” e outros?

<Bianca_Cirilo> Tudo deve ser considerado a partir da intenção que o progresso tecnológico possui. Certamente, a programação espiritual é fundamental no entendimento de um nascimento. Se há um espírito reencarnante, não faz diferença se ele é de proveta ou não.

A Doutrina Espírita não é contra o progresso material. Os espíritos nos advertem que ele só será nocivo se ferir à ética da moral cristã. (t)

Considerações Finais do Palestrante:

<Bianca_Cirilo> Gostaria de agradecer a todos pela participação e pela oportunidade fraterna de ampliarmos os nossos contatos. Espero que tenha sido útil aos amigos internautas e que possamos, a partir do entendimento que já temos da importância do nosso lar como ferramenta de progresso e de desenvolvimento do amor, nos encorajarmos no sentido do exercício da prática do amor.

Que Jesus nos abençoe e nos auxilie a desenvolver o sentimento da família espiritual que somos. (t)

Oração Final:

<[[Moderador]]> Jesus, meu querido irmão e amigo, vamos agora asserenando os nossos corações para agradecer. Agradecer a oportunidade de termos o tempo e a condição de meditarmos sobre as palavras de amigos que querem o nosso bem, trazendo-nos a mensagem de consolação do seio familiar. Em lembrarmos com carinho de nossa própria família e rememorarmos o papel fundamental que teve em nossa formação. Que se converta em paz e desejo para um futuro melhor, de progresso para nossa própria família.

E assim, Senhor, como filhos do mesmo Pai, teus irmãos, pedimos para que estejas conosco também, enquanto nos conhecemos, no caminho do amor e da união. Que assim seja!

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