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Reencarnação, a Justiça de Deus

Reencarnação, a Justiça de Deus

 

A criação dos Espíritos

167- Qual o objetivo da
reencarnação?
R: Expiação, prova, melhoramento progressivo da humanidade. Sem
isso, onde estaria a justiça?
Lei de Causa e Efeito
171- Em que se funda a lei da reencarnação?
R: Na justiça de Deus e na revelação. Incessantemente repetimos: o
bom pai sempre deixa aberta uma porta para o arrependimento. A razão
não vos indica que seria injusto privar para sempre da felicidade
eterna aqueles aos quais não se deram todas as oportunidades para se
melhorarem? Não são filhos de Deus todos os homens? Somente entre
egoístas são comuns a iniquidade, o ódio implacável e os castigos
eternos. ( O Livro dos Espíritos)

Na Bíblia:
-Que dizem sobre o Filho do Homem? (Mateus, XVI; 13 a 17)
-Ele é um dos profetas que ressuscitou (Marcos, VI; 14 e 15 / Lucas,
IX; 7 a 9)
-João Batista é Elias (Mateus, XVII; 10 a 13 / Marcos, XVIII; 10 a
12)
-Cego de nascença (João,IX; 1 a 41)
“Eu vim para que os
que não vêem, vejam; e para que os que vêem sejam cegos” (Jesus).

Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma
lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.

Objetivo

O objetivo desta palestra é mostrar ao público em que se baseia o princípio
da reencarnação, sua explicação na Doutrina Espírita e sua presença na Bíblia.
Comece informando que a reencarnação não foi inventada pelo Espiritismo. Que
mesmo antes de Jesus, povos asiáticos e indianos já detinham a crença, porém de
maneira diferente, pois que acreditavam em reencarnações de seres humanos em
animais, e vice-versa.
Diga que essa crença influenciou de alguma maneira o povo judaico, já que muitos
faziam uma mescla de reencarnação com ressurreição (é recomendável que se leia o
capítulo 4 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, onde Allan Kardec discorre
bastante sobre o assunto). Depois, passe para a conversa entre Jesus e
Nicodemos, um fariseu que tinha profunda admiração pelo Mestre.

“Na verdade te digo, que aquele que não
nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus… Não te
maravilhes de te ter dito. Necessário vos é nascer de novo”.

“O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não
sabes donde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do
Espírito” Jesus e Nicodemos ( João, III; 1 a 12).

Procure ler inteira a passagem citada acima, extraída do Evangelho segundo
João. Nesta passagem, Jesus diz muito mais do que mostram as letras. Nascer da
água para os antigos significava o nascimento carnal, pois tinham como crença de
que a água era o princípio absoluto, ou seja, de que todos viemos no início da
mesma. Baseavam-se no que está escrito no libro bíblico “Gênesis”, onde se lê:
“O Espírito de Deus era levado sobre as águas… que o firmamento seja feito
sobre as águas”. Portanto, a água era colocada como o símbolo da natureza
material. Enquanto nascer do Espírito significava a parte inteligente do ser.
Assim, como explica Kardec no capítulo 4 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,
nascer da água e do Espírito quer dizer: nascer com seu corpo e sua alma.
Ao contrário do que afirmam os descrentes da reencarnação, Jesus, portanto, não
poderia apenas estar falando do renascimento moral, ou seja, daquele provindo do
arrependimento do homem e sua mudança de conduta na mesma vida. Dizia sim do
renascimento material e espiritual, um renascimento em uma nova vida. Tanto é
assim, que completa: “…Não sabe donde vem, nem para onde vai…”, ou seja,
quando o Espírito renasce em uma nova encarnação, não sabemos como foi sua
última existência, nem para onde irá após o desencarne, pois dependerá de sua
forma de viver.
Além disso, Jesus deixa claro a Nicodemos que ele não conseguiria compreender a
profundidade da Lei da reencarnação, pois diz: “Se lhe falo das coisas da terra
e não compreendes, o que dirá então das coisas do Espírito?!”. Se
Nicodemos, que era um profundo conhecedor da religião da época, não tinha
condições de compreender, muito menos o povo. Por isso, Jesus lhes falava por
parábolas, inclusive sobre a reencarnação.
Mais uma vez, a compreensão do que dizia Jesus nos esclarece profundamente sobre
a existência do ser.
Com a luz da Doutrina Espírita poderemos entender melhor tudo o que o Mestre
falava a respeito da reencarnação. Então, passe para o esclarecimento de como
foram criados os Espíritos e a necessidade da reencarnação.

A criação dos Espíritos

A criação dos Espíritos é a mesma para todos. Diga ao público que a Doutrina
Espírita nos ensina que todos nascemos simples e ignorantes. Caberá a cada um
deles escolher o caminho a seguir.
Como não temos o conhecimento, pois só o adquiriremos com a vivência, com a
experiência, acabamos por agir em todos os campos da vida, tanto o da
ignorância, do mal, quanto o do bem. E ter o entendimento de tudo que nos cerca
é impossível conseguir em 70, 80 ou 100 anos de vida.
Assim, seguindo uma lógica, seriam necessárias várias existências, como afirma
abaixo “O Livro dos Espíritos”.

167- Qual o objetivo da reencarnação?
R: Expiação, prova, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isso, onde
estaria a justiça?

Mostre ao público que Deus é justo, misericordioso e Pai. E por isso, não
haveria justiça se em apenas uma encarnação pudéssemos definir nosso futuro
espiritual. Temos que ter a consciência de que quem acredita em Jesus, acredita
na vida espiritual, independente da religião. Isso porque o Mestre falou muitas
vezes que a verdadeira vida era a espiritual. Portanto, vivem nela os espíritos
dos homens, após o falecimento do corpo. E Deus seria injusto se levasse ao
sofrimento ou glorificação eternos quem teve oportunidades diferentes quando
sobre a Terra. O rico, que não precisou roubar para comer, pode ter mais
merecimento que o pobre que, com desespero, roubou ou matou para sustentar sua
família? Ou a criança que nasceu com deformidades, terá as mesmas condições de
desenvolvimento moral e intelectual que a que nasceu sadia? Assim, são casos
diferentes, que em apenas uma só existência não poderiam ter o mesmo tratamento.
A reencarnação explica e resolve essas questões, mostrando que todos nós teremos
oportunidades iguais de desenvolvimento, e que nossas dores ou dificuldades
dessa vida, são frutos que colhemos de atitudes erradas cometidas em outras
existências. Não são castigos de Deus, pois Ele não castiga. Mas sim, são
resultados de nossa conduta contrária à Lei que permeia a todos os seres: a Lei
de Ação e Reação ou Causa e Efeito.

Lei de Causa e Efeito

É a Lei espiritual criada por Deus para regular a convivência de todos os
seres humanos durante as reencarnações. Jesus faz referência a ela, no episódio
de sua prisão, quando o apóstolo Pedro com uma espada tenta ferir um soldado que
queria prender Jesus. E o Mestre lhe diz: “Mete a tua espada na bainha, pois
todos que lançarem mão da espada, pela espada perecerão” (Mateus, capítulo 26).
Isso quer dizer que tudo que fizermos de bom ou ruim para o próximo, receberemos
em nós mesmos. Com isso, aprenderemos, encarnação após encarnação, a
respeitarmo-nos e entendermos que fazer ao outro o que desejamos para nós é o
grande objetivo desta Lei.
O Espírito da Verdade esclarece bem o sentido da reencarnação na questão de “O
Livro dos Espíritos” citada abaixo:

171- Em que se funda a lei da reencarnação?
R: Na justiça de Deus e na revelação. Incessantemente repetimos: o bom pai
sempre deixa aberta uma porta para o arrependimento. A razão não vos indica que
seria injusto privar para sempre da felicidade eterna aqueles aos quais não se
deram todas as oportunidades para se melhorarem? Não são filhos de Deus todos os
homens? Somente entre egoístas são comuns a iniquidade, o ódio implacável e os
castigos eternos. ( O Livro dos Espíritos)

Esclareça, assim, que a bondade e justiça de Deus são confirmadas pela
reencarnação. Que o esquecimento momentâneo de nossas outras existências serve
para que possamos ter a liberdade de agir na atual. Porém, sempre trazemos em
nosso ser, em nosso inconsciente, as aptidões, as virtudes e os defeitos
adquiridos em outras vidas, e são eles que nos impelem para nossas atitudes
diárias. Nunca regrediremos espiritualmente, pois tudo que aprendemos ficará
gravado em nosso espírito. Assim, em toda reencarnação, por pior que o Espírito
tenha sido, em algo ele evoluiu em relação à encarnação anterior. Mas poderemos
deixar de evoluir por um tempo, dependendo de como agirmos frente à vida. Caberá
a nós cedermos ou não para as tendências que trazemos dentro de nós, que
servirão para nos elevar (se forem boas) ou nos estacionar (se forem más) na
senda do progresso espiritual.
Para encerrar, cite algumas passagens da Bíblia onde o entendimento do sentido
das mesmas mostrará que a reencarnação era conhecida, embora superficialmente,
pelos Judeus, e profundamente por Jesus.

Na Bíblia:
-Que dizem sobre o Filho do Homem? (Mateus, XVI; 13 a 17)

Aqui, mostra-se a confusão entre reencarnação e ressurreição, pois Pedro diz
a Jesus que o povo achava que o Mestre era um dos antigos profetas
“ressuscitado”. Ora, a ressurreição diz que a Espírito retorna com o mesmo corpo
que havia vivido. E Jesus era nascido de Maria, e em nada tinha em semelhança
física com os profetas desencarnados há mais de 500 anos. Portanto, o povo
acreditava na volta do Espírito à vida material, mas não sabiam bem como isso se
dava.

-Ele é um dos profetas que ressuscitou
(Marcos, VI; 14 e 15 / Lucas, IX; 7 a 9)

É o mesmo caso citado acima, pois até o rei Herodes, romano que comandava a
região onde vivia Jesus, acreditava que o Mestre poderia ser a “ressurreição” de
João Batista. Mas João havia sido decapitado a mando de Herodes, além de ter
convivido com Jesus, ter sido seu primo e quem o batizou. Como, então, seria a
ressurreição? Era a falta de compreensão de como se processava a reencarnação,
confundindo ambas..

-João Batista é Elias (Mateus, XVII; 10 a
13 / Marcos, XVIII; 10 a 12)

É a passagem mais contundente, onde Jesus afirma com todas as palavras que
João Batista era na verdade a reencarnação do Profeta Elias, que viveu cerca de
900 anos antes de Jesus. Inclusive, Elias havia mandado em sua época decapitar
os seguidores de falsos deuses. João, por sua vez, 900 anos mais tarde, foi
decapitado. Ou seja, é a Lei de Ação e Reação, que atinge a todos nós, inclusive
aos grandes profetas da humanidade.

-Cego de nascença (João,IX; 1 a 41)

Nesta passagem, também os apóstolos mostram conhecer sobre a reencarnação,
mas com limitações. Perguntam a Jesus quem havia pecado para que a criança
nascesse cega: ela ou seus pais. Ou seja, se a criança nasceu cega, como poderia
ter pecado? Só se fosse em outra vida. Neste caso, Jesus disse que ninguém havia
pecado, mas sim que a criança tinha nascido cega para que se manifestasse nele a
obra de Deus. Quer dizer, tratava-se de uma provação para o ser, que foi cessada
com a intervenção do Mestre. Notemos que Jesus não repreendeu seus discípulos,
ou mesmo foi contrário ao que eles perguntavam. Isso mostra que entre eles, o
tema reencarnação era discutido, pois senão não haveria sentido para a pergunta.

“Eu vim para que os que não vêem, vejam; e
para que os que vêem sejam cegos” (Jesus).

Encerre a palestra dizendo que a Doutrina Espírita nos esclarece com
propriedade sobre o tema reencarnação, e que Jesus falava sobre o mesmo para
quem tinha condições de entender, “olhos de ver”. E que cabe a nós
compreendermos a necessidade de aproveitarmos a oportunidade reencarnatória e
assim encontrarmos a paz que tanto procuramos.

Copyright by Grupo Espírita Apóstolo Paulo
Last revised: 05/03/2001

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