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A Reencarnação na Bíblia

A Reencarnação na Bíblia

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante:Sérgio Aleixo
Rio de Janeiro
28/02/1998

Organizadores da palestra:

Moderador: “Brab” (nick:|Moderador|)
“Médium digitador”: “jaja” (nick: Sergio_Aleixo)

Oração Inicial:

<Canalhag> Pai amantíssimo. Agradecemos pela oportunidade de nos reunirmos com o objetivo de estudo e esclarecimento. Pedimos que boas vibrações envolvam o irmão Sergio, na palestra que se realizará. Pedimos também, que a doce e eterna paz do mestre abrace a todos, em seus lares, e em que condições estiverem. Fique conosco, mestre, para que esse estudo se traduza em ações no nosso dia a dia. Que Deus abençoe a todos. Que assim seja!

Considerações iniciais do palestrante:

<Sergio_Aleixo> A todos, saudações fraternais. Uma das principais objeções à doutrina da reencarnação é, dizem, que ela não consta ensinada na Bíblia. Vejamos como estão errados os que assim pensam. Pela língua e cultura helênicas é que muitos conteúdos da Bíblia e dos Evangelhos chegaram até nós, donde o ser fundamental, para um resgate de muitas idéias e conceitos algo deturpados hoje, o retorno aos manuscritos antigos, ainda que sejam apenas cópias dos originais, provavelmente já extintos. No Brasil, o nome que superou de muito os demais que empreenderam tal demanda ao grego e também ao hebraico, a nosso ver, é o do Prof. Carlos Juliano Torres Pastorino. Docente do Colégio Pedro II e catedrático da Universidade Federal de Brasília; latinista, helenista e exímio poliglota; diplomado em Teologia e Filosofia pelo Colégio Internacional Santo Antônio Maria Zaccaria, em Roma, o Prof. Pastorino nasceu em 4/11/1910, no Rio de Janeiro, e desencarnou em Brasília, aos 13/6/1980, deixando-nos várias obras-primas como “SABEDORIA DO EVANGELHO” (1964-1971, em oito volumes) e “LA REENCARNACIÒN EN EL ANTIGUO TESTAMENTO” (Revista SPIRITVS, 1964, versão castelhana do Prof. Angel Herrera), cujas reedições infelizmente ainda não aconteceram, por questões de ordem familiar. Quis Deus, porém, que tais recursos de elucidação não ficassem estanques, e “estafetas” foram arregimentados no sentido de franqueá-los articulados ao esquema doutrinário do Espiritismo. É o nosso caso. Conta-nos o Prof. Pastorino que são freqüentemente traduzidos por “ressuscitar” os verbos gregos egeírô (estar acordado, despertar) e anístêmi (tornar a ficar de pé, regressar), e que este último, muito especialmente, encerra um sentido em geral negligenciado pelos tradutores: o de reencarnar. Explica-nos o afamado autor de MINUTOS DE SABEDORIA que as Escrituras não falam em “ressurreição dos corpos” ou “da carne”, mas em anástasis ek tõn nekrõn, ou seja, “ressurreiçãodos mortos”. De posse destes esclarecimentos oferecidos por uma autoridade lingüística festejada como a do Prof. Pastorino, tornou-se relativamente fácil para nós outros, estudiosos da Bíblia e do Evangelho à luz do Espiritismo, identificarmos os sentidos negligenciados propositadamente pelos tradutores modernos. É assim que, se a ressurreição é dos mortos e não dos corpos, abstraímos existirem dois sentidos básicos para o “tornar a ficar de pé”, para o “regressar”: quem ressuscita, quem ressurge é o Espírito, quer para o plano espiritual (desencarnando), quer para o plano físico (reencarnando). Da primeira hipótese, a da ressurreição como desencarne, temos, na Codificação, uma instrução do Espírito de Verdade que preceitua com clareza: “a morte é a ressurreição” (O Ev. seg. o Esp., VI:5); isto é, com a morte do corpo, o Espírito liberta-se para o plano espiritual extrafísico. Tal é o sentido das palavras de Jesus: “na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento, mas são como os anjos no céu” (Mt 22:30); quer dizer, essa natureza não necessita de reprodução, pois não está submetida à morte; como disse Paulo: “a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1 Cor 15:50). Já da segunda hipótese, a da ressurreição como reencarnação, temos de Allan Kardec a seguinte afirmativa: “A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição” (Ob. cit., IV:4), o que o mestre lionês, perspicaz como somente ele, identificou naquele episódio em que os discípulos dizem a Jesus que o povo pensa ser ele João Batista, Elias, Jeremias, ou algum dos profetas, que “ressurgiu” (Lc 9:18-19), trecho que o Prof. Pastorino, fazendo justiça a este sentido do verbo grego anístêmi, traduziu por “reencarnou” (Sabedoria do Evangelho, 4º volume, p. 41). Realmente, à exceção de João Batista, morto havia pouco tempo, a lógica da reencarnação autorizava a crença do povo, que, em parte, conhecia Jesus desde a infância (Mt 13:55), não podendo senão crer que fora ele um antigo profeta, não pelo corpo, mas pelo Espírito; isto é, reencarnado. Caso se alegue confusão na mentalidade popular, o mesmo não se poderá dizer da crença na reencarnação entre os doutos. Flávio Josefo, historiador judeu (37 -103 d.C.), foi perempto ao definir a profissão de fé dos doutores da lei, os fariseus: “Eles – diz Josefo – julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta.”(História dos Hebreus, Primeira Parte, Livro Décimo Oitavo, Capítulo Dois). Outra prova da crença na reencarnação com o nome de ressurreição está na Epístola aos Hebreus (11:35-36), onde se lê: “Mulheres receberam os seus mortos pela ressurreição; alguns foram torturados, porque não queriam aceitar o seu livramento por meio de algum resgate, a fim de que pudessem alcançar uma melhor ressurreição; outros, por sua vez, passaram a sua provação por mofas e por açoites, deveras, mais que isso, por laços e prisões. Vemos que “mulheres”, e não homens, “receberam os seus mortos pela ressurreição”, pois elas é que podem gerar em seus ventres os corpos destinados à reencarnação, ao ressurgimento dos Espíritos (“mortos”) para o plano físico. O autor chega mesmo a falar em “livramento”, “resgate” e “provação”, termos que pressupõem a lei de causa e efeito, a preexistência da alma e, por conseguinte, reencarnação. Também a Bíblia Judaica, o chamado Velho Testamento, está cheio de referências à lei dos renascimentos. Os profetas Ezequiel e Jeremias, inspirados em sua mediunidade, desenvolveram brilhantemente a temática da responsabilidade pessoal, negando a dita popular da época, que dizia que os pais comiam uvas verdes e os dentes dos filhos é que se estragavam (Jr 31:29); com isso, pode-se constatar que os profetas repudiam a doutrina deturpada do pecado original, que não era “hereditário”, mas individualmente espiritual, pois “de todo homem que comer uvas verdes os dentes se estragarão” (Jr 31:30); ou, por outra: “o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso ficará sobre este” (Ez 18:20). Só a reencarnação dá sentido a tais postulados! Por isso, Allan Kardec identificou a crença vulgar no pecado original como uma espécie de intuição da existência das múltiplas experiências terrestres (A Gênese, XI:46). Podemos, desse modo, melhor entender o que ensinam os próprios Dez Mandamentos: “… eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos, na terceira e quarta geração”: in tertiam et quartam generationem (Vulgata Latina). Como vemos, não está escrito “até à terceira e quarta geração” – o que confrontaria com o ensino dos profetas -, mas “na terceira e quarta geração”(Ex 20:5); isto é, quando já houve tempo suficiente de o Espírito portador da iniqüidade em questão retornar, às vezes na própria descendência corporal, sendo, no caso, o bisneto a reencarnação do bisavô e assim por diante. Portanto, a lei de causa e efeito (a “visita” de Deus) atinge a própria “alma que pecar” (Ez 18:20), e não outrem. Tal o motivo por que, conforme o mandamento, a “visita” de Deus não se dá na primeira e segunda geração, pois animadas por almas diferentes, cuja iniqüidade não está em questão, e que, com freqüência, contemporâneas dos avós, não podem ser destes a reencarnação. Deus não confundiria justiça com vingança. Um dado interessante é que assim como os gregos criam que do hades as almas dos mortos retornavam à vida, o que chamavam de “palingênese” (novo nascimento), os hebreus, igualmente, criam que do sheol os mortos retornavam ao mundo da matéria, o que denominavam anástasis (de anístêmi: tornar a ficar de pé, regressar), expressão traduzida por “ressurreição”. Está escrito: “O Senhor é o que tira a vida e a dá: faz descer ao sheol e faz tornar a subir dele.” (1 Sm 2:6). Embora tentem sufocar a antiga crença reencarnacionista, traduzindo inúmeras vezes “sheol” por “sepultura”, tal intento restará sempre malogrado aos estudiosos atentos. Numa passagem, por exemplo, do profeta Isaías, é descrita a entrada do rei de Babilônia no sheol, onde outros reis “mortos” o reconhecem e dele passam a escarnecer (Is 14:9-16). Tais “mortos” (do hebraico refaim), julgando que a futura descendência babilônica reincidiria nas mesmas faltas de seus antepassados – os quais estavam ali, no sheol -, aconselham seu morticínio: “Por causa da maldade dos pais, promovei a matança dos filhos”. O mais alarmante e revelador, contudo, é a equivocada certeza que os levou ao tétrico aconselhamento: “Não se tornem eles a levantar para submeterem a terra e encherem de cidades a face da terra.” (Is 14:21); ou seja, que os pais(antepassados) não se tornem a levantar, isto é, na pessoa dos filhos, quer dizer, na futura descendência, na qual poderão estar reencarnados. Tanto assim é que muitos tradutores, nas suas deturpadas versões bíblicas, suprimem o verbo auxiliar “tornem”. O sentido da palingênese, expresso no verbo anístêmi (composto de ana: ‘para cima’, ou ‘de novo’, ou ‘para trás’, e ístêmi: ‘estar de pé’), não fica então patenteado; o verdadeiro sentido – isto é, que os Espíritos não tornem a subir, que os pais não tornem a levantar-se do sheol, pela reencarnação em futuras gerações – resta completamente negligenciado. Como vemos, a reencarnação é ensinada pelas Escrituras. Desculpamo-nos pela extensão das considerações iniciais, mas foi necessário a fim de despertar algumas perguntas. (t)

Perguntas/Respostas:

<Moderador> (1) <Canalhag> Onde especificamente está mencionada a reencarnação, na Bíblia?

<Sergio_Aleixo> A palavra “reencarnação” não se encontra nas escrituras, mas na cultura judaico-cristã, como mencionamos nas considerações iniciais. Havia o conceito de ressurreição, que, em muitos casos, é justamente o que chamamos hoje de “reencarnação”. Só para citarmos o caso mais inquestionável de reencarnação, lembraríamos da afirmação de Jesus, no capítulo 11, v. 10, do Evangelho segundo São Mateus: “Ele mesmo é o Elias que há de vir”, disse Jesus a respeito de João Batista. Aliás, a referência correta é Mateus, cap. 11, vv. 12 a 15. 🙂 (t)

<Moderador> (2) <aacn> O Gnosticismo afirmava que a Ressureição deveria ser entendida de modo simbólico. Pregavam a Reencarnação antes de Jesus. Há alguma evidência de que os Apóstolos maiores admitiam a Reencarnação?

<Sergio_Aleixo> Sim. Como citamos nas considerações iniciais, a epístola aos hebreus, em seu capítulo 11, vv. 35 e 36, diz que “mulheres receberam seus mortos pela ressurreição”. Falando ainda sobre resgate, provação e livramento, o que só se pode aplicar a reencarnação. A epístola aos hebreus é tradicionalmente atribuída a Paulo, embora se saiba hoje que é mais provável não ser de sua autoria direta, mas com marcantes influências. (t)

<Moderador> (3) <cacs> Amigo Sergio, muitos afirmam que se a reencarnação existisse, Jesus teria sido mais claro, não deixaria sob a necessidade de interpretação. Ou seja, teria dito sobre a reencarnação como o faz o Espiritismo. Como você analisa o entendimento destes amigos ?

<Sergio_Aleixo> Aconselho a leitura atenta do Evangelho Segundo São João, no seu capítulo 16, v. 12, onde Jesus, pessoalmente, afirma a seus discípulos: “Teria ainda muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora”. Prova mais que evidente da necessidade de aguardar-se a evolução da humanidade, a fim de que pudesse suportar certos conteúdos que não poderiam ser franqueados ao entendimento limitado da época. (t)

<Moderador> (4) <SerNeuro> Colocou-se a crença na reencarnação desde antes de Cristo. Mas nos dias atuais, com a mídia que viaja na velocidade estonteante da eletrônica, poderia, a Igreja Católica, com o acesso às informações não somente espíritas mas espiritualistas de todo tipo, além das evidências científicas. Gostaria de saber, Sergio, por que existe uma prevenção tão acirrada à reencarnação?

<Sergio_Aleixo> Seu caráter extremamente subversivo aos preconceitos étnicos, culturais e sociais vigentes, já que o rico de hoje pode ser o pobre de amanhã; o branco de hoje pode ser o negro de amanhã, o “machão” de hoje pode reencarnar num corpo feminino e assim por diante. Também, no que diz respeito aos dogmas tradicionais, que não são articuláveis à reencarnação. O inferno, por exemplo, deixaria de existir na sua consideração habitual para se tornar apenas um estado de consciência, que pode ser superado sem as mediações institucionais humanas. Disse o Mestre: “O Reino de Deus está dentro de vós” – Lucas, 17:21. (t)

<Moderador> (5) <CNumiers> Alguns escritores, através da psicografia, afirmam que a Bíblia em algumas passagens é apócrifa?

<Sergio_Aleixo> Não é importante para nós a questão exegética rígida. O mais importante são os conteúdos do que está dito. A espiritualidade que pode nos fecundar a fim de que evoluamos rumo à perfeição. (t)

<Moderador> (6) <cacs> Amigo, podemos dizer que a humanidade entenderá a reencarnação sem necessariamente se tornar espírita?

<Sergio_Aleixo> Sem dúvida! Vejam os casos de Brian Weiss e Patrick Drouot, que afirmam a reencarnação por bases científicas, sem nunca ter ouvido falar de Kardec, embora lamentemos. Vale lembrar, que o Espiritismo está fundamentado nas leis naturais que transcendem etnia, religião, etc.(t)

<Moderador> (7) <SerNeuro> na sua opinião, a cúpula sabe e aceita, não é? Só não divulga. Seria uma comoção?

<Sergio_Aleixo> Sem dúvida que a cúpula aceita, pois são estudiosos atentos. O problema é que são políticos. (t)

<Moderador> (8) <cacs> Você conhece algum movimento da Igreja no sentido de reconhecer a reencarnação como fato inconteste?

<Sergio_Aleixo> O que sabemos é que eles aceitam, na alta teologia, a reencarnação. Não sabemos, porém, se, entre os adeptos, existe movimento nesse sentido, não sabemos. O fato, porém, é que a verdade triunfará. (t)

<Moderador> (9) <Harry> Sergio, como podemos entender as chamadas pragas “impostas” por Moisés, na tentativa de libertar o povo hebreu da escravidão no Egito? Principalmente a última praga, da morte dos primogênitos?

<Sergio_Aleixo> A despeito de estar fora do tema, acreditamos que boa parte das informações bíblicas e evangélicas, até mesmo, estão revestidas por um discurso mitológico, o que quer dizer que representam lendas, conteúdos do ideário popular sem nenhuma base na realidade. (t)

<Moderador> (10)<cacs> Qual a colaboração que o Espiritismo tem dado para entendimento da reencarnação ?

<Sergio_Aleixo> Fundamental. O Espiritismo trouxe a reencarnação para a criticidade da cultura ocidental, liberando-a do misticismo oriental. (t)

<Moderador> (11) <Denize> como entender a passagem da ressurreição de Lázaro, no seu próprio corpo antes decomposto. qual a relação com a reencarnação que a doutrina prega?

<Sergio_Aleixo> O Espiritismo, a princípio, não aceita que Lázaro estivesse de fato morto, ou seja, desencarnado, mas num estado cataléptico ou letárgico. Assim, pelo poder magnético do Mestre, seu refazimento foi possível e o espírito reassumiu as funções orgânicas, não havendo ressurreição propriamente dita, mas cura. (t)

<Moderador> (12) <Canalhag> Na Oração do Credo o trecho “… Creio na remissão dos Pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna”. É uma aceitação velada, pela Igreja Católica, da reencarnação?

<Sergio_Aleixo> Sem dúvida! Ainda que necessitemos de uma certa “ginástica” para entendermos assim, pois não é a carne que ressuscita, ressurge, mas sim o espírito. Como, nesse fato, ele volta a revestir-se de matéria carnal, podemos entender o dogma católico no sentido da reencarnação, muito embora eles teimem em uma ressurreição, digamos, “cadavérica”; quando, na verdade, trata-se de um novo corpo assumido segundo a lei imutável da reprodução das espécies, isto é, a reencarnação. (t)

<Moderador> (13) <Bessemer> Sergio, o diálogo entre Jesus e Nicodemus não é uma alusão a reencarnação? Fale algo a respeito deste diálogo.

<Sergio_Aleixo> Sem dúvida é uma iniciação ao entendimento reencarnacionista, pois que o Mestre diz: “Necessário vos é renascerdes de novo” e complementa que deve ser um renascimento “de água” e “de espírito”, ou seja, é a retomada da experiência física, cuja constituição é eminentemente líquida. Portanto, o renascer de água (segundo o Prof. Pastorino “de água” e não “da água”) é reencarnar e o renascer de espírito é evoluir, progredir moralmente. (t)

<Moderador> (14) <cacs> Amigo, teríamos alguma passagem no velho testamento sobre a reencarnação ?

<Sergio_Aleixo> Sem dúvida! Como citamos nas considerações iniciais, nos próprios 10 mandamentos a reencarnação é ensinada. Êxodo, 20:5:”Eu, o senhor, teu Deus, sou Deus zeloso que visito a maldade dos pais nos filhos na terceira e quarta geração”. E não “até” a terceira e quarta geração, como traduzem deturpadamente hoje em dia. A visita de Deus, ou seja, o cumprimento de sua lei se dará na terceira e quarta geração porque o espírito infrator já teve tempo, muitas vezes, de reencarnar na mesma família. Por outra, por que Deus deixaria de lado a primeira e segunda geração? Não há explicação sem a reencarnação. Inclusive, somente assim entendemos o que disse o profeta Ezequiel (18:20):”O filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a perversidade do perverso ficará sobre este.” Assim, vemos que o confundir vingança com justiça é algo peculiar ao homem, não a Deus. A alma que pecar é que recebe a correção e não outrem. (t)

<Moderador> (15) <cacs> O que você aconselha ao espírita, ao lidar com irmãos de outras crenças, no sentido da negação da reencarnação .

<Sergio_Aleixo> Se forem evangélicos, protestantes, enfim, aconselho aos irmãos espíritas que não deixem de argumentar fraternalmente em termos escriturísticos através de um estudo perseverante da Bíblia, já que não adiantará argumentarmos em termos de ciência, pois o paradigma desses companheiros ainda é “vale o que está escrito”. Não teríamos, nós espíritas, argumentos suficientes? Quer nos parecer que os temos de sobra. O que precisamos é estudar. (t)

<Moderador> 16) <Nadja> A existência única – dadas as condições atuais de desigualdades que vemos no planeta – seria, na verdade paradoxal em relação a um conceito de Justiça Divina. Você não acha que este é um ponto básico para um debate em nível mais profundo?

<Sergio_Aleixo> Sem dúvida! É o que pretendemos nesta palestra, também. (t)

<Moderador> (17) <Nadja> Em que época – aproximadamente – a reencarnação passou a ser retirada dos textos bíblicos? e por que isso aconteceu?

<Sergio_Aleixo> Na verdade, ela não foi “retirada”. O que tentam é dissimular os conteúdos. Mas, temos referências desde o século II depois de Cristo, do próprio Orígenes, um dos pais da Igreja: “Presentemente, é manifesto que grandes foram os desvios sofridos pelas cópias, quer pelo descuido de certos escribas, quer pela audácia perversa de diversos corretores, quer pelas adições ou supressões arbitrárias.” Portanto, vemos que esta intenção é, de fato, muito antiga, mas restará sempre malograda. (t)

<Moderador> (18) <jaja> Alguns evangélicos argumentam contra a Reencarnação, citando a parábola do rico e de Lázaro. O que tem a dizer a respeito?

<Sergio_Aleixo> O pai Abraão, na parábola de Jesus, diz que eles tinham Moisés e os profetas. Perguntaríamos aos irmãos que argumentam com esta parábola: Não tinham os apóstolos mais ainda que Moisés e os profetas o próprio Evangelho do Cristo? No entanto, necessitaram da ressurreição do morto mais eminente da nossa cultura. Se não vissem o triunfo do Mestre sobre a morte, teriam sido o que foram? (t)

<Moderador> (19) <Bessemer> A dissimulação do conteúdo bíblico referente a reencarnação está no uso da palavra ressurreição?

<Sergio_Aleixo> Em parte, sim! Pois a expressão grega “palinggenesia”, segundo o Prof. Pastorino, era o termo técnico da reencarnação entre os gregos. No entanto, São Jerônimo, geralmente, o traduzia por regeneração. Já a palavra “ressureição” é a tradução da expressão grega “anastasis” originária do verbo “anistemi”, que significa tornar a ficar de pé, mas também “regressar”. Como vemos, tudo é uma questão de resgate dos verdadeiros sentidos das palavras, que assumem significados diversos ao longo dos tempos. Nos cumpre, então, a pesquisa etmológica e, sem dúvida, chegaremos à verdade reencarnacionista. É o que constatamos do trabalho, por exemplo, do Prof. Pastorino.(t)

<Moderador> (20) <Nadja> Pelo que entendi, então, a crença que se enraizou sobre o chamado “pecado original”, nos textos originais referiam-se à reencarnação? De fato, a Bíblia está cheia de “ameaças” aos filhos, que pagariam pelos “pecados” de seus pais… <Moderador>(21) <Nadja> Na realidade, seriam as gerações seguintes em que os mesmos espíritos, já reencarnados, sofreriam as conseqüências de seus atos e não uma transferência de débitos (que aliás seria incompatível com a justiça divina)?

<Sergio_Aleixo> Sem dúvida alguma. É exatamente isso! (t)

<Moderador> (22) <Denize> Que bibliografia aconselharia para uma leitura mais detalhada do tema?

<Sergio_Aleixo> “A Reencarnação na Bíblia” – Hermínio Miranda; “Cartas a um Sacerdote” – Américo Domingos e Luis Antonio Millecco; “Visão Espírita da Bíblia” e “Revisão do Cristianismo” – José Herculano Pires e, em breve, “Reencarnação: Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus” de…Sergio Aleixo. 🙂 (t)

<Moderador> (23) <Canalhag> Tinha o Prof. Pastorino, simpatia pelo Kardecismo, ou suas traduções era de caráter inteiramente técnico?

<Sergio_Aleixo> Ao desencarnar, em 1980, na cidade de Brasília, Pastorino fez questão de deixar registrada cartorialmente sua condição de espírita. No entanto, sua formação é filosófica, lingüística e teológica. Suas traduções eram extremamente técnicas, com citações, inclusive, do hebraico, para quem pudesse lê-las. (t)

Considerações finais do palestrante:

<Sergio_Aleixo> Agradecemos a oportunidade de estarmos aqui, sabe Deus diante de quantos companheiros necessitados de mais do que o esclarecimento, da consolação proporcionada pelo entendimento reencarnacionista da vida. Somos imortais e nosso destino é a felicidade. A reencarnação não foi feita para nos castigar, mas para nos plenificar diante do Pai. Muita paz a todos vocês! (t)

Oração Final:

<Wania> Senhor Jesus, agradecidos estamos por mais esta oportunidade de estudarmos um pouco mais sobre a reencarnação e todos os ensinamentos que deixou ao nosso alcance. Que fortalecidos em teu Amor possamos prosseguir na execução das tarefas que abraçamos em Tua Seara. Que a Tua Paz se faça presente em nossos corações amparando-nos e envolvendo-nos. Que seja em Teu nome, em nome dos Espíritos amigos que nos auxiliam nas tarefas do meio virtual, mas sobretudo em nome de Deus, que encerramos nossas atividades desta noite. Que assim seja!

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