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O Trabalho Social na Casa Espírita

O Trabalho Social na Casa Espírita

Palestra Virtual
Promovida pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Palestrante: André Luis Alencar
São Paulo
31/03/2000

Organizadores da palestra:

Moderador: “Wania” (nick: |Moderadora|) “Médium digitador”: “Caminheiro” (nick: Andre_Luis_G_Alencar)

Oração Inicial:

<|Moderadora|> Senhor Jesus, mais uma vez aqui reunidos em teu nome, rogamos que nos ampare e fortaleça. Que o teu amor infinito envolva a todos nós, que o teu equilíbrio se faça presente em nossas almas, que a tua paz esteja presente em nossos corações, e que a fé nos conduza pelos caminhos desta jornada. Ampara especialmente nosso amigo André Luiz que nos falará nesta noite. Que os Amigos Espirituais que conduzem este trabalho também possam ser fortalecidos por ti. Que seja assim , agora e sempre. Graças a Deus!

Apresentação do Palestrante:

<Andre_Luis_G_Alencar> Eu sou André Luís Gomes de Alencar. Conheço o Espiritismo desde 1974. Atualmente desenvolvo minhas atividades na SEPEJ – Sociedade Espírita “Pequeninos de Jesus”, onde sou doutrinador, passista e palestrante. (t)

Considerações Iniciais do Palestrante:

<Andre_Luis_G_Alencar> As “Casas Espíritas”, como se apresentam no Brasil, são locais onde se apresentam necessitados de todos os tipos. Ora, o lema do Espiritismo é “Fora da Caridade não há salvação”, e assim temos procurado atender, na medida do possível, aos necessitados do corpo e da alma dando maior ênfase ao atendimento das necessidades da alma porque temos consciência da extensão destas carências que se acumulam de reencarnação em reencarnação. A assistência social, porém, tem sido cuidada porque através dela podemos trazer novas almas à compreensão divina e também sanar os nossos próprios débitos advindos de um passado onde negligenciamos os deveres para com a família, a pátria, a profissão, o poder, a religião, etc.

Tentando ajudar esses irmãos em dificuldades, vamos também aprendendo e corrigindo nossas falhas anteriores onde negamos apoio e compreensão aos irmãos em luta. A “sopa”, a “cesta-básica”, os “medicamentos”, as “roupas” e toda assistência que fazemos a esta parte de necessitados que comparecem às casas espíritas, podem estar representando uma devolução de itens essenciais que nós, no passado, negamos a esses mesmos irmãos ou a outros com quem convivemos. Quanto ao fato deles se acomodarem e só nos procurarem para “receberem algo”, pode acontecer realmente, mas pelo menos aqui na SEPEJ temos procurado conquistar-lhes a simpatia e acolhimento, tratando-os como amigos, evangelizando-lhes as crianças e ajudando na cura de suas mazelas.

A Assistência Social deve haver nas Casas Espíritas, apenas ela não deve ser maior do que a assistência espiritual, eixo de todo trabalho espírita. Se for possível ter um Clínico Geral ou um Farmacêutico para melhor atendimento dos irmãos carentes, devemos tê-los, mas que isso não prejudique as tarefas de reeducação espiritual de todos os que chegarem em busca de auxílio. (t)

Perguntas/Respostas:

<|Moderadora|> [01] <Caminheiro> O que se pode nomear exatamente por “Trabalho Social ” numa Casa Espírita”?

<Andre_Luis_G_Alencar> Se pode nomear por “Trabalho Social” todo aquele voltado ao esclarecimento do necessitado material. O espírita deve ser, acima de tudo, fiel aos ensinamentos de Jesus. E o maior ensinamento do mestre Galileu é: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Então, no Centro, o espírita coloca-se à disposição para o trabalho espiritual. Mas, atrelado a sua fidelidade à lei de Amor, ao ver-se diante de necessidades materiais, não pode manter-se de braços cruzados. Daí surge o trabalho Social.

Outro aspecto importante a se destacar é o fato de que em barriga vazia não se planta o Evangelho. Então, ao buscarmos os irmãos necessitados, ou ao recebermo-lhes a procura de bens materiais; se quisermo-lhes evangelizar, teremos que primeiro saciar-lhes as necessidades básicas materiais. (t)

<|Moderadora|> [02] <Caminheiro> Alguns confrades avessos ao trabalho social na casa espírita dizem que esse trabalho não passa de paternalismo. O que você nos diz a esse respeito?

<Andre_Luis_G_Alencar> A minha opinião sobre esse assunto é que o trabalho social torna-se conseqüência do trabalho espiritual iniciado com os necessitados. Em alguns Centros Espíritas, o que ocorre é que as pessoas, na ânsia de ajudar, acabam por “adotarem” os necessitados. Na SEPEJ temos um trabalho de revisão trimestral dos benefícios concedidos a estas pessoas para que consigamos verificar a real necessidade da ajuda material, não fazendo com que essas pessoas se acomodem. (t)

<|Moderadora|> [03] <BGomes> No grupo espírita que freqüento existem opiniões divergentes quanto à ronda da caridade, que, particularmente, acho muito importante. Muitos acham que não tem um fim e que estamos apenas “tapando o sol com a peneira”. Acho que, além disso, fazemos mais, tentamos mesmo que momentaneamente, confortar nosso irmãos que muitas vezes se revoltam com suas situações. Como podemos mostrar que essa atividade também é importante para um Centro?

<Andre_Luis_G_Alencar> O pouco com Deus é muito! Jesus nos disse: “Eu tive fome, não me deste de comer. Estive nu e não me vestistes. Estive preso e enfermo e não me fostes visitar…” e diz também: “Quando fizestes isso a um de meus pequeninos, é a mim que o fizestes.” Para mostrarmos a importância desta atividade, não há nada melhor do que o exemplo. Só ele associado aos seus resultados irá conquistar aqueles que assim ainda não compreendem. (t)

<|Moderadora|> [04] <Fabiola_Caminheira> Alguns irmãos carentes vêm à casa espírita em busca apenas da parte material. Por exemplo: para comer a sopa. Mas é exigido que escutem uma pregação evangélica. Não seria incorreto agir assim, já que o bem que se deve fazer não deve ser condicional?

<Andre_Luis_G_Alencar> Há pessoas que aprendem o que lhes é ensinado por vontade própria. Outras necessitam de “muletas” para que isso aconteça. A semente plantada, um dia irá germinar, mesmo que hoje a pessoa aparentemente não nos dê provas de que está realmente compreendendo o ensinamento passado. (t)

<|Moderadora|> [05] <_Dulce_> Amigo, a Doutrina Espírita ensina-nos a riqueza e a beleza do esforço próprio. Como conciliarmos esse ensinamento com a prática de pedir mantimentos de casa em casa nas tarefas de assistência social espírita? Não seria melhor modificar essa prática para uma que primasse pelo trabalho de confecção de algo que se reverteria em bens? (t)

<Andre_Luis_G_Alencar> As duas formas são válidas. A primeira não se torna menos meritória por estar em contato direto com aquele que possivelmente poderá contribuir. Afinal de contas, precisamos deixar o orgulho de lado e esta forma propicia a lapidação de uma virtude. A segunda forma, faz com que a pessoa contribua sem se dar conta exatamente do que está fazendo. Exemplo: Um almoço beneficente – ela vem, adquire um convite de entrada, recebe um produto (o almoço) como benefício pelo dinheiro que ela gastou. Com isso se satisfaz e às vezes nem percebe que “colaborou” com alguém necessitado!

Quanto aos trabalhadores espíritas, tanto o que vai de porta em porta pedir um “quilinho” de comida, como o que organiza um evento para levantar fundos, trabalha igualmente, despendendo uma energia do mesmo tipo. (t)

<|Moderadora|> [06] <||^rodrigo^||> Por que há pessoas que condenam a “campanha Auta de Souza”?

<Andre_Luis_G_Alencar> Porque talvez essas pessoas ainda não estejam sintonizadas com o verdadeiro sentido da caridade. O egoísmo ainda impera em muitos recônditos de nosso mundo de expiação e provas. (t)

<|Moderadora|> [07] <Canalhag> No caso do SEPEJ, quais são as atividades assistenciais prestadas e de que forma essas atividades foram definidas?

<Andre_Luis_G_Alencar> As atividades assistenciais prestadas são:

1 – Distribuição de sopa a crianças e famílias carentes – associada a Evangelização infantil – As crianças chegam à casa no sábado pela manhã, tomam passes, participam de atividades de evangelização e no final – na hora do almoço – é servida a sopa;

2 – Grupo de mães – Formado pelas mães das crianças que participam da evangelização. Elas participam de reuniões enquanto os filhos estão na Evangelização, onde são abordados temas do tipo: Higiene – com médicos convidados a palestrar, nutrição – com nutricionistas palestrantes, trabalhos manuais, etc.;

3 – Grupo de Gestantes – Trabalho de ajudas a futuras “mamães”, quanto a ensiná-las a respeito de princípios de puericultura, elaboração de enxoval, orientação sobre a necessidade das vacinas e cuidados médicos para as crianças, orientação sobre princípios morais familiares, importância da amamentação materna, etc.;

4 – Grupo de “Auto-Ajuda” – Orientado por um psicólogo, presta assistência a pessoas envolvidas com álcool e outros tipos de drogas e também com problemas psicológicos em geral;

5 – Distribuição de Cestas-Básicas – Assiste a 40 famílias sem condições de se manterem minimamente;

6 – Bazar Beneficente – atende a comunidade com bens materiais vendidos a preços módicos.

Basicamente é isso! Essas atividades foram sendo definidas naturalmente, aparecendo com as necessidades peculiares de nossa comunidade. (t)

<|Moderadora|> [08] <inocencia_pura> Qual a óptica que a Doutrina Espirita direciona a fim de prestar assistência social, no sentido de que, mesmo auxiliando, ainda vemos que a deficiência se encontra dentro da própria Casa Espirita. Há desentendimentos no qual desestabilizam uma estrutura. Como os espíritos vêem esse tipo de questão?

<Andre_Luis_G_Alencar> Acredito que os Espíritos de maior “Luz” vêem essas desavenças como coisa natural, visto sermos espíritos em evolução. Então eles procuram auxiliar-nos para que possamos ir melhorando! Os espíritos inferiores acabam percebendo nossos atos, como que atinados àquela frase popular: “Faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. Aí, como é que fica o exemplo? (t)

<|Moderadora|> [09] <Canalhag> Na Administração de uma obra social espirita (ou não), por vezes faz-se necessário uma postura extremamente enérgica, com intuito de não haver desvio do trabalho proposto. A disciplina é necessária e sua aplicação quase sempre gera conflitos. Qual sua posição sobre este caso?

<Andre_Luis_G_Alencar> A disciplina é extremamente necessária e deve ser administrada com muito “jogo de cintura” para não melindrar as pessoas. Quando o melindre, de qualquer forma, se faz presente, uma ação enérgica se faz necessária e é até mesmo uma forma de caridade. (t)

<|Moderadora|> [10] <Mei_PB> Apesar de sabermos da necessidade do auxilio imediato, não seria o esclarecimento a forma melhor de servir ao nosso semelhante, num Centro Espírita?

<Andre_Luis_G_Alencar> Quando a barriga ronca, não se pode ouvir mais nada além desse ronco. (t)

<|Moderadora|> [11] <Mei_PB> Campanha do Quilo, Sopão, etc. não seriam mais uma forma de criarmos dependentes, uma vez que o melhor caminho é o “ensinar a pescar”?

<Andre_Luis_G_Alencar> Para evitar que o assistido não aprenda a pescar é que é importante o trabalho de revisão trimestral da necessidade material de todos os assistidos. Após se dar a primeira ajuda material, procuramos passar um mínimo de alicerce doutrinário para o assistido. Lembramos, fazendo referência à resposta anterior, que um pescador, à beira do lago, com vertigem causada pela fome, pode cair na água e morrer afogado! (t)

Considerações Finais do Palestrante:

<Andre_Luis_G_Alencar> No trabalho de Assistência Social, devemos ter sempre em mente que, por mais que achemos que o que estamos fazendo não dá nem para o começo; devemos lembrar que, como dissemos anteriormente: “O pouco, com Deus, é muito”.

Agradeço a oportunidade de participar de uma reunião virtual. Confesso que é a primeira vez. Gostei e espero poder participar mais vezes!!!

Aproveitamos o ensejo, para convidar a todos para conhecerem o site da SEPEJ: http://pagina.de/sepej ou http://www.sepej.espirita.net Paz a todos! (t)

Oração Final:

<_Dulce_> Pai amado, querido Jesus, amigo de todas as nossas horas, que possamos nos lembrar dessa mensagem simples e direta. Que, diante da tarefa que se nos apresenta agigantada, ao invés de recuarmos pensando no pouco “pão” que temos, que possamos, confiando em Ti e nos amigos espirituais, verificar quantos pães temos e distribuí-los com todo o amor de nosso coração, a todos os que nos buscarem.

Inspira-nos, querido Amigo, no exercício inadiável do Bem, ajudando-nos a superar os obstáculos, principalmente os internos, para que possamos nos encontrar contigo, no encontro com os mais necessitados que nós mesmos. Obrigada, Pai, pela oportunidade da palestra de hoje, que nos levou a tão oportunas reflexões.

Que as tuas energias de Amor, Paz e Harmonia, possam se derramar sobre o irmão que nos inspirou com suas palavras na noite de hoje. Obrigada pelo pão espiritual que essa palestra nos trouxe. E, refletindo nela, agradecemos igualmente, por todos os que, revestidos pela necessidade, nos buscam o auxílio, dando-nos a sublime oportunidade de exercitar o Amor. Que eles sejam inundados pelo teu carinho. Esteja com todos eles, Pai. Esteja conosco também. Que juntos possamos, ajudando-nos uns aos outros crescer em tua direção. Graças a Deus. Graças a Jesus. (t)

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