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A Autoridade do Evangelho

A Autoridade do Evangelho

Allan Kardec, por ocasião dos estudos que deram origem
ao Evangelho Segundo o Espiritismo, referiu-se ao aspecto moral da doutrina do Cristo,
como sendo um ponto comum entre todas as crenças. Disse que o Espiritismo se ocuparia
dele para delimitar suas regras de conduta. Para Kardec, nenhuma seita cristã negaria
a utilidade desses ensinamentos como fator orientador da vida dos povos. Alguns
estudiosos, no entanto, confundiram as palavras do Mestre e passaram a dar exclusivo
valor aos ensinamentos morais do Evangelho, desprezando qualquer outro tipo de lição
que as Escrituras pudessem conter. Com isso, o Espiritismo acabou prisioneiro de
um círculo de idéias fechadas, que limitou sua expansão em termos de conhecimentos.

Hoje, chega a ser abusiva a freqüência com que médiuns, expositores, escritores
e articulistas espíritas adaptam ao ensino moral, passagens e situações que nada
têm a ver com ele. É preciso, pois, repensar as técnicas de interpretação dos escritos
evangélicos, dando a cada coisa seu real valor. Toda orientação moral é bem-vinda,
mas será que os Evangelhos encerram somente esse tipo de ensinamento? Ou eles trariam
instruções ocultas que devessem ser descobertas a seu tempo para o esclarecimento
da humanidade? Eis aí uma fonte inesgotável de pesquisas para os que amam o estudo
do Espiritismo.

A autenticidade dos textos

Os Evangelhos são ainda hoje os mais valiosos documentos sobre os fatos
que envolveram a vida de Jesus. Neles, podemos encontrar preciosas lições morais,
estudadas exaustivamente pelo Codificador do Espiritismo. Porém, qualquer pessoa
de bom senso também percebe naqueles escritos a presença de ensinamentos no campo
da iniciação ao conhecimento superior e das profecias, estranhos textos nunca explicados
à luz da racionalidade.

É muito comum encontrarmos estudiosos fazendo contestações sobre a validade dos
documentos evangélicos. Mesmo no movimento espírita existe um bom número de companheiros
que não fazem a menor cerimônia em colocar dúvida sobre a autenticidade desses livros
ou de algumas de suas passagens. Mas, fundamentadas em quê são feitas essas contestações?
A resposta pode parecer absurda, mas na maioria das vezes tudo se fundamenta em
meras suposições.

Existem duas vertentes que criticam os Evangelhos. A primeira está localizada
dentro dos arraiais espíritas e é constituída de articulistas e escritores. Eles
afirmam que algumas passagens teriam sido alteradas segundo os interesses da Igreja
Católica. Essas pessoas geralmente possuem preconceitos contra o Catolicismo e não
reconhecem o que de bom a Igreja produziu durante todos esses séculos, como a própria
história testemunha.

A segunda vertente de críticos é mais recente. Nasceu do pseudocientifismo encontrado
na mentalidade de alguns teólogos protestantes norte-americanos, que colocaram em
dúvida as palavras e mesmo alguns fatos sobre a vida de Jesus. Segundo dizem, eles
não estariam de acordo com os costumes e hábitos da sociedade daquele tempo.

Nós espíritas, aprendemos com Allan Kardec que não se deve aceitar as coisas
cegamente. Que a tudo devemos examinar e questionar. Mas até que ponto há questionamento,
quando é colocada em dúvida a autenticidade do próprio Evangelho sem uma argumentação
racional?

Vejamos, por exemplo, a questão dos textos que teriam sido mexidos. Será que
a Igreja manipulou os textos a seu favor? Alguns espíritas afirmam que sim. Daí,
perguntamos: qual das passagens foi alterada e onde estão os originais para prová-lo?
Tudo fica sem resposta. Ninguém o pode provar, simplesmente porque não existem documentos
originais dos Evangelhos.

A Vulgata Latina

As boas cópias que possuímos do Evangelho de Jesus estão conforme a Vulgata
Latina, resultado de minucioso estudo feito pelo único santo considerado intelectual
pela humanidade: São Jerônimo.
Quem conhece história sabe que antes da Vulgata Latina, os cristãos viviam se desentendendo
sobre qual versão do Evangelho seria a mais correta. Havia, segundo as tradições,
um número superior a quarenta versões. A confusão era geral, claro.

O papa Damaso I, que administrava a Igreja no ano 380, incumbiu São Jerônimo
de codificar os Evangelhos, ou seja, examiná-los, seguindo uma linha de racionalidade,
dando-lhes uma definição quanto à autenticidade e mesmo quanto à forma gramatical
dos textos. O trabalho do codificador dos Evangelhos durou quase 30 anos e foi de
muito sofrimento. Tamanha era a importância da missão que desenvolvia, que o padre
foi vítima de terríveis perturbações espirituais. Seu martírio obsessivo é por demais
conhecido.

Algumas pessoas pensam que Jerônimo simplesmente se limitou a escolher os Evangelhos
que lhe pareceram mais adequados. Isso, porém, não é verdade. O padre leu tudo,
revisou os textos, deu-lhes forma compreensível, tudo sem distorcer o estilo de
cada autor. Fez mais ou menos a tarefa de Allan Kardec, que além de examinar as
mensagens do Alto, dava-lhes um estilo, um sentido de fácil entendimento, constituindo
a Codificação Espírita.

Ao terminar a codificação dos Evangelhos, Jerônimo entregou os originais feitos
por ele à Igreja. Era a tal Vulgata, palavra latina que significa popular, comum.
Desde então, todas as outras versões do Evangelho foram consideradas apócrifas pela
Igreja, sem qualquer valor de autenticidade. Crer, pois, em Jesus, nos seus ensinamentos,
nos fatos narrados nas Escrituras, sempre foi uma questão de fé. Mais tarde, com
o advento do Espiritismo, também de racionalidade.

A Igreja Católica cometeu crimes lamentáveis, é verdade. Mas devemos olhar somente
seu lado ruim? Ou não existe nada de bom na influência social e política que exerceu
no Ocidente, ao lado do Protestantismo? Perguntemos à história contemporânea e ela
nos responderá com toda sinceridade.

Falsos irmãos

As provas materiais de que Jesus tenha existido na Terra são quase que exclusivamente
as narrativas dos Evangelhos, mas todos os cristãos creram que ele esteve materialmente
no planeta. Nós, espíritas (os modernos cristãos), evidentemente também cremos em
Jesus. Do mesmo modo, acreditamos nos Espíritos e nas suas manifestações, não tanto
pelas evidências materiais, mas pela racionalidade das idéias que apresentam. Isso
nos basta!

Aqueles, pois, que colocam dúvida na autenticidade dos Evangelhos, sem apresentarem
um estudo consistente dos fatos, são insensatos. Semeiam a dúvida no coração das
pessoas e serão responsabilizados por isso. Os que pretendem separar o Espiritismo
do Cristianismo, rompendo seus laços com o Evangelho do Cristo, não são irmãos dignos
de crédito. Lembremo-nos que Allan Kardec nos alertou para a existência entre nós
dos falsos-irmãos, com nome de espíritas, mas sem a sinceridade deles. Nosso movimento
está ligado embrionariamente ao trabalho desenvolvido por Moisés, por Jesus e seus
apóstolos. A tarefa foi iniciada por eles e deve ser terminada por nós, espíritas,
trabalhadores da última hora.

O fundamento moral de nossa Doutrina é o mesmo de Moisés, de Jesus e de Paulo.
Não temos vínculos com o judaísmo, pois os judeus não crêem que Jesus é o Messias.
Aqueles que entre nós rejeitam essas raízes, deveriam rever suas posições ou procurar
outros rumos. Fundem suas seitas, busquem seus caminhos. Mas não atrapalhem a marcha
do Espiritismo, com falsas idéias, vindas por inspiração de uma turba de Espíritos
mentirosos que vieram mais para confundir do que para qualquer outra coisa. Que
não desvirtuem a função moralizadora da Doutrina entre as criaturas, querendo retirar
dela seu vínculo religioso, por puro preconceito.

Procuremos ouvir a opinião dos Espíritos superiores que foram responsáveis pela
Terceira Revelação:
“O Espiritismo não é senão a aplicação verdadeira dos princípios da moral ensinada
por Jesus, porque não é senão com o objetivo de a fazer por todos compreendida,
a fim que por ela todos progridam mais rapidamente, que Deus permite esta universal
manifestação do Espírito, vindo nos explicar o que vos parecia obscuro e vos ensinar
toda a verdade.” – (Luís de França – Revista Espírita, Maio de 1866, O Espiritismo
obriga)

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