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A foto Kirlian

Este médico não vem a Portugal pela primeira vez: residindo em Florianópolis,
Santa Catarina (Brasil), Ricardo Di Bernardi já visitara Portugal e o seu
movimento espírita em Março de 1994. Não é, assim, um novato nesta área, bem
pelo contrário, pois note-se que, nos seus tempos livres, há alguns anos,
participou na fundação do Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis, sem
esquecer que é o bem-quisto autor de dois livros: «Gestação, Sublime
Intercâmbio» e «Reencarnação e Evolução das Espécies». No futuro, acalenta a
ideia de fundar um Colégio Espírita e a Associação de Médicos Espíritas da sua
cidade.

Em Portugal, palestrou sobre dois temas: Efeito-kirlian – fluido vital, a sua
movimentação pela homeopatia e pelo passe com estudos kirliangráficos e
Gestação, reencarnação e evolução das espécies. Chegando a Lisboa no dia 15 de
Junho, conferenciou em 16 de Junho em Loulé, em Lagos, no Hotel Golfinho, a 18
Junho, um dia depois no Porto (Núcleo Espírita Cristão), no dia 19, em Leiria,
dia 21 Viseu e dia 22, no auditório da FEP, ministrou um seminário.

A nossa conversa, contudo, estendeu-se em torno das «fotografias da aura».
Lembramos que uma das experiências mais interessantes com esta tecnologia
ocorreu quando alguns investigadores – como a doutora Thelma Moss, nos EUA –
obtiveram fotos do chamado efeito-fantasma: a reconstituição energética de uma
ponta de folha cortada a nível kirliangráfico. E aí residiu o apogeu desta
pesquisa.

Em Florianópolis, a equipa de trabalho que Ricardo Di Bernardi integra conta
uma média de fotos estudadas difícil de contar: 20 mil.

 

«Revista de Espiritismo» – A kirliangrafia foi abandonada por vários
pesquisadores. Por que é que se interessa por ela?

 

Dr. Ricardo Di Bernardi – A foto-kirlian, na realidade, é questionável.
Há muitos factores que interferem na interpretação, na avaliação dessa foto. Ela
mede muito a quantidade de água existente no dedo, a maior ou menor pressão do
dedo, que altera a foto, e esta foto também representa muito o momento do
indivíduo. A foto-kirlian, é bom que se diga, não é a fotografia da alma, nem do
perispírito, ela é uma foto de uma emanação energética que o conjunto indivíduo
produz, e nesse conjunto existem n factores a considerar.

Apesar disso, nós temos observado que elas são úteis na avaliação antes e
após o passe, na transfusão de energia (ver caixilho na próxima página).

Apesar disso, as fotos às 20h00, antes da sessão mediúnica, e às 22h00, após
a sessão mediúnica, ela difere de uma forma significativa. Por exemplo, diminuem
as irregularidades da foto, as cores tornam-se mais claras, as fotos ficam mais
homogéneas e ganham mais em energia, em campo de vibração. Então, como isso se
repete, nós continuamos trabalhando, sabendo embora que esses senões subsistem.

Nós temos feito também trabalhos interessantes, apresentados em congressos
médicos, antes da prescrição homeopática e após. Nós fazemos a foto antes de
ingerir o medicamento homeopático, 5 minutos, 10, 15 e 30 minutos após a
ingestão desse remédio. E nós comprovámos que a aura cresce em energia. O
diâmetro da energia aumenta significativamente, demonstrando que movimenta o
campo de energia da pessoa. Se é o fluido vital, é questionável, eu até acredito
que também seja. Mas o que é importante é que eu consigo observar nessas fotos
uma acção do remédio homeopático, inclusive apresentei um trabalho, num
congresso, com um placebo e com remédio homeopático. Nós colocámos um frasco com
água e álcool e outro frasco com remédio homeopático, nem eu, nem o paciente,
nem quem bateu as fotos sabia qual era o frasco do remédio(Licopodyum clavato, a
10 mil dinamizado, uma verdadeira bomba energética) e do placebo. Vinte e um
dias depois o paciente voltava e tomava outro frasco B, abria-se os envelopes e
verificou-se que, quando ele tomava o placebo, a foto dele permanecia igual;
quando ele tomava outro frasco com aquele remédio, as fotos-kirlian demonstravam
que havia um ganho de energia importantíssimo, aos 5, 10, 15 e 30 minutos. Quer
dizer, não é o efeito psicológico que funciona aqui. Outro detalhe: as fotos
foram feitas graciosamente, bem como todos os envolvidos nas experiências.
Portanto, a foto- kirlian ainda tem utilidade. Há críticas sérias, por pessoas
de alto nível, como Guimarães Andrade, que é uma pessoa respeitabilíssima sob
todos os pontos de vista. No entanto, não nos parece que este fenómeno mereça
ser abandonado em termos de investigação.

É de evitar o que está a acontecer: pessoas inescrupulosas trabalham com
foto-kirlian sem nenhuma responsabilidade, comercializando-a de uma forma
absurda, com interpretações igualmente absurdas. Então, com isso nós não
compactuamos. Mas não podemos generalizar. É como se um médium fraudasse,
enganasse, não poderíamos dizer que a mediunidade é, por isso, um mal.

 

RE – Como é recebido com exposições sobre o efeito- kirlian em congressos
médicos?

 

RB – Nós apresentámo-los só em congressos homeopáticos: num congresso
Brasil-Argentina, em Curitiba, e num congresso em Gramado, no Rio Grande do Sul.
Nos dois locais houve uma aceitação muito grande e muita dúvida, mas todos
ficaram até entusiasmados com os efeitos. A grande maioria dos colegas
desconhece completamente o fenómeno, mas em princípio a documentação apresentada
impressionou positivamente.

 

RE – Pode citar um caso da sua clínica em que o efeito kirlian possa ter
ajudado a fazer o diagnóstico?

 

RB – Nós tivemos uma paciente que apresentava um quadro de distúrbio de
conduta emocional e que, além do psicólogo, ela procurou-me como médico
homeopata. Então foi feita a foto-kirlian e notou-se (pense num relógio,
ponteiros na altura das 2h00 da tarde), uma massa avermelhada, de uma energia
que lá de fora e adentrava na parte interior da aura dela, assim como uma imagem
de amendoim (alguns consideram complexo de culpa, outros chamam a isso energia
intrusa). E realmente, a partir desse momento, nós conversámos com a paciente e
observámos que ela tinha um processo obsessivo. Então, não estamos convencidos
ainda disso, mas parece repetir-se no caso de obsessão. Ainda está em estudo.
Mas nesse caso era evidente o processo, e como ela não era espírita, nós
abordámos o assunto como energia intrusa, pensamento, magnetismo, mente, e
falámos-lhe da importância de ela mudar a frequência do pensamento dela, para
não sintonizar com aquela energia. E então ela dizia mas que energia é essa? Eu
disse-lhe Nós podemos conversar sobre isso noutra oportunidade, mas agora,
precisa mudar de frequência, etc.. Depois de algum tempo, nós até emprestámos
uns livros para ela, adequados para não a assustar com a ideia dos espíritos
obsessores. Ela depois veio a entender que aquele processo obsessivo assentava
na sua atitude mental.

Entrevistá-la bastava, obter dados anamnésicos, mas se se pode dispor de uma
imagem, é mais um dado. Contudo, nós não somos de opinião de se deva usar a
foto-kirlian para diagnosticar mediunidade ou obsessão: nós acreditamos que é um
dado complementar. É como alguém que pensa Ah, médium agora vai deixar de
existir, não vai trabalhar mais « por causa da transcomunicação instrumental »
isso é utópico (e há gente que reage à transcomunicação por isso).

A kirliangrafia só por si não vem resolver o problema de ninguém, mas é um
dado complementar. Um filho meu esteve com pneumonia e a radiografia estava
normal; eu diagnostiquei pneumonia não pela radiografia, mas pelo estado clínico
do paciente.

 

RE – Há quem defenda que a foto-kirlian pode assinalar uma doença antes
que ela atinja o corpo físico. Como comenta isso?

 

RB – Muitos investigadores consideram isso. Na União Soviética foram
feitos trabalhos e obtiveram imagens que depois se constataram pragas
consequentes, que não tinham ainda fisicamente, mas que já eram assinaladas nas
kirliangrafias.

No nosso grupo de trabalho, a pessoa principal, mais estudiosa, é o físico
Walter Lange. Ele está convencido de que certas imagens na foto-kirlian parecem
representar determinados quadros: por exemplo, depressão tem uma imagem
específica, há uma lacuna, um buraco na aura; angústia, tristeza, a aura fica
estreitinha, fina; em estafa mental ocorre uma dilatação; no conflito emocional
vê-se como se fosse um orifício no centro da aura, e assim por diante.

Portanto, repetem-se muito as imagens e há uma correspondência com os quadros
clínicos.

Então, se não estamos, neste grupo, convencidos ainda, estamos propensos a
admitir que realmente a imagem energética preexiste à imagem física (mesmo que
seja electricidade, electrostática, não interessa).

 

RE – Ao voltar a visitar algumas associações portuguesas, como comenta o
movimento espírita?

 

RB – Vemos, felizes, o movimento a crescer, até pelos periódicos de
imprensa espíritas portugueses.

Parece-me que para o norte existem algumas características um pouco
diferentes do sul, mas todas elas compatíveis com a doutrina espírita. O pessoal
do sul parece-me mais solto, mais aberto para outros assuntos, mas parece-me que
os do norte têm mais receio de fugir das bases kardecistas, e longe de nós
recomendarmos que fujam, mas acredito que algumas informações adicionais poderão
enriquecer essa base.

Eu lembro aquela frase de Kardec que diz que quando a ciência demonstrar que
o espiritismo está errado num ponto, o espiritismo se modificará nesse ponto.

O espírita, hoje, não está ao nível de Kardec, está muito abaixo, eu gostaria
que fosse só a metade. Quando a ciência demonstrar que o espírita está certo num
ponto, ele que use esse ponto, já estava muito bom. Tão avançado como Kardec,
ninguém vai ser.

Eu posso até estar errado sobre essas diferenças entre o norte e o sul…

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