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Adote novas ideias

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Enéas Canhadas

O termo adotar, vem do latim “ad + opto”. O prefixo “ad” significa junto de, em direção a, aproximar-se de alguma coisa, em relação a, e “opto” que significa fazer escolha de, escolher mentalmente, desejar, etc. Esse termo tem sido usado muito freqüentemente e enriqueceu o nosso vocabulário do dia-a-dia. Adota-se um atleta, uma criança carente ou órfã, uma nova atitude, uma causa, e tudo aquilo que a nossa vontade possa nos fazer desejar.

A atitude de adotar está essencialmente ligada ao ato ou à ação de aceitar, estar receptivo a alguma coisa. Se pensarmos um pouco sobre a adoção de uma criança, por exemplo, temos aí um exemplo muito evidente de alguém ser receptivo a uma outra pessoa. Em sendo Espíritas, podemos perceber ainda maior abrangência nesse ato, pois sabemos que é um Espírito aceitando outro Espírito. O nosso ato, portanto, adquire um significado mais amplo, com implicações desta vida e com efeitos para a nossa própria evolução. Pare para pensar um pouco. Os nossos 100 bilhões de neurônios, aproximadamente, estão todos ativos e prontos para funcionar quando nascemos. Isto faz com que a criança faça tudo para aceitar o mundo, sem restrições. Por isso a criança, além de ser receptiva, ela experimenta tudo, sem nenhuma crítica. Você pode dizer que isto se dá por causa da imaturidade dela, mas a vida é sábia. Assim fazendo a criança, ela não faz restrições para entrar em contato com tudo que lhe vem pela frente. Tudo é alvo da curiosidade e da experimentação infantil. O que acontece ao longo da vida? Vamos aprendendo a ser críticos e, principalmente, contaminados com os “nãos” que vamos recebendo. Como diz o conhecido psiquiatra José Ângelo Gaiarsa “a grande máxima da vida parece resumir-se na frase “não mexe aí!”. Diz ele ainda mais “não é de estranhar que o nosso processo educacional seja um grande incinerador de neurônios” porque, ao longo da vida, vão vestindo uma camisa de força, de modo que ideias que tenham um pequeno resquício de coisa proibida ou duvidosa, já colocamos de lado, seja por defesa ou proteção.

No fim de um ano velho e frente a um ano NOVO NOVINHO EM FOLHA, faça uma pergunta e uma concessão para você mesmo(a). Que tal adotar uma nova idéia? Um não, várias novas idéias. Você vai precisar de muita criatividade para preencher um ano inteiro! Ao contrário do que você possa pensar, adotar novas idéias, não custa praticamente nada. No entanto podem surgir problemas ou dificuldades. Adotar uma nova idéia, pode exigir que você adote também, uma atitude. Nova. É claro! Tudo novo na sua cabeça. É assim que ampliamos o nosso mapa mental das idéias e mantemos o nosso cérebro em atividade e em desenvolvimento. Vale dizer, renovando-se. Já foi o tempo em que se acreditava que os velhos iam perdendo a capacidade de aprender porque as células nervosas morriam e a inteligência das pessoas definhava. O cérebro humano é o único órgão que se desenvolve a vida inteira.

É por isso que novas ideias também podem custar caro. Não estamos falando só de custos financeiros. Se você encomendar um trabalho criativo a um especialista, talvez tenha que preencher um cheque de valor grande. Mas estamos falando de outro tipo de custo. Pode ser penoso estar aberto a novas ideias. Se alguma nos parece absurda, ou estranha, a nossa dificuldade aumenta. Por outro lado, se aceitamos uma nova idéia, temos que adotar então, uma nova atitude.

Uma nova atitude vai funcionar como um saldo na conta bancária para os cheques em branco que são as oportunidades e que, ainda, não praticamos ou não tivemos. Atitudes de abertura, disponibilidade, receptividade, curiosidade, proposição de entrar em contato com o que é novo e acima de tudo, uma atitude de suportar as oportunidades como pequenos ou grandes desafios que surgem nas nossas vidas.

Explicando de outra forma e mais uma vez, adotar uma nova atitude exige que você adote também uma nova postura. O que é isso? Bom, nova postura é mais ou menos como postar-se diferente, ficar de outro jeito frente aos problemas já velhos conhecidos. É como dirigir um outro olhar para um quadro que está na parede há muito tempo. Quem sabe, há anos! Você passa na frente dele todos os dias! Não o enxerga mais. Não é bem isso. Você o enxerga sim, mas você não o vê mais! Pense na palavra. Nova postura é estar posto ou disposto de um novo modo frente à uma situação.

Se você adotou uma nova postura, você tem que prestar atenção e ouvir de uma maneira diferente. Você precisa fazer um novo foco ou sintonizar melhor. É isso mesmo. É como ajustar lentes ou sintonizar uma estação de rádio com precisão. Estamos dotados de condições físicas e neurológicas para isso, mas o que vamos ver e ouvir vai nos levar a constatações e descobertas novas. Uma conseqüência óbvia da mesmice é que sempre chegamos ao mesmo ponto. Isso cansa e desmotiva. Depois do cansaço, podemos ser levados ao conformismo. A conclusão pode ser desastrosa. A mesma forma de pensar todos os dias, fixam as idéias e concluímos não ser preciso mudar nada, pois tudo está bem como está. Daí surgem os clichês mentais que, inclusive, trazemos de outras vidas, como nos ensina Emmanuel em “Pensamento e Vida” . Bom, você já percebeu que a superação de obstáculos, leva a êxitos. Se você já conseguiu chegar até a uma nova maneira de prestar atenção e de ouvir, o próximo passo é mudar as coisas! Lembre-se que todas as mudanças são incômodas, inclusive as mudanças para melhor, e esta verdade, nem sempre foi-nos ensinada.

Uma dica importante e muito prática. Quando alguém apresenta uma idéia nova ou qualquer outra proposta desafiadora, se você perguntar o famoso “por quê” estará, mesmo sem querer voltando ao passado. A pergunta “por quê” sempre nos manda de volta no tempo. Raciocine. Por quê você não foi bem na prova? Porque eu não estudei, ou não dei a devida importância e assim por diante. Por quê você não limpou a casa? Por quê eu não tive tempo, ontem aconteceu isto e mais aquilo. Repare que os verbos que indicam ação estão no passado.

De outra forma, frente ao novo, se você fizer a pergunta de forma diferente: “por quê não?”, repare que você, automaticamente, irá para o futuro. Por quê não, faz você pensar no que pode vir pela frente, o que vai acontecer, o que eu vou passar, que resultado vamos conseguir, etc., e assim você está de frente para o novo, e o novo ao mesmo tempo que nos é desconhecido e amedrontador, também é do novo que nos vem as possibilidades de aprender, de conhecer aquilo que ainda não sabemos. De perder ou diminuir um pouquinho mais a nossa ingenuidade ou a nossa ignorância sobre qualquer fato da vida.

Lembre-se que as mudanças podem começar por onde você quiser. Talvez as mais simples ou superficiais sejam a dose e o bom exercício na medida certa. Hábitos, algumas rotinas, sistemas de trabalho, pense nas mudanças que são, aparentemente pequenas e fáceis de realizar. É mudando a direção de um passo que se muda de caminho e o próprio destino.

Se você concordar com a frase: “a gente só muda quando a dor de não mudar é maior do que a dor provocada pela mudança”, os riscos e os investimentos da mudança, irão valer à pena. Afinal não se tem mais nada a perder pois, mudar vai doer, não mudar vai ser insuportável. Sendo assim, você está pronto fazer mudanças em você mesmo e na sua vida. Emocionalmente você chegou ao ponto que, um dos meus professores chamava de “grau de angústia ótimo”. É um estado de insatisfação ótimo para nos fazer mudar. Depois desta caminhada mental, você está preparado para adotar uma nova ideia. Parabéns! Não esqueça de que um dos ensinamentos mais essenciais do Livro dos Espíritos é que o desenvolvimento moral vem em seguida ou até mesmo depois do desenvolvimento intelectual. Aceitar o novo é, antes de tudo, dar passos importantes para o desenvolvimento intelectual. A experiência emocional que o envolvimento com o novo vai nos causar é que produzirá o desenvolvimento moral e mesmo as experiências necessárias para conhecermos mais a vida, os outros e a nós mesmos, e aí estaremos promovendo o nosso desenvolvimento moral. Com esta base virá, finalmente, a condição para o desenvolvimento espiritual.

Não haverá consistência espiritual se não estiver fundamentada na base: intelecto + equilíbrio e maturidade emocional + elevação e consistência moral. Adote muitas novas ideias. O ano novo está aí, aproveite! Parabéns pela sua abertura! Enéas Martim Canhadas, Pedagogo, Psicólogo.

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