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Allan Kardec, Um Racista Brutal e Grosseiro?!?

Allan Kardec, Um Racista Brutal e Grosseiro?!?

Observar que apesar dos textos serem bem semelhantes, mudaram todo o sentido
do original para fugir da idéia da reencarnação. Dúvida que envolveu até o próprio
editor: “Parece, segundo estas palavras, que Josefo acreditava na metempsicose”,
querendo dissimular o pensamento sobre a reencarnação.

Mas se esqueceram de modificar o que disse Josephus, quando fala no que acreditavam
os fariseus:

“Eles julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo
e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que
umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam
a esta”. (op. cit., pág. 416).

Entretanto, o mesmo não aconteceu com a tradução do livro Atos dos Apóstolos
23, 8, onde se diz que os fariseus sustentam “a ressurreição”, quando,
na verdade, deveria ser “a reencarnação”, conforme nos informa o historiador judeu.

Podemos ainda acrescentar as informações contidas no livro As Rodas da Alma,
onde o Rabino Philip S. Berg desenvolvendo o tema dentro da ótica cabalista, diz
a certa altura (pág. 29):

“Entre todos os que aceitam a doutrina da reencarnação, talvez os cabalistas
sejam os únicos que acreditam que uma alma pode retornar num nível inferior daquele
que deixou em uma vida anterior. Efetivamente, se o peso do tikun (correção)
for suficientemente pesado, uma alma humana poderá se encontrar reencarnada no
corpo de um animal, de uma planta ou até mesmo de uma pedra”.

“A Cabala é o significado mais profundo e oculto da Torá, ou Bíblia”, diz Berg,
o que confirma que é um conhecimento do judaísmo místico, segundo suas próprias
palavras.

Trazemos também a opinião de Sérgio F. Aleixo, escritor e estudioso da Bíblia,
que em seu livro Reencarnação – Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus,
diz o seguinte (pág. 21):

“Neste trabalho, queremos demonstrar que a cultura judaico-cristã tem precedentes
reencarnacionistas incontestáveis, a despeito de as políticas igrejeiras, sustentadas
pelos mais absurdos teologismos, se obstinarem ainda em negá-los”.

É comum a certas pessoas advogarem que devemos, para interpretar a Bíblia,
levar em conta o contexto histórico, mas quando o fato é reencarnação não seguem
a sua própria recomendação. Os fatos históricos estão aí relatados, e não há como
mudá-los. Resta então aos fanáticos a humildade de mudarem de posicionamento em
relação ao assunto. Embora sinceramente achamos isso muito difícil, pois são completamente
cegos, a única verdade que aceitam é a que lhes ensinaram num momento suscetível,
pouco importa se corresponde à realidade ou não. Todos os que pensam diferente
deles são “heréticos” que precisam ser combatidos.

Com essa transcrição demos as provas de que realmente a reencarnação era aceita
antigamente, só que a Igreja querendo ser mais realista que o rei muda essa questão
já que ela não é conveniente se quer manter sob seu jugo os fiéis.

Conclusão

Os tempos passam, mas para certos tipos de comportamento não aconteceu nenhuma
evolução, ainda usam dos mesmos ultrapassados argumentos. Em A Reencarnação, o Elo
Perdido do Cristianismo, Elizabeth Clare Prophet, dizendo a respeito do Gnosticismo,
faz a seguinte colocação:

“Acusar alguém de perversão sexual é geralmente uma boa forma de desacreditar
suas idéias. Foi justamente isto que os Patriarcas da Igreja fizeram aos gnósticos.
Ao caracterizá-los como insanos, depravados, seres anormais que odiavam a vida
e praticavam orgias, o amor livre e o homossexualismo, que alimentavam-se de fetos
e recusavam-se a ter filhos, os teólogos primitivos conseguiram convencer as pessoas
de que os ensinamentos dos gnósticos eram absurdos e insensatos”.

É o que parece querer fazer o nosso atual crítico. Sua tática nada condiz com
a profissão que exerce, se é que a exerce mesmo. Talvez quem sabe queira transferir
a Kardec o que lhe vai no íntimo do coração, só Deus o sabe. No entanto, pelo uso
repetitivo e intercalado dos termos “brutal e grosseiro”, o que podemos desconfiar
da parte do autor é que tudo isso não passe mesmo de mais um exercício, consciente
ou não, de auto-sugestão. Quem sabe queira convencer a si próprio de suas idéias?

Para encerrar, citaremos uma mensagem interessante que poderá muito bem servir
a outros que, como esse nosso crítico, porventura possam quer denegrir o Espiritismo.

A Infância e o Riacho; parábola.

“Um dia, uma criança chegou junto de um riacho bastante rápido que tinha quase
a impetuosidade de uma torrente; a água lançava-se de uma colina vizinha, e engrossava
à medida que avançava na província. A criança se pôs a examinara a torrente, depois
amontoou toda espécie de pedras que pegava em seus pequenos braços; resolveu construir
um dique; cega presunção! Apesar de todos os seus esforços e sua pequena cólera,
não pode a isso chegar. Refletindo, então, mais seriamente, se fosse preciso empregar
essa palavra a uma criança, ela subiu mais alto, abandonou sua primeira tentativa,
e quis fazer seu dique mais perto da própria fonte do riacho; mas ai! Seus esforços
foram ainda impotentes; desencorajou-se e daí se foi chorando. Ainda estava na
bela estação, e o riacho não estava mais rápido em comparação com que estivera
no inverno; ele cresceu, e a criança viu seus progressos; a água, engrossando-se
lançava-se com mais fúria, derrubando tudo em sua passagem, e a infeliz criança,
ela mesma, teria sido arrastada se tivesse ousado aproximar-se dele como da primeira
vez”.

“Ó homem fraco! Criança! Tu queres elevar uma muralha, um obstáculo intransponível
à marcha da verdade, não és mais forte que essa criança, e tua pequena vontade
não é mais forte que seus pequenos braços; quando mesmo quiseres esperá-la em
sua fonte, a verdade, estejas disso seguro, te arrastará infalivelmente. (Basile,
11.11.1859)”. (RE 1859, pág. 340-341).

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Junho/2004.

Referência Bibliográfica:

  • Reencarnação – O Elo Perdido do Cristianismo, Elizabeth Clare Prophet, Rio
    de Janeiro: Ed. Nova Era, 1999.
  • A Gênese, Allan Kardec, Araras – SP: IDE, 1993.
  • A Gênese, Allan Kardec, Rio-RJ: FEB, 1995.
  • O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Rio-RJ, 1995.
  • O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Araras – SP: IDE 1987.
  • O que é o Espiritismo, Allan Kardec, Rio-RJ: FEB, 2001.
  • Obras Póstumas, Allan Kardec, Araras – SP: 1993.
  • Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, José Reis Chaves, São Paulo: Martin
    Claret, 5ª edição.
  • Vida e Obra de Allan Kardec, André Moreil, São Paulo: Edicel, 1986.
  • Revista Espírita, Allan Kardec, Araras – SP: IDE, div.

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