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Animismo e Mediunismo

Animismo e Mediunismo

O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio
do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações
com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte,
o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica
da palavra.

Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa
ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Participa da primeira,
porque foi providencial o seu aparecimento e não o resultado da iniciativa, nem
de um desígnio premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da doutrina provêm
do ensino que deram os espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca
de coisas que eles ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos e que lhes importa
conhecer, hoje que estão aptos a compreendê-las. Participa da segunda, por não ser
esse ensino privilégio de individuo algum, mas ministrado a todos do mesmo modo;
por não serem os que o transmitem e os que o recebem seres passivos, dispensados
do trabalho da observação e da pesquisa, por não renunciarem ao raciocínio e o livre-arbítrio;
porque não lhes é interdito o exame, ao contrário, recomendado; enfim, porque a
doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega, porque é deduzida,
pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os espíritos lhe põem sob os
olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara,
a fim de tirar ele próprio às ilações e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza
a revelação espírita é o ser, divina a sua origem e da iniciativa dos espíritos,
sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.

O título acima epigrafado trata de duas palavras que confundem os menos esclarecidos,
em termos de doutrina espírita, e, principalmente, aqueles que se dão ao hábito
de praticar a mediunidade, sem ter estudado o bastante, para exercer tamanha responsabilidade
e se dar ao mister de dialogar com os espíritos desencarnados e deles receberem
ensinamentos, como também praticar a psicografia, e outras atribuições que a prática
mediúnica lhes proporcionam. É uma responsabilidade muito grande e para os que agem
assim, se faz necessários que estudem com bastante relevância o Livro dos Médiuns,
para como se diz no dito popular: “Ficar no mato sem cachorro”. A palavra (anímico)
deriva do latim anima,-ae=sopro, emanação, ar; daí= Alma como princípio
vital, vida. Espírito que escapa do corpo após o passamento. Anímico é tudo aquilo
que é relativo ao animismo. E o que seria Animismo?
Neologismo para significar
que a alma do médium pode comunicar-se com a de qualquer outro, pois, se há certo
grau de liberdade, recobra suas qualidades de espírito. Na prática espírita, trata-se
de um estado de transe, no qual quem opera, produzindo fenômenos psíquicos e mesmo
de efeitos físicos, é o Espírito do próprio encarnado e não um Espírito desencarnado,
pois neste caso seria mediunismo e não animismo. Desde que há dissociação psíquica
e o espírito de uma pessoa emancipa-se, mesmo que seja parcialmente, ele pode produzir
os mesmos fenômenos produzidos pelos espíritos que se comunicam através de médiuns.
Os fenômenos espíritas são de duas naturezas: Anímicos e mediúnicos.

Pelo enunciado e pelo que entendemos a prática mediúnica requer muito conhecimento,
pois pelo visto, existem muitos médiuns anímicos mesmo dentro da doutrina, principalmente
aqueles que não se dão, ao respeito e não procuram fazer curso e estudar com afinco
O Livro dos Médiuns. Fenômenos psíquicos inconscientes se produzidos fora dos limites
da esfera corpórea do médium, ou extramediúnicos (Transmissão do pensamento, telepatia,
telecinesia, movimentos de objetos sem contato, materialização).

Temos aqui
a manifestação culminante do desdobramento psíquico; os elementos da personalidade
transpõem os limites do corpo e manifestam-se, a distância, por efeitos não somente
psíquicos, porém ainda físicos e mesmos plásticos, e indo até à plena exteriorização
ou objetivação, provando por esse meio que um elemento psíquico pode ser, não somente
um simples fenômeno de consciência, mais ainda um centro de força substancial pensante
e organizadora, podendo também, por conseguinte , organizar temporariamente um simulacro
de órgão, visível ou invisível, e produzindo efeitos físicos.

Pela importância, e magnitude da mediunidade, o que deve existir de comunicações
anímicos espalhadas por este mundo espírita não está escrito, e principalmente se
houver mistificação e fascinação. A Palavra animismo pode designar todos os fenômenos
intelectuais ou físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância
do organismo humano, e mais especialmente todos os fenômenos mediúnicos que podem
ser explicados por uma ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo. Saindo
do mundo anímico e entremos no mediunismo, iremos notar o que representa a mediunidade
para o espírita. Mas precisamente o mediunismo Aksakof propõe à compreensão
todos os fenômenos ordinariamente chamados espíritas. Tal denominação tem a vantagem
de aplicar-se exclusivamente à explicação dos fenômenos. O mediunismo é um campo
de trabalho onde podem florescer, sob inspiração de Jesus, as mais sublimes expressões
de fraternidade. Um meio que se serve deus para auxiliar a humanidade em seu esforço
evolutivo. Elo de luz entre a Terra e o Céu, o mediunismo superior possibilita o
encontro, cada vez mais acentuado, do pensamento humano, com as esferas invisíveis
nobres, de onde se originam as melhores expressões evolutivas. O mesmo Alexander
Aksakof, em meados de 1890, empregou o termo mediumnismus, traduzido para o francês
mediumnisme, e para o português mediunismo, para designar o uso das faculdades mediúnicas.
A prática do mediunismo não significa que haja prática de espiritismo propriamente
dito, visto que a mediunidade não é propriedade do Espiritismo, ele apenas a estuda
e a pratica de modo científico, sem superstições, crendices ou sincretismo religioso.Pelo
que foi exposto aqui nesta matéria dá para se ter uma idéia fiel, e a responsabilidade
que temos na prática da mediunidade. O Livro dos espíritos está ai, ao alcance de
todos, não adianta precipitação, pois pode ser prejudicial e trazer graves conseqüências
para quem a pratica, principalmente por curiosidade. Ao encerrar queria terminar
com esta passagem de Allan Kardec: “Para as coisas novas necessitam –se palavras
novas, assim o quer a clareza da linguagem para evitar a confusão inseparável do
sentido múltiplo dos mesmos vocábulos”

(Allan Kardec- Livro dos Espíritos-Introdução,I.).

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-OFICIAL SUPERIOR DA POLÍCIA MILITAR-ESTUDANTE DE JORNALISMO
DA FGF-GESTOR DE EMPRESAS.

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