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Aos Olhos do Senhor

Aos Olhos do Senhor

Em todas as épocas, sempre que se interessa pela vida religiosa, o homem tem
sido inspirado a evitar paixões e vícios humanos, simbolizados no vinho do
prazer.

Esse empenho, considerado fanatismo intransigente pela multidão, é pura e
simplesmente uma imposição de serviço, da qual não podem furtar-se aqueles que
desejam servir.

As Forças do Bem pedem instrumentos equilibrados e puros, para que possam
manifestar-se em toda a sua plenitude na Terra, derramando bênçãos de conforto e
progresso para a civilização.

Todavia, aqueles que procuram os templos raramente se sentem dispostos ao
esforço necessário para eliminar hábitos e tendências, cuja satisfação
consideram indispensável ao seu bem-estar.

Daí sua preferência pelo culto exterior, renunciando a qualquer atividade
religiosa que implique em responsabilidade individual. Desejam o Céu, mas não
pretendem tirar os pés do chão; Anulam, assim, qualquer possibilidade de
sintonia com os amigos invisíveis e reclamam que foram abandonados quando seus
excessos geram a perturbação.

Pelas mesmas razões, surgem no seio de todas as religiões tarefeiros dotados
de grandes possibilidades espirituais, mas que fracassam desastradamente.
Preparados para marchar na vanguarda, esquecem a exemplificação e acabam
estacionados nas trevas da retaguarda.

Para que tão lamentáveis enganos sejam evitados, encontramos nos postulados
da Doutrina dos Espíritos as mais severas advertências, dirigidas principalmente
aos médiuns — instrumentos da revelação —, no sentido de que tomem todo o
cuidado em preservar a condição de servir, evitando comprometerem-se em desvios
que fatalmente lamentarão mais tarde.

Médiuns que descuidam da higiene mental e física;

que perseguem o conforto e o comodismo;

que rendem culto ao álcool, ao fumo e à mesa farta;

que estimam a lascívia;

que cultivam a maledicência;

que sentem prazer em desprezar e humilhar;

que não vigiam as suas atitudes e reações, nem buscam a oração contrita de
quem reconhece a própria fraqueza e luta por vencê-la, jamais serão instrumentos
eficientes nem úteis.

Se médiuns passistas, comprometerão o serviço de ajuda, associando suas
vibrações desajustadas aos fluidos reconfortantes emitidos pelos benfeitores
espirituais.

Se médiuns psicofônicos ou psicógrafos, nunca lograrão captar, com a desejada
exatidão, o pensamento dos instrutores do espaço, transmitindo manifestações em
que prevalecerão, sem proveito, fantasias anímicas.

Se médiuns intuitivos ou inspirados, lutarão com tremendas dificuldades para
concatenar idéias, repetindo comentários sem originalidade e conceitos sem
lógica.

Muitos abandonarão a tarefa, arrastados para o desequilíbrio pelas
influências inferiores que insistiram em prestigiar.

Gostariam de ser “grandes aos olhos do Senhor”, como João, o Batista.
Esquecem-se, entretanto, de que sua grandeza não foi mero fruto da graça divina,
pois, como filhos de Deus, todos a usufruímos, e sim porque o precursor,
revelando disciplina e perseverança, jamais sorveu a taça dos enganos
terrestres.

Reformador – fevereiro, 1965

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