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Censo 2000

Surgiu, no meio dos espíritas, uma sugestão inimiga da doutrina, endossada
por alguns que se têm como líderes desse nosso movimento, a ideia de que
deveríamos deixar em branco a lacuna correspondente à religião no recenseamento
em curso.

Que objetivo envolve tal ideia?

Muito simples: diminuir estatisticamente o número de participantes espíritas
em nosso país.

Não há dúvida de que os maiores inimigos da nossa doutrina estão disseminados
em nosso meio, tentando, de todas as formas, desarticular, desarmonizar e
desestruturar o trabalho dos verdadeiros espíritas.

É claro que o censo tem como principal objetivo definir estatisticamente a
situação do país no que concerne a sua população, seus costumes e suas atitudes
sociais.

Cada espírita que omitir sua condição doutrinária, não preenchendo o item
“religião”, evidentemente, irá ser um a menos no cômputo final do número de
adeptos da doutrina codificada por Kardec em nosso país.

Qual, portanto, o intuito desses falsos correligionários que tentam influir
os demais, sob os mais absurdos argumentos, a se absterem de declarar sua
posição religiosa? Evidentemente, não é o de conceituar o Espiritismo como uma
doutrina universalista que, em vez de ser uma religião, engloba conceitos
profundamente filosóficos de vida ao lado de um estudo científico profundo a
respeito da existência da vida espiritual. Pelo contrário: isto pouco importa.
Como inimigos infiltrados em nosso meio, o único intuito desses audazes
baluartes do espiritismo não religioso é o de diminuir estatisticamente o número
de participantes do movimento espírita em nosso país com o fito de minorizá-lo
perante a opinião geral.

Não caiam nessas, caro amigos e leitores: precisamos, mais do que nunca,
unirmos nossas forças para mostrar ao mundo que, em nosso país, os seguidores de
Kardec, em números efetivos, têm evidentemente, uma representatividade digna de
constar nos anais do país.

Não tenham escrúpulos de se declararem no item “religião” porque, se não
somos uma religião, como as demais, com cultos, ritos, dogmas e adorações. Temos
nossa parte religiosa incompatível com qualquer outra religião, até mesmo as
reencarnacionistas, porque não adoramos, não cultuamos, não dogmatizamos, mas
estudamos profundamente a obra da Criação, preocupamo-nos com Deus (cap. I do
LE), erguemos nosso pensamento em preces, pedindo ao Alto proteção e amparo,
enfim, praticamos o que Cícero, no velo Lácio definiu como sendo a “religio,
onis” daquela época, ou seja, o estudo e a preocupação com os deuses, suas vidas
e suas obras, conceito esse que, do politeísmo, latino para o monoteísmo atual,
transformou o conceito de deuses para o do nosso Deus, Criador Único do
Universo.

De qualquer forma, omitindo-nos do censo, apenas, estaremos corroborando para
diminuir estatisticamente o número de adeptos da doutrina, que é o desejo
nefasto desses inimigos nossos que se cobrem na pele de cordeiro para criarem e
disseminarem, no meio espírita, a discórdia e a desintegração dos seus
princípios.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 358 de Novembro de 2000)

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