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Centro espírita: ser ou não ser

É uma associação cuja função genericamente consiste em confortar e esclarecer
quem a procura dentro dos parâmetros doutrinários do espiritismo, sem nada – mas
mesmo nada – cobrar.

O centro espírita é, assim, um local de trabalho tranquilo, onde convergem
pessoas interessadas na vivência do ideal espírita. Este consubstancia-se em
fraternidade e estudo. O salário para qualquer dos seus colaboradores não
existe, nem mesmo subjectivamente: basta-lhes a alegria de se tornarem úteis, de
contribuírem com apoio moral, de transformarem tristeza em reconforto interior,
de ajudarem a reerguer quem ali entra sobrecarregado de pressões interiores.

Colaboradores

Os colaboradores do centro espírita que sejam conscientes da sua
responsabilidade estão abertos a reciclagem através de cursos próprios. Nenhum
desses trabalhadores acredita nada mais ter a aprender nem tão pouco crê haver
desvantagens na reflexão em grupo sobre as coordenadas da sua tarefa no centro.
Imbuídos de propósitos de fraternidade operante, eles estão integrados num
calendário semanal de actividades. É a tarefa de esclarecer e de confortar cada
vez melhor que os move, encarando os outros sem quaisquer sentimentos de
superioridade ou de inferioridade, mas apenas como companheiros na caminhada
imensa da evolução, que, como eles próprios, possuem experiências de vida
intransferíveis, rumo a aquisições maiores.

Semana após semana

Semanalmente, há no centro espírita reuniões abertas ao público e outras
privadas. As reuniões públicas – atendimento, palestras, passes, trabalhos de
estudos doutrinários – prestam-se a esclarecimentos de interesse geral. As
privadas – educação mediúnica, desobsessão, atendimento mediúnico, cursos
específicos com inscrição dos destinatários, reunião de infância ou de juventude
espírita – exigem uma maior preparação, sem distracções, sem interferências e
incompreensões ou até fins espectaculares, que nunca ajudariam os objectivos das
mesmas, pois a meta aqui é auxiliar os espíritos que se comunicam com
necessidade de esclarecimento e os médiuns em processo de educação.

Escola

A função de escola para todos os envolvidos é uma constante no centro
espírita. Com isto liga-se o facto de a mensagem espírita por natureza não ser
doutrinante, mas doutrinária. Ou seja, ela não é condicionadora, mas
informativa, com total respeito e consideração pelo livre-arbítrio alheio.

A mensagem espírita que deve viver no centro surge como um corolário de doses
de verdade envolta em amor. Como se a realidade fosse um bisturi benfeitor e o
amor a anestesia conveniente, numa operação cujo objectivo é reduzir a
ignorância do espírito em evolução. O alívio que surge enseja outro aprendizado
mais feliz.

Quem procura o centro espírita? Aportam ali desde o simples curioso àqueles
que procuram só milagres como solução para os seus problemas.

Nunca nenhum espírita consciente prometerá curas, mas sim acompanhamento
fraternal, ajuda. Ninguém melhor que o médico para tratar de moléstias. O centro
espírita não é um núcleo de curandeirismo, mas pode ter uma função
psicoterapêutica espontânea e esclarecida no acompanhamento fraternal de quem
está aflito.

Vejamos: um canceroso. Primeiro vai ao médico. Este é a pessoa mais
competente para cuidar da saúde humana. Quando o médico, por força da sua
formação materialista, não consegue fazer mais, e o problema for realmente de
origem espiritual, aí entra a terapia espírita, que se baseia numa orientação de
tranquilidade e confiança em Deus, no passe (doação de energias espirituais
reconfortantes pela imposição das mãos, como Jesus fazia) ou na chamada água
fluidificada (água normal em que os benfeitores espirituais introduzem energias
retemperadoras).

Perante quem o frequenta, têm os seus responsáveis o dever de afixar em local
bem visível actividades edificantes organizadas até mesmo por outros centros
espíritas do país ou da federação, deixando a outrem o direito de participar ou
não. O centro espírita são não volta as costas ao inter-relacionamento fraterno.

Espiritismo há só um

Então, o que não é o centro espírita? Uma igreja ou um lugar onde se inibe a
liberdade de pensamento, um reduto de fanáticos ou um local de comércio. Por
exemplo, um grupo onde se cobre dinheiro, bens ou favores, mesmo que ostente a
denominação de espírita, na verdade nunca o será; ou onde haja rituais, altares
ou velas, superstições ou crendices.

O centro espírita sê-lo-á realmente ou não, consoante se adequar e reconduzir
minimamente, pela sua actividade, aos preceitos doutrinários que resultam da
codificação espírita, que continua actualizada ante o génio do seu autor: Allan
Kardec.

Porque espiritismo há só um e, no dizer de Herculano Pires, é o grande
desconhecido… de muitos espíritas.

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