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Visão Espírita do Idoso – VIII – Conclusão III

Visão Espírita do Idoso – VIII – Conclusão III

Recorde-se que o Espírito, arquivando essas experiências em tese, terá que
reeducar-se, quase sempre em processo laborioso e lento, nas futuras
reencarnações, onde apresentar-se-á com restrições às expansões do sentimento,
fechando, desconfiado como que autoprotegendo-se de algo que não consegue
identificar. Também os causadores dessas marcas, aprenderão (pelas necessidades
pessoais) em processos reeducativos duros, sobremodo, o valor da gratidão, no
aconchego do Amor. É vingança? Não. É a sabedoria das Leis.

Se nos ensina Jesus a necessidade de ser fraterno, usar de caridade para com
o próximo, sendo indulgente, paciente, auxiliando e perdoando “(…) quão
maiores não hão de ser essas obrigações em se tratando dos filhos para com os
pais. Todo procedimento condenável em relação aos estranhos, mais condenável se
torna para com os pais”.

Reforçam os Espíritos na Codificação quando perguntados se as leis da
Natureza impõem aos filhos a obrigação de trabalhar para os pais
que “(…) Certamente, como os pais devem trabalhar para os filhos. Eis porque
Deus fez do amor filial e do amor paterno um sentimento natural, a fim de que,
por essa afeição recíproca, os membros de uma mesma família sejam levados a se
auxiliarem mutuamente. É o que, com muita freqüência não se reconhece em vossa
atual sociedade”.

Sob reflexões, tenhamos presente que a vida é poema de beleza onde a
existência constitui-se como quadro a parte de encantamento e conquistas em cuja
aprendizagem o Espírito se aformoseia buscando a libertação de si mesmo.

Se a Natureza em todas as suas expressões se apresenta em harmonia convidando
à paz e ao equilíbrio, só o homem se apresenta cabisbaixo, preocupado, triste a
carregar os sinais das atitudes, ações e compromissos mal vivenciados,
transferindo e acrescentando de uma etapa para outra, marcas que a consciência
profunda precisará expurgar, uma vez que a essência também busca, procura e quer
a harmonia no equilíbrio.

Desse modo, (até na defesa do interesse próprio – o que representa objetivo
bem pequeno) direcionar atitudes num programa de construção pessoal com olhos
postos no futuro, vivendo amplamente o presente, nas atitudes que devem ser
vividas em transportes de paz e alegria. Embora, possam parecer difíceis,
exigindo esforços que no momento parecem terríveis, pelas decisões tomadas
desgasta-se, compromete-se ou liberam-se reações duras ou agradáveis.

À medida que amadurece, entende o Espírito que o viver com episódios
difíceis, da dor em enfermidades, não têm elas o poder de banir a alegria
de viver. Constituem como razão poderosa para prosseguimento das atividades de
iluminação: são desafios que visam levar à vitória; testemunhos que levam a
conquistas e decisões que mantêm o equilíbrio.

É difícil essa marcha?

Todo o que decidir crer em si mesmo dinamizando a própria potencialidade,
caminha num crescendo onde os passos e decisões se tornam mais e mais fáceis.
Inserindo-se na Lei de causa e efeito, os esforços aplicados nas realizações
positivas, eliminam ou diminuem o peso das negativas ou prejudiciais. A
existência se enriquece, é dinâmica, alegre, espectante, tem objetivos que
interligados se renovam, abrindo-se em realizações morais, espirituais,
artísticas, culturais, estéticas e nobres cada vez mais abrangentes.

O que antes era fatalidade existencial deixa de ser viver bem para
bem
viver. Se a primeira é meta humana, a segunda é conquista
pessoal, intransferível, especial, que jamais se perde germinando e fomentando
felicidade, harmonia, paz.

Do estudo concluímos que, à luz da Doutrina Espírita, entendemos as diversas
fases da vida como:

a) interligadas, seqüentes, contínuas, ininterruptas, comparando-se à
estações determinadas que se sucedem no tempo.

b) as diferentes idades, como estações da alma, onde cada um por sua vez, dá
flores e frutos.

A Doutrina Espírita dá ênfase ao Espírito imortal. Como tal, priorizar
juventude ou madureza em detrimento de outras idades, apresenta-se em detrimento
de outras idades, apresenta-se como falha. Muitos jovens segundo o corpo, são
almas vividas, experimentadas. Velhos corpos, podem ser habitação de almas que
se iniciam em conhecimentos, experimentações e aprendizados. Vigor, fortaleza,
moralidade, são produto de força interior, conquistada no decorrer das várias
encarnações pelo trabalho pessoal envidado. Como tal pode ser exteriorizado
tanto nos mais como nos menos jovens.

No entendimento espírita não há lugar para que uma idade seja mais importante
que outra, não havendo assim desajustamentos e conflitos. Princípios de
entendimento, muita cooperação envolverão reciprocamente, em posicionamentos do
amor compreensão que respeita, envolve e ama.

Essa posição não faculta atitudes que reafirmam os valores do mundo, modismos
ou interesses pessoais, onde Jesus destaca-se como modelo e guia, mantém o
Espírito que a isso se decida, em clima pleno, alegre e feliz.

Assim, a importância do tempo que estamos vivendo, independe da faixa etária
em que nos situamos hoje, à medida em que cada um aproveitar o agora para viver
de forma diferente, buscando o Bem, o Belo e o Verdadeiro em todos os convites
que a Vida apresentar.

Daí exercer-se o Amor na proteção, zelo, cuidado, amparo, solicitude,
convivência em família, a tantos que, doentes desde a infância ou acometidos de
limitações na senectude, continuem a ser tratados como Espíritos imortais,
necessitados mais que nunca do carinho, da atenção e dos cuidados dos familiares
“(…) em qualquer dos períodos em que os Espíritos vivam no mundo, Deus lhes
oferece o ensejo de crescer, na prática do vero bem, nas conquistas felizes que
saibam operar.

(…) Se forem teus velhos fortes, em boas condições de saúde, dispondo de
entusiasmo e alegria, compartilha com eles, jubilosamente, agradecendo ao
Criador a honra de tê-los, assim, firmes, ao teu lado, dando-te nobres exemplos
de pujança nos labores da evolução, sem esmorecimento.

Se se acharem doentes e dependentes os teus anciãos, ama-os então, com a tua
consideração, com teu respeito, venerando-lhes as vivências acumuladas,
engrandecendo-te com o poder de ser-lhes útil, ofertando para a carência deles o
teu braço amigo, com bondade e alegria.

Quando tenhas que atender às necessidades dos teus velhinhos, ampara-os no
carinho doméstico, entre as paredes afetivas que auxiliaram a erguer, somente
entregando a cuidados estranhos de hospitais, casa de repouso ou velhonatos, no
caso em que precisem de atendimentos especializados da medicina, da Enfermagem
ou da atenção geriátrica, para as quais não te encontres devidamente aparelhado
ou em outros lances de inarredável gravidade.

Se, apenas se acharem, sob o depauperamento que a idade provecta propicia,
empresta-lhes o teu achego enternecido, devolvendo em afetos o quanto te hajam
dado, nos tempos para trás, nos dias de tua extrema dependência.

Casa não te sejam familiares, e não te caiba o dever social de mantê-los,
caber-te-á o dever cristão de visitá-los, ouvi-los, suprimindo as suas
necessidades materiais e espirituais, tanto quanto possas.

A tua idade será tão melhor vivida e bem mais aproveitada, se te tornares
amigo dos idosos, fazendo-te apoio de tantos velhos com que mantenhas contato.
Não te olvides de que, pelas Leis que regem a Vida, adentrarás, na ordem
natural, em tempos próximos ou não, a faixa dos que sentem, hoje, o peso dos
anos de aprendizados e lutas, sobre o próprio dorso. E, pensando no que
desejarias receber, em tal ocasião, serve e ama, no presente, com entusiasmo e
devotamento os teus idosos”.

No cenário mundial ocupa hoje, o Brasil o décimo primeiro lugar em população
idosa, prevendo-se que nos próximos anos saltaremos para o sexto lugar com o
significativo número de um bilhão e cem milhões de pessoas acima dos sessenta
anos.

Certamente, muitos dos que hoje estudam essas reflexões, comporão tal
estatística. Assim — o que estou fazendo hoje aos idosos com que convivo, é
diante de Jesus, o que gostaria que fizessem comigo? Como, no momento atual,
estou me preparando para essa realidade?

Quem marcha sob a luz da Doutrina Espírita, busca o Pai, tem Jesus como
modelo, não desanima nem teme as ocorrências menos felizes ou naturais da vida
pois sabe que há sempre raios de luz a penetrar na noite a fim de transformar a
existência em dia de festa, nos tempos que não se acabam, nos dias que se
sucedem a oferecer ao Espírito Imortal tudo aquilo que a Evolução necessita para
se afirmar.

Bibliografia:

  • Andréa, Jorge – Dinâmica Psi – estudo 27.
  • Kay, Ruth – Instituto Nacional de Saúde Mental EUA – 1990.
  • Filho, Peroni Cid – Você é o remédio – Mensagem para o idoso.
  • Ângelis, Joanna – Divaldo P. Franco – Vida, desafio e soluções
    – estudo 6.
  • Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. XIV –
    3-4.
  • Emmanuel – F. C. Xavier – Luz no Lar – Compaixão em família.
  • Ivan de Albuquerque – J. Raul Teixeira – Cântico da Juventude.
  • Emmanuel – F. C. Xavier – Família – Honrai Pai e Mãe.

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(Jornal Verdade e Luz Nº 185 de Junho de 2001)

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