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Chico Xavier: O Homem Futuro I

Chico Xavier: O Homem Futuro I

Francisco Candido Xavier não é anormal nem lida com o sobrenatural.
Quarenta anos de mediunidade e nenhuma explicação concreta para seu caso. Jornais,
revistas e livros falam dele, mas estão repletos de dúvidas, suspeitas e ironias.
Tudo isso ocorre hoje, quando as ciências procuram esclarecer os fenômenos mais
espantosos.
Sua obra psicográfica e sua paranormalidade, levam o autor deste artigo a afirmar
que Chico Xavier é o protótipo do novo homem que está surgindo: o homem psi.

Jornais a revistas de todo o Brasil divulgam constantemente – desde a publicação
do livro Parnaso do Além-Tumulo, em 1932 – entrevistas com o médium Francisco Cândido
Xavier. Isso quer dizer que há quarenta anos Chico Xavier vem sendo entrevistado
pela imprensa. Mas há também entrevistas de rádio a televisão. Em junho de 1971,
ele apareceu no programa Pinga-Fogo, do Canal 4, em São Paulo, que então teve a
sua mais longa permanência no ar, e a maior repercussão. Em dezembro do mesmo ano,
Chico Xavier voltou ao vídeo no mesmo programa, que teve duração ainda maior. Emissoras
de televisão de todo o Brasil adquiriram vídeo-tapes dessas entrevistas e o último
programa foi transmitido via Embratel, cobrindo todo o território nacional. Chico
Xavier se viu elevado à altura de líder espiritual mais famoso do pais. Assembléias
legislativas e câmaras municipais de todo o Brasil prestaram-lhe e continuaram a
prestar-lhe homenagens solenes.

Fizeram-no cidadão honorário das principais cidades brasileiras. Agora mesmo,
no mês de maio de 1973, recebeu o titulo de Cidadão Paulistano.A obra psicográfica
de Chico Xavier é simplesmente espantosa: 117 volumes já publicados, alguns traduzidos
para o inglês, francês, espanhol, grego, japonês e o esperanto.

Apesar de tudo isso, o fenômeno Chico Xavier é ainda um enigma. As numerosas
reportagens a seu respeito limitam-se a informar o publico sobre sua vida e sua
obra. Não obstante, o avanço atual das ciências já permite uma explicação científica
do caso. O desenvolvimento da parapsicologia e as últimas conquistas da física nuclear,
forneceram elementos suficientes para análise objetiva dos chamados fenômenos paranormais.
Chico Xavier se enquadra na moderna classificação de sujeito paranormal. É um sensitivo
ou médium, um homem que se abre em dimensões psíquicas fora do comum, capaz de percepções
extra-sensoriais ou extra-somáticas, é capaz também de atividades telecinéticas,
de ação a distância, ou seja, de produzir efeitos materiais sem contato dos seus
órgãos corporais.

Não apresentamos aqui uma reportagem sobre Chico Xavier, mas um estudo científico
do caso, Chico Xavier. Damos as respostas que há quarenta anos o público, a imprensa,
o radio e a televisão estão reclamando. Vamos mostrar que Chico Xavier a um homem-psi,
um novo tipo de homem que está se desenvolvendo em nosso tempo mas que tem as mais
profundas raízes históricas.

Uma definição do homem-psi

Desde Giambattista Vico (1668-1744) com sua teoria das três idades ou fases históricas
da humanidade, passando por Augusto Comte com sua lei dos três estados da evolução
do homem, chegamos à era contemporânea, em que a antropologia cultural nos oferece
novos esquemas do processo evolutivo do homem.

Podemos estabelecer um esquema, segundo a antropologia cultural, que nos mostra,
a partir do homem pré-histórico, uma seqüência de tipos característicos de várias
etapas da evolução humana. Teríamos assim: o homem biológico ou primata, o homem
tribal ou gregário, o homem anímico ou pré-civilizado, o homem teológico das civilizações
teocráticas, o homem racional da individualização ateniense, o homem metafísico
da era pré-científica, o homem positivo da era científica e o homem psicológico
da era tecnológica, dos nossos dias. Cada um destes tipos se define dentro do seu
horizonte cultural, segundo a tese dos culturalistas alemães.

Em meados do século 18, o prof. Denizard Rivail, aceitando a sugestão de um leitor
erudito da Revue Spirite, acrescentou à lei dos três estados de Augusto Comte o
estado psicológico. Iniciavam-se no mundo, a partir dos Estados Unidos e da França,
as pesquisas psíquicas. O prof. Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, tinha
fundado o espiritismo científico, do qual se desenvolveriam as varias ciências psíquicas,
cujo ultimo ramo é a parapsicologia atual. Não podemos confundir essas ciências
com as chamadas ciências ocultas, pois as ciências psíquicas excluem qualquer elemento
de magia e se restringem rigorosamente às pesquisas de tipo cientifico.

Com a parapsicologia surge o conceito de homem-psi, um tipo de homem que supera
o psicológico em virtude de suas possibilidades extra-sensoriais e extra-somáticas,
hoje cientificamente provadas através de pesquisas universitárias nos principais
centros científicos do mundo. Quando tratamos, pois, do homem-psi, não estamos encarando
apenas uma possibilidade científica ou partindo para uma abertura nas ciências,
mas pisando em terreno sólido de uma realidade científica já positivada.

Quando falamos psi estamos além do psíquico e do psicológico. Porque os fenômenos
psi pertencem à área do paranormal, que extravasa os limites da pesquisa psicológica.
As ciências psicológicas delimitaram o seu campo aos fenômenos normais ou habituais
do nosso psiquismo. A própria psicologia profunda, a partir da psicanálise, reduziu
a teoria do inconsciente a um conceito de ordem somática, sujeitando o seu desenvolvimento
ao processo do crescimento orgânico em relação com o meio. Daí a crítica do prof.
Joseph Banks Rhine a toda a psicologia atual, considerando-a como simples ecologia
e propondo à parapsicologia a tarefa de reintegrar essa ciência ecológica (que trata
das relações sujeito-meio) em sua verdadeira natureza, desenvolvendo-lhe através
de novas pesquisas “o seu objeto perdido”.

Para o prof. Rhine a subordinação do psiquismo ao soma (da alma ao corpo) sub­verteu
o processo natural do desenvolvi­mento da psicologia, submetendo os métodos psicológicos
ao que ele chamou de “ditadura da física”. Assim, aquilo que pode­mos chamar homem-psicológico
é um ser tridimensional, cuja razão se fecha nas suas categorias decorrentes da
experiência sensorial. O homem-psi corresponde a um conceito novo da razão e da
mente em que surge uma nova dimensão com a descoberta da percepção extra-sensorial.
Trata-se de uma verdadeira ampliação do conceito do homem, que retorna às dimensões
espirituais antigas, enriquecido com as provas cientificas, e por isso mesmo, liberto
da ganga das superstições, do misticismo dogmático a do pensamento mágico.

A palavra psi não é mais do que o nome de uma letra do alfabeto grego, largamente
em­pregada nas ciências. Foi escolhida para designar os fenômenos paranormais, abrangendo
todo o campo desses fenômenos.

Quando falamos fenômenos psi não esta­mos indicando uma possível realidade material
ou espiritual, não estamos conceituando esses fenômenos, mas apenas dando-­lhes
uma designação técnica. O campo de psi se divide em duas áreas: a da psigama e a
da psicapa. Na palavra psigama temos a junção da letra gama à letra psi e na palavra
psicapa a junção da letra kapa. A área de psigama abrange os fenômenos psi de ordem
subjetiva, a percepção extra-sensorial. A área de psicapa abrange os fenômenos psi
de ordem objetiva ou telecinéticos. Podemos colocar num gráfico essa classificação
dos fenômenos parapsicológicos para maior compreensão do problema.

P S I

PSIGAMA CLARIVIDÊNCIA

TELEPATIA

PRECOGNIÇÃO – MEMÓRIA
EXTRA-CEREBRAL

RETROCOGNIÇÃO – FENÔMENOS
THETA

PSICAPA PSICOCINESIA

TELECINESIA

PIROVASIA

PROJEÇÃO DO EU

FENÔMENOS THETA

Clarividência é a visão a distância ou através de corpos opacos; telepatia é
a transmissão de pensamentos; precognição é a visão do futuro; retrocognição é a
visão do passado; memória extracerebral ou extrasomática é a lembrança de vidas
anteriores, que não pode estar no cérebro; fenômenos theta são fenômenos relacionados
com a morte, como avisos de morte a possíveis comunicações de espíritos de pessoas
mortas.

Todos esses tipos de fenômenos têm a sua existência provada cientificamente e
cons­tam de vasta bibliografia científica dos nos­sos dias, apoiada também numa
ampla bibliografia do século passado e princípios deste século.

No campo da interpretação, há divergências que deram origem a várias escolas
ou cor­rentes parapsicológicas, mas no tocante à existência desses fenômenos não
há propriamente divergências e sim controvérsias sobre a validade e a suficiência
das pesquisas. A parapsicologia atual, apoiada num gigantesco acervo de pesquisas
realizadas nos maiores centros universitários do mundo, oferece elementos suficientes
para a análise, o estudo e a avaliação de casos aparente­mente inexplicáveis como
o de Chico Xavier. Por outro lado, o avanço da física além da matéria, com a descoberta
da antimatéria e mais recentemente com a descoberta pelos russos do corpo bioplástico
do homem (e também dos vegetais a dos animais), fortalece a posição da parapsicologia.

Chico Xavier o homem-psi

Para quem conhece o fenômeno Chico Xavier, basta examinar o esquema acima dos
fenômenos psi para ver que o médium neles se enquadra perfeitamente. As pessoas
que leram livros como Chico Xavier, Quarenta Anos de Mediunidade, de Roque Jacinto;
No Mundo de Chico Xavier, de Elias Barbosa; Trinta Anos com Chico Xavier, de Clóvis
Tavares, sabem que todos os fenômenos da classificação parapsicológica ocorrem com
o médium. Por isso mesmo, pela amplitude da fenomenologia que o caracteriza como
sujeito paranormal, Chico Xavier se apresenta como protótipo do homem do futuro,
ou seja, do homem-psi que nele se define às portas da era cósmica.

Não queremos dizer com isso que Chico Xavier seja um caso único. Tomamo-lo apenas
como exemplo desse novo tipo humano que se desenvolve atualmente em todo o mundo.
Os fenômenos paranormais ocorrem na Terra desde todos os tempos. As pesquisas, antropológicas
mostram que em todas as épocas a em todas as latitudes do globo esses fenômenos
sempre se manifestaram. John Murphy, em seu livro Origines et Históire des Religions;
Ernesto Bozzano em Popoli Primitive a Manifestazioni Supranormali; James Frazer
em The Golden Bough e Magie et Religion (edição Quillet) são exemplos clássicos
dessa confirmação antropológica.

Mas Murphy, estudando o problema da profecia (ou precognição) analisa o processo
de desenvolvimento das faculdades paranormais do homem e demonstra que ele segue
o ritmo da civilização. Pouco a pouco, através dos ciclos históricos, a mente humana
se abre para a percepção extra-sensorial. E essa abertura só se efetiva no plano
social quando as condições do meio o permitem.

O homem-psi só poderia surgir depois do grande desenvolvimento das ciências no
século 18 a na primeira metade do século 19. O milênio medieval, segundo Wilhelm
Diethey, desenvolveu a razão que devia eclodir no Renascimento. O surto do racionalismo
nos tempos modernos criou condições para a compreensão e aceitação dos fenômenos
paranormais. Por isso o século 19 daria nas­cimento às ciências psíquicas, a partir
das pesquisas espíritas, pois só então havia condições para que o fenômeno paranormal
fosse encarado objetivamente. Esses fatos nos mostram que o homem-psi só poderia
definir-se simultaneamente com a abertura da era cósmica.

Não é por outro motivo que ao lado da corrida espacial entre os Estados Unidos
e a URSS assistimos, neste momento, à corri­da parapsicológica entre as duas potencias
que conquistam o espaço cósmico. A percepção extra-sensorial è o equipamento do
astronauta, do homem que terá de romper as distancias do cosmo. Em 1971 a Apolo-14
pousou na Lua a levava em sua tripulação o astronauta e homem-psi Fred Mitchel que
transmitiu, com relativo sucesso, mensagens telepáticas para a Terra. Não bastaria
este fato para explicar o sucesso e a fama de Chico Xavier no Brasil e no mundo?
Uma nova era está nascendo e um novo homem, adaptado a ela, marca as novas condições
da humanidade terrena. Pa­ra as dimensões cósmicas dessa era teremos as condições
extra-sensoriais do homem-psi.

Continua no próximo Boletim

(Publicado no Boletim GEAE Número 469 de 27 de janeiro de 2004)

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