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Chico Xavier: O Homem Futuro III

Chico Xavier: O Homem Futuro III 

Mas Chico Xavier não é somente um sensitivo-psigama, restrito a fenômenos subjetivos
de percepção extra-sensorial. Os fenômenos, psicapa, de efeitos físicos, também
se realizam com ele de maneira espontânea, até mesmo no meio da multidão.

Emmanuel, seu guia espiritual – seu eu controlador, segundo a expressão de Gus­tave
Geley é quem limita essas ocorrências em favor da maior atividade psicográfica do
médium. Fenômenos de materialização, de transporte de objetos, de transubstanciação,
de efeitos luminosos inteligentes, de impregnação fluida perceptível, de ideoplastia
e , de voz-direta a escrita-direta também ocorrem com ele. O próprio Emmanuel já
se materializou, dando prova palpável da sua existência. Nosso companheiro de PLANETA,
conversava com Chico Xavier. Ao nosso lado, em Uberaba, pela primeira vez. Subitamente
foi impregnado de perfume de rosas nas mãos e nos braços.

Ninguém mais sentia o per­fume, a não ser que ele aproximasse a mão, como fez
conosco. O próprio Chico nada percebia. Um fenômeno físico, objetivo. Nas sessões
da Comunhão Espírita Crista de Uberaba é comum a manifestação de ondas de perfumes
característicos da presença de certas entidades. A impregnação de líquidos, principalmente
água em recipientes fecha­dos, que os freqüentadores levam para fluidificação é,
também freqüente. Nessas ocasiões, objetos tocados pelo médium, como uma caneta
que lhe emprestam, ficam per­fumados por vários dias .Esse fenômeno é bastante conhecido
nos meios espíritas. Verifica-se com vários médiuns em todo o mundo. A transubstanciação
é a modificação de um liquido, alterando-lhe as qualidades ou modificando-as por
completo. Tem ocorrido espontaneamente com Chico Xavier. Nos casos de materialização
Chico cai em transe inconsciente. A projeção do eu, também chamada bilocação ou
desdobramento, ocorre com ele. A bilocação pode ser subjetiva ou objetiva. Nos casos
de objetivação o eu projetado se torna visível e ate mesmo palpável. Esse fenômeno
corresponde a um verdadeiro desdobramento da personalidade. O eu se desliga do soma
(do corpo) e se projeta a distância, levado por um chamado da pessoa querida ou
por uma preocupação do próprio médium com alguém. O desprendimento se dá de uma
maneira instantânea. O corpo fica em estado letárgico. O eu (ou espírito) revestido
do corpo espiritual a que se referia o apostolo Paulo, consegue adensar esse corpo
por um esforço da vontade e se mostra como a pessoa integral, podendo falar e tocar
as demais pessoas. Nos casos subjetivos ninguém o vê, mas o eu desprendido pode
fazer observações a distância a provar posteriormente que lá esteve de alguma maneira.
Tudo isso parecerá demasiado fantástico e até mesmo improvável para as pessoas estranhas
aos problemas do paranormal não obstante, trata-se de um fenômeno acessível a pesquisa
cientifica.

Chico Xavier e a epilepsia

A reportagem de uma revista nacional conseguiu fotocópia de um eletroencefalograma
de Chico Xavier e submeteu-o ao exame de psiquiatras paulistanos. Estes chegaram
a conclusão de que o médium é epilético. A revista anunciou que o cérebro de Chico
era anormal. Mas acontece que o eletro não fora provocado por nenhuma consulta de
Chico e sim pelo seu próprio medico, dr. Elias Barbosa, professor da Faculdade de
Medicina de Uberaba, interessado em pesquisas sobre o transe mediúnico. Por outro
lado, o gráfico examinado e publicado referia-se apenas a um momento de pesquisas,
que exigira vários registros. Os gráficos feitos com Chico em estado normal não
acusavam alterações significativas das ondas cerebrais. Somente o gráfico cor­respondente
ao estado de transe; quando Chico recebia uma mensagem, acusou alterações que os
psiquiatras consideraram graves. Evans e Osborn apresentaram no Colóquio Parapsicológico
de Utrech, em 1953, uma comunicação sobre experiências de eletroencefalografia com
sujeito hipnotizado, sem resultados apreciáveis. Wallwork aplicou o eletro em experiências
com cartas especiais para testes parapsicológicos mas o sujeito saia de transe a
cada aplicarão. O transe mediúnico – como no caso de Chico Xavier – por sua maior
profundidade e também pela aquiescência de entidade comunicante, é o que mais se
presta a essas pesquisas. O objetivo das experiências do dr. Elias Barbosa foi plenamente
atingido, como se vê pelos gráficos que publicamos. No caso de Chico Xavier verificou-se
a interferência, no cérebro, de influências estranhas ao seu estado normal. Longe,
pois, de tratar­-se de alteração patológica. O que ali se verificava era um indicio
positivo daquilo que o professor Ernesto Bozzano considerava “a ação de uma mente não-encarnada sobre a mente encarnada
do médium.”

Rhine esclarece bem esse problema em O Novo Mundo da Mente e Pratto apóia em
Parapsychology – Frontier Science of lhe Mind, lembrando ambos que psi reclama uma
nova concepção da personalidade humana, encarada essencialmente psíquica e não somática.
Estas palavras de Rhine definem claramente a questão: “A prova experimental que
hoje possuímos, de que a personalidade humana possui princípios não-físicos, permitirá
aos psiquiatras armarem-se melhor para se dirigirem a uma filosofia menos materialista
no tocante à interpretação dos seus pacientes a da sua pratica. O resultado seria
uma resistência mais firme ante o conceito totalmente materialista da terapia. Essa
reorientação do pensamento abriria caminho para a consideração de novas hipóteses,
bem como pa­ra novas explorações das zonas fronteiriças, que atualmente permanecem
relativamente fechadas”.

A concepção materialista-mecanicista dominante em nossa cultura, particularmente
no campo da medicina a da terapia em geral, como acentuou Rhine, está agora sob
o impacto das novas descobertas da parapsicologia e da física. Estamos naquilo que
Kilpatrick chamou “uma civilização em mudança”. Não podemos encarar um sujei­to
paranormal como anormal ou patológico, nem também como um ser sobrenatural. Os extremos
se encontram no erro. Chico Xavier é apenas um exemplar do homem-psi da era cósmica,
que já se desenvolve aceleradamente na Terra.

O mecanismo do paranormal

O eletroencefalograma de Chico Xavier, mesmo no campo da psiquiatria, pode e
deve ser interpretado com maior largueza de vista. Ao invés de acusar um estado
patológico que não se confirma por sintomatologia típica nem pelo comportamento
mental e psicológico do sujeito, nem ainda por suas reações fisiológicas fora do
transe, confirma em termos de pesquisa a sua paranormalidade espontânea e exaustivamente
com­provada. Essa a tese do dr .Elias Barbosa, que dirigiu a pesquisa e se considera
muito satisfeito tom os resultados iniciais. Ten­taremos resumir o que nos disse
a respeito o ilustre medico e professor de medicina.

Ainda não há – disse-nos ele – explicação definitiva para a causa das descargas
de alta freqüência nos focos críticos de um paciente epilético típico. Alterações
bioquímicas locais, isquemia e perda dos sis­temas inibitórios vulneráveis de .pequenas
células estão entre os mecanismos possíveis que contribuem para a hiperexcitabilidade
e/ou respostas hipersincronizadas e excessivas. Essa a opinião de James Toman, apoiada
pelo professor De Robertis, para quem as lesões focais podem simular certas formas
de epilepsia, mas parece que as crises podem ocorrer sem lesões aparentes, e que
o mecanismo fundamental estará por­tanto em nível macrocelular a bioquímico. Sabemos
que um eletroencefalograma normal não é garantia absoluta da normalidade e que ,
segundo Grossmann, 20 por cento dos pacientes nesse caso continuam apresentando
fenômenos psico-sensoriais como o do já visto ou o do nunca visto; perturbações
auditivas, autemismos ou crises psicomateriais. No estudo da mediunidade psicográfica
e dos fenômenos mediúnicos em geral, é bom lembrar a advertência de Donald Klass
de que o registro e a interpretação adequados do eletro requerem treinamento especial
e extrema experiência, em virtude das muitas armadilhas técnicas existentes. Uma
interpretação errônea pode acarretar conseqüências mais graves que a falta de informação.
É que também re­fere Garchedi Luccas ao tratar do trabalho de Falconer que contraria
o conceito de Penfield.. Luccas conclui sua análise afirmando que ficam muitas questões
em aberto a relacionando varias delas.

Só pelo registro de ondas pontiagudas tipo Sharp nas regiões temporais a esquerda
-após a hiperpneia – inicialmente tom predomínio nas anteromediais e depois com
o aparecimento de raros surtos de ondas Sharp nas regiões temporais a direita, sem
predomínio nítido (como se vê do relatório do dr. Borges) poderíamos concluir que
o cérebro de Francisco Candido Xavier seja enfermo? Absolutamente não!

Ao que tudo indica, o foco critico nada mais seria do que o ponto de ligação
entre as forças da entidade comunicante e as forças do aparelho receptor. Estudos
posteriores em outros médiuns em atividade poderão confirmar essa hipótese. Esse
foco com­promete o grande sistema límbico, responsável pelo comportamento do individuo,
pela sue homeostase afetivo-emocional. Epi­lepsy is not a disease but
a symptom
, escre­veu Neville Seuthwell. Diga-se o mesmo da mediunidade, que
no caso de Chico Xavier é uma síndrome de faculdades superiores que desabrocham
no homem atual em benefício de toda a humanidade.

Em acréscimo a esses esclarecimentos do dr. Elias Barbosa lembraremos que parapsicologicamente
o cérebro de Chico Xavier não é anormal nem patológico, mas simplesmente paranormal.
A palavra paranormal foi cunhada especialmente para distinguir as funções a os fenômenos
inabituais, dos habituais que caracterizam a nossa vida rotineira a das suas alterações
mórbidas estudadas pela patologia. Já é tempo de aprendermos a fazer essa distinção
na terapia e na imprensa.

Final

(Publicado no Boletim GEAE Número 471 de 24 de fevereiro de 2004)

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