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A Controvérsia sobre a reencarnação

A Controvérsia sobre a reencarnação

Temos visto opiniões de várias pessoas, seguidoras de outros segmentos
religiosos, combatendo a reencarnação, entretanto percebemos que lhes falta a
lógica e a razão, agem mais por fanatismo religioso.

Vamos buscar a lógica da reencarnação.

Mas, primeiramente, devemos falar que para alguns nos ensinos de Jesus não
encontramos nada a respeito, assim sendo não há como aceitar tal princípio. A
isto temos duas respostas. A primeira, supondo-se que se realmente Jesus não
tivesse dito nada a respeito devemos convir que isto seria um argumento fraco,
pois o próprio Jesus disse: “Muitas coisas ainda tenho para dizer-vos mas não
as podeis compreender agora”
(João 16, 12), assim podemos afirmar, com a
absoluta certeza, que mesmo que não ele tivesse dito nada sobre isto não quer
dizer necessariamente que não exista, pois ele mesmo afirma não ter dito tudo
que deveria dizer. Segundo, na realidade ele confirmou a reencarnação quando
disse que João Batistas era o Elias que estava para vir: “ E se quiserdes
aceitá-lo, ele é o Elias que há de vir. Quem tem ouvidos, ouça”.
(Mateus 11,
14-15).

Não queremos que nossos argumentos tenham base somente no Evangelho,
queremos, mais que tudo, demonstrar que a lógica nos obriga a aceitar a
reencarnação.

Vemos que apesar destas pessoas se dizerem espiritualistas, na verdade dão ao
corpo físico maior importância que ao espírito eterno que habita este corpo,
agem, portanto como verdadeiros materialistas, pois é nele que esperam voltar um
dia, quando da ressurreição dos mortos em que acreditam.

Devemos, também, deixar bem claro que nossos argumentos serão compreendidos
somente por aqueles que acreditam, sem dúvida alguma, na imortalidade da alma,
porque fora disto não há o que argumentar.

Segundo a crença destas pessoas a alma, ou espírito, é criado no momento da
concepção, ou seja, somente a partir do início da formação embrionária do corpo
físico é que Deus cria o espírito que irá habitar aquele novo corpo. Isto
eqüivaleria dizer que Deus, na criação dos espíritos, estaria subordinado à
vontade humana, pois os espíritos só poderiam ser criados quando um casal
humano, numa relação sexual, iniciasse a formação embrionária de um novo ser.
Não dá para aceitar tamanho disparate deste.

Mesmo não aceitando isto, vamos, para continuar nossa linha de raciocínio,
admitir que seja da forma como pensam. Se assim for, teremos que admitir Deus
totalmente parcial, que não age com igualdade ao criar os espíritos, porque a
uns dá a inteligência, a outros a “burrice”, uns a sabedoria em determinadas
áreas do conhecimento humano, a outros nada devem aprender tudo, uns um perfeito
corpo físico, a outros um corpo deformado, uns a mais completa riqueza, a outros
a miséria e pobreza, e assim por diante, fiquemos por aqui, pois a lista seria
enorme, com isto tudo ainda teimam em afirmar ser Deus plenamente justo. Mas que
justiça é essa em que um Pai dá tratamento diferenciado a seus filhos? Por outro
lado, somente aceitamos esta inconcebível justiça divina quando tais coisas não
acontece com os nossos próprios filhos, para os filhos dos outros é tudo normal,
é tudo muito justo. O nosso egoísmo nos deixa cegos, não conseguimos compreender
que tais coisas são absurdas vindo de um Deus, pois o mais miserável pai humano
que tivesse em suas mãos o poder de dar a seus filhos tudo o que eles quisessem
não os colocariam em situações tão opostas perante a vida.

Vejamos um outro ponto. Se nossos espíritos são criados juntamente com o
corpo físico, como dizem, então não entendemos porque algumas crianças desde bem
cedo já manifestam precocemente, em seu comportamento, tendências para a
maldade. Será que foi Deus que as colocou nesta vida com este caráter de maus? É
possível isso? Ficaria dificílimo a salvação destas crianças, não? Por que vemos
certas crianças sem a mínima afinidade para com o pai ou a mãe ou até mesmo para
com os dois? Será também isto obra de Deus? Mas que Deus é este que já desde
cedo coloca no coraçãozinho de uma criança um tremendo ódio pelos próprios pais?
Porque os filhos se tornam tão diferente uns dos outros, se tem a mesma
educação, supondo-se que nenhum conhecimento possuíam ao nascer, eram, vamos
dizer, espíritos “zero km”? A não ser a esdrúxula explicação: é mistério de
Deus, e os mistérios de Deus são insondáveis. É uma explicação que não explica
nada a não ser continuar deixando Deus em atitudes de desigualdade e injustiça
perante suas criaturas.

Temos, ainda, que o lugar onde nascemos é Deus quem nos coloca, não é mesmo?
Assim por que faz alguém nascer num lugar onde todo o meio contribui para que
ele se torne um mau elemento, seria também isto justo?

Para completar estas pessoas dizem que ao morrermos iremos para o céu ou para
o inferno, ambos para toda a eternidade. Que para merecermos o céu basta nos
arrependermos de nossos pecados ou aceitar Jesus como salvador. Mais uma vez não
conseguem se aperceberem do absurdo disso.

Suponhamos uma pessoa passe toda a vida no crime, e um pouco antes de morrer
se arrepende de tudo, aí segundo pensam, vai para o céu. Onde estaria a justiça
divina se isto acontecesse? De que adiantaria passarmos todos os dias da nossa
vida cultivando as virtudes se o nosso “prêmio” é o mesmo de quem não agiu desta
maneira, que aberração de justiça é esta? Este mesmo raciocínio serve para os
que aceitam a Jesus como salvador, se não se tornam dignos de serem chamados de
seus verdadeiros discípulos, não há como receber recompensa sem que tenha feito
algo para merecê-la.

Gostaria também de saber se é justo recebermos uma pena eterna pelos erros
cometidos por uma passagem rápida pela vida. Se vivêssemos uns 100 anos e neles
só cometêssemos erros, é perfeitamente aceitável como justo 100 anos de
“inferno” não mais que isto. Mas ainda, admitem Deus, que dizem ser a suprema
justiça, nos dando castigo bem maior que os nossos erros. Vejam que o tratamento
do ser humano para com um criminoso é mais justo que o de Deus, pois coloca-o na
prisão por um tempo em que ele possa pagar sua pena e ainda voltar a conviver em
sociedade, chegando ao ponto de reduzir sua pena se ele tiver um bom
comportamento dentro do estabelecimento penal.

Por tudo isto vemos que não haveria justiça Divina se as coisas funcionassem
desta maneira, entretanto coloque aí a reencarnação e tudo se encaixa,
passaremos a ver as coisas de outro ângulo, e somente aí é que poderemos
encontrar Deus agindo na mais perfeita justiça.

As características do nosso caráter, que temos muitas vezes desde criança, é
apenas um reflexo de experiências, pelas quais passamos na escala evolutiva,
adquiridas em nossas vidas anteriores, assim como os conhecimentos e toda e
qualquer tendência que possamos ter. Outras situações como corpo deformado e
riqueza, por exemplo, seriam oportunidades de aprendizado para o nosso espírito
que em vidas passadas violou as leis divinas, que agora na “prisão” de um novo
corpo físico busca aprender, reparar e depurar-se para depois ser libertado e
conquistar as alturas celestiais. Devemos compreender, finalmente, que sendo o
nosso espírito eterno ele é mais importante que o nosso corpo físico, assim é a
ele que devemos valorizar, buscando incansavelmente seu aprimoramento, sua
evolução moral e espiritual, para que um dia estejamos junto ao Pai Celestial.

Dentro deste conceito todos nós, independentemente de querermos ou não,
seremos, vamos dizer, arrastados pelo amor de Deus para junto Dele, passando
pela necessária evolução individual a que todos nós estamos sujeitos. Todos
recebem igualmente e na mesma medida as oportunidades de aprendizado e evolução,
ninguém é excluído. Nós os humanos não já estamos chegando perto disto quando
colocamos, neste ano, como tema da Campanha da Fraternidade: “Novo milênio sem
exclusão”.

Abr/2000.

Bibliografia:

  • Bíblia Sagrada, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 8ª edição, 1989.