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Criminalidade

Criminalidade

(…) Se, realmente, os fatores orgânicos, emocionais, ambientais ou
mesológicos, onde se enquadram também os sociais, se estes fatores estão
associados a certas atitudes violentas, convém notar, por outro lado, que a
educação, a fé esclarecida, o bom exemplo, o tratamento afetivo contornam muitos
problemas e neutralizam o ódio e a revolta. Quando a criatura humana é
despertada ou encontra a sua estrada de Damasco – modifica-se profundamente. A
fera humana, dominada pelo desespero ou pelo instinto sanguinário, pode
transformar-se no homem cordato e prestante, se for bem orientado em relação à
vida espiritual e à Justiça Divina. A Mensagem do Cristo penetra nas almas mais
rudes, como nos corações mais endurecidos. A sugestão muito insistente pode
desviar muita gente do bom caminho e abrir um abismo para os crimes; mas também
a sugestão caridosa, dirigida no sentido de fazer o Bem, é uma força poderosa e,
por isso mesmo, capaz de contrabalançar os efeitos da sugestão ruinosa.

(…) Os diagnósticos sociais ainda não se interessam pelo argumento
reencarnacionista, mas também não explicam satisfatoriamente as antipatias e
aversões entre irmãos, entre pais e filhos, entre colegas, etc. Por que se
repelem irmãos do mesmo sangue? Se, afinal, não houve neste mundo, motivo para
este ódio, qual a causa? Herança? Avaria de alguma glândula? Estrutura cerebral?
Não há explicação fisiológica porque é problema inerente ao espírito. São
criaturas rivais, de outras existências, agora reencarnadas sob o mesmo teto
para o necessário reajustamento. As antipatias podem levar à luta e ao crime,
mas podem ser desfeitas pela mudança de idéias, quando cada qual cai em si e
toma a disposição de apagar a “mancha” do passado. O progresso há de vir, mais
cedo ou mais tarde…

A supremacia do Espírito, ao estancar os assomos de agressividade, é uma
prova de que o homem não é um autômato. A lição de Hahnemann (o fundador da
Homeopatia) em comunicação dada em 1863 e constante do livro O EVANGELHO SEGUNDO
O ESPIRITISMO, capítulo IX, n° l0, acerca da cólera, vem ajustar-se inteiramente
ao nosso raciocínio de que o corpo e o Espírito se relacionam muito nas atitudes
da criatura humana.

“Indubitavelmente – diz Hahnemann – temperamentos há que se prestam mais que
outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis, que se prestam melhor
aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí reside a causa primordial da
cólera. ” E continua: “um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será
sempre pacífico; um Espírito violento, mesmo que num corpo linfático, não será
brando…” Vale a pena repetir o que este Espírito ensina na mensagem citada:

“O corpo não dá cólera àquele que não a tem, do mesmo modo que não dá os
outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A
não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado
não pode tomar-se direito, porque o Espírito nenhuma parte tem nisso. Mas pode
modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme.” Se o homem não
tivesse possibilidades de se corrigir, ou de vencer a cólera, o desânimo, a
degradação moral, não haveria a lei do progresso, como arremata Hahnemann.

É certo que em muitos casos a obsessão incute idéias perniciosas ou lança
sementes de ódio ou de desconfiança.

Quando, porém, a vítima é bem preparada pelo esclarecimento e pela educação
espiritual, ela encontra forças, em si mesma, para reagir às sugestões
inferiores.

Convém destacar que o esforço empregado em penitenciárias e favelas, junto a
elementos considerados marginais, presta um auxílio considerável à sociedade,
exatamente porque é um trabalho de educação e reforma interior. Muitos
contraventores e criminosos foram regenerados em prisões e até na vadiagem pela
ação educativa e pela suavidade da mensagem espírita, mensagem que reergue e
reconduz à normalidade sem imposição, sem o temor de castigos, mas pela clareza
e pela exemplificação do amor ao próximo. Muitos caíram ou se deixaram devorar
pelos vícios ou foram esbarrar nas grades da prisão justamente porque não
conheciam o Cristo. Sem qualquer preocupação de proselitismo, a assistência
espírita se reanima cada vez mais na palavra do Cristo, principalmente aos
doentes da alma.

Temos aqui, para terminar, um dos mais edificantes exemplos da ação espírita
no campo criminal. É um documento que deve ficar na história do Espiritismo no
Brasil. O jornal A Flama Espírita, de Uberaba (Minas), publicou uma carta do Dr.
Wandyr de Assis, Promotor da Justiça da cidade de Prata, também Minas (jornal de
21/10/ 8 li na qual a autoridade judiciária agradece a eficiente e zelosa
colaboração dos espíritos junto aos detentos na Cadeia Pública.

É uma carta escrita em termos tais, que nos comovem pela beleza do depoimento
e pela relevância dos fatos relatados. A carta do Promotor é dirigida ao Grupo
Espírita “Corações Unidos”, daquela cidade mineira. Afirma ele, com toda
franqueza, que já verificou resultados surpreendentes na recuperação de presas,
encaminhando-os ao bom caminho, mediante uma pregação sistemática e profícua. A
declaração, como estamos vendo, é de uma autoridade, que reconhece os beneficias
prestados pela assistência espírita na Cadeia.

Em expressões repassadas de nobreza espiritual, apesar de sua condição de
católico romano praticante, o Promotor Wandyr de Assis realça o trabalho
espírita e toma como exemplo de regeneração o seguinte caso: Será ainda lembrado
o nosso amigo Célio de Oliveira, homem devotado ao crime, incorrigível cidadão,
que sempre se colocou diante dos guardas e pedia para ser surrado, pois era
indomável. Indiciado em mais de cem delitos, entretanto, após algumas leituras
do Evangelho e ouvir os elucidários deste maravilhoso Grupo, deixara para trás o
embrutecimento de suas atitudes, para encontrar a paz o carinho e a vida social.

Deixou a cadeia para se tornar realmente um homem de bem.

Sente-se muita inspiração cristã nas palavras do Dr. Wandyr de Assis. Grande
trabalho, portanto, realizado com zelo, dedicação e perseverança. Mais uma prova
de que a Doutrina Espírita educa e reforma.

(Pelo espírito Deolindo Amorim – em Violências, Pena de Morte e outros Dramas
de Celso Martins)

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