Tamanho
do Texto

Crônica verde e amarela para Chico Xavier

Crônica verde e amarela para Chico Xavier

Estamos todos com a pele verde e amarela. Comemorando, entusiástica e
orgulhosamente porque sentimos de volta a nossa auto estima ressurgir, e de um
modo bem brasileiro, fazendo barulho, gritando, sambando, cantando, sorrindo, e
explodindo, arrancando a emoção do peito, acreditando que, do sentimento de
inferioridade e derrota antecipada, tiramos a crença, a força e a garra para
superar a nós mesmos…

Pela primeira vez não atribuímos a nossa conquista àquele jeitinho
brasileiro. Também não fizemos uso da lei da vantagem, também não agimos de
maneira inconseqüente com aquela atitude de que, na hora a gente dá um jeito e
tudo acaba dando certo. Desta vez não confiamos tanto na nossa capacidade de
improvisação, aprendemos a valorizar o espírito de equipe, o trabalho árduo, a
humildade do treinador da Seleção e a atitude de colaboração como regra básica
para chegar a um resultado que beneficie a todos. O bem e a felicidade comuns
parece que foram os grandes motivos por trás de todos os esforços…

E, em meio a tanta festa, tantas comemorações e tantas atitudes e emoções
coloridas de verde, amarelo, azul e branco, enquanto cantávamos que a “a taça do
mundo é nossa”, alguém que foi grande, que marcou não só o nome do Brasil no
cenário mundial pela sua mediunidade, mas também deixou a marca do maior médium
do século, e talvez até tenha sido de dois séculos, pois Chico Xavier nasceu há
92 anos, portanto no século passado, e o seu “coração só parou no início da
noite do domingo” – como afirma Amilcar Del Chiaro na sua Elegia a um Homem
Simples e Bom, – depois de mais de 400 livros psicografados e 75 anos de
mediunidade consoladora. Coração que pulsou ao compasso do amor durante 92 anos
(fecha aspas)”.

Mas, com certeza, ele mesmo não falaria sobre os fatos quantitativos da sua
obra, mas sim do seu significado e objetivos, e da simples e pura dedicação. A
palavra humilde, ficaria por nossa conta também, pois ele nunca se classificou
de humilde ou de bom. No entanto, falou sim, muitas vezes, da oportunidade que
teve de realizar o seu trabalho com amor. Do seu desprendimento ele também não
falava como auto elogio, mas deixava transparente para se ver, pois do contrário
seria impossível realizar tal obra sem esta qualidade pessoal – o desapego.

Mas, em meio a tanta festa, tantas atitudes e emoções coloridas de verde,
amarelo, azul e branco, vai-se embora um homem, que discretamente sai pela porta
dos fundos, após realizar um grande trabalho. Ele não quer ser aplaudido. Ele
apenas quer que leiam e entendam as mensagens das quais foi portador. Como um
gesto que só pode ser espontâneo vindo de uma grande alma, Chico Xavier sai de
cena de forma simples, quase imperceptível, não dando oportunidade nem para que
a imprensa pudesse fazer extensas coberturas do seu desencarne, pois estávamos
todos ocupados em comemorar o fato de nos tornarmos “penta campeões mundiais de
futebol”. Com a simplicidade dos grandes, ele desaparece por trás da cortina do
tempo, como se fosse voltar daqui a pouco. Quase não nos demos conta de que, num
domingo tão grande de emoções, o dia ainda tivesse tempo para fazer acontecer
esta despedida. O Brasil se tornou penta campeão, e recebe, como acréscimo,
também um troféu único que não se repetirá nem fará parte de nenhuma Copa do
Mundo, por possuir durante tantos anos, um dos seus filhos, escalado não por um
treinador, mas pela Espiritualidade, para tornar-se o maior médium de todos os
tempos e viver para sempre no espírito de religiosidade do povo brasileiro.

01-07-2002