Tamanho
do Texto

Curso de Introdução ao Espiritismo Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec Parte 10 – Provas da Existência do Perispírito

Curso de Introdução ao Espiritismo Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec Parte 10 – Provas da Existência do Perispírito

Eis aqui vários exemplos:

A vidente de Prévorst.

Na Alemanha, bem antes da moda das Mesas Girantes e da codificação espírita,
Mme Friedrike Hauffe (1801-1829), conhecida sob o apelido de “vidente de Prevorst
” era capaz de ver os Espíritos. Gravemente doente, ela foi seguida pelo Dr Kerner
que escreveu sua biografia. Este fez várias averiguações para se assegurar da realidade
desses espíritos, perceptíveis somente para a vidente.

Pode-se citar os fatos seguintes:

– Um fantasma de mulher, levando em seus braços uma criança, se mostra à Mme
Hauffe várias vezes. Como isso ocorria mais freqüentemente na sua cozinha, ela mandou
levantar algumas lajes e encontrou-se, à uma profundidade bastante grande, o cadáver
de uma criança.

– Em Weinsperg, a alma de um guarda-livros, que havia cometido algumas infidelidades
durante sua vida, veio rogar, em sobrecasaca negra surrada, que dissesse à. sua
viúva para procurar os livros escondidos nos quais se encontravam suas falsas escrituras
e indicou o lugar onde estavam e que os denunciasse à justiça. Ela obedeceu. Com
a ajuda desses livros, todas as injustiças do morto foram reparadas.

– Em Lenach, foi a alma de um burgomestre chamado Bellon, morto em 1740, na idade
de setenta e nove anos, que veio lhe pedir conselhos para escapar à perseguição
de dois órfãos. Ela lhe deu seus conselhos, e após seis meses a alma não voltou
mais. Encontra-se esta morte mencionada nos registros da paróquia de Lenach, com
uma nota dizendo que o burgomestre havia feito injustiça à várias crianças das quais
ele era tutor.

Evocação do Dr Glas (Revista Espírita, ano 1861, página 148)

As perguntas são feitas por Allan Kardec, as respostas são dadas por um médium
escrevente.

P. – Fazeis uma distinção entre o vosso espírito e o vosso perispírito, e qual
diferença estabeleceis entre essas duas coisas?

R. – Penso, logo existo e tenho uma alma como disse um filósofo: não sei mais
do que ele sobre esse ponto. Quanto ao perispírito, é uma forma, como o sabeis,
fluídica e natural; mas procurar a alma, é querer procurar o absoluto espiritual.

P. – Credes que a faculdade de pensar reside no perispírito; em uma palavra,
que a alma e o perispírito sejam uma só e a mesma coisa?

R. – É absolutamente como se me perguntásseis se o pensamento reside em vosso
corpo; um se vê, o outro se sente e se concebe.

P. – Vós sois assim não um ser vago e indefinido, mas um ser limitado e circunscrito?

R. – Limitado, sim, mas rápido como o pensamento.

P. – Quereis precisar o lugar onde estais aqui?

R. – A vossa esquerda e à direita do médium.

Nota – O Sr. Allan Kardec se muda para o mesmo lugar indicado pelo espírito.

P. – Fostes obrigado a deixar o vosso lugar para me o ceder?

R. – De nenhum modo; nós passamos através de tudo, como tudo passa através de
nós, assim é o corpo espiritual.

P. – Estou, então, situado em vós? R. – Sim.

P. – Porque é então que não vos sinto?

R. – Porque os fluidos que compõem o perispírito são muito etéreos, nada bastante
material para vós; mas pela prece, pela vontade, pela fé em uma palavra, os fluidos
podem se tornar mais ponderáveis, mais materiais, e afetar mesmo o toque, o que
ocorre nas manifestações físicas.

Nota – Suponhamos um raio luminoso penetrando num lugar escuro; pode-se
atravessá-lo, mergulhar nele, sem alterar-lhe a forma nem a natureza; ainda que
esse raio seja uma espécie de matéria, ela é tão rarefeita que não faz nenhum obstáculo
à passagem da matéria mais compacta.

Era evidente que a melhor maneira de saber se os Espíritos têm um corpo era perguntando-lhes
diretamente . Ora jamais, depois que se os evoca, constatou-se que os desencarnados
tenham dado uma resposta negativa. Todos afirmam que seu envelope perispiritual
tem tanta realidade para eles quanto nosso corpo físico tem para nós. É então um
ponto estabelecido pelo testemunho unânime de todos aqueles que têm sido interrogados.
Isto explica e confirma as visões dos sonâmbulos e dos médiuns. Chegamos à esta
ordem de testemunho que fazem o perispírito sair completamente das concepções puramente
filosóficas, para lhe dar uma existência positiva.

Goethe

Wolfgang von Goethe passeava numa noite de verão chuvosa com seu amigo K….
regressando com ele do Belvédère em Weimar. De súbito o poeta se detém, como diante
de uma aparição, e ia falar. – K… não se duvida de nada. – Subitamente Goethe
exclama: ” Meu Deus! se não estivesse certo que meu amigo Frédéric está nesse momento
em Francfurt, eu juraria, que é ele! … ” Em seguida, arrebenta em uma formidável
explosão de riso: – ” Mas é bem ele… meu amigo Frédéric!… Tu, aqui em Weimar?…
Mas em nome de Deus, meu caro, como fizeste … vestido com meu roupão… com meu
gorro… com meus chinelos nos pés… aqui na avenida?…” K…. como já vinha lhe
dizendo, não via absolutamente nada de tudo aquilo, e se espanta, crendo o poeta
atingido subitamente de loucura. Mas Goethe ocupado somente com sua visão exclama
estendendo os braços: ” Frédéric! onde tens estado… grande Deus? Meu caro K…
não notou, como tem passado a pessoa que acabamos de reencontrar? ” – K… estupefato,
não respondia nada. Então o poeta girando a cabeça de todos os lados, exclama, com
ar pensativo: “Sim! Compreendo… é uma visão… entretanto, qual pode ser o significado
de tudo isso?… Meu amigo teria morrido subitamente?… Seria esse então seu espírito?
… ”

Lá embaixo, Goethe entra em seu lar, e encontra Frédéric na casa… Seus cabelos
ficam em pé: “Para trás, fantasma! ” exclama ele recuando, pálido como um morto.
– ” Mas, meu caro, é esta a acolhida que fazes a teu mais fiel amigo?…” – ” Ah!
desta vez, exclama o poeta rindo e chorando ao mesmo tempo, não é um espírito é
um ser “de carne e ossos”, e os dois amigos se abraçam com efusão.

Frédéric tinha chegado ao lar de Goethe ensopado pela chuva e vestido as roupas
secas do poeta; em seguida, dormido no seu sofá e sonhado que ia ao reencontro de
Goethe, e que este o havia interpelado com essas palavras: ” Tu aqui em Weimar ?…
que… com meu roupão… meu gorro… e meus chinelos, na avenida? … ” – Desde
esse dia o grande poeta acreditou em uma vida após a vida terrestre.

Desdobramento do corpo

A História geral da Igreja, por Y., o barão Henrion (Paris, 1851, tomo
II, pág. 272) (1) relata assim o fato miraculoso a seguir, após a chegada
de Alphonse de Liguori:

Na manhã de 21 de Setembro de 1774, após haver dito a missa, Alphonse jogou-se
no seu sofá; estava abatido e taciturno e sem fazer o mínimo movimento, sem articular
uma só palavra de prece, nem dirigir nunca a palavra a ninguém, permaneceu neste
estado todo o dia e toda a noite seguintes; durante esse tempo não tomou nenhum
alimento e via-se que não desejava nenhum serviço em torno de sua pessoa. As domésticas,
que desde o início haviam percebido sua situação, mantinham-se na porta do quarto,
mas não ousavam entrar.

Na manhã de 22, perceberam que Alphonse não havia mudado de atitude, e não sabiam
mais o que pensar; receavam que pudesse ser outra coisa além de um êxtase prolongado.
Entretanto, quando a hora estava um pouco mais avançada, Liguori agitou a sineta
para anunciar que queria celebrar a santa missa.

A esse sinal, não somente a irmã secular encarregada de o servir no altar, mas
todas as pessoas da casa, e outras estranhas, acorreram com desvelo. O prelado pergunta,
com ar de surpresa, porque tanta gente. Respondem-lhe que há dois dias ele não falara
nem dera nenhum sinal de vida”. É verdade, replica, mas vocês não sabem que eu tinha
ido assistir o papa que acabou de morrer”.

Uma pessoa que havia entendido esta resposta, vai, nesse dia mesmo, levá-la a
Sainte-Agatha; daí ela se espalhou logo até a Arienzo, onde residia Alphonse. Acreditou-se
que isso não fosse mais que um sonho, mas não tardou a se ter a notícia da morte
de Clemente XIV, que havia passado a uma outra vida em 22 de Setembro, precisamente
às sete horas da manhã, no momento mesmo em que Liguori havia retomado seus sentidos.

Na história dos papas, Novais faz menção desse milagre, relatando a morte
de Clemente XIV. Diz que o soberano Pontífice havia cessado de viver em 22 de Setembro
de 1774, às sete horas da manhã (a terceira hora para os Italianos), assistido dos
generais de Agostinho, dos Dominicanos, dos Observantinos e dos Conventuais, e,
o que interessa ainda mais, assistido miraculosamente pelo bem-aventurado Alphonse
de Liguori, conquanto que afastado do corpo; assim ressalta do processo jurídico
do sobredito bem-aventurado, aprovado pela. Sagrada Congregação dos Ritos.

Pode-se citar casos análogos como o de Santo Antonio de Pádua, São Francisco-Xavier
e, sobretudo, Maria de Agréda cujos desdobramentos se produziram durante vários
anos.

Para saber mais:

  • A alma é imortal de Gabriel Delanne (1ª parte, cap. II, Estudo da alma
    pelo magnetismo
    )
  • A alma é imortal de Gabriel Delanne (1ª parte, cap. III, Testemunhos
    dos médiuns e dos Espíritos em favor da existência do perispírito
    )
  • A alma é imortal de Gabriel Delanne (1ª parte, cap. IV, O desdobramento
    do ser humano
    )
  • A alma é imortal de Gabriel Delanne (1ª parte, cap. V, O corpo fluídico
    após a morte
    )
  • O Espiritismo diante da ciência de Gabriel Delanne (4ª parte, cap. II,
    Provas da existência do perispírito)