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Diretrizes administrativas

O Centro Espírita é uma escola de aprendizado moral e intelectual para a alma.
Para conseguirmos cumprir com seu plano de aprendizado, ensino e assistência, certamente
vamos ter que contar com uma organização onde exista alguns elementos fundamentais,
tais como: o dirigente espírita, o plano de trabalho, a organização interna, a avaliação
dos trabalhos, a propaganda do Espiritismo, os recursos humanos (principal fonte
de recursos materiais), as medidas preventivas e o código de conduta.

O Dirigente Espírita

O dirigente espírita é o gerente da casa doutrinária. Caberá a ele e à sua diretoria
a função de administrar e coordenar as ações, elaborar planos e fazer cumprir a
sua execução. É dele a responsabilidade de orientar as atividades doutrinárias,
trabalhar o desenvolvimento espiritual dos membros do grupo e planejar seu sistema
administrativo.

Allan Kardec sempre dizia que a vida serve de elemento de referência ao aprendizado.
Nas escolas e instituições do mundo, alguns princípios diretivos validados pela
história as orientam. Há, por exemplo, pessoas que determinam e outras que cumprem.
Não é possível que todos determinem ou que todos obedeçam ao mesmo tempo. É fundamental,
no entanto, que todos trabalhem, cada um cumprindo seu papel no serviço cristão.

O Centro Espírita tem um corpo administrativo que precisa ser coordenado por
uma metodologia lógica. Sem trabalho organizado, não há trabalho produtivo.

Imaginemos um barco navegando sem capitão. Uma nau que a cada dia recebesse um
tipo de orientação. É certo que não chegaria a lugar algum. O mesmo acontece com
uma empresa sem diretores, sem um plano de serviços ou na qual falta o cumprimento
de deveres de seus funcionários. Os resultados certamente não serão satisfatórios.

O dirigente espírita deve ser o responsável pelo direcionamento administrativo
do Centro Espírita. Esse indivíduo precisa ser ativo e não só figurativo, como acontece
em algumas casas. A função de dirigir é delicada. Além da firmeza, o dirigente deverá
se conduzir com certa flexibilidade para acertar os detalhes e nuanças naturais
do trabalho em grupo.

O dirigente deverá valer-se da auto-crítica mais do que todos. Não poderá dispensar
o auxílio de um grupo de companheiros para ajudá-lo. Este grupo poderá ser a própria
Diretoria ou o Conselho Administrativo, quando este ocupar as funções desta última.

A casa espírita será administrada como sendo uma empresa a serviço do Alto, a
quem deveremos prestar contas no final da nossa jornada reencarnatória. Por isso,
é preciso planejar o trabalho doutrinário nos seus detalhes, executando-o e avaliando
resultados.

Nas mãos do dirigente estará depositada a tarefa relevante de estimular e desenvolver
em cada um o ideal e o amor pela causa espírita. Se o dirigente for frágil ou leviano,
é quase certo que o grupo sob sua orientação tenderá a acompanhá-lo nas próprias
atitudes.

O Plano de Trabalho

Logo na primeira Reunião Administrativa do ano, o dirigente e trabalhadores da
casa espírita deverão fazer um planejamento básico anual das atividades para o período
que se inicia. Este planejamento não será invariável e poderá ser ajustado na medida
das circunstâncias observadas no passar do tempo.

Serão tratados assuntos tais como: realização dos cursos para iniciantes e membros
efetivos; promoção de eventos doutrinários; eventos promocionais; ajuste de taxas
pagas pelos associados; reforma ou pintura do prédio; eleições etc.

No Plano de Trabalho deverá também constar o período de descanso para os trabalhadores
no final do ano, plantões etc.

Este planejamento administrativo será motivo de discussão nas sessões administrativas
regulares, para que seja cumprido da melhor forma possível. O planejamento ajuda
a fixar metas, o que estimula os trabalhadores da casa.

Organização interna

O Centro Espírita deverá ter uma organização administrativa interna, de modo
que suas atividades sejam gerenciadas de maneira racional e não a esmo, como se
faz normalmente. Alguns itens devem ser observados:

  1. Organização administrativa
  2. Diretoria ou Conselho Administrativo
  3. Reuniões de Diretoria ou de Conselho Administrativo
  4. As Reuniões Gerais

a) Organização administrativa O planejamento de toda e qualquer
tarefa que se vai empreender é um dos fatores que determinam o seu êxito. No Centro
Espírita não poderia ser diferente. O planejamento administrativo deve ser previamente
elaborado, com a colaboração de todos os associados, onde será discutido todo o
plano de trabalho do grupo para o ano em curso. Dessa forma, será possível projetar
gastos, viabilizar eventos e trabalhar com antecedência na captação de recursos
para as diversas frentes de trabalho. Quanto maior o grupo, mais necessidade de
planejamentos haverá.

É importante que se divida a casa espírita quanto aos seus diversos setores de
serviço. São os chamados departamentos. Se a casa for um pequeno núcleo não haverá
necessidade dessa divisão, mas se for uma casa de maior porte, convém que o trabalho
seja dividido, assim como as funções e responsabilidades. É preciso saber quem vai
fazer o quê.

Quando houver eleições com mudança da Diretoria, os novos administradores deverão
levar adiante os planos já estipulados pela administração anterior. Eles poderão
acrescentar novas idéias ao Plano Administrativo, porém, evitarão que ele seja modificado
em demasia. Mudanças constantes provocam instabilidade no grupo e desestímulo à
sua atuação.

b) Diretoria ou Conselho Administrativo Os Espíritos atrasados
sempre foram um grande obstáculo ao bom andamento dos trabalhos espíritas. Com freqüência,
corre-se o risco de cair presas dessas entidades. Quando nos colocamos a trabalhar
a sós essa possibilidade de domínio aumenta consideravelmente.

A administração do Centro Espírita é um posto vital para o sucesso de suas atividades.
Por isso, a responsabilidade do posto diretivo precisa ser dividida com outros membros
da sociedade. Duas ou mais cabeças pensam melhor do que uma, portanto o trabalho
em equipe é um dos segredos do sucesso em uma administração. Deve, entretanto, ser
uma equipe coesa, unidas pelo mesmo ideal.

O serviço administrativo da casa espírita pode ser desempenhado pela forma convencional,
ou seja, pelo comando da Diretoria, ou através de um Conselho Administrativo, composto
pela Diretoria e outros membros responsáveis.

Nas experiências administrativas que fizemos no Grupo Espírita Bezerra de Menezes,
em São José do Rio Preto, SP, experimentamos substituir a administração de Diretoria
por uma forma mais democrática chamada Conselho Administrativo. Trata-se de um grupo
de pessoas, que a tudo planeja, executa e avalia. Ele é presidido pelo Presidente
da casa.

c) Reuniões de Diretoria ou do Conselho Administrativo O Conselho
Administrativo se reúne periodicamente a cada dois meses, ou em ocasiões extraordinárias,
para planejar, discutir e examinar as atividades desenvolvidas. Em suas reuniões,
discutem-se também os mecanismos internos de funcionamento do centro, propondo soluções
para problemas que possam surgir na rotina diária da sociedade. As responsabilidades
são distribuídas entre os conselheiros e o peso das tarefas é diluído. O Conselho
Administrativo poderá ser constituído por um número de até dez associados.

Nas reuniões de Diretoria ou do Conselho Administrativo, será preparada a pauta
da Reunião Geral, que envolverá todos os trabalhadores do Centro Espírita.

c) As Reuniões Gerais Uma grande fonte dos males que tem sido
observada nas casas espíritas é a falta de comunicação entre os dirigentes e os
trabalhadores. Allan Kardec diz que a afinidade de pensamentos em torno dos ideais
espíritas é fonte de força moral. Esse princípio se reflete em tudo o que se faz
na casa espírita, mormente na sua administração. Quando estamos numa reunião mediúnica,
por exemplo, e não existe entre seus membros uma razoável afinidade de idéias, aparecem
repelões na corrente magnética – espécie de influxos mentais contrários -, que entram
em choque e prejudicam o fluxo das boas idéias. É comum observar-se um clima de
profunda desarmonia entre trabalhadores de uma mesma casa. A Reunião Geral é o recurso
que encontramos para minimizar as diferenças que naturalmente existem entre aqueles
que compõem o quadro de associados de um Centro Espírita.

A Reunião Geral congrega a Diretoria ou o Conselho Administrativo junto ao corpo
de associados. O funcionamento da casa é avaliado por todos os seus componentes
e os problemas e pendências discutidos abertamente. Tudo se passa como numa família.
Acertadas as deficiências e examinados os resultados do que no período anterior
foi feito, inicia-se o planejamento para a execução no próximo bimestre.

Os planos e decisões deverão ser práticos e objetivos. Tudo o que tender a levar
o grupo para o campo da idolatria, das reverências, da burocracia, das distinções
e coisas do gênero deverá ser afastado da pauta de trabalho. Seria de bom proveito
que a reunião de Diretoria ou do Conselho Administrativo acontecesse na semana anterior
à da Reunião Geral, para que houvesse consenso no planejamento da pauta e dos assuntos
a serem debatidos. Os diretores ou conselheiros deverão levar para a Reunião Geral
a pauta de trabalhos previamente elaborada.

Nessas ocasiões sempre é conveniente o Presidente da casa fazer uma exortação
ao trabalho e ao ideal espírita. Sem idealismo não se vai longe.

Que os associados sejam conscientizados sobre o quanto é prejudicial as faltas
às sessões de estudos, reuniões mediúnicas e eventos promovidos pelo Centro Espírita.

Que a ausência de cada um só aconteça por motivo de força maior. Onde os trabalhadores
não são assíduos, não há serviço produtivo. Quando uma pessoa falta sem motivo justo,
causa problemas no sistema administrativo do centro. Esta atitude costuma aborrecer
outros companheiros e dar origem a comentários desagradáveis, que geram uma desarmonia
incompatível com o recolhimento necessário.

As reuniões gerais devem ser abertas com a evocação fervorosa dos bons Espíritos,
pedindo-lhes sua ajuda para se ordenar as discussões e a movimentação dos pensamentos.

As reuniões administrativas, quando são assistidas por entidades esclarecidas,
tornam-se produtivas. Reuniões onde há desentendimentos, com brigas e acusações,
são contaminadas pela presença de Espíritos inferiores.

A dinâmica dos trabalhos nas reuniões administrativas será orientada por uma
diretriz, onde o responsável faz os comentários sobre o item escolhido, dando subseqüente
espaço para discussões, análises e planejamentos.

A avaliação dos trabalhos

A proposta apresentada tem como único objetivo despertar os companheiros que
detém em suas mãos a tarefa de conduzir as casas espíritas, para uma realidade mais
condizente com os dias atuais. Os centros espíritas necessitam modernizar-se, sob
pena de serem esmagados pelos inadiáveis apelos da modernidade.

Necessitamos rever nossos métodos administrativos e avaliar seus resultados.
Se forem bons, deixemos como está. Mas se deixam a desejar no que diz respeito à
qualidade dos serviços prestados à comunidade, por que não tentar um método mais
moderno e mais dinâmico de administração?

A realidade dos centros espíritas atualmente nos mostra que precisamos fazer
alguma coisa para melhorar suas práticas. Deixá-los como estão significa omitir-se,
é acomodação, é não compreender a tarefa que foi colocada em nossas mãos. Allan
Kardec nos diz, na Revista Espírita de dezembro de 1868, que:

“… há mais coragem e grandeza em reconhecer abertamente que se enganou,
do que persistir, por amor-próprio, no que se sabe ser falso e para não se dar um
desmentido a si próprio, o que acusa mais teimosia do que firmeza, mais orgulho
do que razão, e mais fraqueza do que força. E mais ainda: é hipocrisia, porque se
quer parecer o que não se é; além disso é uma ação má, porque é encorajar o erro
por seu próprio exemplo”.

Assim, convém que todas as atividades do Centro Espírita sejam regularmente avaliadas
para se verificar resultados e investigar algum ponto que esteja necessitando de
melhorias. De preferência que esse trabalho de avaliação seja feito a cada dois
ou três meses.

A propaganda do Espiritismo

Com os recursos disponíveis, devemos fazer um esforço para promover uma propaganda
espírita. Há um considerável número de grupos que vivem no anonimato e isso faz
com que eles tenham dificuldades para crescer. É preciso informar a comunidade que
o Centro Espírita está ali e que a Doutrina Espírita não tem relação com a Umbanda,
com o Candomblé e outros cultos espiritualistas.

Folhetos explicativos poderão ser confeccionados e distribuídos na cidade, demonstrando
o que é o Espiritismo e quais são os benefícios que as pessoas conseguem quando
se colocam sob sua orientação. Nesse tipo de propaganda, constará o nome do grupo
espírita, sua localização e dias de reuniões públicas.

Um pequeno jornal, enfocando temas evangélicos/doutrinários, com linguagem de
fácil acesso para os que nada conhecem da Doutrina, poderá ser idealizado e distribuído
nas casas dos bairros vizinhos pela mocidade ou associados em geral. Isso fará a
propaganda do Espiritismo e atrairá novos adeptos para a sociedade espírita.

Os recursos humanos

É evidente que o Centro Espírita não poderá sobreviver sem a ajuda de pessoas
abnegadas que viabilizam o seu funcionamento. São os trabalhadores da casa e da
causa. Entretanto, há que se ter certo critério na formação do quadro de servidores,
haja visto que serão pessoas que irão relacionar-se com todos os tipos de problemas
humanos.

O público virá à casa espírita atraído de várias formas. Além da propaganda do
Espiritismo, feita conforme citamos acima, existe uma forma mais convincente de
divulgação. Trata-se dos benefícios que a Doutrina Espírita proporciona àqueles
que com ela têm contato. O serviço de desobsessão, de curas e de orientação moral
promove um bem estar inesquecível. Quase todas as pessoas beneficiadas pelo Espiritismo
fazem a chamada propaganda boca-a-boca. Através desses meios, o Centro Espírita
ganha novos freqüentadores que, mais tarde, poderão iniciar-se nas fileiras de trabalho
da casa. Mas, para que a chegada de novos elementos não seja um problema, a casa
necessita de métodos disciplinares e de conduta que norteiem o seu funcionamento.
Assim, nunca será demais tomarmos providências para preservarmos a integridade da
sociedade. Apresentamos a seguir, algumas observações em torno de dois itens que
julgamos úteis à segurança do Centro Espírita. São as Medidas Preventivas e o Código
de Conduta.

Medidas preventivas

Além da presença constante dos Espíritos desencarnados inimigos do Bem, um outro
fator é causa de perturbação na vida administrativa das sociedades. São as pessoas
encarnadas. É comum encontrarmos centros espíritas que foram desfeitos por problemas
oriundos de pessoas dotadas de personalidade sistemática.

Por isso, faz-se necessário criar normas para a admissão de candidatos e mesmo
proceder com uma seleção junto aos interessados em ingressar no grupo. No caso de
já existirem essas pessoas problemáticas no quadro de trabalhadores, deve-se solicitar
que elas se enquadrem no novo sistema da casa. Se isso não for possível, convém
que sejam desligadas da sociedade, conforme recomenda Allan Kardec.

A carência de colaboradores existe em toda a parte. Poucas pessoas se dispõem
a deixar seus hábitos diários para dedicar-se ao serviço espírita. A maioria ajuda
quando pode, não havendo o compromisso efetivo com o trabalho. Vem dessa carência
o fato de se aceitar como trabalhador o primeiro que aparece.

Nota: Pessoas não consideradas aptas ao quadro de serviços devem ser orientadas
a frequentar as sessões públicas da sociedade, até que amadureçam o suficiente para
nova tentativa.

Algumas pessoas acreditam que não se deve impedir a entrada de elementos despreparados
no quadro de trabalhadores do Centro Espírita, ou mesmo que não se tem o direito
de repreender aqueles que se constituírem em motivo de desordem.

Dizem que agir assim é faltar com a caridade. O que falta a esses companheiros
é uma visão mais justa da caridade e o conhecimento das instruções fundamentais
do Codificador.

Os seis trechos que vamos comentar a seguir são citações de Allan Kardec. Elas
servirão de elementos importantíssimos na criação do sistema administrativo e gerencial
do Centro Espírita.

1º- As pessoas são cercadas por Espíritos:

“Uma reunião perfeita seria aquela em que todos os membros, animados do mesmo
amor pelo bem, só levassem consigo Espíritos bons. Na falta da perfeição, a melhor
reunião será aquela em que o bem supere o mal. Tudo isso é muito lógico para que
seja necessário insistir” –
(O Livro dos Médiuns – item 330).

Esta instrução dá motivos suficientes para que nos preocupemos com o ingresso
de novatos na sociedade. Há que se levar em consideração a influência espiritual
que cada um carrega consigo. Uma pessoa malfazeja vibra com entidades da mesma natureza
e, se for indevidamente colocada como membro, poderá trazer a desarmonia para os
outros.

Seria prudente acautelarmo-nos contra a tendência que temos de receber todos
os que nos procuram como se fossem enviados para nos ajudar. Em vez de colaboração,
nós poderemos estar recebendo na casa espírita a perturbação.

Não é tarefa muito simples a de identificar criaturas maldosas. As más tendências
costumam alojar-se sob o manto da aparência. Convém que a casa espírita disponha
de mecanismos que permitam observar os candidatos por um certo tempo, antes de admiti-los.
E mesmo depois de entrarem para a sociedade, que eles estejam sujeitos a um período
experimental de seis meses pelo menos.

2º- Compromissos indissolúveis:

“…os próprios compromissos que ligam os membros de uma sociedade criam obstáculos
para isso (o afastamento de elementos perturbadores). Eis porque é conveniente evitar
as formas de compromissos indissolúveis: os homens de bem sempre se ligam de maneira
conveniente; os mal intencionados sempre o fazem de maneira excessiva” –
(O
Livro dos Médiuns – item 337).

O Codificador alerta contra uma prática muito comum nos centros espíritas: a
de se assumir compromissos indissolúveis com os que chegam. Se, depois de algum
tempo, descobrir-se que a pessoa é um agente provocador, não haverá como afastá-la
sem causar profundo mal-estar.

É conveniente agirmos com prudência. Sempre que alguém se mostrar interessado
em tornar-se membro da sociedade, que o compromisso assumido com ele seja relativo.
Esclareça o candidato: se a experiência for positiva, ele fará parte do quadro de
servidores, caso contrário, será orientado a freqüentar a casa normalmente, até
que tenha condições para tentar novamente o ingresso como trabalhador. Se for bem
intencionado, aguardará.

3º – Os indivíduos-problema

“Além das pessoas notoriamente malévolas que se infiltram nas reuniões, há
as que, por temperamento, levam perturbação onde comparecem. Dessa maneira, nunca
será demasiado o cuidado na admissão de novos elementos. Os mais prejudiciais, nesse
caso, não são os ignorantes da matéria, nem mesmo os descrentes.

A convicção só se adquire através da experiência e há pessoas que de boa fé
querem se esclarecer. Aqueles contra os quais particularmente se devem acautelar
são as pessoas dotadas de idéias preconcebidas, os incrédulos sistemáticos que duvidam
de tudo, mesmo da evidência, os orgulhosos que pretendem ter o privilégio da verdade
e procuram impor sempre a sua opinião olhando com desdém os que não pensam como
eles.

Não vos enganeis com o seu pretenso desejo de esclarecimento” – (O Livro
dos Médiuns – item 338).

Neste item, observa-se a seriedade de Allan Kardec na forma como tratava a administração
dos centros espíritas. Ele nos dá as características básicas dos elementos perturbadores.
A princípio, fala das personalidades sistemáticas, dotadas de temperamento forte,
que levam a desarmonia onde comparecem. Depois, ensina que as pessoas mais problemáticas
nem sempre estão entre as ignorantes. Na maioria das vezes, elas se encontram justamente
entre os que já possuem algum conhecimento da Doutrina Espírita, mas que trazem
idéias preconcebidas a respeito das coisas e não gostam de ser contrariadas. Há
as que crêem que os Espíritos tudo devam fazer para demonstrar-lhes a verdade. Por
fim, chama-nos a atenção para os orgulhosos, pretensos donos da verdade.

4º – Inimigos encarnados

“Os mais perigosos não são os que o atacam abertamente, mas os que agem nas
sombras, os que o acariciam com uma das mãos e o apunhalam com a outra. Esses seres
malfazejos se infiltram por toda a parte onde possam fazer mal.

Sabendo que a união é uma força, tratam de destruí-la, semeando a discórdia.
Quem poderá então dizer que os que provoquem perturbação nas reuniões não sejam
agentes provocadores, interessados na desordem? Seguramente não são verdadeiros
nem bons espíritas, pois não podem fazer o bem e sim muito mal. Compreende-se que
tenham muito mais facilidades de se infiltrar nas reuniões numerosas do que nos
pequenos grupos em que todos se conhecem.

Graças a manobras escusas, que passam despercebidas, semeiam a dúvida, a desconfiança
e a inimizade. Sob a aparência do interesse pela causa criticam tudo, formam grupinhos
que logo rompem a harmonia do conjunto. (…) Essa situação, prejudicial a todas
as sociedades, o é ainda mais às sociedades espíritas, pois se não levar a uma ruptura,
provocará preocupações incompatíveis com o recolhimento exigido pelos trabalhos”
(O Livro dos Médiuns – item 336).

Essas palavras se referem claramente à presença dos falsos espíritas nas sociedades.
Quantas casas são prejudicadas pela formação de grupinhos que aparecem aqui e ali,
para criticar o que se faz em termos de trabalho. Quantas pessoas, valendo-se da
passividade administrativa, semeiam a discórdia e a desconfiança, destruindo e perturbando
os grupos.

Todos estes males podem ser minimizados com a criação de um sistema administrativo
ativo e moderno. Basta que os administradores façam sua advertência contra essas
pessoas, de maneira conveniente e benévola, abertamente, evitando subterfúgios.

5º – Elementos provocadores

“Pode-se estabelecer que todo aquele que numa reunião provoca desordem ou
desunião, ostensivamente ou por meios escusos, é um agente provocador ou pelo menos
um mau espírita de que se deve desembaraçar o quanto antes” –
(O Livro dos Médiuns
– item 337).

Se o ato de afastar alguém do Centro Espírita fosse falta de caridade, Allan
Kardec estaria dando um péssimo conselho aos seus seguidores. Nas palavras ditas
acima, vemos a maneira séria e objetiva como ele encarava o assunto. Não só aconselha
que os responsáveis afastem da casa os agentes perturbadores, como recomenda que
o façam o mais breve possível.

6º – Os inimigos desencarnados

“As sociedades, pequenas ou grandes e todas as reuniões, seja qual for a sua
importância, têm ainda de lutar contra outra dificuldade. Os fatores de perturbação
não se encontram somente entre os seus membros, mas também no mundo invisível. Assim
como há Espíritos protetores para as instituições, as cidades e os povos, os Espíritos
malfeitores também se ligam aos grupos e aos indivíduos. Ligam-se primeiro aos mais
fracos, aos mais acessíveis, procurando transformá-los em seus instrumentos, e pouco
a pouco vão envolvendo a todos, porque sua alegria maligna é tanto maior quanto
maior o número dos que tenham subjugado. Todas as vezes, pois, que num grupo uma
pessoa tenha caído na armadilha é necessário dizer que se tem um inimigo no campo,
um lobo no redil e que se deve ter cautela porque o mais provável é que aumente
as suas tentativas. Se não se desencorajar esse elemento por uma resistência enérgica,
a obsessão se torna um mal contagioso que se manifestará entre os médiuns pela perturbação
da mediunidade e entre os demais pela hostilidade recíproca, a perversão do senso
moral e a destruição da harmonia. Como o mais poderoso antídoto desse veneno é a
cari
dade, é ela que eles procuram abafar. Não se deve, pois, esperar que
o mal se torne incurável para lhe aplicar o remédio. Nem mesmo se deve esperar os
primeiros sintomas, pois é sobretudo necessário preveni-lo. Para isso, há dois meios
eficazes: a prece feita de coração e o estudo atento dos menores sintomas que revelem
a presença de Espíritos mistificadores” –
(O Livro dos Médiuns, – item 340).

Entre nós, o mal sempre foi subestimado. Por isso, encontrou campo aberto para
desenvolver-se. Condenando a crítica, lançando anátema sobre qualquer tipo de repreensão,
os Espíritos inimigos do Bem criaram a passividade no Movimento Espírita. Pior do
que isso, deram a este sistema inerte a aparência do bem.

Nas palavras do Codificador, vemos um alerta contra as trevas, demonstrando que
os maus Espíritos agridem os grupos espíritas, independente de seus membros terem
qualquer ligação com eles em outras encarnações. Mostra a delicada artimanha do
mal, explorando a personalidade dos mais fracos, criando condições para atingir
toda a sociedade.

Esclarece o Mestre, que se a obsessão cair sobre um grupo, a atividade mediúnica,
de um modo geral, ficará perturbada e a vida moral dos trabalhadores poderá ser
pervertida.

É significativo o número de Centros Espíritas que estão em estado de conflito,
porque não criaram mecanismos protetores para suas atividades. O Mestre desaconselha
a paciência com o mal, dizendo que é preciso extirpá-lo ao menor sinal. Fala, inclusive,
que é necessário preveni-lo, apontando dois medicamentos eficazes: a prece, feita
de coração, e uma vigilância capaz de apontar o menor sinal da presença dos Espíritos
embusteiros.

Nota: O administrador do Centro Espírita deve limitar a entrada de elementos
com características perturbadoras no quadro de servidores. Ainda que peque por excesso
de cuidados, a sobrevivência da sociedade é mais importante do que os interesses
das pessoas.

Código de Conduta

A vida moral do servidor espírita necessita de alguns cuidados especiais. Convém
que se estabeleça algumas normas morais de conduta, para facilitar a vida de todos.
Não será um mecanismo de imposição de costumes, mas servirá para mostrar o que devemos
ou não fazer no centro e fora dele.

As pessoas que procuram o Centro Espírita, costumam tomar a imagem do trabalhador
espírita como linha de referência para sua própria imagem. Por esta razão, as coisas
que fazemos e a forma como nos apresentamos no centro assumem relevante importância.

Normas de conduta precisam ser claras e objetivas e precisam ser apresentadas
aos membros novatos, de modo que lhes facilite o enquadramento na disciplina da
casa e na sua vida moral.

Vamos citar um Código de Conduta, oferecido a principiantes, a título de exemplo:

CÓDIGO DE CONDUTA

Você está se candidatando a membro desta sociedade espírita. Já passou pela fase
da iniciação e agora vai ser experimentado no serviço interno da casa. Esperamos
que este compromisso seja levado a sério, pois o trabalho com o Bem exige disciplina,
dedicação, renúncia e amor ao próximo.

Vamos apresentar aqui algumas normas de conduta que orientam nossa vida moral.
Elas servem de guia para as atitudes que tomamos dentro da casa e fora dela e foram
feitas baseadas nos trabalhos e advertências do Codificador, quando nos diz que
“…não basta que os membros da sociedade sejam partidários do Espiritismo em geral;
é necessário que concordem com sua maneira de ver. A homogeneidade de princípios
é condição sem a qual uma sociedade qualquer não poderia ter vitalidade. É, pois,
necessário conhecer a opinião dos candidatos, a fim de que não sejam introduzidos
elementos de discussões ociosas, que acarretam perda de tempo e poderiam degenerar
em dissensões” (Allan Kardec – Revista Espírita, 1859).

Esperamos que se adapte aos nossos costumes. Caso haja alguma dúvida ou dificuldade,
procure conversar com a direção.

01 – Ao nos tornarmos membros do Centro Espírita, estamos assumindo o compromisso
de ajudar a causa em todos os sentidos. Os associados colaboram financeiramente
com o Caixa Espírita. Procure a secretaria para definir sua doação mensal. Ela é
de sua livre escolha. Você receberá explicações de como é feito o recebimento da
taxa e das finalidades desses recursos.

02 – Se ainda faz uso de cigarro ou da bebida alcoólica, procure gradualmente
esforçar-se para deixar esses hábitos, considerados pela ciência e pela ética nocivos
à saúde e à alma. O trabalhador da seara do Cristo deve exemplificar o que aprende.

03 – Os setores de atividades internas são dirigidos por pessoas responsáveis
por eles. Procure ouvir pacientemente as orientações desses companheiros. Antes
de emitir opiniões ou conceitos sobre assuntos que não são de seu pleno conhecimento,
procure informar-se. Deixe suas observações para serem discutidas nas sessões de
estudos ou nas reuniões administrativas. Lembre-se: você está ingressando na sociedade
para aprender Espiritismo e servir seu próximo.

04 – Procure trajar-se de forma sóbria e simples, evitando exageros e inconvenientes.
A educação determina que se devem usar trajes apropriados ao ambiente.

Do mesmo modo que seria insensato comparecer num evento social com roupas esportivas,
também será estranho se dirigir a uma sociedade filosófica/religiosa, vestido como
se fosse a uma festa. Esteja vigilante quanto à sua conduta socialmente. Não esqueça
de que lá fora você continua sendo um espírita ligado a esta casa.

05 – O desenvolvimento intelectual e moral varia de uma pessoa para outra. Estude,
trabalhe e viva dentro de suas próprias possibilidades. Estude com calma e faça
as mudanças morais que achar conveniente de modo progressivo. A evolução não dá
saltos. Estamos juntos para aprender e vivenciar o Evangelho de Jesus à luz da Doutrina
Espírita.

06 – Cumpra com as funções que lhe forem determinadas e aguarde o momento certo,
quando será convidado a participar de outras. Lembre-se: se cuidar bem das pequenas
coisas, estará se habilitando para assumir as grandes. Sua responsabilidade não
é maior nem menor diante da tarefa na seara do Cristo. É simplesmente “responsabilidade”.

07 – A vida familiar é de importância vital para o equilíbrio do Espírito encarnado.
Se você tem problemas nessa área, procure ajustar-se através do trabalho e da orientação
recebida dos dirigentes da casa. Lembre-se: estamos entre amigos e irmãos. Seu trabalho
com o Cristo depende de sua paz pessoal.

08 – Se em qualquer período de sua estada entre nós, começar a sentir coisas
estranhas, tais como: alterações emocionais acentuadas, perturbações no sono etc,
comunique ao responsável pelo seu setor ou à direção. Todos somos passíveis de problemas
e podemos necessitar de auxílio mais direto em qualquer momento de nossa caminhada
terrena.

09 – Se você não estiver bem, a administração, se achar necessário, poderá suspendê-lo
temporariamente de suas funções atividades. Não tome isso como coisa pessoal; você
será informado da causa de seu afastamento e devidamente orientado. Tudo aqui é
feito visando o bom funcionamento do Centro Espírita e o bem-estar de seus membros.

10 – Quando estiver em conversação nas dependências da sociedade, procure apenas
comentar aspectos dignificantes da vida e das coisas em geral. Não se exceda no
processo de críticas. Estenda esse comportamento também à sua vida cotidiana para
que vivas bem.

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